sexta-feira, 31 de julho de 2015

Os 12 livros mais vendidos da História

Participaram do levantamento as publicações: “The Paris Review”, “Washington Post”, “Open Culture”, “The Guardian”, “Telegraph”, “Toronto Star”, “New York Times”, “Global Times”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), European and International Booksellers Federation (EIBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK.
Os livros, “Cinquenta Tons de Cinza” e “O Senhor dos Anéis”, apesar de terem sido publicados em mais de um volume — foram considerados como um livro único — porque, originalmente, seus autores os conceberam como obra única, diferentemente da série Harry Potter.
Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.
1 — Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowling)
Publicado em 1997, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é o primeiro volume da série Harry Potter, da britânica J. K. Rowling. O livro narra a história de um garoto órfão que vive infeliz com seus tios. Até que, repentinamente, ele recebe uma carta contendo um convite para ingressar em uma famosa escola especializada em formar jovens bruxos. Estima-se que tenha vendido entre 850 e 950 milhões de cópias.
2 — Dom Quixote (Miguel de Cervantes)
Publicado em Madrid em 1605, “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, é composto de 126 capítulos, divididos em duas partes. O livro narra a história de Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro errante que perdeu a razão e, junto com seu fiel escudeiro Sancho Pança, vive lutas imaginárias. Estima-se que tenha vendido entre 600 e 630 milhões de cópias.
3 — O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)
Publicado em 1844, “O Conde de Monte Cristo é, juntamente com “Os Três Mosqueteiros”, a obra mais conhecida de Alexandre Dumas e uma das mais celebradas da literatura universal. O livro narra a história de um marinheiro que foi preso injustamente. Quando escapa da prisão, e toma posse de uma misteriosa fortuna e arma uma plano para vingar-se daqueles que o prenderam. Estima-se que tenha vendido entre 300 e 350 milhões de cópias.
4 — Um Conto de Duas Cidades (Charles Dickens)
Publicado em 1859, “Um Conto de Duas Cidades”, de Charles Dickens, é um romance histórico que trata de temas como culpa, vergonha e retribuição. O livro cobre o período entre 1775 e 1793, da independência americana até a Revolução Francesa. Dickens evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social. Estima-se que tenha vendido entre 280 e 300 milhões de cópias.
5 — O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry)
Publicado em 1943, “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, é uma das obras mais traduzidas da história. Por meio de uma narrativa poética, o livro busca apresentar uma visão diferente de mundo, levando o leitor a mergulhar no próprio inconsciente. Estima-se que tenha vendido entre 250 e 270 milhões de cópias.
6 — O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien)
Publicado em três volumes entre 1954 e 1955, “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, é um romance de fantasia que ocorre em um tempo e espaço imaginários. A história narra o conflito entre raças para evitar que um anel poderoso volte às mãos de seu criador, o senhor do escuro. Estima-se que tenha vendido 230 e 250 milhões de cópias.
7 — O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (C.S. Lewis)
Publicado em 1950, “O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa” é um romance infantil do escritor britânico C.S. Lewis. O livro narra a história de quatro irmãos que vivem na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial. Em uma de suas brincadeiras descobrem um guarda-roupa que leva quem o atravessa ao mundo mágico habitado por seres estranhos, como centauros e gigantes. Estima-se que tenha vendido entre 200 e 220 milhões de cópias.
8 — Harry Potter e o Enigma do Príncipe (J.K. Rowling)
Lançado oficialmente em julho de 2005, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” é o sexto livro da série que dá continuidade à saga do jovem bruxo Harry Potter que acabou de completar 16 anos e parte rumo ao sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, animado e, ao mesmo tempo, apreensivo com a perspectiva de ter aulas particulares com o professor Dumbledore, o diretor da escola e o bruxo mais respeitado em toda comunidade mágica. Estima-se que tenha vendido entre 180 e 200 milhões de cópias.
9 — O Caso dos Dez Negrinhos (Agatha Christie)
Publicado em 1939, “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie, é o maior clássico moderno das histórias de mistério. Dez pessoas diferentes recebem um mesmo convite para passar um fim de semana numa ilha. Na primeira noite, após o jantar, elas ouvem uma voz acusando cada uma de um crime oculto cometido no passado. Mortes inexplicáveis se sucedem. Estima-se que tenha vendido entre 150 e 170 milhões de cópias.
10 — Cinquenta Tons de Cinza (E. L. James)
Publicado em 2011, Cinquenta Tons de Cinza é um romance erótico da autora inglesa Erika Leonard James. O livro retrata Anastasia Steele, uma garota virgem de 21 que, após entrevistar milionário Christian Grey para o jornal da faculdade, passa a ter um relacionamento sadomasoquista com ele. A história se passa em Seattle com ricos detalhes de bondage, sadismo e masoquismo. Estima-se que tenha vendido entre 120 e 130 milhões de cópias.
11 — O Sonho da Câmara Vermelha (Cao Xueqin)
Publicado em meados do século 18, “O Sonho da Câmara Vermelha”, de Cao Xueqin, é uma das obras-primas da literatura chinesa. O livro faz um relato detalhado da aristocracia chinesa da época. Acredita-se que o conteúdo da história seja autobiográfico descrevendo o destino da própria família do escritor. Estima-se que tenha vendido entre 100 e 110 milhões de cópias.
12 — Ela, a Feiticeira (Henry Rider Haggard)
Publicado em 1887, “Ela, a Feiticeira” é um livro de aventura e fantasia do escritor britânico Henry Rider Haggard. O livro narra as aventuras de dois amigos numa região inexplorada da África, onde encontram uma civilização perdida, na qual reina uma misteriosa feiticeira chamada Ela. Estima-se que tenha vendido entre 85 e 95 milhões de cópias.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Curiosidades sobre Filosofia Grega

Jacques Louis David - Sócrates
  1. Os adeptos da escola do filósofo Pitágoras (582 a.C. — 497a.C.), os chamados pitagóricos, se encontravam para debater as ideias de seu mestre, mas não se conheciam, pois compareciam às reuniões encapuzados.

  2. Aristóteles (384 a.C. — 322 a.C.) foi o primeiro a afirmar que a baleia e o golfinho não são peixes e que os morcegos não são pássaros. Ele registrou cerca de 500 classes diferentes de animais e dissecou mais ou menos 50 deles.

  3. O verdadeiro nome de Platão (427 a.C. — 347 a.C.) era Arístocles, mas por causa de seu tipo físico, passou a ser chamado de Platão, que significa "ombros largos".

  4. A Academia, fundada por Platão, pode ser considerada uma das escolas com maior longevidade da história: o filósofo morreu aos 80 anos, mas ela permaneceu em funcionamento por oito séculos, até ser fechada por ordem do imperador Justiniano.

  5. Sócrates (469 a.C. — 399 a.C) foi o único filósofo grego a não escrever nenhuma obra, pois tinha desprezo pela escrita. Ele preferia o diálogo como uma maneira de atingir "a verdade, o bem e a justiça". Os livros que existem e são creditados a Sócrates foram escritos, na verdade, por seus discípulos.

  6. Sócrates era homossexual e defendia esse tipo de relação como a mais alta inspiração para os "homens bem-pensantes", já que o sexo heterossexual só serviria como meio de reprodução. O amor entre dois homens era tido, pela cultura de algumas cidades-estado gregas, como o único verdadeiro.

  7. Os filósofos Pitágoras e Platão eram vegetarianos. Eles pararam de consumir alimentos de origem animal por considerá-los impuros.

  8. Diógenes (404 a.C. — 323a.C.), conhecido como "O Cínico", desprezava os poderosos e as convenções sociais de sua época e, como uma forma de protesto, andava vestido em trapos e morava em um barril.

  9. Até o século V a.C., os gregos, assim como os babilônios e os egípcios, acreditavam que os sonhos eram mensagens dos deuses. Tanto que construíram o templo de Asclépio, onde os doentes dormiam e tentavam sonhar com algo que os levasse à cura. Heráclito (544 a.C. — 484 a.C.) foi o primeiro a dizer que o sonho é uma experiência individual e que não tem nenhuma relação com as vontades dos deuses.

  10. Anaxágoras (500 a.C. — 428 a.C.) foi obrigado a deixar Atenas depois de declarar que o Sol seria uma pedra incandescente maior que a região do Peloponeso. Ele foi perseguido e condenado por "impiedade".

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Trechos de Literatura

Os mais belos trechos da História da Literatura
Claude Lorrain
Autor:
Obra
Trecho
Antoine de Saint-Exupéry
O Pequeno Príncipe
“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz”.
Gabriel García Márquez
Cem Anos de Solidão
“Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.
Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias”.
Jane Austen
Orgulho e Preconceito
“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa”.
José Mauro de Vasconcelos
Meu Pé de Laranja Lima
“Matar não quer dizer a gente pegar revolver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu”.
Anne Frank
O Diário de Anne Frank
“É difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles, porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são realmente boas de coração”.
J. D. Salinger
O Apanhador no Campo de Centeio
“O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: ‘Muito prazer em conhecê-lo’ para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo”.
Johann Wolfgang von Goethe
Os Sofrimentos do Jovem Werther
“É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o pouco de tempo livre que lhe resta pesa-lhe tanto que busca todos os meios possíveis para livrar-se dele. Oh, destino dos homens!”.
Fernando Sabino
O Encontro Marcado
“De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro”.
Hermann Hesse
Demian
“Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas”.
Vladimir Nabokov
Lolita
“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita”.
George Orwell
A Revolução dos Bichos
“Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco”.
Arthur Conan Doyle
Sherlock Holmes
“Eu sou um cérebro, Watson. O resto é mero apêndice”.

domingo, 26 de julho de 2015

O Que É Verdade?

Hermann Seegert
O que é verdade afinal? Trata-se de uma pergunta difícil, mas acho que consegui respondê-la ao concluir que a verdade é aquilo que sua voz interior diz a você. Então você poderia perguntar: Por que pessoas diferentes abrigam verdades distintas e até mesmo contraditórias?
É porque, no momento em que vivemos, cada pessoa afirma possuir o direito à consciência individual, sem, entretanto, obedecer a qualquer tipo de disciplina. O fato é que há muitas inverdades sendo proferidas e proliferadas neste mundo completamente estupefato e desnorteado. Assim, tudo o que posso lhes dizer, e com a mais profunda humildade, é que a verdade não será encontrada por ninguém que não possua um abundante senso de reverência e autoentrega. Se pretendemos navegar pelo oceano da verdade, precisamos reduzir a nós mesmos ao completo nada.
A verdade está dentro de nós mesmos. Em cada ser humano existe um núcleo central em que a verdade plena habita. Cada indivíduo que atua de maneira incorreta sabe perfeitamente que suas ações são erradas; a inverdade jamais pode ser confundida com a verdade. Justiça e verdade devem permanecer para sempre como leis supremas no mundo de Deus.
A lei da verdade é compreendida meramente como o nosso dever de dizer a verdade. Todavia, compreendemos que essa palavra tem um sentido muito mais amplo. A verdade deve prevalecer no que pensamos, no que dizemos e em todas as nossas ações.
Mahatma Ghandi (1869-1948)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sete anos de Pastor

Louis Gauffier - Jacó com as filhas de Labão
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assim negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida;

começa de servir outros sete anos,
dizendo: — Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida.

Luís Vaz de Camões (1524-1589)

terça-feira, 21 de julho de 2015

O Amor e o Amante

O sol só pode ser visto pela própria luz do sol.
Quanto mais uma pessoa sabe, maior a perplexidade,
quanto mais perto o sol, maior o deslumbramento.
Até que um ponto é atingido onde a pessoa já não é.

Um místico sabe sem conhecimento, sem intuição
ou informação, sem contemplação, descrição ou revelação.
Os Místicos não são eles mesmos.
Eles não existem em si mesmos.
Eles se movem conforme são movidos,
falam conforme as palavras surgem,
veem com as cenas que entram em seus olhos.

Certa vez conheci uma mulher e perguntei-lhe
onde o amor a tinha levado. Ela respondeu:

“Tolo, não há destino para se chegar.
O amado, o amante e amor são infinitos.”

Farid ud-Din Attar (1145-1220)

domingo, 19 de julho de 2015

Obstáculos

Randy Vosbeck
obstáculos
à beleza
de todo tipo
em toda parte

não há país
nem paisagem
a voz não soa
a vida à toa

obstáculos
à beleza
de todo lado
em todo estado

assassinato
sem assinatura
palavra calada
mera rasura

obstáculos
à beleza
pouco ar
em todo lugar

apenas tédio
gosto médio
ofício sem ossos
oficina do ócio

obstáculos
à beleza
obstáculos
obstáculos.

Carlos Ávila

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Como as Artes Plásticas retratam os índios ao longo da História do Brasil

Victor Meirelles - A Primeira Missa no Brasil
Os índios são ao mesmo tempo espectadores e personagens, em "A primeira missa no Brasil", quadro de 1861, do pintor Victor Meirelles (1832-1903), apresenta uma visão idealizada do episódio narrado por Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao rei dom Manuel, que ajudou a formar o imaginário histórico brasileiro.
Antônio Parreiras - Iracema
Personagem do romance homônimo de José de Alencar, obra-prima do Romantismo brasileiro, Iracema também seduziu o pintor e ilustrador Antônio Parreiras (1860-1937), que também criou sua versão da virgem dos lábios de mel, ressaltando a tristeza e o abandono que a consomem.
Albert Eckhout - Dança dos Tapuias
O pintor Albert Eckhout (1610-1666) veio para Pernambuco em 1637, na comitiva de Maurício de Nassau, com a missão de retratar o Novo Mundo, seus habitantes, sua fauna e sua flora. A "Dança dos Tapuias", uma de suas obras primas, encontra-se atualmente no Museu Nacional de Dinamarca.
José Maria de Medeiros - Lindoia
A morte de Lindoia, de José Maria de Medeiros(1849-1925), retrata o episódio do poema épico "O Uraguai", de Basílio da Gama, em que o irmão da índia mata - tarde demais - com uma flechada a serpente que ela usou para se suicidar. Medeiros procura captar o espírito do autor que diz ser bela a morte em Lindoia.
Rodolfo Amoedo - O Ultimo Tamoyo
Entre 1554 e 1567, os índios do litoral do sudeste brasileiro se rebelaram contra os portugueses no episódio que ficou conhecido como Confederação dos Tamoios e deu origem ao poema homônimo de Gonçalves de Magalhães, no qual se inspirou o pintor Rodolfo Amoedo (1857-1941) para pintar este "O último tamoio", que retrata a morte do cacique Aimberê.
Victor Meirelles - "Moema"
Moema, de Victor Meirelles (1832-1903), é baseado no poema épico "Caramuru", de José de Santa Rita Durão. A índia, apaixonada por Diogo Álvares Correia, o Caramuru, ao vê-lo regressar à Europa, atira-se na água e nada atrás do navio até perder as forças e afogar-se. A maré deposita na praia seu corpo sem vida.
Johann Moritz Rugendas - Índios em uma fazenda de Minas Gerais
Índios em uma fazenda de Minas Gerais, do artista alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858), que veio ao Brasil em 1821, com a expedição do barão Langsdorf, permanecendo por aqui três anos. Fez desenhos a grafite e bico-de-pena de tipos brasileiros, índios e negros, bem como documentou paisagens e espécies vegetais.
Jean-Baptiste Debret - Caboclo
Caboclo, de Jean-Baptiste Debret (1768-1848) retrata um mestiço que, a rigor, já teria deixado à vida selvagem e aderido à civilização, mas esses limites talvez fossem muito difíceis de se ver no Brasil, em especial aos olhos de um francês. Mas Debret não faz julgamentos, apenas retrata.
Hercule Florence - Índios Bororos
Índios bororos, no traço objetivo e delicado de Hercule Florence (1804-1879), artista, inventor e pioneiro da fotografia, que percorreu o Brasil com a expedição do Barão Langsdorf, entre 1825 e 1829, perfazendo um trajeto de 13 mil quilômetros. Produziu uma quantidade imensa de imagens de enorme valor antropológico.

Fonte:
( UOL Educação )

terça-feira, 14 de julho de 2015

Mãe Cósmica

Josephine Wall
Sê em mim a respiração das tuas vias lácteas
sê em mim a que já és e sempre tens sido
um sonho do outro lado da montanha dos sonhos e para
além do mistério
algo mais real que a própria realidade
algo que nem esquecer nem recordar posso
algo como soturnas naves vagueando para a luz do farol
algo como nuvens tais luminosas rochas e rochas quais
nuvens sombrias
algo que torna o frio inconcebível calor
algo que esteve em mim e me transfigurou
ó transfigura-me
converte-me em porto para o navio da minha inquietude
espera por mim no seio da terra
procura-me na minha urna
ó transfigura-me e sê em mim
tal como insensível em ti repouso
no sonho da inconsciência e na constelação de teus olhos.

Erik Lindegren (1910-1968)

A bastança e a indigência dependem da ideia que dela temos

Christoffer Wilhelm Eckersberg - Sócrates e Alcibiades
“(...) A bastança e a indigência dependem, pois, da ideia que dela temos. A riqueza, como a glória e a saúde, só atrai e causa prazer na medida em que empresta prazer e atração a quem a possui. Estamos bem ou mal neste mundo segundo que pensamos: contente está quem se acredita contente e não aquele que os outros imaginam contente. Nossa crença é que faz seja ou não seja real a nossa felicidade!”
Michel de Montaigne (1533-1592)

sábado, 11 de julho de 2015

Os Grandes Filósofos da História

Giorgione - Três Filósofos
Antiguidade Clássica: Gregos
Sócrates (470-399 a.C.)
Platão (428-347 a.C.)
Aristóteles (384-322 a.C.)
Tales de Mileto (625-545 a.C.)
Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.)
Anaxímenes de Mileto (585-528 a.C.)
Pitágoras (570-496 a.C.)
Xenófanes de Cólofon (570-460 a.C.)
Heráclito de Éfeso (540-470 a.C.)
Parmênides de Eléia (530-460 a.C.)
Anaxágoras de Clazômenas (500-428 a.C.)
Diógenes de Apolônia (viveu no século V a.C.)
Protágoras de Abdera (480-410 a.C.)
Górgias de Leontini (480-375 a.C.)
Demócrito de Abdera (460-370 a.C.)
Arquitas de Tarento (428-347 a.C.)
Helênicos
Euclídes (360-295 a.C.)
Pirro de Elis (360-275 a.C.)
Epícuro (341-270 a.C.)
Aristarco de Samos (310-230 a.C.)
Arquimedes (287-212 a.C.)
Eratóstenes (276-194 a.C.)
Plotino (205-270)
Epiteto (55 - 135)
Ptolomeu (90 - 168)
Romanos
Cícero (106-42 a.C.)
Sêneca (4 a.C-65)
Marco Aurélio (121-180)
Boécio (480-524)
Idade Média
Agostinho de Hipona (354-430)
João Filopono (490-580)
Santo Anselmo (1033-1109)
Pedro Abelardo (1033-1109)
Averróis (1126-1198)
Alberto Magno (1200-1280)
Roger Bacon (1214-1294)
Tomas de Aquino (1225-1274)
Raimundo Lúlio (1232-1315)
William de Ockham (1285-1350)
Renascimento
Nicolau de Cusa (1401-1464)
Erasmo de Rotterdam (1469-1536)
Nicolau Maquiavel (1469-1527)
Thomas More (1478-1535)
François Rabelais (1483-1553)
Paracelso (1493-1541)
Michel de Montaigne (1533-1592)
Giordano Bruno (1548-1600)
Francis Bacon (1561-1626)
Galileu Galilei (1564-1642)
Tommaso Campanella (1568-1639)
Isaac Newton (1643-1727)
Giambattista Vico (1668-1744)
Idade Moderna
Thomas Hobbes (1588-1679)
René Descartes (1596-1650)
Blaise Pascal (1623-1662)
Baruch de Espinoza (1632-1704)
John Locke (1632-1704)
Nicolas Malebranche (1638-1715)
Gottfried Leibniz (1646-1716)
George Berkeley (1685-1753)
Barão de Montesquieu (1689-1755)
François Voltaire (1694-1778)
Thomas Reid (1710-1796)
David Hume (1711-1776)
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
David Hume (1711-1776)
Immanuel Kant (1724-1804)
Cesare Beccaria (1738-1794)
Dugald Stewart (1753-1828)
Friedrich Schiller (1759-1805)
Idade Contemporânea
Johann Gottlieb Fichte (1762-1814)
Georg Wilhelm Hegel (1770-1831)
James Mill (1773-1836)
Friedrich Schelling (1775-1854)
Arthur Schopenhauer (1788-1860)
Auguste Comte (1798-1857)
Ludwig Feuerbach (1804-1872)
John Stuart Mill (1806-1873)
Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865)
Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876)
Karl Marx (1818-1883)
William James (1842-1910)
Friedrich Nietzsche (1844-1900)
Henri Bergson (1859-1941)
John Dewey (1859-1952)
Bertrand Russell (1872-1970)
George Edward Moore (1873-1958)
Max Scheler (1874-1928)
Albert Schweitzer (1875-1965)
Jaques Maritain (1882-1973)
Karl Jaspers (1883-1969)
Louis Lavelle (1883-1951)
Gaston Bachelard (1884-1962)
Georg Lukács (1885-1971)
Pietro Ubaldi (1886-1972)
Ludwig Wittgenstein (1889-1951)
Martin Heidegger (1889-1976)
Herbert Marcuse (1889-1979)
Gilbert Ryle (1900-1976)
Karl Popper (1902-1994)
Mortimer Adler (1902-2001)
Bernard Lonergan (1904-1984)
Jean-Paul Sartre (1905-1980)
Ayn Rand (1905-1982)
Delfim Santos (1907-1966)
Willard Van Orman Quine (1908-2000)
Norberto Bobbio (1909-2004)
John Austin (1911-1960)
Albert Camus (1913-1960)
Paul Ricoeur (1913-2005)
Georg Henrik von Wright (1916-2003)
Nelson Goodman (1918-1998)
Mário Bunge(1919-)
Nelson Goodman (1918-1998)
Thomas Kuhn (1922-1996)
Cornelius Castoriádis (1922-1997)
Paul Feyerabend (1924-1994)
Gilles Deleuze (1925-1995)
Michel Foucault (1926-1984)
Eduardo Abranches de Soveral (1927-2003)
Jean Baudrillard (1929-2007)
Jürgen Habermas (1929-)
Félix Guattari (1930-1992)
Michel Serres (1930 )
Enrique Dussel (1934 )
Tyler Burge (1946 )
Pierre Lévy (1956 )
Michel Tye (1960 )

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O Dilúvio e a Árvore (*)

Claude Monet
Quando a tempestade satânica chegou e se espalhou
No dia do dilúvio negro lançado
Sobre a boa terra verdejante
"Eles" contemplaram. Os céus ocidentais ressoaram com explicações de regozijo:
"A árvore caiu!
O grande tronco está esmagado! O dilúvio deixou a árvore sem vida!"

Caiu realmente a Árvore? Nunca! Nem com os nossos rios vermelhos correndo para sempre,
Nem enquanto o vinho dos nossos membros despedaçados
Saciar nossas raízes sequiosas
Raízes árabes vivas
Penetrando profundamente na terra.

Quando a Árvore se erguer, os ramos
Vão florir verdes e viçosos ao sol
O riso da Árvore desfolhará
Debaixo do sol
E os pássaros voltarão, com certeza
Voltarão.
Fadwa Tugan (1917-2003)
(*) Este poema foi escrito em 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, quando os meios de informação internacionais faziam crer que a nação árabe não sobreviveria à derrota.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Madison Grant (1865-1937), o guru de Hitler

Madison Grant - Sua obra seviu como "Bíblia" para o Führer
Ele é uma das mais obscuras figuras entre os precursores do nazismo, mas a importância desse advogado americano em sua época foi extremamente marcante e, claro, alcançou a Alemanha e impressionou um jovem ambicioso de Viena: Adolf Hitler.
Adepto e grande divulgador das teorias racistas por um lado e conservador naturalista pioneiro por outro, Madison Grant nasceu em 1865 – ano que marca a abolição da escravatura nos Estados Unidos, a descoberta das primeiras leis da genética e da sistematização do eugenismo pelo cientista – matemático e antropólogo – inglês Francis Galton. Grant morreria em 1937, ano de construção do campo de Buchenwald, na ocasião em que Hitler, seu mais célebre admirador, se dedicava a dar uma sequência industrial a mais um de seus ensinamentos.
No curso dos anos de juventude de Grant, a sociedade americana é dominada pelos WASP (cidadãos de raça branca, origem anglo-saxã e religião protestante), membros da classe dirigente que amam se apresentar como “patrícios” – um termo, como sabemos, tomado emprestado à aristocracia detentora do poder em Roma. Eles são descendentes dos “pais fundadores”, que se organizaram para formar um novo país no fim do século anterior. Esses “patrícios” estão convencidos de sua destinação natural: as virtudes que teriam herdado pelo sangue os designaram para a tarefa de governar os Estados Unidos, impondo a sua visão do mundo aos demais.
Assim, os WASP veem o país como o seu patrimônio, e aos habitantes não WASP da América estão reservados dois papéis: ou o de servos de sua missão ou o de parasitas aproveitadores das sobras da grande obra dos pais fundadores. Assim, os ameríndios, herdeiros de uma terra inculta à qual os pioneiros levam as bênçãos da civilização, são dizimados sistematicamente e concentrados em suas reservas, por causa de sua “selvageria”, como é classificada qualquer forma de resistência.
Os descendentes dos escravos são tratados com mais condescendência, vistos como “primitivos”. As discretas populações asiáticas são desprezadas. Católicos e judeus, como o conjunto dos imigrantes da Europa central ou meridional, são acusados de déficit moral, os primeiros por uma suposta inclinação atávica, e os segundos por sua cupidez (“o judeu polonês”, escreve Grant, “anão por natureza e concentrado em seu interesse particular...”).
O mexicano é pouco mais que um indígena. Sua imagem tradicional é a de um bandoleiro pouco asseado, desordeiro e propenso ao consumo excessivo de álcool – e nesse perfil se enquadram indistintamente todos os latinos. As outras populações do mundo são ignoradas ou tratadas como fauna exótica.
A educação recebida por essa elite, que mistura cultura clássica, ritualística social estrita e exercícios físicos, faculta aos mais altos responsabilidades em aproximadamente todos os domínios. Formado por preceptores em Manhattan e em Dresden, na Alemanha, admitido no círculo estreito de Yale, diplomado em direito em Columbia, Madison Grant se forma como um “gentleman erudito”. Um de seus amigos mais próximos é Theodore Roosevelt (1858-1919), historiador, naturalista, explorador, escritor e soldado que se torna, em 1901, o 26º presidente dos Estados Unidos.
Caçador e naturalista, Grant é, também ele, inspirador da ecologia, das reservas naturais, um dos criadores do zoológico do Bronx, em Nova York, (1899), e o salvador de várias espécies vivas. Mas é a salvação da “raça branca” que lhe confere a celebridade e uma influência decisiva sobre todo o pensamento racista do século XX e, particularmente, a ideologia hitlerista.
Jean-Louis Vullierme
Filósofo e Escritor

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Parêntese

Giorgio de Chirico
O homem ainda vive mais de afirmação do que de pão.
Ver e mostrar, mesmo isso não basta. A filosofia deve ser uma energia; deve ter por esforço e efeito melhorar o homem. Sócrates deve penetrar em Adão e produzir Marco Aurélio; em outras palavras, fazer sair, do homem da felicidade, o homem da sabedoria. Transformar o Éden em Liceu. A ciência deve ser um cordial. Gozar, que triste objetivo, que mesquinha ambição! O irracional goza! Pensar, este é o verdadeiro triunfo da alma. Estender o pensamento à sede dos homens, dar-lhes, a todos, como elixir, a noção de Deus, fazer neles fraternizar a consciência e a ciência, torná-los justos por meio desse misterioso confronto, essa é a função da filosofia real. A moral é um desabrochar de verdade. Contemplar leva a agir. O absoluto deve ser prático. É preciso que o ideal seja respirável, potável e comestível pelo espírito humano. O ideal é que tem o direito de dizer:
Tomai, essa é a minha carne, esse é o meu sangue. A sabedoria é uma comunhão sagrada. É com essa condição que ela cessa de ser um estéril amor da ciência para se tornar o modo único e soberano da união humana, e que de filosofia, é promovida a religião.
A filosofia não deve ser uma sacada aberta para o mistério com a finalidade de contemplá-lo à vontade, sem outro resultado que não seja cômodo para a curiosidade.
Quanto a nós, adiando para outra ocasião o desenvolvimento de nosso pensamento, limitamo-nos a dizer que não compreendemos nem o homem como ponto de partida, nem o progresso como finalidade sem estas duas forças que são os dois motores: crer e amar.
O progresso é o objetivo, o ideal é o tipo.
O que é o ideal? É Deus.
Ideal, absoluto, perfeição, infinito, palavras idênticas.
Victor Hugo (1802-1885)
in 'Os Miseráveis' - Livro VII, Cap. VI

sábado, 4 de julho de 2015

Lucrécia Bórgia

Bartolomeo Veneto - Lucrécia Bórgia
Se Judas encarna a imagem do traidor, Lucrécia Bórgia representa a manipuladora sem escrúpulos de costumes depravados. Mas a realidade é bem diferente. Aquela que é descrita como uma envenenadora e uma depravada foi, na realidade, uma aristocrata erudita.
Fruto da união entre o cardeal Rodrigo Borgia e sua favorita, a patrícia romana Vannozza Cattanei, Lucrécia nasceu em 18 de abril de 1480. Recebeu a educação refinada das crianças da aristocracia, que era uma preocupação de seu padrasto, o humanista Carlo Canale. Ela aprendeu línguas antigas, se familiarizou com a poesia, dedicou-se à música e estudou filosofia e letras latinas. Aristóteles, Tito Lívio, Salústio e Virgílio balizaram uma formação que, tanto quanto sua beleza, se revelaria útil para o destino que lhe estava reservado.
Na adolescência, Lucrécia mudou-se para o palácio de seu pai. Cresceu então à sombra do poder da Igreja. O Vaticano tinha sua corte, assim como a dos reinos da França, Inglaterra e Espanha. Era fértil também em artes e, sobretudo, em intrigas. O cardeal Bórgia subiu ao trono de Pedro em 1492. Lucrécia tornou-se, a partir de então, filha do papa Alexandre VI. De espectadora das lutas pelo poder, tornou-se protagonista das ambições de seu clã e trunfo no jogo político de seu pai.
Nada distinguia a casa pontifical das outras casas principescas da época. Nem seus costumes nem suas preocupações, das quais a principal era consolidar e estender a influência familiar, reforçando a da Igreja. Essa era a obsessão dos soberanos pontífices desse final de século XV. Era evidentemente também ao papa Borgia, cujos Estados papais se estendiam por toda a parte central da península, cercados pelos domínios da família Aragão em Nápoles, dos Sforza de Milão e dos Médicis de Florença. Afirmar o poder da Igreja passava tanto pela ostentação de uma corte e a organização de um exército poderoso como pelo casamento diplomático.
Aos 11 anos, Lucrécia foi prometida, no espaço de seis meses, a dois maridos diferentes: um aristocrata espanhol e depois um italiano. Mas foi com o condottiero Giovanni Sforza, senhor de Pesaro, que a adolescente de 13 anos se casou, em 1493. Os riscos de uma invasão francesa a Roma e a peste que devastava a Cidade Eterna precipitaram a ida do casal para Pesaro. Em 10 de junho de 1494, Lucrécia enviou uma carta a Alexandre VI na qual expressava a admiração e o carinho que ela dedicava a seu pai. Descobrimos uma adolescente comedida e ponderada que revelou certo desinteresse em relação às festas que celebravam sua chegada ao novo domínio de Pesaro. A aliança com os Sforza revelou-se rapidamente um erro estratégico para o clã Borgia. Alexandre VI conseguiu anular o casamento em 1497, afirmando de maneira não comprovada que ele não havia sido consumado. Giovanni Sforza, humilhado ao ser chamado de impotente, vingou-se, espalhando o boato de relações incestuosas entre Lucrécia, seu irmão César e o papa. Foi o primeiro elemento que alimentaria a lenda negra de Lucrécia.
Peça do jogo de xadrez diplomático de seu pai, ela não poderia ficar sozinha muito tempo. Casou-se novamente em 1498 com Afonso de Aragão, filho do rei de Nápoles. Apaixonou-se por ele e o casal, longe das intrigas políticas, vivia tranquilamente em Roma, onde ele mantinha uma corte frequentada pelos cardeais Médicis e Farnese, os pintores Michelangelo e Pinturicchio. Lucrécia recebia com fidalguia em seu palácio romano artistas e literatos. Falavam de artes. Lucrécia animava essa sociedade e ali brilhava pela vivacidade de seu espírito. Mas não por muito tempo. Novamente seu casamento foi insatisfatório para os Borgia. Como o nascimento de um filho tornou impossível uma anulação, César optou por uma solução radical: o assassinato do cunhado por um de seus homens.
Divorciada e viúva aos 21 anos, Lucrécia se casou pela terceira e última vez com Afonso I d’Este, duque de Ferrara, em 1505. Com a morte de Alexandre VI, em 1503, ela pôde enfim viver dias felizes. Apresentou-se como protetora das artes e das letras, cercou-se de muitos poetas, particularmente de Ludovico Ariosto – que lhe dedicou Orlando furioso – e Pietro Bembo, por quem nutria um amor platônico – que lhe dedicou Gli Asolani. Ela inspirou também os pintores, protegeu Dosso Dossi, Rafaele Garofalo e Ticiano.
O fim de sua vida foi triste devido à morte brutal de seus próximos e abortos que a enfraqueceram. Em 14 de junho de 1519, ela deu à luz uma menina, que morreu em seguida. Dez dias mais tarde, aos 39 anos, faleceu de uma septicemia. Ela foi, de fato, duas vezes vítima das ambições do pai e dos inimigos de sua família. Sua lenda negra, que tem como origem a vingança destes últimos, se perpetuaria após sua morte. O filósofo Leibniz, no século XVII, insistiu em sua depravação – um mal característico do reino de Alexandre VI – e Voltaire lhe fez eco no suposto incesto com seu Essais sur les moeurs (1756). No século XIX, Lucrécia foi uma fonte inesgotável de inspiração para os românticos. Fascinou lorde Byron, tornou-se a heroína de uma tragédia de Victor Hugo (1833), foi objeto de um conto fantástico de Mérimée e figurou com destaque em Les crimes célèbres, de Alexandre Dumas. O historiador Jules Michelet chancelaria essa imagem de messalina incestuosa e intrigante.

Fonte:
Olivier Tosseri: ( História Viva )

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ingratos

Jean-Baptiste Greuze
Não maldigo o rigor da iníqua sorte,
Por mais atroz que fosse e sem piedade,
Arrancando-me o trono e a majestade,
Quando a dois passos só estou da morte.

Do jogo das paixões minha alma forte
Conhece bem a estulta variedade,
Que hoje nos dá contínua felicidade
E amanhã nem — um bem que nos conforte.

Mas a dor que excrucia
¹ e que maltrata,
A dor cruel que o ânimo deplora,
Que fere o coração e pronto mata,

É ver na mão cuspir a extrema hora
A mesma boca aduladora e ingrata,
Que tantos beijos nela pôs — outrora.

Dom Pedro II (1825-1891)
¹= Provocar uma aflição imensa.