sábado, 31 de agosto de 2013

Paulo de Tarso, o maior marqueteiro da História

Rembrandt van Rijn - Paulo de Tarso
Com o fim dos conflitos da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente experimentou o crescimento de uma economia onde o capitalismo se tornava cada vez mais dominante. Novas empresas, novos produtos, novos utensílios disputavam a atenção dos consumidores num mercado cada vez mais feroz e competitivo.
Este terreno fértil propiciou o surgimento do marketing moderno, há 60 anos. No nosso mundo industrializado atual, padronizado e visual, é possível fazer marketing com qualquer coisa, desde o entretenimento até a pesquisa científica.
Embora os gurus do marketing moderno pensem ser os pioneiros desta atividade, o que eles não sabem é que, na verdade, foi a Igreja Católica que primeiro inventou os princípios infalíveis de estratégias de mercado, há dois mil anos. É isso que mostra o professor da Universidade La Sapienza de Roma, Bruno Ballardini, especialista em Comunicação Estratégica, no seu livro Jesus lava mais branco: como a Igreja inventou o marketing Neste trabalho, o autor lança mão de diversos termos técnicos e práticas pertencentes ao universo do marketing moderno para mostrar como eles já existiam nos primórdios da Igreja Católica, quando ela tinha que lutar contra a concorrência das crenças rivais e conquistar mais fiéis.
Paulo de Tarso, product manager da Multinacional

O marketing é uma guerra onde os limites éticos não são muito bem definidos. Nesse terreno vale quase tudo, inclusive desestabilizar emocionalmente o target ¹ . Uma forma de atingir esse objetivo é suscitar nos consumidores dois sentimentos ligados entre si: o sentimento de dívida e o sentimento de culpa. Através da comunicação, os evangelistas (como relações públicas de uma empresa) trataram de espalhar não somente a “Boa Nova”, como também uma boa dose de culpa pelo mundo.
Michelangelo - Expulsão do Paraíso
De acordo com os criadores do novo empreendimento cristão, houve um tempo remoto em que tínhamos uma condição de vida melhor, uma Era de Ouro que nos foi tirada. Nesse período inicial da criação da Multinacional ² , o seu primeiro product manager foi, nada mais, nada menos, que Paulo de Tarso, a mente que bolou a estratégia de persuasão nas duas etapas, conforme nos relata Bruno Ballardini:
Na primeira, apossou-se da carga inculpadora daquele mito. Nós teríamos perdido o Éden por sermos descendentes do primeiro pecador, aquele que, por sua falta, foi justamente escorraçado do Paraíso (…). Na segunda parte de sua genial estratégia de comunicação, por sua vez, Paulo ligou indissoluvelmente este fato à remissão do pecado original, graças ao sacrifício de Jesus (Ro. 5,19; 1 Cor. 15,22)
Sentimento de culpa, misturado com sentimento de dívida... Eis a fórmula do sucesso da Igreja.
Paulo de Tarso também foi o responsável por outra estratégia de marketing crucial: para atrair novos adeptos e dar uma identidade à incipiente Multinacional, adotou como “logomarca” um poderoso instrumento de persuasão: a própria cruz onde Jesus – o primeiro “testemunhal³” da empresa – foi supostamente sacrificado.
Depois desse competente trabalho de desestabilização emocional do target, o próximo passo seria a conquista da uniqueness, ou seja, afirmar a exclusividade do produto frente à concorrência. Não eram poucas as seitas judias na Palestina que concorriam para angariar maior número de adeptos. Para conseguir se destacar, Paulo de Tarso relacionou um produto aparentemente semelhante aos demais (o cristianismo) com a garantia fornecida pelo seu primeiro testemunhal: Jesus. Um testemunhal ainda mais chamativo por se apresentar como parte integrante do produto, cuja eficácia ele mesmo havia provado com uma demo §, absolutamente realista e impressionante.
Paulo de Tarso, sem sombra de dúvidas, inaugurou o processo, podendo ser considerado o primeiro marqueteiro da história. Ele preparou o terreno das grandes campanhas publicitárias e do marketing direto §, com suas diversas cartas enviadas a grupos (tessalonicenses, coríntios, gálatas, romanos, efésios, etc.) e formadores de opinião (Filemon, Timóteo, Tito). Um verdadeiro guru da publicidade postal, mandando cartas pra todo canto. A história de sucesso da Igreja Católica até aqui tem sido a história escrita a muitas mãos ao longo dos séculos, através do emprego de diversos testemunhais (teólogos que citam teólogos, Aquino que usa Agostinho, Agostinho que reafirma Irineu de Lion, etc.), de “jingles*” de sucesso, do monopólio que conquistou durante muito tempo, enfim, das mais variadas técnicas de marketing muito bem aplicadas. O sucesso dessa campanha está bem aí, diante dos nossos olhos, quando JESUS virou uma marca em si mesma em adesivos de carros, e passagens bíblicas que se tornaram meros slogans de propaganda.
Notas:
BALLARDINI, Bruno. Jesus lava mais branco: como a Igreja inventou o marketing. Gryphus: Rio de Janeiro, 2010
¹ - O alvo, o destinatário das campanhas publicitárias.
² - Multinacional é como o autor se refere à Igreja Católica no livro.
³ - Testemunhal: técnica publicitária que consiste em fazer alardear os méritos do “produto” por alguma pessoa famosa ou considerada influente.
§ - Abreviação de demonstration, ou seja, demonstração do produto.
§ - Publicidade via correio, internet ou telefone. Tem esse nome porque permite alcançar o target individualmente.

Fonte:
Rama na Vimana : ( Paulo de Tarso marqueteiro)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Análise da obra:"Noite Estrelada", de Vincent Van Gogh

Noite Estrelada é uma das obras mais conhecidas de Vincent Van Gogh. O quadro foi pintado quando ele tinha 37 anos e estava internado num asilo em Saint-Rémy-de-Provence (1889-1890). A obra encontra-se atualmente na coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).
Ao contrário de muitas das suas obras, Noite Estrelada foi pintada de memória, e não a partir da vista correspondente de uma paisagem. Durante ao tempo em que esteve no asilo, Van Gogh dedicou-se a pintar as paisagens da região da Provence.
A paisagem retratada mistura o real com imagens da sua memória, como uma igreja tipicamente holandesa. É notável o contraste entre a calma da pequena vila representada e o caos celestial. Os ciprestes são o elo de ligação entre a terra e o céu. A obra é dividida no plano horizontal pela linha do horizonte e no plano vertical pelo cipreste. O povoado longínquo, de pequenas casas, contrasta fortemente com o cipreste em primeiro plano que se destaca e ajuda ao equilíbrio da composição As pinceladas são curvilíneas, e integram-se de maneira rítmica sobre a superfície da pintura. Estrelas brilhantes pulsam como mini sóis. Ondas luminosas cortam o centro da tela, parecem ter vida própria. No canto superior direito, chama a atenção a lua que ganhou feições de um sol que transforma em quase dia. Enquanto isso, o vilarejo, com a sua igreja de torre alta, parece adormecer alheio ao céu estrelado cheio de explosões emotivas de Van Gogh.
Van Gohg - The Starry Night - "Noite Estrelada"
A pintura foi a inspiração para a canção de Don McLean, "Vincent", que é também conhecida como "Starry Night".
Estrelada, estrelada noite
Pinte sua paleta azul e verde
Olhe ao redor em um dia de sol
Com olhos que conhecem a escuridão na minha alma
Sombras nas colinas
Desenhe árvores e narcisos
Pegue a brisa e a friagem do inverno
Em cores da terra enevoada

Agora eu entendo
O que você tentou me dizer
E o quanto você sofreu por causa da sua sanidade
E como você tentou libertá-los
Eles não ouviriam
Não saberiam como
Talvez escutarão agora

Estrelada, estrelada noite
Flores flamejantes que resplandece brilhantemente
Nuvens rodopiando e nevoeiro violento
Refletem nos olhos de Vincent, olhos azuis de porcelana
Cores mudam a coloração
Campos matinais de grãos ambarino
Suportando rostos alinhados em dor
São acalmadas pelas mãos amorosas dos artistas.
Ouça a música com Don McLean Starry, Starry Night

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O Mundo Envelhece

Entre 1950 e 2012, o número de habitantes do mundo mais do que duplicou: de 2,5 bilhões em 1950, somos mais de 7 bilhões em 2012. No Brasil, no mesmo período, a população quase triplicou, registrando 194 milhões de habitantes no último ano. No entanto, o crescimento do número de idosos no conjunto da população brasileira foi ainda maior, especialmente na última década. Pessoas com mais de 60 anos, que representavam 8,5% em 2000, passaram a constituir 10,8% do número total de brasileiros em 2010. Movimento que, de resto, vem se mostrando comum em boa parte do mundo.
O crescimento da longevidade, resultado da melhoria das condições de vida em parte significativa do planeta, se combina a uma queda generalizada da natalidade, o que muda completamente a composição etária dos países em todo o planeta.
As alterações demográficas das últimas décadas estão gerando mudanças de toda ordem. No dossiê desta edição de Samuel é possível conhecer alguns dos aspectos desse processo — seja no mercado de trabalho brasileiro, que absorve cada vez mais idosos e, por vezes, fecha portas para os jovens, seja na composição familiar chinesa, em que a primeira geração de filhos únicos acaba sendo responsável por manter, às vezes, até quatro pais e também o filho ou filha única. Outra questão em jogo: será que a África, o mais jovem dos continentes, será finalmente beneficiada pela “geopolítica etária” ou novas formas de explorar sua mão de obra serão “desenvolvidas”?
Complementando a visão dos desafios gerados por uma cena demográfica inédita no mundo, a seção Vale a Pena Ler de Novo recupera a histórica luta de comunidades indígenas por terras no Espírito Santo, na narrativa dos jornalistas Marcos Faerman e Rogério Medeiros.

Fonte:
Revista Samuel:( O mundo mais velho )

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mulheres na História

Alma Mahler em 1902
Poucas mulheres na história foram uma fonte de inspiração tão notável e influenciaram tantos homens ligados às artes como a compositora, pintora e musa austríaca Alma Mahler. Alma Maria Schindler nasceu em Viena, a 31 de Agosto de 1879 e faleceu em Nova Iorque a 11 de Dezembro de 1964. Foi uma famosa ‘femme fatale’ e musa de muitos génios da sua época. Casou-se com o compositor Gustav Mahler, posteriormente com o arquiteto Walter Gropius e o seu derradeiro casamento foi com o poeta Franz Werfel. Também teve fervorosos casos de amor com os pintores Oskar Kokoschka e Gustav Klimt entre outros.
Alma viveu desde a infância num ambiente privilegiado, o seu pai, Emil Jakob Schindler, recebia em casa os mais destacados elementos da sociedade vienense e também os artistas mais conhecidos.
A vida sentimental de Alma, passou pelo relacionamento com importantes artistas, fundamentalmente músicos e pintores, tais como Gustav Klimt, o produtor teatral Max Burchkard e o seu professor de piano e compositor Alexander von Zemlinsky, entre muitos outros, até que, em 1902 contraiu matrimonio com o compositor Gustav Mahler, 20 anos mais velho.
A relação entre Mahler e Alma foi pautada por sentimentos contraditórios, Gustav Mahler amava a sua esposa mas exigiu-lhe que abandonasse as suas aspirações artísticas, Alma destacava-se como pianista e também era compositora. O casal teve duas filhas e após a morte da primeira, Alma conheceu o arquiteto Walter Gropius, com quem teve um caso. Gustav Mahler teve conhecimento da relação entre Alma e Walter Gropius e morreu um ano depois em 1911.
Após um breve caso com Paul Kammerer, em 1912, Alma começou um relacionamento com Oskar Kokoschka, sendo a sua fonte de inspiração na obra Der Windsbraut (A Noiva do Vento). Oskar mandou fazer uma boneca em tamanho real, que reproduzia fielmente Alma. Depois de terminado o relacionamento Oskar ia ao teatro fazendo-se acompanhar da boneca.
Em 1915, Alma casou-se com Walter Gropius. Tiveram uma filha (Manon) que faleceu na infância e acabaram por divorciar-se em 1920.
Posteriormente Alma inicia um romance com o escritor Franz Werfel, da relação nasceu uma criança que faleceu com 10 meses. Alma casou-se com Werfel e quando a Áustria caiu nas mãos do exército alemão, os Werfels deixaram Viena (Werfel era judeu) e foram para França. Em 1940 o casal fugiu através dos Pirenéus e chegou a Portugal partindo posteriormente para os Estados Unidos. Alma faleceu a 11 de Dezembro de 1964 em Manhattan.

Fonte:
Estórias da História : ( Alma Mahler )

sábado, 24 de agosto de 2013

Bandidos, mocinhos, heróis, vilões e outros nem tanto.
Uma imagem interessante pra uma reflexão da história!

O Juramento de Hipócrates

Anne Louis Girodet de Roucy - Hippocrates Refusing the Gifts of Artaxerxes
Hipócrates de Cós (460-377 a.C) médico grego consagrado como o "Pai da Medicina Ocidental", deixou uma vasta compilação de anotações e pesquisas sobre seus trabalhos no estudo de doenças, a interferência de fatores externos como a qualidade do ar, da água e da comida, como fatores que causavam males aos seres humanos. No entanto o famoso Juramento de Hipócrates, juramento prestado por todos os médicos na atualidade, não necessariamente teria sido escrito pelo próprio. Ainda hoje não se tem a garantia que fora realmente Hipócrates que escrevera tal juramento. No entanto ele se perpetuou como sendo de sua autoria.
O Juramento de Hipócrates

Eu juro, por Apolo, médico, por Asclépio, Higia e Panacea e por todos os deuses e deusas, a quem conclamo como minhas testemunhas, juro cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.
Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.
Conservarei imaculada minha vida e minha arte.
Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.
Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.
Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.
Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.
Notas:
1. Apolo foi um dos deuses gregos que mais possuiu atribuições a sua pessoa. Era cultuado como o deus do sol, da música, das artes, da clarividência (Oráculo de Delfos), da verdade, da luz, da purificação e até da medicina.
2. Asclépio fora um dos filhos de Apolo. Era consagrado como o deus da medicina. Higia, era filha de Asclépio, deusa da saúde e da limpeza. E Panacea fora outra filha de Asclépio, a qual é a deusa da cura.
3. Hipócrates também teria sido líder da Escola de Medicina de Cós.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A difícil tarefa de se tornar Ateu
Michelangelo Buonarroti - A Criação de Adão
De acordo com o censo de 2010, 7,5% da população brasileira se diz “sem religião”. O número espanta, uma vez que na década de oitenta, quando essa pergunta foi feita, apenas 1,5% das pessoas diziam não seguir nenhum tipo de fé (Dados do IBGE). Se excluirmos desses 7,5% aqueles que acreditam em algo, mas não seguem nenhum tipo de religião, os ateus ficam reduzidos a uma parcela mínima da população. Pequena e oprimida, por sinal. Segundo entrevista feita pela Fundação Perseu Abramo, a maior rejeição entre as pessoas está naqueles que não acreditam em Deus, superando até a dos usuários de drogas. Talvez isso se dê por uma máxima falsa que circula por aí a qual insiste em dizer que qualquer problema, crime ou algo ruim que acontece é simplesmente “falta de Deus no coração”. É preciso que se diga que uma pessoa torna-se ateísta não por rebeldia ou vontade de contestar, mas simplesmente porque, como diz um professor meu, não nasceu com o “bilhete premiado da fé”. Lourenço Mutarelli, escritor, dramaturgo e quadrinhista, afirma que se tornou ateu no dia em que descobriu que Deus poderia não existir. O jornalista Juca Kfouri é da mesma opinião: não acredita e não consegue acreditar, embora respeite e veja algumas certas qualidades, mesmo que alienantes, na fé. Esse texto serve, então, para mostrar como geralmente ocorre a trajetória de um sujeito – da religião ao ateísmo – destacando os inúmeros percalços e dificuldades encontrados no caminho.
Cito cinco etapas:
1- Dizer que não acredita em Deus, mas em uma força maior.
Essa primeira fase é a da negação. Ao mesmo tempo em que a ideia de divindade parece não fazer sentido, a pessoa ainda tem algum contato metafísico, uma espécie de sentimento de medo e culpa que fica passando por sua cabeça. “Uma força maior”, termo vazio de significado, isenta o sujeito de ter de embates e maiores reflexões.
2- Dizer que não segue nenhuma religião
Agora que a pessoa já consegue se afastar da noção de Deus, ela precisa rechaçar as religiões. Primeiro ela aponta fatos óbvios: a roubalheira, o dízimo, os desvios de verba, a pedofilia, a proibição insensata de métodos contraceptivos. Depois, já mais tranquila, ela consegue dizer que não acredita nas igrejas porque elas são feitas por homens e homens são imperfeitos.
3- Passar por uma fase espiritualista
Um breve contato com pensamentos espiritualistas, esoterismo, espiritismo, cultura oriental, budismo e todo um pensamento que tenta dar um toque racionalista à religião passa a ser um pouco a investigação de outras lógicas metafísicas, uma outra forma de encarar o mundo já sem o Deus tradicional e sem as religiões que impõem regras e dogmas fechados.
4- Assumir-se agnóstico
O termo “Agnóstico” é sedutor. É tal qual Hamlet quando ele diz que “há mais coisas entre o céu e a terra do que julga a filosofia.”. Entre não ter indícios para acredita e se dizer descrente totalmente há ainda um pequeno espaço. Embora os agnósticos não creiam em Deus, eles deixam ainda um espaço para a possibilidade de que ele exista, mesmo que não interfira em nada nas vidas das pessoas. Os ateus costumam considerar os agnósticos como ateus em cima do muro, os quais podem a qualquer momento pender para um lado ou para o outro. Eles se dizem “humildes” porque acham certa presunção afirmar qualquer coisa sobre esse campo obscuro da razão humana.
5- Tornar-se ateu
Depois desse longo processo, que pode durar dias, meses e até anos, o sujeito se sente pronto e confortável suficientemente para assumir ser completamente descrente até da possibilidade da existência de Deus. Em um primeiro momento, após um longo tempo de repressão, eles ficam um bocado chatos tentando encaixar o ateísmo deles em qualquer assunto, mas logo depois isso se assenta e eles conseguem olhar o mundo de outra forma, agora bem mais rica, na qual o pensamento de um outro mundo só faz mal à sociedade e só leva (e levou no decorrer da história) a mortes, sofrimentos, guerras, medo e culpa. Finalmente ateus, agora eles podem olhar para o mundo e dar valor ao que veem: o próprio mundo. E percebem que a vida continua bela e linda, mesmo sendo breve e única.
Luiz Antonio Ribeiro em
( Causas Perdidas )

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A espionagem universal

A extrema arrogância do Império:
a espionagem universal.
O sequestro do Presidente da Bolívia Evo Morales, impedindo que seu avião sobrevoasse o espaço europeu e a revelação da espionagem universal por parte dos órgãos de informação e controle do governo norte americano (NSA) nos levam a refletir sobre um tema cultural de graves consequências: a arrogância. Os fatos referidos mostram a que nível chegou a arrogância dos europeus forçadamente alinhados aos EUA. Somente foi superada pela arrogância pessoal de Hitler e do nazismo. A arrogância é um tema central da reflexão grega de onde viemos. Modernamente foi estudada com profundidade por um pensador italiano com formação em economia, sociologia e psicologia analítica, Luigi Zoja, cujo livro foi lançado no Brasil: "História da Arrogância" (Axis Mundi, São Paulo, 2000).
Neste livro denso, se faz a história da arrogância, nas culturas mundiais, especialmente na cultura ocidental. Os pensadores gregos (filósofos e dramaturgos) notaram que a racionalidade que se libertava do mito vinha habitada por um demônio que a levaria a conhecer e a desejar ilimitadamente, num processo sem fim. Esse energia tende a romper todos os limites e terminar na arrogância, no excesso e na desmedida, o verdadeiro pecado que os deuses castigavam impiedosamente. Foi chamada de hybris: o excesso em qualquer campo da vida humana e de Nemesis o princípio divino que pune a arrogância.
O imperativo da Grécia antiga era méden ágan: “nada de excesso”. Tucídides fará Péricles, o genial político de Atenas, dizer: “amamos o belo mas com frugalidade; usamos a riqueza para empreendimentos ativos, sem ostentações inúteis; para ninguém a pobreza é vergonhosa, mas é vergonhoso não fazer o possível para superá-la”. Em tudo buscavam a justa medida e autocontenção.
A ética oriental, budista e hindu, pregava a imposição de limites ao desejo. O Tao Te King já sentenciava: ”não há desgraça maior do que não saber se contentar” (cap.46); “teria sido melhor ter parado antes que o copo transbordasse” (cap.9).
A hybris-excesso-arrogância é o vício maior do poder, seja pessoal, seja de um grupo, de uma ideologia ou de um Império. Hoje essa arrogância ganha corpo no Império norte americano que a todos submete e no ideal do crescimento ilimitado que subjaz à nossa cultura e à economia política.
Esse excesso-arrogância chegou nos dias atuais a uma culminância em duas frentes: na vigilância ilimitada que consiste na capacidade de um poder imperial controlar, por sofisticada tecnologia cibernética, todas pessoas, violar os direitos de soberania de um país e o direito inalienável à privacidade pessoal. É um sinal de fraqueza e de medo, pois o Império não consegue mais convencer com argumentos e atrair por seus ideais. Então precisa usar a violência direta, a mentira, o desrespeito aos direitos e aos estatutos consagrados internacionalmente. Ou então as desculpas pífias e nada convincentes do Secretário de Estado norte americano quando visitou, há dias, o Brasil. Segundo os grandes historiadores das culturas, Toynbee e Burckhard, estes são os sinais inequívocos da decadência irrefreável dos Impérios.
Nada do que se funda sobre a injustiça, a mentira e a violação de direitos se sustenta. Chega o dia de sua verdade e de sua ruína. Mas ao afundarem causam estragos inimagináveis.
A segunda frente da hybris-excesso reside no sonho do crescimento ilimitado pela exploração desapiedada dos bens e serviços naturais. O Ocidente criou e exportou para todo mundo este tipo de crescimento, medido pela quantidade de bens materiais (PIB). Ele rompe com a lógica da natureza que sempre se auto regula mantendo a interdependência de todos com todos e a preservação da teia da vida. Assim uma árvore não cresce ilimitadamente até o céu; da mesma forma o ser humano conhece seus limites físicos e psíquicos. Mas esse projeto fez com que o ser humano impusesse à natureza a sua regulação arrogante que não quer reconhecer limites: assim consome até adoecer e, ao mesmo tempo procura a saúde total e a imortalidade biológica. Agora que os limites da Terra se fizeram sentir, pois se trata de um planeta pequeno e doente, força-o com novas tecnologias a produzir mais. A Terra se defende criando o aquecimento global com seus eventos extremos.
Com propriedade diz Soja: ”o crescimento sem fim nada mais é que uma ingênua metáfora da imortalidade” (p.11). Samuel P. Huntington em seu discutido livro O choque de Civilizações (Objetiva 1997) afirmava que a arrogância ocidental constitui “a mais perigosa fonte de instabilidade e de um possível conflito global num mundo multicivilizacional” (p.397).
Esta ultrapassagem de todos os limites é agravada pela ausência da razão sensível e cordial. Por ela lemos emotivamente os dados, escutamos atentamente as mensagens da natureza e percebemos o humano da história humana, dramática e esperançadora. A aceitação dos limites nos torna humildes e conectados a todos os seres. O Império norte americano, por uma lógica própria da arrogância dominadora, se distancia de todos, cria desconfianças mas jamais amizade e admiração.
Termino com um conto de Leon Tolstói no estilo de João Cabral de Mello Neto: De quanta terra precisa um homem? Um homem fez um pacto com o diabo: receberia toda a terra que conseguisse percorrer a pé. Começou a caminhar dia e noite, sem parar, de vale em vale, de monte em monte. Até que extenuado caiu morto. Comenta Tolstói: se ele conhecesse seu limite, entenderia que apenas uns metros lhe bastariam; mais do que isso não precisaria para ser sepultado.
Para serem admirados os EUA não precisariam mais do que seu próprio território e seu próprio povo. Não precisariam desconfiar de todos e bisbilhotar a vida de todo mundo.
Leonardo Boff

domingo, 18 de agosto de 2013

Protestos

Protestos e desmoralização do governo
mergulham o Rio no caos.
Diante de tantas acusações sem defesa, sem justificativas e explicações por parte do governador Sérgio Cabral, o Rio se encontra em uma espécie de estado de sítio.
Manifestantes não engolem mais perguntas sem respostas, como:
- o uso particular de helicóptero comprado com verba pública;
- relações nebulosas com donos de empreiteiras, como Fernando Cavendish;
- obras que estouram o orçamento, como a reforma do Maracanã;
- políticas de pacificação que escondem a violência, como o desaparecimento do pedreiro Amarildo, entre tantos outros escândalos que marcam a história recente do Rio.
E toda esta indignação explode nas ruas, incendiando a cidade e transformando a rotina dos cariocas. Manifestações atingem também o comerciante, que é obrigado interromper suas atividades, a população, no seu direito e ir e vir, o trabalhador, que não pode ir ao trabalho, crianças, que não podem ir para as escolas.
Os protestos não podem ser coibidos, mas a cidade não pode ficar sem a autoridade necessária para evitar esta paralisação.
A indignação do povo que acontece aqui, acontece também no Egito. No Brasil, felizmente sem as centenas de mortes que chocaram o mundo.
Esperamos que o Brasil não se torne um Egito. >
Fonte: Jornal do Brasil

sábado, 17 de agosto de 2013

Jean-Léon Gérôme
“Um Homem que trabalha com as mãos é um operário;
Um Homem que trabalha com as mãos e o cérebro é um artesão;
mas um Homem que trabalha
com as mãos, o cérebro e o coração é um artista”.

Louis Nizer (1902-1994)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Cabanagem (1835-1840)

“Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.”

Bertold Brecht (1898-1956)
Ilustração para selo de 1935, 1ºcentenário da Cabanagem
A Cabanagem foi uma revolta popular que aconteceu entre os anos de 1835 e 1840 na província do Grão-Pará (região norte do Brasil, atual estado do Pará). Recebeu este nome, pois grande parte dos revoltosos era formada por pessoas pobres que moravam em cabanas nas beiras dos rios da região. Estas pessoas eram chamadas de cabanos.
No início do Período Regencial, a situação da população pobre do Grão-Pará era péssima. Mestiços e índios viviam na miséria total. Sem trabalho e sem condições adequadas de vida, os cabanos sofriam em suas pobres cabanas às margens dos rios. Esta situação provocou o sentimento de abandono com relação ao governo central e, ao mesmo tempo, muita revolta.
Os comerciantes e fazendeiros da região também estavam descontentes, pois o governo regencial havia nomeado para a província um presidente que não agradava a elite local.
Embora por causas diferentes, os cabanos (índios e mestiços, na maioria) e os integrantes da elite local (comerciantes e fazendeiros) se uniram contra o governo regencial nesta revolta. O objetivo principal era a conquista da independência da província do Grão-Pará.
Os cabanos pretendiam obter melhores condições de vida (trabalho, moradia, comida). Já os fazendeiros e comerciantes, que lideraram a revolta, pretendiam obter maior participação nas decisões administrativas e políticas da província.
Com início em 1835, a Cabanagem gerou uma sangrenta guerra entre os cabanos e as tropas do governo central. As estimativas feitas por historiadores apontam que cerca de 30 mil pessoas morreram durante os cinco anos de combates.
No ano de 1835, os cabanos ocuparam a cidade de Belém (capital da província) e colocaram na presidência da província Félix Malcher. Fazendeiro, Malcher fez acordos com o governo regencial, traindo o movimento. Revoltados, os cabanos mataram Malcher e colocaram no lugar o lavrador Francisco Pedro Vinagre (sucedido por Eduardo Angelim).
Contanto com o apoio inclusive de tropas de mercenários europeus, o governo central brasileiro usou toda a força para reprimir a revolta que ganhava cada vez mais força.
Após cinco anos de sangrentos combates, o governo regencial conseguiu reprimir a revolta. Em 1840, muitos cabanos tinham sido presos ou mortos em combates. A revolta terminou sem que os cabanos conseguissem atingir seus objetivos.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Este seja o poema

Gustav Adolf Mossa
Teu pai e mãe fodem contigo.
Que não o queiram, tanto faz.
Legam-te cada podre antigo,
além de uns novos, especiais.

Mas de cartola e fraque, outrora,
fodera-os já do mesmo modo,
gente ora austero-piegas,
ora se engalfinhando cega de ódio.

Passa-se a dor adiante: fossas
num mar que só fica mais fundo.
Dá o fora, pois, tão logo possas
sem pôr nenhum filho no mundo.

Philip Larkin (1922-1985)
Tradução: Nelson Ascher

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Canção do lago secando

Dariusz Twardoch
Pela noite da minha trágica aventura,
Meu sofrimento é o achado que afago,
Se acordado, sofrendo,
E se a dormir, sonhando
Que sou lago.

Adeus, ó canas, cá me vou secando!
À míngua de nascente eu parto evaporado
Sem me ver partir!

Ainda se os que passam pudessem beber-me
Sem tornarem a passar
Pra maldizer-me...

Ainda se a menina reclinada à minha beira,
Que tanto e tanto me seduz ainda,
Viesse banhar-se
E depois se afogasse em mim, violada e linda...

Ainda se eu,
Profundo e vasto e longo,
Pudesse ter no mapa mancha azul e portos
E ser útil à navegação...
Finando-me abriria a justa e verdadeira causa
À minha sede e à minha direção.

Políbio Gomes dos Santos (1911-1939)

sábado, 10 de agosto de 2013

Cem Anos de Solidão, o livro que criou uma geração de leitores

A América Latina é uma região diferenciada do mundo — quanto à história da construção de sua identidade. As instabilidades políticas, aliadas à insuficiência de recursos, muito contribuiu para a eclosão de movimentos típicos da alma latino-americana: ditaduras, guerras, guerrilhas, repressões, exílios e exportação de refugiados são fatos próprios de nossa história. Uma história de solidão, como bem definiu um de seus maiores intérpretes. Na visão desse intérprete, isso se deve a um nó que evidencia “a insuficiência dos recursos convencionais para tornar nossa vida acreditável”.
Esse mesmo intérprete delineou, com a inteligência que lhe é peculiar, o perfil inerente ao continente latino-americano. Continente que revela o muito que tem de demente, mesmo após a libertação do império espanhol, que por anos dominou a maioria dos países latino-americanos. Abaixo parte de um discurso desse intelectual, quando do recebimento da maior honraria que um homem de letras pode receber neste mundo: o Prêmio Nobel de Literatura.
“O general Antonio López de Santana, que foi três vezes ditador do México, mandou enterrar com funerais magníficos a perna direita que perdeu na chamada Guerra dos Bolos. O general García Moreno governou o Equador durante dezesseis anos como monarca absoluto, e seu cadáver foi velado com seu uniforme de gala e sua couraça de condecorações, sentado na poltrona presidencial. O general Maximiliano Hernández Martínez, o déspota teósofo de El Salvador que fez exterminar numa matança bárbara 30 mil camponeses, tinha inventado um pêndulo para averiguar se os alimentos estavam envenenados, e mandou cobrir de papel vermelho a iluminação pública para combater uma epidemia de escarlatina.”
Se quisermos trazer esse espírito da América Latina para bem junto de nós, basta observar o que foram o culto à personalidade do chavismo, as ditaduras militares da Argentina e do Chile — e, lógico, o Brasil pós-1964.
Nosso reconhecido intérprete aponta números, no seu discurso de premiação, que espantam quando o assunto é a repressão no Continente. Os dados são estarrecedores. Cinco guerras e dezessete golpes de Estado, 120 mil desaparecidos, morte de 20 milhões de crianças antes de completar dois anos, “mais que todas as crianças que nasceram na Europa ocidental desde 1970”.
O quadro não se altera se o assunto for o número de exilados e refugiados que a região exporta mundo afora. Um milhão de pessoas do Chile, um em cada cinco uruguaios sofrem a dor do exílio. E mais: a cada 20 minutos, El Salvador produz um refugiado. Enfim, todas essas adversidades representam mais que a população da Noruega. Sim, de fato nosso principal intérprete mostrou que conhece profundamente a alma da América Latina. Demonstrou isso não só naquele memorável discurso de sua premiação, mas, sobretudo, pelas obras-primas que produziu para a humanidade ao longo de sua produtiva vida dedicada à literatura.
A solidão latino-americana se torna mais visível ainda se o assunto for a economia da região. Somos condenados àquilo que a Comissão Para o Desenvolvimento da América Latina (Cepal) dicotomiza entre centro e periferia, que nos condena a eternas trocas desiguais. Numa primeira fase de nossa história, a exportação de matérias-primas e importação de produtos industrializados; numa segunda fase, em tempos de globalização, nossa recente industrialização nos tornou dependentes numa nova e prisioneira subordinação corporificada pela dependência tecnológica. Ou seja, a inovação tecnológica produzida nos centros mais dinâmicos tornou nossas indústrias suas prisioneiras.
Construir a história latino-americana tão repleta de guerras e solidão a partir da árvore genealógica de uma família, que na realidade é a sua. Fazer isso articulando gerações e gerações sem perder o fio da meada não é tarefa para qualquer um. Transportar o leitor para o mundo de solidão dos personagens tão apegados a guerras inúteis, à solidão e magia inerente a sociedades lentas e subdesenvolvidas, léguas distante da modernidade, sem citar explicitamente aonde quer chegar, mas levando leitores mais experientes a intuírem a mensagem do escritor não é tarefa para um autor comum. Enfim, elaborar tudo isso num ambiente narrativo repleto de imaginação, recorrendo à fantasia para revelar a realidade, é o que fez desse escritor um mestre num estilo que conhecemos como realismo mágico. É o que conhecemos como arte. Arte por meio da escrita é o que construiu o colombiano Gabriel García Márquez na obra definitiva, que certamente muito contribuiu para que a ele fosse merecidamente concedido o Prêmio Nobel de Literatura, de 1982.
A obra de que falo é considerada a mais importante escrita em língua hispânica depois de “Dom Quixote”, do espanhol Miguel de Cervantes. Falo de “Cem Anos de Solidão”, um sucesso absoluto com mais de 50 milhões de exemplares vendidos. Um clássico da literatura mundial. É dela que falaremos a seguir, depois de apresentar o autor — se é que ele ainda precise de apresentação.
Escritor, jornalista, editor e ativista político, Gabriel García Márquez nasceu no dia 6 de março de 1927, em Aracataca, Colômbia. Com a mudança dos pais para Barranquilla, conviveu intensamente com os avós maternos, que o criaram em sua primeira infância, e de quem recebeu intensa influência. Do avô, um veterano da Guerra dos Mil Dias, escutou histórias que muito influenciaram suas obras literárias. Estudou Direito e Ciências Políticas na Universidade Nacional da Colômbia, mas não chegou a se graduar.
García Márquez leu e viajou por muitas partes do mundo. Os autores que mais o influenciaram foram o tcheco Franz Kafka, o mexicano Juan Rulfo e o norte-americano William Faulkner. Foi-lhe concedido o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra. “Cem Anos de Solidão” é considerado o romance introdutor de um estilo literário: o realismo mágico. Como ativista político, García Márquez se tornou um respeitado interlocutor de governos latino-americanos. Dentre seus amigos, destacam-se Fidel Castro, de Cuba, e o ex-presidente francês François Mitterrand.

Fonte:
Revista Bula: ( Cem Anos de Solidão )

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo - Baile da Ilha Fiscal

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dostoiévski é processado 131 anos após morte

O escritor russo Fiódor Dostoiévski
Cento e trinta e um anos após sua morte, o escritor russo Fiódor Dostoiévski, um dos maiores nomes da história da literatura mundial, foi processado por incitar o desrespeito a um tribunal. As informações são de reportagem da agência de notícias estatal russa Ria Novasti publicada na quinta-feira dia 1/8/2013.
O processo começou após um morador da longínqua região de Kamchatka, no nordeste da Rússia, usar a palavra "idiota" para se referir a um oponente durante um julgamento, em 2011.
Processado criminalmente por desrespeito ao tribunal, o homem alegou em sua defesa que a "perniciosa influência" da leitura de "O Idiota", uma das obras-primas de Dostoiévski, publicada em 1869, o havia levado a ofender o adversário, e que o escritor deveria ser investigado por incitá-lo a desrespeitar o tribunal.
Após nove meses de supostas investigações sobre a alegação do homem, o processo foi finalmente arquivado no início deste ano pelo fato de o escritor estar morto desde 1881.
Autoridades judiciais russas são obrigadas a processar todos os requerimentos feitos ao Judiciário, independentemente de parecerem absurdos, segundo uma porta-voz.
O crime de desrespeito a tribunal prevê pena de até seis meses de detenção ou multa de 200 mil rublos (cerca de R$ 14 mil) na Rússia.
Inocentado neste processo, Dostoiévski passou grande parte da vida tendo problemas com a Justiça. Em 1849, o escritor foi condenado à morte junto com outras 19 pessoas por distribuir panfletos contra o governo, mas a sentença foi cancelada na última hora.
Caso tivesse morrido na ocasião, ele não teria escrito seus principais romances, como "Crime e Castigo", "Irmãos Karamazov" e o livro que teria incitado o desrespeito a tribunal praticado pelo morador de Kamchatka.

sábado, 3 de agosto de 2013

Soneto 123

Edward Hopper
Não te gabes ó Tempo de que mudando venho:
Pirâmides ergueste e com maior potência,
mas pra mim nada têm de novo nem de estranho,
de coisa há muito vista são só outra aparência.
Contudo admiramos, em nossas vidas breves,
quanto velho por novo tu já nos tens vendido,
e que se ajuste ao nosso desejo lhe prescreves
mais que o pensarmos nós tê-lo antes conhecido.
Mas não me surpreendem passado nem presente
e a ti e a teus arquivos eu desafio audaz,
mentem os teus registos, o que nós vemos mente
que a tua eterna pressa maior ou menor faz:
Voto de ser fiel pra sempre faço aqui,
mau grado a tua foice e apesar de ti.

William Shakespeare (1564-1616)
Tradução: Vasco Graça Moura

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Haikai

Jill Battaglia
A cigarra… Ouvi:
Nada revela em seu canto
Que ela vai morrer.

Matsuo Bashô (1644 - 1694)
Tradução: Manuel Bandeira