quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Personalidades Históricas:

‘David Capistrano da Costa’ (1913-1974)
Nasceu no Ceará. Dirigente do Partido Comunista Brasileiro - PCB. Participou do Levante de 1935, como sargento da Aeronáutica, sendo expulso das Forças Armadas e condenado, à revelia, pelo Estado Novo, a 19 anos de prisão. Participou da Guerra Civil Espanhola como combatente das Brigadas Internacionais e da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em um campo de concentração alemão, foi libertado e regressou ao Brasil em 1941. Em 1945 foi anistiado e, em 1947, eleito Deputado Estadual em Pernambuco. Entre 1958 e 1964 atuou na política pernambucana e dirigiu os jornais "A Hora" e "Folha do Povo". Com o golpe militar, entrou na clandestinidade e asilou-se na Checoslováquia, em 1971. Retornou ao Brasil em 1974, atravessando a fronteira em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em um taxi. David Capistrano foi sequestrado no dia 16 de março de 1974, no percurso entre Uruguaiana e São Paulo.
A atriz paulista Mika Lins publicou texto pelo jornal “Folha de S.Paulo”, no caderno “Ilustríssima”, dia 23 /10/2011, intitulado “A outra vida do tio Enéas”, onde ela conta sobre David Capistrano da Costa, relatando um dos crimes mais bárbaros e mais chocante, ocorridos no Brasil durante o período da Ditadura Militar que se instalou no País a partir de 1° de abril de 1964.
Após 22 anos, Boni admite que Globo armou contra Lula para eleger Collor.
Debate decisivo da eleição de 1989, que na prática elegeu Fernando Collor, foi totalmente arrumado pela emissora. "Colocamos as pastas todas ali com supostas denúncias contra Lula, mas estavam vazias", revela o ex-chefão global
Todos já sabiam sobre a manipulação de imagens por parte do jornalismo da Rede Globo, no Jornal Nacional, um dia depois do debate do dia 14 de dezembro de 1989 entre os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello. Agora, no entanto, 22 anos após o ocorrido, o homem que formatou o “Padrão Globo de Qualidade” simula uma "revelação bombástica" para lançar sua nova obra, "O Livro do Boni": a Globo manipulou o debate.
Em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, transmitida pela Globo News, José Bonifácio Sobrinho, o Boni, dá detalhes da noite do debate, cuja repercussão foi considerada fundamental para a vitória no segundo turno de Collor de Mello, uma vez que antes do acontecimento os dois políticos estavam em situação de empate técnico.
Boni admitiu que a emissora assumiu o lado de Fernando Collor de Mello. Segundo ele, após ser procurado pela assessoria do ex-presidente, o superintendente executivo da Globo, Miguel Pires Gonçalves, pediu que ele palpitasse no evento. “Eu achei que a briga do Collor com o Lula nos debates estava desigual, porque o Lula era o povo e o Collor era a autoridade”, contou. “Então nós conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma 'glicerinazinha' e colocamos as pastas todas que estavam ali com supostas denúncias contra o Lula – mas as pastas estavam inteiramente vazias ou com papéis em branco”, disse Boni. “Todo aquele debate foi [produzido] – não o conteúdo, o conteúdo era do Collor mesmo -, mas a parte formal nós é que fizemos”.
Ao contar algo que todos já sabiam, fazendo questão de acrescentar detalhes picantes, para ter mais repercussão - trechos de sua entrevista já foram replicados por diversos veículos e portais de comunicação - o ex-chefão da Globo conseguiu protagonizar um dos maiores eventos literários do ano.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Terremotos

Os 10 maiores Terremotos da História
Terremoto ou sismo são tremores bruscos e passageiros que acontecem na superfície da Terra causados por choques subterrâneos de placas rochosas da crosta terrestre a 300m abaixo do solo. Outros motivos considerados são deslocamentos de gases (principalmente metano) e atividades vulcânicas. Existem dois tipos de sismos: Os de origem natural e os induzidos.
As maiorias dos sismos são de origem natural da Terra, chamados de sismos tectônicos. A força das placas tectônicas desliza sobre a astenosfera podendo afastar-se, colidir ou deslizar-se uma pela outra. Com essas forças as rochas vão se alterando até seu ponto de elasticidade, após isso as rochas começam a se romper e libera uma energia acumulada durante o processo de elasticidade. A energia é liberada através de ondas sísmicas pela superfície e interior da Terra.

1. Shensi, China, 1556 - 830 mil mortos.
Na região central da China, a terra tremeu em 23 de janeiro de 1556 para produzir o pior desastre natural de que se tem notícia. O terremoto atingiu oito províncias e arrebentou 98 cidades — algumas delas perderam 60% da população. A maior parte das pessoas morreu soterrada na queda de casas mal construídas.
2. Calcutá, Índia, 1737 - 300 mil mortos.
Relatos de época indicam que essa catástrofe de 11 de outubro de 1737 tenha sido um terremoto. Mas, como na época não existiam registros 100% confiáveis, alguns especialistas levantam a hipótese de que o estrago foi causado por um ciclone. Além dos mortos, o cataclismo deixou 20 mil barcos à deriva na costa.
3. Tangshan, China, 1976 - 250 mil mortos.
O tremor de 27 de julho de 1976 sacudiu o nordeste da China. A cidade toda dormia quando o chão mexeu, fazendo cerca de 800 mil feridos. Até hoje, especialistas suspeitam que o número de mortos possa ser muito maior que o divulgado pelo governo. Estima-se que o total de vítimas possa ter chegado a 650 mil.
4. Kansu, China, 1920 - 200 mil mortos. Essa região situada no centro-norte do país não sentia um tremor havia 280 anos, mas esse de 16 de dezembro de 1920 botou para quebrar: atingiu uma área de 67 mil km2, arrasando dez cidades. A série de ondulações deformou a área rural e prejudicou uma das principais atividades econômicas da região, a agricultura.
5. Kwanto, Japão, 1923 - 143 mil mortos.
O megatremor de 1º de setembro de 1923 atingiu as principais cidades do Japão. Só em Tóquio e Yokohama, mais de 60 mil pessoas morreram nos incêndios causados pelo abalo. Logo depois desse terremoto, a profundidade da baía de Sagami, no sul de Tóquio, aumentou mais de 250 metros em alguns pontos.
6. Messina, Itália, 1908 - 120 mil mortos.
Em 28 de dezembro de 1908, o sul da Itália sofreu com um grande terremoto que devastou as regiões da Sicília e da Calábria. Para complicar ainda mais as coisas, o tremor foi seguido por tsunamis de até 12 metros de altura. A seqüência de enormes paredes de água quebrou na costa do país e amplificou os estragos.
7. Chihli, China, 1290 - 100 mil mortos.
Quase não há registros sobre esse chacoalhão de 27 de setembro de 1290 - apenas a certeza de que ele foi um dos mais mortais da história. A província de Chihli, que teve seu nome mudado para Hopei em 1928, inclui a cidade de Tangshan e é famosa pelos terremotos, que já teriam vitimado mais de 1 milhão de pessoas.
8. Shemakha, Azerbaijão, 1667 - 80 mil mortos.
Por estar situada em cima de uma zona sujeita a abalos, essa cidade foi destruída por vários terremotos. O primeiro — e mais mortal — foi esse de novembro de 1667. Depois do susto, a tranqüilidade não durou muito: registros da época indicam que a terra voltou a tremer por lá dois anos depois.
9. Lisboa, Portugal, 1755 - 70 mil mortos.
Em apenas 3 horas, a capital portuguesa foi atingida por três tremores distintos, que destruíram 85% da cidade. Gigantescas ondas atingiram a região, a água subiu 5 metros acima do nível normal e um incêndio consumiu casas, igrejas, palácios e bibliotecas. A tragédia aconteceu em 1º de novembro de 1755.
10. Yungay, Peru, 1970 - 66 mil mortos.
Esse terremoto de 31 de maio de 1970 fez desabar um enorme pico de gelo na cordilheira dos Andes. Em poucos minutos, a cidade de Yungay estava debaixo de uma massa de neve e detritos que desceram a encosta a mais de 300 km/h. Para piorar a situação, as inundações subiram o prejuízo para 530 milhões de dólares.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Henry Ryland - The Dreamer
“Eu comecei minha faxina.
Tudo o que não serve mais
(sentimentos, momentos, pessoas)
eu coloquei dentro de uma caixa.
E joguei fora.
(Sem apego. Sem melancolia. Sem saudade).
A ordem é desocupar lugares.
Filtrar emoções.
E fazer uma espécie de Feng - Shui na alma.
"Que bons ventos tragam novas
- e maravilhosas - energias!”.

Fernanda Mello

domingo, 27 de novembro de 2011

“… nos olhos me levais alma e sentidos…”
Luís de Camões
Richard Franklin - Adonis' Dream
“Dois livros, três pinturas, quatro flores”,
pedia Lopes para ser feliz:
Não falou de riquezas nem de amores.
Esse pouco de pobre - não mais - quis.

Castos delírios de espanhol asceta...
Passaram quatro séculos, e um dia
Gabriel Celaya, também grande poeta,
jurou por Deus que nada mais queria.

Temos, porém, pai, mestre e capitão,
no soldado fortíssimo, que disse
a uns olhos entregar alma e sentidos.

De coisa alguma havemos precisão.
Livros, quadros e flores, que doidice!
Basta-nos ser de um só Amor providos.

Odylo Costa Filho (1914-1979)

sábado, 26 de novembro de 2011

Anistia

Anistiado militar que NÃO delatou sabotagem a plano contra Brizola
Ubiratan Pereira de Oliveira tem 88 anos e quando jovem foi primeiro sargento da Aeronáutica. Seu nome não é conhecido nem aparece nos livros de História, mas ele foi um dos tantos brasileiros que, há 50 anos, participaram dos acontecimentos de uma época marcada por tentativas de golpes e contragolpes. Na última quarta-feira, ele ganhou o reconhecimento oficial, por meio de pedido de desculpas da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e uma reparação econômica pela perseguição que sofreria nos anos seguintes.
Em 1961, dois anos e meio antes do golpe de 1964, militares que se opunham a Jango já haviam tentado impedir sua posse. Em 25 de agosto daquele ano, sete meses depois de se tornar presidente do Brasil, Jânio Quadros renunciou. O cargo caberia ao então vice-presidente João Goulart, que estava em viagem oficial à China. A solução negociada com os militares foi a opção pelo parlamentarismo: Jango se tornou presidente, mas teve suas atribuições esvaziadas.
Mesmo com menos poderes que os presidentes anteriores, a posse de Jango só foi possível graças à atuação do seu cunhado e aliado, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. É nesse ponto da história que entra Ubiratan.
Em 1961, com o objetivo de evitar o golpe, Brizola lançou a Cadeia da Legalidade e ganhou apoio do IIIº Exército, sediado no Rio Grande do Sul. Por outro lado, na Aeronáutica, a situação era diferente. Foi planejado um bombardeio ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, para calar Brizola.
- No ano de 1961, um ministro da Aeronáutica determinou ao comando da base que fizesse Brizola calar e que, se precisasse, usasse até bombas. Foi então planejado um ataque ao Palácio Piratini - disse o próprio Ubiratan, em depoimento que prestou à Comissão de Anistia.
O primeiro sargento trabalhava na época no quartel general de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, e era responsável por cuidar das aeronaves do local. Caberia a ele deixar o avião pronto, com duas bombas e metralhadoras armadas. O ataque, porém, foi sabotado por um grupo de suboficiais e sargentos, que esvaziaram os pneus do avião e descarregaram as armas.
Ubiratan não delatou os colegas e, em 1964, quando finalmente o golpe foi vitorioso e derrubou Jango, ficou preso e incomunicável por 15 dias. Em 1972 foi reformado por doença e nunca foi promovido, por ter sido acusado de atividades subversivas. O fato de ter curso de suboficial não teve nenhum peso nessa hora.
Na última quarta, veio a reparação. A Comissão de Anistia promoveu o suboficial e concedeu uma pensão de R$ 7.757,10 mensais, além de R$ 397.808,00 mil retroativos.
- A promoção de Ubiratan é o mais importante para nós, porque mesmo tendo o direito, e recorrendo, tendo feito o curso de suboficial, esse direito foi negado a ele todo esse tempo e agora ele vai poder ter - afirmou na quarta a vice-presidente da Comissão de Anistia, Sueli Belato.

Fonte: Jornal O Globo
V. Chavigny
“Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo”.
Dom Hélder Câmara (1909-1999)
‘Centenário de nascimento de Mário Lago’
(Rio de Janeiro, 26 de novembro de 1911 - Rio de Janeiro, 30 de maio de 2002).
Autor de sambas populares como "Ai, que saudades da Amélia" e "Atire a primeira pedra", ambos em parceria com Ataulfo Alves, foi também Ator, produtor, diretor, compositor, radialista, escritor, poeta, autor de teatro, cinema, rádio e TV, frasista, militante sindical, ativista político e boêmio, Mário Lago foi muitos.
Filosofia
A vida vai, vem a morte;
A noite vai, vem o dia.
Pra tudo é preciso sorte
E também filosofia

De mim já muito conheço,
Da minha sombra é que não,
Embora seja o começo
E o fim que meus passos dão.
Por que achar que saudade
É só de amor e promessas?
Ódio também é saudade,
Uma saudade às avessas.

Queres que eu vá na tua casa
Pra ver teus pais. Isso não.
Caçador arma armadilha,
Mas não convida o leão.
Achas que tenho maus modos,
Por isso te desiludo.
Mas quem quer bem é criança
E criança... Mexe em tudo.

Mário Lago

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Quem sou eu? de onde venho e onde, acaso me leva
O Destino fatal que os meus passos conduz?
Ora sigo, a tatear, mergulhado na treva,
Ou tateio, indeciso, ofuscado de luz.

Grão, no campo da Vida, onde a morte se ceva?
Semente que apodrece e não se reproduz?
De onde vim? Da monera? ou vim do beijo de Eva?
E aonde vou, gemendo, a sangrar os pés nus?

Nessa esfinge da Vida a verdade se esconde;
O espírito concentro e consulto a razão,
E uma voz interior, sincera, me responde:

— Quem és tu? Operário honesto da nação.
De onde é que vens? De casa. Onde é que estás? No bonde.
Para onde vais? Não vês? Para a repartição.

Bastos Tigre (1882-1957)
Angela Armano - Old Garden Hat
Boa noite, velhice, vens tão cedo!
Não esperava, agora, a tua vinda.
Eu tão despreocupado estava, ainda,
Levando a vida como num brinquedo…
Tens tão meigo sorriso e um ar tão ledo;
Nos teus cabelos como a prata é linda!
Ao meu teto, velhice, sê bem-vinda!
Fica à vontade. Não me fazes medo.
E ela assim me falou, em tom amigo:
- Estranha me supões, mas, em verdade,
Há muito tempo que, ao teu lado, eu sigo.
Mas, da vida na estúrdia alacridade,
Não me viste viver, seguir contigo…
Eu sou, amigo, a tua mocidade.

Bastos Tigre (1882-1957)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

‘História de uma Gota de Chuva’
Uma gota de chuva caiu de uma nuvem de primavera e, vendo a grande extensão do mar, sentiu vergonha. “Onde está o mar e onde estou eu?”, refletiu. “Comparada com ele, na verdade, eu não existo”. Enquanto se julgava assim, com desdém, uma ostra a tomou em seu regaço e o Destino lhe deu forma em sua trajetória de maneira que uma gota de chuva se converteu, finalmente, em uma famosa pérola real.
Foi exaltada porque foi humilde. Chamando à porta da extinção, tornou-se existente.
Saadi Shirazi (1184-1283)
‘A volta do padre italiano Vito Miracapillo’
Expulso do Brasil em 1980, o padre Italiano tem seu visto deferido pelo ministério da justiça, sexta feira dia 16 o ministério das justiça validou a permissão para que o religioso volte a país em caráter definitivo. Vito Miracapillo era pároco na cidade de Ribeirão (região da mata) quando foi expulso do país, ele se recusou a celebrar a missa de independência do município a pedido da prefeitura municipal. Isso foi tomado como protesto contra o regime militar que ainda estava em vigor. Agora depois de trinta anos padre Vito conseguiu que fosse feita justiça, segundo ele é o reconhecimento do governo brasileiro pela violência que foi praticada contra si, padre Vito Miracapillo foi expulso do país a pedido do então deputado estadual a época Severino Cavalcante, hoje prefeito de João Alfredo Severino o classificou como subserviente e ele foi enquadrado na lei de segurança nacional e no estatuto do estrangeiro promulgado poucos dias antes de sua declaração, ele terminou sendo expulso por um decreto assinado no dia 15 de Outubro de 1980 pelo presidente e general João Figueredo. Mas agora, Vito Miracapillo tem seu visto permanente, antes seu visto era de turista dando-lhe o direito de passar no máximo 3 meses no país.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ismael Nery
Acabaram-se os tempos.
Morreram as árvores e os homens,
Destruíram-se as casas,
Submergiram-se as montanhas.
Depois o mar desapareceu.
O mundo transformou-se numa enorme planície
Onde só existe areia e uma tristeza infinita.
Um anjo sobrevoa os destroços da terra,
Olhando a cólera de um Deus ofendido.
E encontrou nossos dois corpos fortemente enlaçados
Que a raiva do Senhor não quis destruir
Para a eterna lembrança do maior amor.

Ismael Nery (1900-1934)
Vincent van Gogh - The Church in Auvers-Sur-Oise
“Quem escolhe o caminho das pedras
foge à fascinação do fácil.

Quem escolhe o caminho das pedras
sabe de cor a cor do sangue

Quem escolhe o caminho das pedras
nada quer para tudo ser.

Quem escolhe o caminho das pedras
ama o amor na raiz do lume.

Quem escolhe o caminho das pedras
equilibra-se nos fios da morte.

Luís Veiga Leitão (1912-1987)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pierre-Auguste Cot
Deixei enfim de pedir
Eternidade ao amor

Aceito o ritmo sem ritmo
Que há por dentro desse ritmo
Que não se vê não se ouve
Mas eu sinto deslumbrado
Quando os teus olhos acendem
Os corredores da noite.

Alberto Lacerda

Perplexidade

Toulouse-Lautrec - La Toilette
“Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos”.

Luís Vaz de Camões (1524-1589)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…

Miguel Torga (1907-1995)
‘Pedra Moabita’
“O maior bem do homem pensante é ter explorado o explorável e serenamente venerar o inexplorável”.
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Desde o ano 550 a.C. aproximadamente, a Bíblia fora a única fonte de informações sobre a história da Ásia Menor. Só ela falava de tempos que se perdiam nas sombras do passado. Surgiram na Bíblia povos e nomes de que nem os gregos e romanos antigos tinham mais notícia alguma.
No ano 850 a.C. muito antes do Império Romano teve uma revolta na Mesopotâmia (Iraque) entre judeus e moabitas. Os judeus escreveram esse acontecimento em uma pedra que ficou conhecida como "A Pedra Moabita". Isso é narrado na bíblia no livro de Gênesis.
Em 1868 um clérigo alemão - FA Klein – achou a pedra em Dibon, Jordão, confirmando o nome de locais e de cidades moabitas mencionadas no texto bíblico.

domingo, 20 de novembro de 2011

Dia da Consciência Negra

‘Olorum Ekê’
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu sou poeta do povo
Olorum Ekê

A minha bandeira
É de cor de sangue
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Da cor da revolução
Olorum Ekê

Meus avós foram escravos
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Eu ainda escravo sou
Olorum Ekê
Olorum Ekê
Os meus filhos não serão
Olorum Ekê
Olorum Ekê.

Solano Trindade (1908-1974)

sábado, 19 de novembro de 2011

Conclusão

Salvador Dali
Os impactos de amor não são poesia
(tentaram ser: aspiração noturna).
A memória infantil e o outono pobre
vazam no verso de nossa urna diurna.

Que é poesia, o belo? Não é poesia,
e o que não e poesia não tem fala.
Nem o mistério em si nem velhos nomes
poesia são: coxa, fúria, cabala.

Então, desanimamos. Adeus, tudo!
A mala pronta, o corpo desprendido
resta a alegria de estar só, e mudo.

De que se formam nossos poemas? Onde?
Que sonho envenenado lhes responde,
se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Década de 70 - Ditadura
Ex-companheiras de cela da presidenta Dilma
Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao medico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prêmios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.

Pablo Neruda (1904-1973)

Personalidades HIstóricas:

Nair de Tefé’ von Hoonholtz (1886 - 1981)
Nair de Tefé no solar de seu pai, em Petrópolis,
sendo retratada pelo pintor francês Guirand de Scevola.
Nair de Teffé era caricaturista, num tempo em que as mulheres, em sua maioria, eram apenas donas de casa.
Quando ela se casou com o nosso Presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca, tinha 27 anos e ele, 58.
Fazer sucesso, no Brasil e no Exterior, com as suas caricaturas, ainda não era o bastante para ela, que também era pintora, cantora, pianista e atriz de teatro.
No entanto, ela largou tudo para se tornar a Primeira Dama Brasileira. Mas continuou ousando e escandalizando no Palácio do Catete.
Filha dos barões de Teffé, Nair nasceu em Petrópolis - 10 de junho de 1886 e estudou em Paris.
Começou a publicar seus trabalhos no Brasil em 1909, na então famosa revista Fon Fon.
Como seria de se esperar, Nair era amiga de outra mulher que desafiava os costumes da época: Chiquinha Gonzaga. Foram as duas que levaram o violão – instrumento considerado vulgar – para os saraus que promoviam no Palácio do Catete.
Ruy Barbosa, que perdera a eleição presidencial para Hermes, saiu falando horrores dela, que ela estava desrespeitando o protocolo do palácio do governo, que não tinha a compostura necessária para o cargo de primeira dama e por aí afora. Nair não teve dúvidas: publicou uma caricatura ridicularizando o então senador e o intelectual mais badalado do país, o “Águia de Haia”.
Aliás, no colégio de freiras onde ela estudava quando criança, na Bélgica, já tinha feito a mesma coisa. Seu espírito libertário desagradava a madre superiora e Nair, para se vingar de um castigo recebido, desenhou a madre com um quilométrico nariz, que era realmente o que a religiosa tinha de mais feio. Casou furor também quando apareceu numa festa onde estavam os mais importantes políticos, vestindo uma saia em cuja barra estavam desenhadas as caricaturas de todos os Ministros de Estado.
E, ainda, quando já era velhinha e o imposto de renda andava atrás dela, em plena ditadura militar, ela devolveu à receita o formulário, que haviam enviado, em vez de preenchido, desenhado: lá estava a caricatura do então Ministro da Fazenda, Delfim Neto. Hermes da Fonseca governou o Brasil de 1910 a 1914. Depois disso o casal passou cinco anos na Europa. De volta ao Brasil, o Marechal (como ela sempre o chamara) se envolveu em conspirações militares e acabou passando cinco anos na prisão. Ele morreu em 1923, deixando Nair viúva e com apenas uma herança paterna que não era lá essas coisas e mais meia pensão, já que metade dela era para o filho dele (com a primeira esposa) que tinha problemas mentais.
Casamento do Presidente Marechal Hermes da Fonseca com Nair de Teffé
em 8 de dezembro de 1913.
Mas como ela era mesmo uma mulher à frente do seu tempo, tratou de investir num negócio, abriu um cinema no Rio de Janeiro. Seu sócio era o distribuidor de filmes Luiz Severino. A sociedade durou até 1946 quando Nair decidiu ir morar em Niterói com seus três filhos adotivos e seus animais de estimação.
Dizem que o que restava da herança paterna, ela perdeu nas mesas de jogo.
Em 1959 voltou a desenhar profissionalmente. Morava numa pequena casa em Niterói, pagando aluguel. Quase foi despejada nos anos 1970. Foi salva pelo gongo quando morreu o filho do Marechal e ela passou a receber integralmente a pensão.
Nos anos 1960 e 1970 aparecia na TV de vez em quando, era fã da Jovem Guarda, aprovava a mini saia (que causava enormes polêmicas na sociedade) e participava das cerimônias comemorativas do Dia Internacional da Mulher, ao lado de feministas históricas. Enfim, era uma velhinha arretada!
Nair de Teffé morreu no dia em que completava 95 anos de idade, 10 de junho de 1981. Esta sepultada ao lado do marido, no cemitério de Petrópolis.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Jean-Léon Gérôme - Venus Rising the Star
Sou este azul que me convida.

E transcrevo a paz, o sol dos dias.

E também, parto. E também ardo.

Depois disso desse suposto eu abreviado,
tão transparente e nítido, mas
tão transitivo
apenas gestos rasos que são cardos,
apenas pedras fundas que são sombras,
pequenos meteoritos que são conchas
de deuses antiquíssimos e cansados.

João Rui de Sousa

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O Uraguai

‘O Uraguai’ é um poema épico escrito por Basílio da Gama em 1769. Conta de forma romanceada a história da disputa entre jesuítas, índios e europeus (espanhóis e portugueses) nos Sete Povos das Missões, Rio Grande do Sul.
Ele alega que os jesuítas apenas defendiam os direitos dos índios para ser eles mesmos seus senhores. O enredo situa-se todo em torno dos eventos expedicionários e de um caso de amor e morte no reduto missioneiro.

Trecho
CANTO SEGUNDO

Aqui não temos. Os padres faziam crer aos índios que os
portugueses eram gente sem lei, que adoravam o ouro.
Rios de areias de ouro. Essa riqueza
Que cobre os templos dos benditos padres,
Fruto da sua indústria e do comércio
Da folha e peles, é riqueza sua.
Com o arbítrio dos corpos e das almas
O céu lha deu em sorte. A nós somente
Nos toca arar e cultivar a terra,
Sem outra paga mais que o repartido
Por mãos escassas mísero sustento.
Podres choupanas, e algodões tecidos,
E o arco, e as setas, e as vistosas penas
São as nossas fantásticas riquezas.
Muito suor, e pouco ou nenhum fasto.
Volta, senhor, não passes adiante.
Que mais queres de nós? Não nos obrigues
A resistir-te em campo aberto. Pode
Custar-te muito sangue o dar um passo.
Não queiras ver se cortam nossas frechas.
Vê que o nome dos reis não nos assusta.
O teu está muito longe; e nós os índios
Não temos outro rei mais do que os padres.
Acabou de falar; e assim responde
O ilustre General: Ó alma grande,
Digna de combater por melhor causa,
Vê que te enganam: risca da memória
Vãs, funestas imagens, que alimentam
Envelhecidos mal fundados ódios.

José Basílio da Gama (1741-1795)
Poeta brasileiro de Minas Gerais.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Guerra Civil

Leyla Munteanu
É contra mim que luto
Não tenho outro inimigo.
O que penso
O que sinto
O que digo
E o que faço
É que pede castigo
E desespera a lança no meu braço

Absurda aliança
De criança
E de adulto.
O que sou é um insulto
Ao que não sou
E combato esse vulto
Que à traição me invadiu e me ocupou

Infeliz com loucura e sem loucura,
Peço à vida outra vida, outra aventura,
Outro incerto destino.
Não me dou por vencido
Nem convencido
E agrido em mim o homem e o menino.

Miguel Torga (1907-1995)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ditadura Militar

Os Sequestros que Abalaram a Ditadura Militar
Em 1 de abril de 1964 foi instaurada no Brasil uma ditadura militar que iria perdurar por mais de vinte anos. Durante este período, várias foram as fases e as faces do regime repressor. Recebidos por grandes manifestações favoráveis, com milhares de pessoas acorrendo às marchas de apoio, os militares iniciaram a caça às bruxas. Incitaram o incêndio ao prédio da sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), encerraram organizações sindicais e estudantis, caçaram políticos opositores, expurgaram as alas de esquerda de dentro das forças armadas, acabaram com o voto popular para presidente.
De 1964 a 1968 a luta dos estudantes passou a ser clandestina, ou seja, a UNE fora dissolvida, mas continuava a existir na ilegalidade, assim como vários partidos de esquerda. Havia uma esperança de que a situação política fosse revertida e os militares golpistas voltassem para a caserna.
1968 foi o ano de todos os protestos. Movida pelos movimentos internacionais daquele ano, a resistência à ditadura no Brasil promoveu passeatas e atos públicos de grande repercussão. A esperança apagou-se de vez, em 13 de dezembro de 1968, quando o Congresso foi fechado e o Ato Institucional Nº 5 foi promulgando, minando qualquer possibilidade de diálogo, numa ditadura que se tornou ainda mais repressiva e sanguinária.
As consequências do endurecimento do regime militar foram irreversíveis em alguns setores de oposição. Acossados, membros de esquerda, que viram os seus líderes presos e torturados, sem direito a habeas corpus, passaram a conclamar o fim da contestação pacífica, mergulhando numa contundente resistência guerrilheira. Estava declarada a luta armada no Brasil.
A luta armada gerou os famosos guerrilheiros da esquerda. Consistiu em jovens idealistas, a maioria com menos de 25 anos de idade, a pegar em armas, a assaltar bancos e supermercados, obtendo através destas ações, fundos para manter os guerrilheiros, todos a viver na clandestinidade, impossibilitados de trabalhar ou de ter direitos cívicos. Ataques a quartéis militares para a obtenção de armas e munições também fizeram parte da luta armada. Mas os movimentos mais complexos desta luta foram os sequestros a diplomatas de importantes governos que faziam a representação dos seus países no Brasil.
De 1969 a 1970, quatro grandes sequestros abalaram a ditadura militar, causando-lhe constrangimento diplomático no cenário internacional e proporcionando uma grande derrota política.
O Sequestro de Charles Elbrick
O primeiro, realizado em setembro de 1969, foi do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, e o de maior repercussão nacional e internacional.
Em 1969 veio a resposta definitiva do AI-5 sobre os líderes da resistência ao regime militar. Muitos foram presos e torturados.
Foi no cenário desta confusão política que se planejou e executou uma das maiores ações da história recente do Brasil, o sequestro ao embaixador norte-americano Charles Elbrick. A ação foi desencadeada para acontecer em setembro, durante as comemorações da Semana da Pátria, considerada um ícone do regime autoritário.
Membros do PCB e da Ação Libertadora Nacional (ALN), a maior organização guerrilheira da época, debateram um plano para libertar os líderes estudantis Vladimir Palmeira, Luís Travassos e José Dirceu, presos desde o fatídico Congresso da UNE em Ibiúna, sem direito a habeas corpus.
O estudante Franklin Martins, da Dissidência da Guanabara, teve a ideia ao passar pela Rua Marques, no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. O estudante observou que todos as manhãs, Charles Elbrick, embaixador norte-americano, fazia aquele trajeto. Diante das evidências, Franklin Martins levou o seu plano aos dirigentes da Dissidência da Guanabara.
A aceitação do plano foi imediata. O líder da ALN concordou que a sua organização entraria na audaciosa ação, e que ela serviria como marco de propaganda na Semana da Pátria, para que se consolidasse uma guerrilha de campo.
Aproximadamente um mês depois da decisão do sequestro, em Setembro, a operação de sequestro ao embaixador Charles Elbrick foi desencadeada na manhã do dia 4 de setembro de 1969, numa quinta-feira. Ás nove horas da manhã, um grupo de pessoas tomou, discretamente lugares estratégicos do bairro do Botafogo, iniciando o aparato logístico e militar. Em um sobrado da Rua Barão de Petrópolis, no numero 1026, no Bairro de Santa Tereza, Charles Elbrick foi levado.
O manifesto, que exigia a libertação de quinze presos políticos em troca da vida de Charles Elbrick, e a sua publicação na imprensa, cobriria as páginas dos jornais do dia seguinte, 5 de setembro. Os nomes dos quinze presos seriam divulgados posteriormente, na manhã seguinte. O manifesto levava a assinatura da ALN e do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), onde Fernando Gabeira era o destaque.
A ação dos guerrilheiros surpreendeu o regime militar e todo o Brasil. Deixou o governo brasileiro em uma situação diplomática delicada com os Estados Unidos. Para que o sequestro fosse solucionado, o governo militar foi obrigado a ceder a todas as exigências dos sequestradores, evitando assim, que algo sucedesse ao embaixador, pondo em risco a sua vida. Uma grande operação ofensiva foi montada, envolvendo mais cinco mil homens das três forças armadas, quatro mil policiais civis e militares, quinhentos agentes dos serviços de informações e trezentas viaturas. No dia 7 de setembro, no domingo à tarde, começou a operação de libertação do embaixador. Os sequestradores começaram a abandonar o sobrado de Santa Tereza divididos em grupos.
Despistados os agentes militares, Charles Elbrick é deixado no Largo da Segunda-Feira, levando de presente dos sequestradores um livro de poemas de Ho Chi Min, escrito em inglês. Elbrick voltou para a sua casa de táxi. Nos primeiros depoimentos após a sua libertação, surpreendentemente foi simpático aos sequestradores, descrevendo-os como jovens determinados, inteligentes e fanáticos. O embaixador morreria de pneumonia em seu país, em 1983.
Enfim isso na libertação dos três líderes estudantis que nas confabulações anteriores, seriam resgatados, e de mais doze presos políticos.
Da esquerda para a direita, em pé: Luís Travassos, José Dirceu, José Ibrahim, Onofre Pinto, Ricardo Vilas Boas, * Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Ricardo Zarattini e Rolando Frati. Agachados: João Leonardo da Silva Rocha, Agonalto Pacheco, Vladimir Palmeira, Ivens Marchetti e Flávio Tavares. A foto foi tirada no Rio de Janeiro, pouco antes de eles embarcarem no avião Hércules 56 que os levou para o México. Gregório Bezerra juntou-se ao grupo em Recife e Mário Zanconato em Belém.
(*) Ja morreram
Os prisioneiros deixaram o país em um avião, o Hércules 56, que seguiu para o México, de onde seguiram cada um, para um destino no exílio.
Muitos deles retornariam incógnitos para o Brasil, alguns anos depois, continuando a luta na clandestinidade.
  1. Agonalto Pacheco da Silva (1927-2007), militante da ALN; tinha 42 anos na época. Foi ferroviário. Morreu no dia 13 de abril de 2007 aos 80 anos , foi vitimado por um aneurisma cerebral, anônimo para muitos e imortal para poucos.
  2. Flávio Tavares (1934), jornalista, coordenador do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), colaborador do jornal “O Estado de S. Paulo”.
  3. Gregório Bezerra (1900-1983), Natural de Pernambuco. Gregório foi analfabeto até 25 anos de idade. Foi carregador de bagagens na estação central de Recífe, jornaleiro e ajudante de obras. Foi como jornaleiro que começou a se interessar pela política, com base na leitura que seus colegas de profissão faziam para ele dos jornais locais.
    Em 1922 alistou-se no exército; alfabetizou-se e em 1929 entrou para a Escola de Sargentos.
    Em 1930 filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1935, no Recife, liderou o levante militar promovido pela Aliança Nacional Libertadora (ALN), movimento também conhecido como "Intentona Comunista". Condenado a 28 anos de prisão, foi levado, primeiro para Fernando de Noronha e, depois para o Rio de Janeiro, no Presídio Frei Caneca, onde dividiu cela com o ex-comandante da Coluna Prestes e secretário geral do Partido Comunista do Brasil, Luís Carlos Prestes.
    Com o fim do Estado Novo, foi anistiado e elegeu-se constituinte (depois deputado federal), em 1946, por Pernambuco, na legenda do PCB, sendo o deputado constituinte mais votado do estado. Teve seu mandato cassado em 1948, juntamente com todos os parlamentares comunistas. Viveu na clandestinidade por nove anos, organizando núcleos sindicais no Paraná e em Goiás.
    Foi preso imediatamente após o Golpe Militar brasileiro de 1964. Após a prisão foi transferido para o Recife, onde foi torturado e arrastado pela praça do bairro de Casa Forte pelo tenente-coronel do Exército Brasileiro Darcy Viana Vilock, com uma corda no pescoço, e teve os seus pés imersos em solução de bateria de carro, ficando em carne viva, e este espetáculo foi exibido pelas televisões locais à época do Golpe Militar de 1964.
    Condenado a 19 anos de reclusão, teve seus direitos políticos cassados por força do Ato Institucional nº 1. Foi libertado, em 1969, juntamente com outros 14 presos políticos, em troca da devolução do embaixador estadunidense no Brasil Charles Burke Elbrick.
    Viveu no México e na então União Soviética. Com a promulgação da anistia, voltou ao Brasil dez anos depois, em 1979, e logo entrou em divergência com o seu partido (o PCB), desligando-se de seu quadro. Gregório apoiou o PMDB e, nessa legenda, candidatou-se, em 1982, à Câmara dos Deputados, ficando como suplente.
    Gregório Bezerra passou 22 anos de sua vida preso por motivos exclusivamente políticos, comparando-se a Nelson Mandela, que passou 27 anos.
    Antes de morrer, Gregório declarou: Gostaria de ser lembrado como o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das ditaduras fascistas.
    Em homenagem a Gregório Bezerra, o poeta Ferreira Gullar escreveu a poesia Feito de ferro e flor.
    Morreu na cidade de São Paulo, no dia 23 de outubro de 1983.
    Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, tendo reunindo milhares de pessoas. Do alto de uma galeria da Assembléia Legislativa, uma faixa pintada de vermelho, reproduzia os versos da música cantada por Elis Regina: choram Marias e Clarices no solo do Brasil.
  4. Ivens Marchetti, arquiteto que viveu na Suécia, militante da Dissidência de Niterói, morto por um câncer em 2002;
  5. João Leonardo da Silva Rocha (1939-1975) cursava o último ano de Direito e já integrava a ALN (Agrupamento Comunista de São Paulo) quando foi preso pelo DOPS, no final de janeiro de 1969. Foi um dos 15 presos políticos libertados e banidos do Brasil. Retornou ao Brasil clandestinamente em 1971, juntos com outros dissidentes da ALN que formaram a MOLIPO, Movimento de Libertação Popular, entre eles o ex-ministro José Dirceu, com o nome de José Lourenço da Silva.
    Raspava sempre a cabeça e ficou conhecido como Zé Careca. Casou-se com uma viúva, Virgínia Paes de Lima, que morreu em 1990 sem saber que fora casada com um guerrilheiro. Em 1974, ao ser procurado pela polícia local, fugiu para o interior da Bahia, onde buscava trabalhar para viver.

    Foi morto em junho de 1975, ano em que a ALN e a MOLIPO não existiam mais, por agentes da Polícia Militar da Bahia em Palmas de Monte Alto, margem direita do Rio São Francisco.
  6. José Dirceu de Oliveira e Silva (1946), líder estudantil, preso em Ibiúna, futuro ministro da Casa Civil do governo do presidente Lula;
    José Dirceu não queria ficar em Cuba. A solução: entrou no Brasil com nome falso e rosto mudado por uma plástica.
    José Dirceu viveu clandestinamente no Brasil, de abril de 1975 a agosto de 1979, com o rosto mudado por uma cirurgia plástica feita por médicos vietnamitas em Cuba. Dirceu pôs uma prótese no nariz e puxou ligeiramente os olhos. O nome do personagem: Carlos Henrique Gouveia de Mello. A meio caminho entre São Paulo e Rondônia, onde pretendia se juntar aos companheiros da luta armada do Molipo, ele estacionou na cidade de Cruzeiro d'Oeste, no Paraná. O mais incrível desta história: em Cruzeiro d'Oeste ele se casou, viveu com uma mulher durante cinco anos, teve um filho - e ela nunca desconfiou de que o homem com quem se casara era outro. Até que, ao anúncio da Anistia, José Dirceu a chamou, mostrou a foto dos 13 diante do Hércules da FAB e disse: "Este sou eu". Separaram-se em pouco tempo. Dirceu voltou para Cuba, escondido, desfez a plástica e retornou ao Brasil pela porta da frente do aeroporto de Viracopos. Diz Clara Becker, a mulher com quem ele se casou no Paraná: "O homem que eu amava era o Carlos Henrique, não o Zé Dirceu". Para seu filho, Zeca, o pai foi um herói. "Tenho orgulho de contar a história dele aos meus amigos."
  7. * José Ibrahin (1948-2013), líder do movimento operário paulista, futuro secretário de relações internacionais da Força Sindical.
    Morreu no dia 2 de maio de 2013, aos 66 anos.
  8. * Luis Travassos (1945-1982), ex-presidente da UNE, morto em um acidente de automóvel em 1982, no Rio de Janeiro;
  9. Maria Augusta Carneiro Ribeiro (1947-2009) – Tinha 22 anos, única mulher da lista, militante da Dissidência da Guanabara, a DI-GB, presa em Ibiúna, futura proprietária de uma escola para deficientes no Rio de Janeiro.
    Morreu no dia 15 de Maio de 2009 aos 62 anos. Sua morte foi consequência de ferimentos sofridos em um acidente de carro acontecido em 25 de abril em Búzios (RJ).
  10. Mário Roberto Zanconato (1945), fundador da Corrente Revolucionária ligada a ALN, futuro médico da prefeitura de Diadema, em São Paulo. Foi o último a embarcar no Hércules 56 porque foi pego em Belém no Pará;
  11. Onofre Pinto (1937-1974). Natural de Jacupiranga, SP, nasceu em 1937. Ex-sargento do Exército Brasileiro e integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), foi presidente da Associação dos Sargentos de São Paulo antes do golpe militar de 1964. Teve seus direitos políticos cassados. Retornou ao Brasil clandestinamente e desapareceu na fronteira do Brasil e da Argentina em 1974. Seu corpo nunca foi encontrado e é dado como desaparecido político.
  12. Ricardo Vilasboas Sá Rego (1949), militante da DI-GB, futuro músico e compositor, que deixou a luta armada para viver na França;
  13. Ricardo Zarattini (1935), do movimento operário, irmão do ator Carlos Zara, envolvido em lideranças partidárias no Brasil pós-ditadura;
  14. Rolando Fratti, morto por um câncer em 1991;
  15. Vladimir Palmeira (1944), líder estudantil que comandou a Passeata dos Cem Mil em 1968, futuro deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Atualmente está sem partido.
‘Filmes sobre esse Sequestro:’
Hércules 56
Lançamento: 2007 (Brasil)
Direção: Sílvio Da-Rin
Elenco: Franklin Martins,
José Dirceu,
Daniel Aarão Reis,
Vladimir Palmeira,
Flávio Tavares
Duração: 94 min
Gênero: Documentário.
O Que É Isso, Companheiro?
Lançamento: 1997 (Brasil)
Direção: Bruno Barreto
Atores: Alan Arkin,
Fernanda Torres,
Pedro Cardoso,
Luiz Fernando Guimarães.
Duração: 105 min
Gênero: Drama

Em 1970 Vieram os sequestros do cônsul japonês Nobuo Okushi, do embaixador alemão Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben e, do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Realizados para chamar a atenção internacional do que acontecia no Brasil, os sequestros aos diplomatas serviram para a troca dos líderes políticos que estavam presos nos calabouços a sofrer torturas, tendo muitos deles perecido, não resistindo às atrocidades. Na manhã do dia 16 de janeiro de 1971, Bucher foi deixado próximo ao penhasco da igreja da Penha. Encerrava-se o ciclo de sequestros a diplomatas realizados pelas organizações da esquerda durante o período da ditadura. Encerrava-se um conturbado e complexo momento da história do Brasil. Os sequestros permitiram a libertação de cerca de 130 importantes presos políticos, que viviam sob tortura e risco de vida diante de um governo repressivo e ilegítimo, instaurado sob tanques de guerra e canhões, em 1964.