quarta-feira, 29 de abril de 2015

Quando o amor morrer

Tamayo Rufino
“Quando o amor morrer dentro de ti, caminha para o alto onde haja espaço, e com o silêncio outrora pressentido molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos, e neles ateia o fogo adormecido que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido espalhou generoso aos quatro ventos”.
Ruy Cinatti (1915-1986)

terça-feira, 28 de abril de 2015

A Arrumação

Alphonse Mucha
Construir uma casa é como pôr ordem no mundo
arrumo tijolo ele fica onde eu ponho
sou eu que escolho o tijolo eu que assento a massa
se pudesse também que tudo eu pudesse arrumar
não ficava com essa apertação na alma não moço
eu arrumava o mundo que Deus me perdoe
até melhor que ele.

Vera Lúcia de Oliveira

domingo, 26 de abril de 2015

Quatro figuras influentes que nunca existiram

Barbie
Desde o seu lançamento, em 1959, a Barbie fez parte da infância de gerações de meninas, que aspiravam alcançar a beleza e o sucesso da boneca. Ao longo dos anos, ela tem representado quase todos os estilos femininos e, certamente, influenciou as escolhas que muitas mulheres fizeram na vida.
Romeu e Julieta
Gabriel Pacheco
Criações de William Shakespeare, o casal Romeu e Julieta é até hoje considerado o arquétipo do amor juvenil. Proibidos de ficarem juntos por causa de disputas familiares, eles vivem o romance impossível até o fim trágico, influenciando o ideal de “relacionamento perfeito” por gerações.
Robin Hood
Há controvérsias se Robin Hood foi um personagem histórico ou apenas uma lenda inglesa, mas é certo que seu personagem, explorado em incontáveis livros, músicas e filmes, foi transformado de bandido em herói por roubar dos ricos para distribuir aos pobres, ideal presente até hoje nas sociedades ocidentais.
Papai Noel
Ele percorre o mundo inteiro na noite de Natal em um trenó puxado por renas mágicas, distribuindo presentes. O Papai Noel é uma figura tradicional nas culturas ocidentais, bastante ligado ao consumismo das festas de fim de ano, e serve como arma para pais fazerem os filhos se comportarem bem.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Futebol

Kemari
Gravura de Toyohara Chikanobu, Kemari
A atividade mais antiga que se assemelha ao futebol moderno da qual se tem conhecimento data dos séculos III e II a. C. Estes dados são baseados em um manual de exercícios correspondentes à dinastia Han da antiga China. O jogo era chamado ts'uh Kúh (cuju), e consistia em lançar uma bola com os pés para uma pequena rede. Uma variante incluía uma modalidade onde o jogador deveria passar pelo ataque dos seus adversários. Também no Extremo Oriente, embora cerca de cinco ou seis séculos depois do cuju, existia uma variante japonesa chamada kemari, que tinha um caráter mais cerimonial, sendo o objetivo do jogo manter uma bola no ar passando-a entre os jogadores. O kemari até hoje é praticado no Japão, em eventos culturais.
O futebol vai muito além das quatro linhas. Antes dos ingleses assumirem a paternidade e criarem as regras do futebol como conhecemos hoje, há registros de povos que chutavam bolas de couro no Japão, China e Grécia, antes de Cristo. Na América, por exemplo, os índios faziam bolas com o látex da seringueira e jogavam um esporte que era uma mistura de futebol e handebol. Há relatos também na França e Itália, no século 19. A todas essas formas rudimentares, alguns especialistas chamam de proto futebol (proto, em grego, quer dizer primeiro).
Na verdade o kemari é muito parecido com o que chamamos de “altinha” hoje, onde os atletas formam uma rodinha em que ficam tocando a bola sem deixá-la cair no chão. A diferença é que a bola dos japoneses era feita de camurça e recheada com serragem. Além disso, os praticantes eram obrigados a usar a tradicional roupa da época, o que tornava as coisas ainda mais difíceis.
Não havia contagem de pontos. O campo era quadrado e com uma árvore em cada um dos cantos – cerejeira, macieira, salgueiro e pinheiro. O número de jogadores variava, mas chegava a no máximo 15.
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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Alexandre, segundo Caetano Veloso

A música " Alexandre", de Caetano Veloso integra o CD Livro, de 1999.
Caetano recupera a vida e o " mito" de Alexandre, falando de seus feitos e conquistas, mas dentro de sua poética, acaba cometendo alguns exageros, como falar num império que se estendeu " do Punjab a Gibraltar ", sendo que na verdade seria apenas até a península Balcânica.
No entanto, se pensarmos na influência de Alexandre, difundindo a cultura grega pelo seu Império Helenístico e depois parte deste fora assimilada pelos romanos, veremos que isso colaborou para levar o pensamento e a cultura grega para bem longe
.
Alexandre - 1999
Jacob Abbot - Alexander the Great and Bucephalus
Ele nasceu no mês do leão, sua mãe uma bacante
E o rei, seu pai, um conquistador tão valente
Que o príncipe adolescente pensou que já nada restaria
Pra, se ele chegasse a rei, conquistar por si só.
Mas muito cedo ele se revelou um menino extraordinário:
O corpo de bronze, os olhos cor de chuva e os cabelos cor de sol.

Alexandre
De Olímpia e Filipe o menino nasceu, mas ele aprendeu
Que seu pai foi um raio que veio do céu
Ele escolheu seu cavalo por parecer indomável
E pôs-lhe o nome: Bucéfalo
Ao dominá-lo, para júbilo, espanto e escândalo
De seu próprio pai, que contratou para seu preceptor
Um sábio de Estagira
Cuja cabeça ainda hoje sustenta o Ocidente:
O nome, Aristóteles – nome Aristóteles se repetiria
Desde esses tempos até nossos tempos e além.
Ele ensinou o jovem Alexandre a sentir filosofia
Pra que, mais que forte e valente, chegasse ele a ser sábio também.

Alexandre
De Olímpia e Filipe o menino nasceu, mas ele aprendeu
Que seu pai foi um raio que veio do céu

Ainda criança ele surpreendeu importantes visitantes
Vindos como embaixadores do Império da Pérsia
Pois os recebeu, na ausência de Filipe, com gestos elegantes
De que o rei, seu próprio pai, não seria capaz.
Em breve estaria ao lado de Filipe no campo de batalha
E assinalaria seu nome na história entre os grandes generais.

Alexandre
De Olímpia e Filipe o menino nasceu, mas ele aprendeu
Que seu pai foi um raio que veio do céu

Com Hefestião, seu amado
Seu bem na paz e na guerra Correu em honra de Pátroclo – os dois corpos nus – Junto ao túmulo de Aquiles O herói enamorado, o amor
Na grande batalha de Queronéia, Alexandre destruía
A Esquadra Sagrada de Tebas, chamada A Invencível. Aos dezesseis anos, só dezesseis anos, assim já exibia Toda a amplidão da luz do seu gênio militar. Olímpia incitava o menino do sol a afirmar-se Se Filipe deixava a família da mãe De outro filho dos seus se insinuar.
Alexandre
De Olímpia e Filipe o menino nasceu, mas ele aprendeu Que seu pai foi um raio que veio do céu Feito rei aos vinte anos
Transformou a Macedônia,
Que era um reino periférico, dito bárbaro,
Em esteio do helenismo e dos gregos, seu futuro, seu sol.

O grande Alexandre, o Grande, Alexandre
Conquistou o Egito e a Pérsia
Fundou cidades, cortou o nó górdio, foi grande;
Se embriagou de poder, alto e fundo, fundando o nosso mundo,
Foi generoso e malvado, magnânimo e cruel;
Casou com uma persa, misturando raças, mudou-nos terra céu e mar,
Morreu muito moço, mas antes impôs-se do Punjab a Gibraltar.

Alexandre
De Olímpia e Filipe o menino nasceu, mas ele aprendeu
Que seu pai foi um raio que veio do céu.
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terça-feira, 21 de abril de 2015

Estrangeiro

Wassily Kandinsky
Sou estrangeiro em todos os lugares.
Inútil procurar-te, aldeia minha.
Subo de escada todos os andares,
com a fria espada a acutilar-me a espinha.
Não sou daqui nem sou de lá. Perdi-me
na indecisão de becos e de esquinas.
Como o pardal diante do gato, vi-me
apanhado por garras assassinas.
Os mapas pendurados nas paredes
riem de mim como insensíveis redes,
rasgando os peixes que não fogem mais.
Prenderam-me entre muros que abomino
e toda a noite entoam-me seu hino
de insultos, gritos e ódios triunfais.

Reynaldo Valinho Alvarez

domingo, 19 de abril de 2015

Ó minha alegria

Paul Chabas
Ó minha alegria, meu desejo, ó meu apoio,
Minha companheira, minha mesada, meu objetivo,
Você é o espírito do coração, és a minha esperança,
Você é meu confidente, meu desejo para ti é meu viático ↠(caminho).
Sem ti, ó minha vida, ó minha confiança,
Alguma vez iria ser lançado na vastidão do país.
Quanta graça é mostrada,
Quantos presentes e favorece a mim!
Agora seu amor é meu objetivo e minha alegria
E o esplendor do olho do meu coração sedento.
Enquanto eu viver, eu me éloigner
¹ de você.
Você é o único mestre das trevas do meu coração.
Se você encontrar prazer em mim,
Então, o desejo do coração, minha alegria transbordará! "

Rabia al-Adawiyya (717–801)

1. éloigner: palavra francesa que significa - distância, afastamento.

sábado, 18 de abril de 2015

Ciranda de Mariposas

Frederick Morgan
Vamos todos cirandar
ciranda de mariposas.
Mariposas na vidraça
são joias, são brincos de ouro.

Ai! Poeira de ouro translúcida
bailando em torno da lâmpada.
Ai! Fulgurantes espelhos
refletindo asas que dançam.

Estrelas são mariposas
(faz tanto frio na rua!)
batem asas de esperança
contra as vidraças da lua.

Henriqueta Lisboa (1901-1985)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Um som profundo do Outono

Max Weber
Como a floresta, faz de mim a tua lira
importa que também as minhas folhas caiam
o tumulto das tuas poderosas harmonias
virá arrancar-nos

um som profundo do Outono suave,
apesar da sua tristeza.
Percy Bysshe Shelley (1792-1822)

terça-feira, 14 de abril de 2015

Os libertinos: Condições políticas da libertinagem

Jean-Antoine Watteau - Prazeres do amor
Grupos de homens, unidos sob a mesma denominação de libertinos, apresentavam como característica comum a rejeição do cristianismo, na teoria e na prática, e a adoção de uma vida pagã ou de uma concepção pagã da vida. Continuavam os críticos racionalistas do Renascimento, Pomponazzi, Maquiavel e o principe dos céticos, Montaigne. Como eles, utilizavam os Antigos. A Antiguidade integral passara ao ensino. Um jovem encontrava nos autores latinos e gregos tudo o que era necessário à vida: moldava uma alma antiga e anticristã.
Tais homens afastavam-se do cristianismo em primeiro lugar devido aos maus costumes do clero, que os Estados recrutavam por motivos políticos: padres ignorantes que haviam esquecido até a fórmula da absolvição, freiras devassas, abadessas mundanas, prelados de vida pouco edificante, abades que eram crianças de peito, cônegos escolares, padres bêbados [...]. Um reformador dizia: "O que se faz de pior... passa-se entre os eclesiásticos". As controvérsias religiosas, as discussões de teólogos, ortodoxos e jansenistas, gomaristas e arminianos, trazidas a público e desprovidas amiúde de elementar caridade, enfastiavam. As guerras de religião desconsideravam e aviltavam a religião. Em nome de Cristo e do Evangelho, os homens injuriavam-se, caluniavam-se, semeavam a imundície em panfletos rancorosos, descomedidos, escandalosos, traíam, assassinavam. Acabava-se duvidando de que houvesse uma verdade religiosa e aos poucos insinuava-se a ideia de que a religião talvez fosse nefasta. As guerras civis e estrangeiras desbridavam a violência dos instintos e destruíam o respeito à religião. No curso das campanhas, as igrejas eram invadidas, os ornamentos roubados, os tabernáculos quebrados, os cibórios arrebatados, as hóstias profanadas. A vida dos acampamentos favorecia a vida dos sentidos, o abandono aos impulsos da carne, as pilhagens, as rapinas, os estupros. a galanteria, a bebida; afastava os homens de uma religião da pureza, que procurava derivar todos os poderes do indivíduo para o puro amor a Deus, para a santidade perfeita e imaculada.
Roland Mousnier (1907-1993)

sábado, 11 de abril de 2015

As Palavras

Paul Gauguin
[…] As nossas visitas despediam-se, eu ficava só, evadia-me deste cemitério banal, ia juntar-me à vida, à loucura nos livros. Bastava-me abrir um deles para redescobrir esse pensamento inumano, inquieto, cujas pompas e trevas ultrapassavam o meu entendimento, que saltava de uma ideia a outra tão depressa que eu largava a presa cem vezes por página, deixando-a escapulir, aturdido, perdido. Eu assistia a acontecimentos que meu avô julgaria inverossímeis e que, não obstante, possuíam a deslumbrante verdade das coisas escritas. […]
Jean-Paul Sartre (1905-1980)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A Floresta

Jan Bruegel the Elder
Na floresta não existe nem rebanho nem pastor
Quando o inverno caminha
Segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta e lhes indica o caminho
Com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.
Na floresta não existe ignorante ou sábio.
Quando os ramos se agitam a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório
como a serração dos campos que se vai
quando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o melhor saber
E o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas.

Na floresta só existe lembrança dos amorosos.
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram
os seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Dá-me a flauta e canta
E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho
E não para o sangue.

Na floresta não há crítico nem censor
Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro
a águia não diz: que estranho.
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho.
Ah, dá-me a flauta e canta
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.

Na floresta não existem homens livres ou escravos.
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro não diz:
“Ele é desprezível e eu sou um grande Senhor.”
Dá-me a flauta e canta
que o canto é glória autentica
E o lamento da flauta sobrevive
Ao nobre e ao vil.
Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem: “Ele é temível.”
A vontade humana é apenas
uma sombra que vagueia no espaço do pensamento
e o direito dos homens fenece
como folhas de outono.
Dá-me a flauta e canta
O canto é a força do espírito
E o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.

Na floresta não há morte nem apuros.
A alegria não morre quando se vai a primavera.
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração,
pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o segredo da vida eterna
E o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.

Khalil Gibran (1883-1931)

A condição da mulher no Mundo Antigo

* Grécia. A condição da mulher na Grécia variava de uma cidade a outra e de acordo com a época. Na época homérica, a mulher, apesar de submissa ao poder do homem (pai, marido, irmão ou tutor), gozava de certa liberdade de movimento e grande consideração social. Sua condição mudou quando o regime da cidade se afirmou.
Na época clássica, em Atenas, as mulheres não participavam da vida social, exceto dos funerais e cultos públicos. As jovens se casavam, aos 14 anos, com o escolhido pelo pai, e este tinha poderes para romper a união. O papel da mulher limitava-se essencialmente a procriar, e a educação dos filhos, passada a infância, era assunto para os homens.
Jean-León Jêróme - Sócrates buscando Alcebíades na casa de Aspásia
Do ponto de vista patrimonial, a inferioridade da mulher era evidente: ela só recebia parte do patrimônio paterno como dote (que ficava com o marido) e não tinha direito à herança do pai. No mundo dório (Esparta, Gortina), a mulher tinha mais liberdade. Dispunha de certa autoridade sobre os filhos e sua condição jurídica não era objeto de discriminação.
(Eva Cantarella)
José Santiago Garnelo y Alda - Aspasia & Pericles
* Roma. O direito romano considerava as mulheres em relação a sua filiação e ao direito de sucessão dos cidadãos. Do ponto de vista patrimonial, as mulheres tinham direitos importantes: filhas e irmãs podiam herdar tanto quanto filhos e irmãos, exceto quando existisse um testamento decidindo de outra forma.
Desde a República, mas sobretudo a partir de Augusto, duas categorias de mulheres foram distinguidas, segundo uma demarcação ao mesmo tempo social e moral. As que eram destinadas a um casamento legítimo ou concubinato honroso (escravas alforriadas com seus patrões) e as que eram acessíveis a todos os homens.
(Joëlle Beaucamp)
* Egito. A mitologia é a melhor demonstração do equilíbrio masculino-feminino no pensamento egípcio, com seus deuses e deusas. No mundo real, o máximo de status que uma mulher podia atingir era a realeza. O rei era rodeado por mulheres: amas-de-leite, escançãs [funcionários que serviam vinho ao rei] ou concubinas.
No mundo sacerdotal, as mulheres exerciam diversas funções. Muitos centros de culto possuíam um clero feminino importante (da simples cantora à superior do harém divino), como em Karnak.
(Agnès Cabrol)
* Mesopotâmia. Mesmo nascendo livre, a mulher tinha sempre um proprietário. Primeiro, o pai. Depois, o marido ou seu deus, se entrasse para a religião. Algumas rainhas tiveram um papel político importante, assumindo o poder interinamente quando o rei partia em campanhas militares, ou assegurando a sucessão do trono no caso de morte do soberano. A mulher tinha acesso à cultura, e chegaram a existir mulheres médicas ou escribas. Mesmo ocupando a mais baixa escala social, a mulher escrava podia escapar da servidão caso se tornasse concubina.
(André Finet)
In: BETING, Graziella. Coleção história de A a Z: [volume] 1: antiguidade.
Rio de Janeiro, Duetto, 2009. p. 23.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Verdades

Yelena Bryksenkova
Enquanto não encerramos um capítulo,
não podemos partir para o próximo.
Por isso é tão importante deixar certas coisas irem
embora, soltar, desprender-se.
As pessoas precisam entender que ninguém
está jogando com cartas marcadas,
às vezes ganhamos e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu gênio,
que entendam seu amor, encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho,
por incapacidade ou por soberba,
mas porque simplesmente
aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa,
sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era,
e se transforme em quem é.
Gloria Hurtado

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Modernismo

Tarsila do Amaral - Antropofagia
Na Europa, o termo "modernismo" refere-se às correntes artísticas que, a partir do final do século XIX, e início do XX, divulgaram exaltaram a modernização tecnológica e a civilização industrial. O modernismo surgiu na cultura brasileira só na década de 1920, e mesmo assim inicialmente apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Se a "Exposição de arte moderna de 1917" de Anita Malfatti (1899-1964) é considerada um marco inicial, o modernismo se consolidou como movimento a partir da Semana de 1922: durante três dias de fevereiro, literatos como Mário de Andrade (1893-1945) e Oswald de Andrade (1890-1954), músicos como Villa-Lobos (1887-1959) e artistas como Anita, Tarsila do Amaral (1886-1973), Di Cavalcanti (1897-1976), entre outros, organizaram-se em um evento que foi bastante discutido na imprensa da época. Após a Semana de Arte Moderna, os anos 1920 foram marcados pela publicação de manifestos, polêmicas e revistas que eram lançadas e desapareciam rapidamente.
Nos anos 1930, transformações profundas permeavam a educação, a vida artística e literária, os estudos históricos e sociais. Para vários autores, nesse período as inovações da década anterior tornaram-se fatos de cultura, com os quais a sociedade aprendeu a conviver. Nesses anos um artista como Cândido Portinari (1903-1962) atuava em uma área que tinha sido, até então, dos artistas tradicionais e das encomendas oficiais. Nos anos 1940, com a criação dos Museus de Arte Moderna em São Paulo (1948) e no Rio de Janeiro (1949) e do Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1947, a arte moderna se institucionalizou no Brasil.
Nas artes visuais, o modernismo brasileiro tem várias peculiaridades em relação às vanguardas europeias. Os brasileiros, ainda que incorporando valores do cubismo, caso de Tarsila, ou do expressionismo, caso de Lasar Segall (1891-1957) ou Di Cavalcanti, não abandonaram a arte figurativa.
Isso se explica, em parte, por um dos grandes objetivos daquela geração constituir uma nova cultura, apoiada em uma arte que manifestasse uma pretensa "identidade nacional". É assim que se compreendem os movimentos Pau-Brasil (1924) e Antropofágico (1928). Mas não se pode esquecer que a gestação do modernismo brasileiro ocorreu justamente no período chamado, na Europa, de "retorno à ordem", quando o ímpeto destrutivo das vanguardas diminuiu. Por tudo isso, uma das grandes conquistas dos movimentos europeus no começo do século XX, a abstração, só seria adotada por artistas brasileiros na década de 1950.
Letícia Squeff