sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Só a rajada de vento
dá o som lírico
às pás do moinho.

Somente as coisas tocadas
pelo amor das outras
têm voz.

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

E sou o mesmo que saí.
Volto e me vejo como me vi.
Nada de novo me aconteceu.
Eu sou irremediavelmente um só: eu,
eu da cabeça aos pés.

Mas não trouxe o que fora comigo:
alguma coisa me ficou perdida
nas ruas, nos passeios, nos cafés,
e estou ausente, molhado, amigo e inimigo,
entre mulheres, vagabundos, crianças, o frio, a chuva desta vida.

Abgar Renault (1901-1995)

A atualidade de Camões

Waldemar da Costa Neto
Vê que aqueles que devem à pobreza
Amor divino, e ao povo, caridade,
Amam somente mandos e riqueza,
Simulando justiça e integridade.
Da feia tirania e de aspereza
Fazem direito e vã severidade.
Leis em favor do Rei se estabelecem;
As em favor do povo só perecem.

Luís Vaz de Camões (1524-1589)
Era a reflexão de um Poeta atento ao mundo que o rodeava, e que, infelizmente ainda continua assim.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Jalal Ud-Din Rumi

Valeriy Chuikov - Lilac
Já é tarde, muito tarde.
O sol já desceu o poço.
Mas a Beleza desponta,
No brilho claro da lua.

De noite as almas avançam
A cumprir os seus destinos.
Quem souber essa verdade,
Tem a alma transparente.

Qual abelha, tua alma
É invisível. Mas olha,
Olha a colmeia
Cheia de mel.

Olha teu corpo,
Como é pequeno.
Mas tua alma,
Maior que os céus.

Noite após noite, a alma
Em sonhos se dissolve.
E a cada sonho, a alma
Abeira-se da Forma.

És alma da verdade,
Ó sonho de meus sonhos.
És forma sublimada,
E mais não sei dizer.

Rumi (1207–1273)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sintaxe

Aonde a planície já não tiver um sentido
e os campos forem já só o horizonte
aí o teu vestido há de ser cor esmaecido
e sobre ti a minha fronte.
Por te sobre os joelhos uma flor rubra
por te no lugar das pernas o mais amor que me houver
aí onde a flor deixa o pólen
aí o sémen mulher.
Por te sobre o sémen o gemido do teu ato
por te sobre o gemido
a planície sem sentido
aí o teu vestido há de ser cor esmaecido
por te sobre as pernas me dilato.

António Gancho (1940-2006)
Krishna Fluting
Da tua doce flauta
renascerá vibrante
o som mais puro
que reascenderá
a vida, a chama,
a luz do escuro!

Despertará no toque
as cordas dedilháveis
do meu alaúde,
devolverá ao mundo
a música esquecida
e a plenitude!

Nesse feliz dueto
sons de madrigais,
dança, luz e cor.
Porque na madrugada,
ao som da tua flauta
ressurgirá o amor!

Maria Lucia Nascimento

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Reflexão

À beira de um lago, Darma interroga Yudishsthira, o último dos pândava a resistir à tentação de saciar a sede nas suas águas. Dharma diz: não beba da água que é minha. Só lhe concederei tal permissão se me responderes às perguntas:
- O que é mais rápido que o vento?
E Yudishsthira respondeu: O pensamento.
– O que pode cobrir toda a terra?
A escuridão.
– Quais são mais numerosos? Os vivos ou os mortos?
Os vivos, pois os mortos não são mais.
– Dá-me um exemplo de espaço.
Minhas duas mãos juntas.
– Um exemplo de tristeza.
A ignorância.
– De veneno.
O desejo.
– Um exemplo de derrota.
A vitória.
– Qual é o animal mais astucioso?
Aquele que o homem ainda não conseguiu encontrar.
– O que apareceu primeiro? O dia ou à noite?
O dia. Mas ele precedeu a noite apenas por um dia.
– Qual é a causa do mundo?
O amor.
– Qual é o teu contrário?
Eu mesmo.
– O que é a loucura?
Quando Um caminha esquecido.
– E a revolta? Porque os homens se revoltam?
Para encontrar a beleza, tanto na vida quanto na morte.
– O que é inevitável, para cada um de nós?
(após pequena pausa para refletir) A felicidade.
– E qual é a grande maravilha?
Todos os dias a morte desfere golpes à nossa volta, várias pessoas fazem a passagem para aquilo que entendemos como morte, e mesmo assim nós vivemos como seres eternos. É esta a maior das maravilhas, respondeu.
Satisfeito, o lago se mostrou como Darma o pai e mãe de toda criação e abençoou o pândava pelo seu conhecimento e inspiração.
Fonte:( http://manateesp.blogspot.com/ )
O Papa Bento XVI foi recebido assim na Alemanha
Ratzinger, a cada país europeu que visita, chama multidões que protestam contra a influência indevida que o ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) tem nas sociedades. Quem se recorda de João Paulo II não pode deixar de reparar que o ambiente em volta do catolicismo está mudando radicalmente.
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domingo, 25 de setembro de 2011

No seu jardim feito de tinta...
com insólita serenidade
o poeta percorre as áleas da memória
e caminhando por entre signos
contempla a distração nula do tempo
o paradoxo incrível do ser
a ferida íntima da alma.

Ana Hatherly

Tic tac

As asas não se concretizam.
Terríveis e pequenas circunstâncias
Transformam claridades, asas, grito,
Em labirinto de exígua ressonância.

Os solilóquios do amor não se eternizam.

E no entanto, refaço minhas asas
Cada dia. E no entanto, invento amor
Como as crianças inventam alegria.

Hilda Hilst (1930-2004)

sábado, 24 de setembro de 2011

Alfred Guillou
Grande é o sol e longa a viagem
que empreende incansável pelo céu vazio.
E nos belos dias luminosos e azuis
mais espessa que chuva é a cortina de seus raios !

Robert Louis Stevenson (1850-1894)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Inicia-se a Primavera

Primavera - Sandro Botticelli
Vai embora, inverno...
Leva contigo o frio,
a solidão, a saudade
e deixa vir a primavera
vestir a terra de flores,
de verde, vida e cores.

Vem, primavera:
contigo renasce a vida,
brota de novo a poesia,
renova-se a esperança.

Vem, primavera:
lança sobre nós o sol,
raio de luz, força e cor,
essência de vida de nós,
pequenos filhos da terra.

Vem, primavera,
e traz contigo
a flor do jacatirão...
A festa da vida recomeça
e eu te festejo, primavera!

Luiz Carlos Amorim

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Paul Gauguin
Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.
Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?
Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.
Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda (1904-1973)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Antes soubesse eu
o que fazer com estrelas na mão.
Se dilacerar-lhes a ponta
ou simplesmente não tocá-las.
Se estão perto cegam meus olhos.
Se estão longe as desejo.
Antes soubesse eu
o que fazer com estrelas na mão.

Hilda Hilst (1930-2004)

Personalidades HIstóricas:

Raffaello Sanzio - "Detalhe" Escola de Atenas
“A vida é como uma sala de espetáculos; entra-se, vê-se e sai-se”.
Pitágoras (571 a.C. - 531 a.C)
Pitágoras viveu até seus 28 anos na Grécia antiga, foi exilado por questões políticas que o acusavam de fortalecer ideias irracionais e, assim, depois de exilado, teve que percorrer por lugares hoje conhecidos como Oriente e Europa.
Aos 40 anos de idade, retornou à Grécia e pôde, sob um regime político mais avançado e mais receptivo, propagar seus conhecimentos e, ao mesmo tempo, recebeu um convite para assumir um cargo de confiança e de poder como reconhecimento de alguns dos seus grandes feitos.
Mas, à medida que seus conhecimentos esotéricos e filosóficos foram lhe conferindo prestígio diante da sociedade, uma parte dominante do poder político, começou a se rebelar contra Pitágoras, tratando-o como um homem perigoso e colocando a população contra ele.
Usando sua sabedoria e iluminação, Pitágoras decidiu abandonar a política e inaugurar a Escola Pitagórica em um grandioso e belíssimo castelo construído em um terreno que recebera como presente de um rei.
Nesse castelo, alguns discípulos foram iniciados dentro dos conhecimentos de Pitágoras e selecionados por ele, passando por testes e provas, tanto de resistência física como de autocontrole e inteligência.
Esses iniciados eram uma pequena parcela da população e, em decorrência das enormes exigências impostas pela Escola Pitagórica, grandes discípulos se tornaram verdadeiros mestres. Um grande exemplo disso foi Aristóteles. Mas, com o decorrer dos anos, uma revolta política foi tomando força, junto à população, quanto aos conhecimentos de Pitágoras e, num ato de guerrilha, um grande número de pessoas invadiu a Escola Pitagórica e ateou fogo por todo o castelo.
Em um ato de amor e fé aos seus conhecimentos, Pitágoras se recusou a abandonar seu templo e, em meio às chamas, foi queimado junto aos seus escritos sagrados.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

“Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas”...

Mario Quintana (1906-1994)
Infecções Hospitalares causam
Cem Mil óbitos por ano no Brasil
Faz 26 anos que o Brasil criou a primeira Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), ligada ao Ministério da Saúde. Passados quase 30 anos, o país ainda não tem dados sobre quantas pessoas morrem anualmente por conta dessas infecções ou o índice de infecção que seria, por exemplo, aceitável na UTI, no berçário ou para doentes que estejam com pneumonia. No entanto, informações retiradas de estudos realizados por todo o país pela Associação Nacional de Biossegurança (Anbio) trazem números alarmantes: em média, 80% dos hospitais não fazem o controle adequado, o índice de infecção hospitalar varia entre 14% e 19%, podendo chegar, dependendo da unidade, a 88,3%, e cem mil pessoas morrem por ano por conta das infecções. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, estima que as infecções hospitalares atinjam 14% dos pacientes internados no país.
Os números que temos são estimativas. E, sem números, não sabemos quantos morrem por infecção ou por outros fatores. No que se refere às comissões, cada hospital tem a sua, e a grande maioria funciona burocraticamente. Então, o índice de infecção hospitalar depende da unidade onde o paciente estiver - diz Edmundo Machado Ferraz, fundador e presidente da comissão de controle de infecção hospitalar do Hospital das Clínicas da UFPE e consultor da OMS. - Esse problema só se resolve com transparência. É preciso saber o que acontece nas unidades, com processos controlados por protocolos. Não pode ter segredo. Tem que saber se o profissional se esqueceu de lavar as mãos corretamente, se o paciente fez uso inadequado de antibiótico.
Presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), Leila dos Santos Macedo diz que "o risco não pode ser eliminado nunca, mas é possível bloqueá-lo para que chegue perto de zero":
- O paciente internado está suscetível. E infelizmente o cumprimento das normas de higiene é aquém do esperado. A gente vê profissionais de jaleco no refeitório, e aí eles levam agentes de risco para fora e trazem outros para o hospital. Outros não lavam as mãos corretamente ou não usam máscaras. Em muitas unidades, a troca de filtro do ar-condicionado não é feita frequentemente ou existe alta rotatividade dos profissionais de limpeza, e aí o pano de chão é usado em mais de uma enfermaria. O país tem mais de sete mil hospitais e eu diria que 1% tem um programa de biossegurança rotineiro.
Leia mais sobre esse assunto em:
( Jornal O Globo )

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nicolai Dunbovskoy
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.

Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.

Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha

Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.

Paulo Bomfim

Corridas de Bigas

Bigas - O Grande Prêmio dos Romanos
Existem citações sobre corridas de bigas desde os relatos sobre a guerra de Tróia, no século 12 a.C., e elas também estavam presentes na primeira Olímpiada, em 680 a.C. Mas ninguém levou o esporte tão seriamente – ou tão enlouquecidamente – como os romanos. Em sua época de auge, no século 3, condutores milionários atraíam 250 mil torcedores ao Circo Máximo, o enorme estádio erguido em Roma para as corridas.
Plebeus, patrícios e imperadores eram fanáticos por essa diversão. Nero (37-68) era tão apaixonado pelo esporte que se tornou também “piloto” de bigas, vencendo, claro, os jogos olímpicos em sua época. Na época de Otávio Augusto (63 a.C-14 d.C.), 17 dias por ano eram dedicados às corridas, com 12 provas diárias. Este número foi dobrado por Calígula (12-41), outro louco por bigas. No século 4, as corridas eram disputadas em 66 dias do ano. “As corridas eram o principal evento feito pelo governo como parte da política de pão e circo romana”, diz a professora Barbara McManus, da Universidade de New Rochelle, nos Estados Unidos.

Piloto Profissional
Os pilotos, chamados de “aurigas”, eram quase sempre pobres querendo enriquecer ou escravos tentando obter a liberdade. Os melhores eram disputados pelas equipes e idolatrados pelo público. Segundo o poeta Juvenal (século 1), um auriga podia ganhar 100 vezes o salário de um juiz.
Sinal Verde
Um pano branco jogado ao chão dava a largada. Doze carruagens saíam dos boxes (carceres) e disparavam. A corrida acabava na sétima volta. Como não havia regras no empurra-empurra, sair num box bem localizado valia ouro: as equipes pagavam para começar nos melhores locais.
Cadeira reservada
O “pulvinar” era a tribuna de honra onde ficavam as maiores autoridades do Império Romano. A construção tinha uma ligação direta com o palácio imperial, para que o César pudesse deslocar-se diretamente para a arena.
Vox Populi
As corridas eram o espetáculo mais democrático do império. Todas as classes sociais podiam assistir a elas pagando ninharias: tratava-se de um benefício pela cidadania romana. Havia cotas grátis para os pobres, que precisavam enfrentar filas enormes. Era quando os torcedores faziam pequenas apostas.
Vale-tudo
Tudo era permitido durante a corrida. Os pilotos tentavam esmagar uns aos outros no canteiro central e o uso do chicote era liberado, principalmente para bater nos condutores e nos cavalos adversários. O naufrágio, quando o piloto caía da biga, era o acidente mais esperado pelo público.
Semifinal
A vitória era disputada por quatro equipes: os Azuis, os Verdes, os Vermelhos e os Brancos. Os verdes tinham vários imperadores entre os fãs, dentre eles Calígula e Nero. Calígula ia até os estábulos na noite antes da provas para dar uma força. Ordenava a decoração do Circo Máximo em tons verdes.
Cavalo-vapor
Alguns cavalos eram tão populares que eram reconhecidos nas ruas. Até o poeta Virgílio, que viveu entre 70 e 19 a.C, dedicou versos aos mais famosos, como Andraemone. Na pista, porém, era comum cavalos de corrida perderem a língua devido a uma mordida forte ou ficarem cegos com o chicote adversário.
O Canteiro Central
A “spina” era o canteiro central da pista. Nela havia postes onde ficavam sete grandes imagens de golfinhos (considerados pelos romanos os seres mais velozes da Terra) que marcavam as voltas completadas. Estátuas de deuses decoravam esse canteiro, entre eles Netuno, pai das ordens equestres.
Carruagens de fogo
O piloto e a biga não passavam de 100 quilos e corriam a até 35 km/h. Feito de madeira, o veículo não tinha proteção para o piloto. A biga de dois cavalos era reservada aos novatos, sendo a quadriga, com quatro cavalos, o tipo mais comum. Havia também bigas com seis, oito e dez animais, muito mais difíceis de manejar.
Segurança mínima
Nada tão comum nas corridas de bigas como a morte de pilotos. Scorpus (século 1), o mais famoso de todos, com 2048 vitórias, morreu aos 26 anos. Poucos terminaram como Diocles (século 1), da Lusitânia (Portugal), que retirou-se aos 42 anos com 35,8 milhões de sestércios, o mesmo que o salário anual de 30 mil legionários.
Fezinha e macumba
Relíquias com pedidos a deuses foram achadas nas ruínas do Circo Máximo. Uma delas dizia: “Deuses, ajudem-me no Circo dia 8 de novembro. Paralisem os membros de Olympus, Olympianus, Scortius e Juvencus, do time Vermelho. Atormentem suas mentes, sua inteligência e seus sentidos”.

domingo, 18 de setembro de 2011

Dia dos Símbolos Nacionais

18 de Setembro
Dia dos Símbolos Nacionais.
Os Símbolos Nacionais são quatro:
1. a Bandeira,
2. as Armas,
3. o Selo e
4. o Hino.
Em cerimônias, eventos esportivos, documentos importantes e localidades oficiais, esses símbolos representam o Brasil - por isso, devem ser respeitados por todos os cidadãos. São os símbolos nacionais que nos identificam como nação, como pessoas que compartilham uma mesma terra e uma mesma língua.
Bandeira Nacional
Nas escolas, por exemplo, o hasteamento da Bandeira Nacional é obrigatório, pelo menos uma vez por semana, durante todo o ano letivo.
As Armas Nacionais devem ser usadas obrigatoriamente no Palácio da Presidência da República, nos edifícios-sede dos Ministérios, nas Casas do Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal, nos Tribunais Superiores e nos Tribunais Federais de Recursos. Também têm que ser usadas nos edifícios-sede dos poderes executivo, legislativo e judiciário dos Estados, Territórios e Distrito Federal, nas Prefeituras e Câmaras Municipais, na frente dos edifícios das repartições públicas federais, nos quartéis do Exército, Marinha e Aeronáutica e das polícias e corpos de bombeiros militares, bem como nos seus armamentos, nas fortalezas e nos navios de guerra. As Armas Nacionais devem aparecer também na fachada ou no salão principal das escolas públicas, nos papéis de expediente, nos convites e nas publicações oficiais dos órgãos federais.
O Selo Nacional deve ser sempre utilizado para autenticar os atos de governo, assim como os diplomas e os certificados emitidos pelos estabelecimentos de ensino oficiais ou reconhecidos.
E o Hino Nacional deve ser tocado em solenidades oficiais do governo e pode ser ouvido também em competições esportivas, cerimônias de formaturas em colégios e no próprio hasteamento da Bandeira Nacional, além de outras ocasiões em que cada pessoa julgar necessário.

Você sabia que o Hino Nacional Brasileiro foi executado por quase cem anos sem ter uma letra? Deveria ser muito estranho não ter uma letra para cantar. A melodia do nosso Hino foi composta em 1831, por Francisco Manoel da Silva, para comemorar a abdicação (a desistência do poder) de D. Pedro I em favor de seu filho D. Pedro II. Só mais tarde, em 1922, o poema de Osório Duque Estrada foi oficializado como a letra do Hino Nacional Brasileiro.

sábado, 17 de setembro de 2011

Poeira de Estrelas

Jean-Marc Janiaczyk
Se perto demais, imagens ficam alteradas.
Se longe demais, pouco definidas.
Tenho que encontrar o equilíbrio das retas:
vidros respirados, embaçam;
gaivotas ao longe são borboletas.

Flora Figueiredo
Friedrich Peter Hiddemann - The Quartet
Quem foi, perguntou o Celo
Que me desobedeceu?
Quem foi que entrou no meu reino
E em meu ouro remexeu?
Quem foi que pulou meu muro
E minhas rosas colheu ?
Quem foi, perguntou o Celo
E a Flauta falou: Fui eu.

Mas quem foi, a Flauta disse
Que no meu quarto surgiu?
Quem foi que me deu um beijo
E em minha cama dormiu?
Quem foi que me fez perdida
E que me desiludiu?
Quem foi, perguntou a Flauta
E o velho Celo sorriu.

Vinícius de Moraes (1913-1980)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

“São de nada Tempestades
ante a falta que me fazes”.

David Mourão Ferreira (1927-1996)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.

Eugénio de Andrade (1923-2005)
A Diáspora religiosa do século XXI.
Existe um descomunal casamento entre as denominadas novas seitas religiosas, redes de televisão, rádio, sociedades empresárias, dificultando enormemente a constatação pelo Ministério Público, Receita Federal, BACEN e COAF.
Ninguém está criticando ou censurando o culto da fé, mas, muitas vezes, a ilicitude da multiplicação dos pães parece tão inequívoca e evidente que deturpa a própria entidade, fazendo com que milhares de fiéis acreditem mediante colaborações desprendidas.
Os espaços ocupados pelas entidades que se autodenominam defensoras dos novos tempos, vem crescendo sistematicamente, ao longo das programações de televisões e rádios, cujo linguajar discursivo denota-se às vezes agressivo e outras desprovidas as manifestações de qualquer cunho científico ou de persuasão.
Entretanto, o que necessita de uma análise mais apurada e frequente é a respectiva fiscalização dessas entidades, com maior regularidade, porquanto fazem uso de interposta pessoa, atraem leigos, desvirtuam o caráter da fé e, no mais das vezes, proclamam, em franca contradição, benefícios materiais pessoais.
É tempo de o governo e das demais autoridades porem um ponto final nessa escalada que se baseia, única e exclusivamente, no foro protetivo de ordem constitucional, das imunidades tributárias.
Justamente fundada nesse aspecto, a cada canto, em qualquer porta, ou esquina, todo dia se inicia uma nova ordem chamada religiosa para atrair os incultos e fustigar os incautos.
Lógica e racionalmente, o atributo da imunidade não pode ser utilizado como biombo ou elemento de segurança para a realização de atividades que envolvem o patrimônio da pessoa moral e daquelas físicas.
Bem nessa visão, as autoridades governamentais necessitam urgentemente redobrar a cautela, municiar e monitorar, com bastante eficiência, toda e qualquer nova atividade entrelaçada.
Com razão, ocorre uma promiscuidade patrimonial, com a grande possibilidade da internação de recursos no exterior, criando-se, ao longo dos anos, verdadeiras estruturas que se infiltram também na seara política.
Distorção jamais vista no país e completamente inadmissível em nações civilizadas, paga-se um preço alto por essa anomalia e falta de fiscalização por parte do governo.
Imunidade não significa falta de fiscalização, alheamento das autoridades ou completo divórcio do sistema vigorante, é muito comum a qualquer hora do dia, ou da noite, os espaços são alugados, assistimos espetáculos em rádios ou canais de televisão, com pregações absolutamente incompreensíveis e extremamente incomprováveis.
A fenomenologia da fé se abastece de atos concretos e outras condutas, não apenas alianças dentro e fora do poder, daí porque a falta de fiscalização pode representar inerente falta de fé das autoridades governamentais para desbaratar as ilicitudes que existem em profusão.
Não se apregoa, de forma alguma, sectarismo, discriminação, ou xenofobia, mas absolutamente um controle fiscalizatório, no sentido de triagem e eliminação daqueles que enxergam na fé um golpe contra a economia popular e a crença indeterminada da população.

Carlos Henrique Abrão

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e mudasse-me o coração.

Ruy Belo (1933-1978)