quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes

Estou lendo um livro - "O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes", de André Comte-Sponville. O autor nasceu em 1952 em Paris é ateu e filósofo. Como todo ateu ele se pauta na Ética, ou seja, na adoção de valores humanos, possuidor de consciência e de valores que não dependem da fé em divindade nenhuma.
Isso para mim é fundamental. É nisso que acredito.
Comte-Sponville utiliza o referencial de Jean Paul Sartre, que já havia dito que "todos somos responsáveis por todos" e de Dostoievsky, "somos todos responsáveis por tudo, diante de todos".
Sponville neste livro - "O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes", nos mostra um cominho de salvação pela desesperança – é o cerne da sua obra filosófica. E eu a acho bem sedutora. A desesperança no sentido do "não esperar", ou seja, de não ficar amando apenas aquilo que nos falta.
A desesperança aqui é tomada no sentido Spinozista, onde o Amor não é falta. Como ele diz num trecho: "aqui é preciso deixar Platão e buscar Spinoza". Em Spinoza a equação de Platão: "Amor = Desejo = Falta", vira: "Amor = Desejo = Potência".
Ou seja, Amor é igual a desejo, mas desejo não é falta, e sim potência. Assim o Amor é felicidade, isto é, a potência ou capacidade de amar. Amar como uma "ação" e não como uma "paixão". Dito de outra forma: Amar ativamente, realizando aquilo que depende de nós e não esperar, sofrendo (paixão), por aquilo que não depende de nós.
Sponville fala da nossa eterna busca pela felicidade, essa busca que parece nunca ter fim e que vive cheia de esperança, sendo consequentemente a culpada por não nos permitir viver o presente e sempre esperar por um “futuro melhor”.
Sobre a “Esperança” Jorge Luís Borges disse: “A esperança é o mais sórdido dos sentimentos”.
Shakespeare disse: “Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança”.
E meu autor favorito Albert Camus disse: “Toda a infelicidade dos homens nasce da esperança”.
Embora lendo fica intelectualmente fácil de entender, aplicar isso não é simples, nem fácil.
A leitura deste livro é interessante. O tema é bastante oportuno nesta época em que o relacionamento entre as pessoas é cada vez mais intenso, com o advento da internet, e a religião perde seu antigo valor de balizamento moral em virtude de um desencantamento do mundo e por que não dos religiosos e de suas instituições.
Virtude é sinônimo de poder. A virtude do veneno é matar, a da faca é cortar, do remédio, curar. E do homem? Agir bem. Sabemos disso. Agindo bem temos o máximo de poder possível. É pela virtude que chegamos às alegrias humanas. O autor do livro, André Comte-Sponville, reconhece que teve muito trabalho para escolher sobre quais virtudes discorreria e, após eliminar algumas e fundir umas com as outras, chegou a um total de dezoito.
São elas:

Generosidade Disciplina Contentamento
Diligência Temperança Simplicidade
Polidez Fidelidade Prudência
Coragem Justiça Gratidão
Tolerância Pureza Doçura
Boa-fé Humor Amor

Elas não devem ser cultivadas isoladamente, mas em conjunto. Existem virtudes mais fracas que outras, algumas servem de passagem para as demais, e o amor, que substituiria a todas tem o problema de ser a única virtude a não depender da nossa vontade.

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