sábado, 12 de outubro de 2013

Mulheres na Filosofia

Mulheres na Filosofia
A história da filosofia demonstra a presença de várias mulheres filósofas. Seus trabalhos não foram reconhecidos e difundidos por questões culturais, mas a filosofia desde as suas origens pertenceu ao gênero humano independente do sexo.
Vamos destacar algumas:
Safo de Lesbos (630-612 a.C.)
Amanda Brewster Sewell - Safo
Poeta grega nascida em Lesbos, ilha do mar Egeu entre 630 a.C. e 612 a.C.. Dizia-se que era pequena e escura. É provável que, segundo afirmam várias crônicas, tenha sido banida com outros aristocratas e vivido algum tempo na Sicília, mas a maior parte de sua vida, passou em Mitilene, Lesbos, onde morreu.
Líder de uma das sociedades informais que reunia senhoras que se entretinham sobretudo com a composição e a declamação de poemas, atraiu grande número de admiradores, e foi considerada a mais hábil em criar uma relação íntima e pessoal com o leitor.
Escrevia em linguagem simples, de forma concisa e direta, sobre assuntos pessoais: os amores, ciúmes e rivalidades que surgiam entre as mulheres com quem se reunia, e as relações com seu irmão Charaxus.
Reflexiva, discorria com tranquilidade sobre os próprios êxtases e sofrimentos, sem que isso reduzisse o impacto emocional dos poemas. Não se sabe como seus poemas circularam entre seus contemporâneos e nos três ou quatro séculos que se seguiram. No século III a. C. os eruditos alexandrinos reuniram sua obra em dez livros, mas essa edição não sobreviveu ao início da Idade Média. De sua obra conservam-se apenas fragmentos e um único poema completo, recolhidos em obras de outros autores e em papiros egípcios.
Safo sofreu um golpe amoroso com a perda de Átis e inspirou a ela um de seus mais belos poemas de amor. Aqui, duas estrofes:
Safo - Pintura do séc. V a.C.
“- Mas, ah, que triste a nossa sina!
Eu vou contra a vontade, juro, Safo”.-
“Seja feliz", eu disse.

E lembre-se de quanto a quero.
Ou já esqueceu?
Pois vou lembrar-lhe
Os nossos momentos de amor”.

Aspásia de Mileto (470-410 a. C.)
Hector Leroux - Péricles e Aspásia admirando
a gigantesca estátua de Atena no estúdio de Fidias.
Foi uma cortesã e sofista grega, amante de Péricles, com quem teve um filho. Pelas leis atenienses, Péricles não podia casar novamente após a separação de sua primeira esposa, com quem conviveu por dez anos.
Aspasia inaugurou uma escola para jovens mulheres de boas famílias e que teria sido responsável pela invenção do método socrático. Ao lado de Diotima de Mantinea, Aspasia é referida por Sócrates como uma das mais importantes personalidades a orientá-lo em seu desenvolvimento intelectual e filosófico, sobretudo na arte da retórica.
Muito influente no círculo filosófico e político de Atenas, promovia reuniões literárias em sua casa e participava do debate político da época.
Os relatos de sua habilidade como argumentadora e educadora, bem como sua influência política sobre Péricles encontram-se na obra de Platão.
Pela crença de que teve grande influência sobre o marido, foi acusada de ter sido responsável pela Revolta de Samos (440 a. C.) contra Atenas e pela Guerra do Peloponeso (431-404 a. C.).

Hipátia de Alexandria (355-415)
Charles William Mitchell - Hipátia
Hipácia nasceu na cidade de Alexandria, então o caldeirão cultural da região que hoje corresponde ao Egito, em 355 d.C. Ela era filha de Theon, famoso filósofo, astrônomo e mestre de matemática no Museu desta cidade; graças a sua influência ela se destacaria no cenário intelectual posterior.
Adepta da corrente neoplatônica, Hipátia cresceu em um contexto repleto de vida cultural e filosófica; ela mantinha estreitos vínculos com a figura paterna, fonte de seu saber e de sua incessante procura de soluções para os eventos ignorados. A filósofa, mulher guerreira, pioneira na arte de desbravar os árduos caminhos da Matemática, cultivava não somente um cérebro privilegiado, mas também o corpo saudável. Visava, assim, implantar em sua própria existência esta antiga aspiração helênica.
Hipátia se tornou a maior pesquisadora da Alexandria nos campos da matemática e da filosofia, legando ao futuro grandes descobertas nestas disciplinas, bem como na física e na astronomia. Ela se devotou igualmente à prática da poética e ao exercício das artes, sobressaindo-se na Retórica.
Esta mente brilhante cursou a Academia de Alexandria e, com o tempo e o domínio das mais distintas áreas, transcendeu as próprias conquistas paternas, mas deve muito ao pai, que sempre a estimulou a vencer qualquer obstáculo que tentasse impedir seu acesso ao saber, mesmo que se tratasse de qualquer princípio de fé ou de credo.
Ao completar 30 anos, Hipátia já atingira o posto de diretora desta escola. Ao longo deste tempo ela criou várias obras e se popularizou por resolver intrincadas questões da matemática.
Neste quesito a pesquisadora sempre atendia cientistas perdidos na resolução de seus problemas, e poucas vezes os deixava sem respostas. Esta busca se transformou em ideia fixa para Hipátia, que nunca contraiu matrimônio, pois já se considerava unida à procura da verdade.
Infelizmente essa trajetória brilhante teve um desfecho sinistro, que parece ter se configurado a partir de 412, com a ascensão do patriarca Cirilo ao poder. Ele era um cristão fanático, árduo defensor da Igreja e acirrado adversário dos que ele considerava serem hereges.
Como resultado desse fanatismo, Hipátia foi violentamente atingida por um grupo de desvairados cristãos repletos de ódio. Eles a levaram para o interior de uma Igreja e lá extraíram sua pele com conchas, cortaram-na em pedaços e os queimaram, em 415 d.C. Vítima de uma vingança ou de um surto de intolerância, Hipátia seria imortalizada pela posteridade na obra de Rafael de Sanzio.

“Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipátia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto às ciências, e devido a Alexandria estar sob o domínio romano, após o assassinato de Hipátia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época.”
Carl Sagan escreveu em seu livro Cosmos.

O filme Ágora conta a história dela Hipátia.


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