quinta-feira, 30 de junho de 2011

Helene Beland
Palavras
Golpes,
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

Sylvia Plath (1932-1963)
(tradução de Ana Cristina Cesar)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Guido Cagnacci (1601-1681)
Minha amada é de carne,
de pele e pêlo.
Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha.
Minha amada é três. É trinta e três.
Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce.
Ela é flor, é fruto, é folha, é tronco.
Também é pão, é sal e manga-rosa.
Minha amada é cidade de ruas e pontes.
É jardim de arrancar flores pelo talo.
Ela é boazuda e é bela como uma fera.
Minha amada é lúbrica, é casta, é catinguenta.
Minha amada tem bocas e bocas de sorver,
de sugar, de espremer, de comer.
Minha amada é funda, latifúndia.
Minha amada é ela, aquela que não vem.
Ainda não veio, nunca veio, ainda não.
Mas virá, ora se virá. A diaba me virá.

Darcy Ribeiro (1922-1997)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Arte

Picasso - Nudez Azul
“A arte nunca é casta,
se deveria mantê-la longe
de todo os cândidos ignorantes.
Nunca se deveria deixar
que gente impreparada se lhe aproximasse.
Sim, a Arte é perigosa.
Se é casta não é Arte”.

Pablo Picasso (1881-1973)

Dia 28 de junho na História

Dia 28 de junho de 1848 morre o Pintor Jean-Baptiste Debret.
Vendedores de capim e leite
Jantar na Casa Grande.
Sua obra aborda a presença do negro no Brasil. Debret fez parte da missão cultural francesa que veio com D. João VI. Deixou inúmeras obras em pinturas, aquarelas e desenhos.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Haikai

A aurora
estende a rede de bruma
pelos vales.

Rogério Martins

Pastores da Arcádia

O mistério do quadro de Nicolas Poisson
Nicolas Poisson (1594-1665) pintor e mestre francês, conhecido pela pintura de paisagens bucólicas, se encontra ligado a um segredo que hoje é alvo de controvérsias. Em meados do século XIX, o padre Bérenger Saunière (1852-1917), quando reformava a igreja de Chateau-Sur-Rennes na França, encontrou pergaminhos antigos em latim e francês. Enviou-os a Paris e, de posse de informações sobre os mesmos, encomendou uma cópia do quadro Pastores da Arcádia de Poisson. Com a ajuda de sua governanta, Marie Dénarnaud (1868-1953), o padre empreendeu uma busca que, ao que parece, culminou em êxito, pois o religioso, em pouco tempo, enriqueceu e adquiriu muitas propriedades, colocando-as em nome de Marie, sua protegida. Intrigados, alguns superiores questionaram esse súbito enriquecimento o que o padre respondeu tratar-se de herança familiar. Posteriormente descobriu-se que o padre e Marie tiveram acesso a uma chave que levaria a um tesouro, segredo que já havia feito uma vítima: um camponês que, perseguindo uma ovelha, deparou-se com uma cova cheia de ouro e esqueletos. Não saiu de lá sem antes preencher como podia os bolsos, porém, sem responder onde havia conseguido a fortuna, foi executado como ladrão.
Os pastores da arcádia, de Nicolas Poussin
Após a morte do padre Marie Dénarnaud herdou o segredo e supostamente o tesouro, porem na Segunda Grande Guerra ficou em dificuldades quando o governo intimou os habitantes quanto à origem de suas rendas. Já idosa, contou sua aventura a um amigo prometendo informar o local da cova. Faleceu, em 1953, levando o segredo ao túmulo. Quanto ao quadro, o que se sabe é que possivelmente guarda a chave de um túmulo existente em Rennes-le-Chateau. Historiadores acreditam que todo esse mistério teria sido forjado por Bèrenger, pois o padre foi acusado de "tráfico de missas" ou doações ilícitas sendo que a ligação ao quadro e, consequentemente, ao tesouro teria sido uma engenhosa invenção.
Sabe-se, no entanto, que os templários eram muito ricos e lendas sobre tesouros abundam na região. Com certeza muito ouro e joias foram enterradas na esperança de serem de novo resgatadas já que Felipe IV deixou claro que o interesse da coroa era sobre as riquezas que acumularam.
A região de Rennes-le-château é um lugar na França de rica história e os templários possuíam castelos naquela região. Ao que conta a lenda, a congregação era depositária do nunca encontrado tesouro do Templo de Jerusalém, roubado pelos Romanos em meados do século I d.C. de valor histórico e monetário incalculável.

Fonte:
( Artes & Fatos )

domingo, 26 de junho de 2011

Khalil Gibran

Franklin Carmichael - Autumn In The Northland
A tristeza é um muro
entre dois jardins.

Khalil Gibran (1883-1931)

O Pasquim

26 de junho de 1969
Lançado o jornal ‘O Pasquim’
reduto do humor no auge da ditadura.
O jornal O Pasquim marcou época, em plena ditadura foi um instrumento de combate à censura utilizando muito humor. Mas também o tom geral das entrevistas era cercar e debochar do entrevistado.
Possuia uma equipe de fazer inveja a qualquer um: Paulo Francis, Tarso de Castro, Jaguar, Ziraldo, Millôr Fernandes, Henfil, Ivan Lessa, Ferreira Gullar, Sergio Cabral, Flávio Rangel e muitos outros.
Foram os primeiros a censurar Simonal e, a partir dai, este entrou no ostracismo.
Uma das muitas "tirinhas" do cartunista Henfil para “O Pasquim”.

sábado, 25 de junho de 2011

“Almejo mergulhar
na solidão e no silêncio,
para encontrar-me
e despojar-me de mim,
até que a Eterna Presença
seja a minha plenitude”.

Helena Kolody (1912-2004)
...as mais claras águas podem
levar de enxurro alguma palha podre,
se é que é podre, se é que é mesmo palha.

Machado de Assis (1839-1908), em O Velho Senado

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Saara Ocidental

O país tem hoje grande parte de seu território ocupado pelo Marrocos. Além disso, cerca de 170 mil saarauis vivem em campos de refugiados na Argélia.
Localização: o Saara Ocidental está localizado na África Setentrional. O país faz fronteira ao norte com o Marrocos, a leste com a Argélia, a leste e sul com a Mauritânia e a oeste é banhado pelo Oceano Atlântico.
Histórico: O reino espanhol foi o colonizador do Saara Ocidental por nove décadas. Em 1976, quando a Espanha anunciou sua retirada do território saaraui, o rei marroquino Hassan II ordenou o deslocamento de 350 mil soldados ao país. Apesar da resistência da população saaraui, grande parte de seu território foi ocupado pelo Marrocos.
Liderados pela Frente Polisário (Frente Popular de Libertação de Saguia el Hamra e Río del Oro), os saarauis conseguiram defender parte de seu território. No entanto, muitos saarauis, fugindo da guerra contra o Marrocos, abrigaram-se na Argélia. A população exilada no deserto argelino dividiu-se basicamente em cinco acampamentos: Smara, Layounne, Auserd, 27 de Febrero e Dakhla.
Em 1976, a Frente Polisário proclamou a República Árabe Saaraui Democrática (Rasd), que atualmente é reconhecida por 82 países e membro da União Africana.
Capital: El Aaiún.
População: 513 mil (segundo estimativas da ONU, em 2009)
Língua: árabe, hassanya (variação do árabe introduzida pelas antigas tribos beduínas da Mauritânia e do Saara Ocidental) e o castelhano.
Território total: 286.000 km²
Características geográficas: o país está localizado em uma região árida e quase desértica, situada junto à costa noroeste de África, constituída por desertos pedregosos em certas áreas e arenosos em outras. Integra o Deserto do Saara. Há oásis dispersos e pequenas manchas de pastagem pobre. Possui uma das maiores reservas pesqueiras do mundo e as maiores jazidas de fosfatos do mundo, além de jazidas de cobre, urânio e ferro.
A luta pela independência saaraui através da música.
Mariem Hassan é a voz mais representativa da música do Saara Ocidental. Com a ajuda de guitarras elétricas – substitutas da tidinit, um rústico alaúde – e de dois tebales (tambores) tocados por mulheres, ela vem sintetizando o espírito do haul, o ritmo tradicional saaraui, e, sem perder nada de seu frescor, situá-lo no século 21.
Nasceu em 1958 nas imediações da cidade de Smara, junto ao rio Tasua. Sua família vivia dos rebanhos e cabras que possuía. Mariem tinha dezessete anos quando ocorreu a Marcha Verde, como é chamada a invasão marroquina ao território saaraui a partir de 1975.
Mariem Hassan canta a história de seu povo e difunde o ritmo do Saara Ocidental para vários lugares do mundo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O inferno é sem limites.
Circunscrito.
Não está em um lugar,
pois onde estamos inferno é,
e sempre aí estaremos.

Johann von Goethe (1749-1832)
Dantes a passagem do tempo deixava-se adivinhar
no contorno imperfeito das pedras que pisamos.
Os antigos conheciam os segredos dos caminhos
e dos muros e contavam velhas estórias
de sustos e de choro.
Agora, como marionetas cujo fio mágico
irrompe, giratório, à boca da cena,
assim a dança dos dias no calendário.
Com sinais de urgência.
Com movimentos apressados onde o caos se instala.
Com vozes que são águas tão fundas sob o peito
que perturbam o imenso silêncio das estrelas.

Graça Pires

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sir John Everett Millais - The Huguenot
Busco breves claridades
o eterno apelo da luz
em sombras inexoráveis
de silenciosa ausência
sedenta de tuas fontes
na noite de horas fundas
que sangram predestinadas
aos sonhos agonizantes.

Tateando meus desejos
meus dedos contornam sóis
em tua presença-lembrança
extingue-se a madrugada
em jorro translúcido-orgástico
principia a claridade:
aljofarado de tuas mornas águas
perolizado à luz de gotas do teu sumo
o dia se faz sobre o meu corpo...

Maria Lucia N.Capozzi
∗ Refugiados ontem e hoje ∗
Milhares de líbios estão fugindo da guerra civil que se instalou no país após manifestações contra o atual governo.
As revoltas que resultaram na deposição dos presidentes da Tunísia e do Egito, bem como na guerra civil que cerca o governo de Muammar Kadhafi na Líbia, produziram, como em qualquer conflito de grandes proporções, um grande número de refugiados.
Só que, enquanto os Estados Unidos e a Europa celebram os movimentos como sinal de modernização e valorização da democracia, nem querem ouvir falar de mais imigrantes em seus territórios.
Há alguns meses, o governo francês emitiu um comunicando declarando que não aceitará nenhum imigrante tunisiano que não seja portador de visto válido. E o ministro da Alemanha rejeitou em fevereiro passado a proposta da Itália de redistribuir os refugiados por vários países.
Pouca gente vem se sensibilizando com os cerca de 30 mil refugiados da Tunísia, da Líbia e do Egito.
Sem contar o comissário Montalbano e a agência que cuida da questão dos refugiados na Organização das Nações Unidas (ONU), além de algumas outras organizações não-governamentais, parece que pouca gente vem se sensibilizando com os cerca de 30 mil refugiados da Tunísia, da Líbia e do Egito, que desde o início dos protestos em janeiro deste ano vêm tentando chegar à Europa, geralmente por mar.
Destes, estima-se que 800 tenham morrido nos últimos quatro meses em naufrágios. O episódio mais drástico talvez tenha sido o do barco que saiu da Líbia em março, segundo o jornal britânico The Guardian, com 72 passageiros. À deriva no Mediterrâneo por falta de combustível, 61 pessoas acabaram morrendo de fome e de sede, enquanto esperavam o socorro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que não chegou.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Poesia

Steven kenny
“A poesia é uma das mais belas criações humanas,
fruto da profunda capacidade de captar,
sentir, interpretar e reelaborar o sentido da vida.
O poeta, em todas as épocas e civilizações,
traz em si a ternura divina que lhe permite
olhar o universo e tudo o que nele acontece
com uma sensibilidade apurada e fecunda,
da qual nascem as manifestações da alma,
sejam em poesias, pinturas, músicas, fotografias...” .

Ana Maria Pisani

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Instante

O espanto abriu meu pensamento
Com idioma vindo do delírio,
Dos receios indefesos, dos louvores sem raízes,
No perdão oferecido sem razão.
O espanto abriu meu pensamento
Na noite carregada de lamentos
Em linguagem universal
Fluindo do eco perdido
Com passos de presságio amanhecendo.
Corpos florindo na pele da terra
Acendendo vida nas rosas e nos vermes,
Aumentando a potência do limo,
Preparando a primavera nos campos,
Ventres irrigando secas raízes,
Cogumelos róseos crescendo
Na umidade das faces.
Coagulação de prantos na semente
Das constelações adivinhadas.
E no faminto inconsciente, o tempo
Sorvendo com fúria o seu sustento
No insondável silêncio de mim mesma.

Adalgisa Nery (1905-1980)

domingo, 19 de junho de 2011

Paul Cézanne
“O acaso não existe.
Quando alguém encontra algo de que
verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona,
mas a própria pessoa; seu próprio desejo
e sua própria necessidade o conduzem a isso”.

Hermann Hesse (1877-1962)

Bacuri

∗ Bacuri – Um Guerrilheiro Brasileiro ∗
Eduardo Collen Leite, nasceu em 28 de agosto de 1945, em Campo Belo, Minas Gerais. Nascera no ano em que as nações encerraram a Segunda Guerra Mundial, e que uma paz aparente pairava sobre o planeta. No Brasil, a ditadura do Estado Novo chegava ao fim. Por um curto espaço de tempo, o país viveria uma democracia a engatinhar. Com a promulgação da Constituinte de 1946, couberam na nova história da nação até os que eram considerados velhos inimigos da elite, os comunistas, que obtiveram a legalização do PCB. Eduardo Leite cresceria nesse prelúdio democrático, que aos poucos foi minguando, ameaçado por golpes sucessivos.
Se a tragédia da grande guerra passara, as nações desenhavam uma outra, a Guerra Fria, que dividiu o mundo entre duas ideologias: a capitalista, liderada pelos Estados Unidos e pela Europa Ocidental, e a socialista, liderada pela extinta União Soviética e a Europa do leste. As novas tendências no quadro político mundial obrigaram que as nações escolhessem o lado que iriam ficar. O Brasil ficou do lado dos norte-americanos, e em 1947, o PCB teve a legenda cassada, passando a vigorar na clandestinidade. Era o primeiro golpe à democracia instituída em 1946.
Eduardo Leite mudou com a família para São Paulo ainda criança. Viveu na adolescência o efervescer das ideologias. Nunca no Brasil a mobilização política voltou a ser tão organizada, como naquele período que antecedeu ao golpe de 1964. As ligas camponesas, os sindicatos, as entidades estudantis, todos, sob a benção das ideologias de esquerda, ocupavam espaço na política do país, incomodando e assustando as elites do poder.
No cenário internacional, a Revolução Cubana de 1959 dava um basta às oligarquias corruptas do seu país, acenando para o resto da América Latina, inspirando aos que sonhavam com a revolução proletária. O medo de que o Brasil viesse a ser uma nova Cuba, deixou a elite direitista em alerta. As reformas agrárias e sociais propostas pelo governo João Goulart foram determinantes para que a direita temesse a implantação de um governo sindicalista e de esquerda. O velho fantasma do comunismo foi usado como propaganda contra a esquerda, e serviu para aliciar o apoio da classe média e setores da população ao golpe militar. A década de 1960 foi a década da quebra dos tabus, das revoluções sociais a explodirem pelo mundo. Das ideologias de esquerda a se fragmentarem em várias linhas intelectuais e dogmáticas. O maoísmo chinês; o castrismo; a visão romântica da revolução de Che Guevara, de fazer da América Latina uma só voz socialista; os trotskistas; os stalinistas; os reformistas liderados pelos soviéticos. Um cenário em princípio caótico para a atualidade contemporânea, mas que influenciaria uma geração pensante e preste a quebrar todos os tabus moralistas até então impostos à cultura ocidental
A juventude à qual Eduardo Leite pertenceu, assistiu a todas as tendências. Vivera uma ínfima democracia, única até então na história da República, a ser encerrada pelos tanques e fuzis militares, naquele horrível 1 de abril de 1964. Era tarde demais para aqueles jovens, acostumados ao debate político, à liberdade que em quinze anos marcara, ainda que de forma imperceptível, uma concepção diferente do Brasil e do mundo.
Muito cedo, Eduardo Leite ingressou na militância política. Tinha dezoito anos quando o golpe militar foi instaurado. Como a maior parte da juventude do seu tempo, acreditava que a esquerda traria a solução para os problemas do mundo, e que o mundo velho e de velhos, teria que ruir em nome de uma revolução socialista. Repudiava a ditadura das elites, economicamente voltada para poucos, acreditava na ditadura do proletariado, extensiva para todos. Assim, integrou-se à Polop (Política Operária), entidade de esquerda.
Como bom cidadão do regime militar, em 1967 foi incorporado ao exército, servindo na 7ª Companhia de Guarda, e, no Hospital do Exército, no bairro do Cambuci, região central de São Paulo. Na época em que frequentou o exército, a grande ala da esquerda dos oficiais de menores patentes, tradicionalmente históricas no Brasil, tinha sido completamente expurgada.
O erro de avaliação do Partido Comunista Brasileiro quanto ao perigo de um golpe militar e, a falta de mobilização quando da sua concretização; a posição reformista e conciliatória com a burguesia; a luta pelo poder interno do comitê central, tudo contribuiu para que se fragmentasse em várias organizações.
Em 1968, Eduardo Leite passou a integrar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), uma organização política armada de extrema esquerda. Mostrou-se um militante arrojado e destemido, que se iria notabilizar pela eficiência em executar as mais difíceis tarefas das guerrilhas urbanas.
Sem as esperanças que haviam florescido em 1968 e encerradas com o AI-5, a esquerda decidira que a única solução era a luta armada, só ela atrairia as grandes massas, derrubaria a ditadura e consolidaria a revolução proletária. As diferenças de opinião quanto à estratégia da guerrilha; a dificuldade de reunir os militantes em grandes aparelhos, devido à vigilância intensa dos órgãos repressores; a carência de verba para manter os companheiros; fez com que surgissem várias organizações da extrema esquerda.
O ano de 1969 despontou como uma ressaca do AI-5. Seria um dos anos mais violentos tanto para a ditadura, quanto para as organizações de esquerda. Em abril, Bacuri deixou a VPR para fundar a Resistência Democrática (REDE). Destacou-se rapidamente nas empreitadas da guerrilha urbana. Praticou dezenas de assaltos a bancos, supermercados e carros fortes, sem nunca se deixar apanhar. Sua reputação de perigoso subversivo logo se espalhou. Ainda naquele fatídico 1969, seu rosto aparecia estampado, ao lado de Carlos Marighella, nos cartazes de “Procurados” espalhados pelo país. Bacuri tornara-se uma lenda, um nome que incomodava os agentes da repressão.
Ao vestir a roupa do guerrilheiro Bacuri, Eduardo Leite escolheu para si uma vida mergulhada na violência. Em momento algum duvidou da ideologia pela qual ele e grande parte da sua geração lutaram, renunciando a si mesmo. Os que sobreviveram àqueles tempos, assistiram ao fim da ideologia. Bacuri congelou a sua vida no tempo, não desmoronou com o ruir dos ideais, não sentiu que perder a vida em nome de uma causa não lhe foi inútil.
Dos nomes que a guerrilha urbana consagrou, Bacuri foi o retrato fiel do guerrilheiro brasileiro. Enquanto Carlos Marighella é o mentor, idealizador e intelectual da guerrilha; e, Carlos Lamarca o comandante que atraiu para si a admiração romântica da guerrilha; Bacuri é o guerrilheiro, o executor da guerrilha. Seu vigor, sua coragem e obstinação, fizeram com que ele matasse sem remorsos quando preciso. Assim como Marighella e Lamarca, estava condenado a não sobreviver ao seu tempo. A violência dos assaltos por ele praticado privou vários companheiros da fome e da miséria estabelecidas pela clandestinidade; com os sequestros salvou a vida de muitos companheiros. Para Bacuri não houve tempo de analisar ou combater o ideal revolucionário, não houve tempo para avaliação ou uma autocrítica histórica do mundo ao qual se lançara. A autocrítica ficou para os que sobreviveram às torturas e à queda da guerra fria.
Descritos como terroristas pela ditadura militar, os guerrilheiros ainda hoje causam polêmicas e controversas. No decorrer das décadas, muitos ex-guerrilheiros tiveram a sua imagem transformada e redimida diante da nação, que muitas vezes os temia, sem perceber a essência da causa. Muitos chegaram ao poder, como José Genuíno, Franklin Martins e Fernando Gabeira. Outros entraram para a história como o guerrilheiro romântico, caso do capitão Lamarca. Carlos Marighella, até pouco tempo considerado maldito, vem sendo revisado pela história. Falta Eduardo Leite, o Bacuri, perder o estigma de maldito. Ceifou vidas quando em combate corporal, mas jamais torturou e supliciou os que se lhe puseram na frente. Quem foi mais selvagem, ele que matou à queima roupa, ou os homens que o torturam brutalmente até matá-lo 109 dias depois? Lampião, um assassino da caatinga, aclamado o rei do cangaço, herói do sertão, matou sem piedade ou ideologia. Os mortos de Bacuri é um quase nada diante dos de Lampião. Cangaceiro e guerrilheiro, porque se redime um e execra-se o outro?
Eduardo Collen Leite foi morto aos 25 anos, no esplendor da sua juventude. A mulher, Denise Crispim, exilou-se logo após a sua morte. Deixou uma filha, Eduarda, nascida no exílio, jamais a conheceu. Não se tornou um mártir da história nacional, mas um mártir da guerrilha, do seu tempo e dos seus ideais.

sábado, 18 de junho de 2011

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Thiago de Mello

História da Poesia Brasileira

∗ Foto de Moacir Gomes ∗
Rio de Janeiro, 1966, na casa de Rubem Braga.
Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana, Mendes Campos.
Drummond estava com 64 anos, Vinícius com 53, Bandeira com 80, Quintana com 60 e Mendes Campos com 44.
Verso é considerado cada linha de um poema. Pode ser apresentada como uma palavra ou segmento de palavras com um tipo de rítmica. Ocorre em sílabas longas ou breves (versos métricos), de acordo com o número de sílabas (versos silábicos), segundo a acentuação (versos rítmicos).
“Quem é esse viajante ⇒ Verso
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?”

Milton Nascimento
As sílabas para o poeta são uma forma de ritmo para as palavras. Além disso, facilitam a memorização. Nas obras do passado, a escrita era prescindível. E o foi até o século XVIII, quando explodiu finalmente com o surgimento dos romances ingleses. Vinculada à escrita por sua extensão, a prosa só se tornou hegemônica com o surgimento e a consolidação do jornalismo. No Brasil a introdução da tipografia se deu em 1808, com a chegada da família real. Entre 1843 e 1844, devido à sua proliferação e à difusão dos jornais, surgiu no Brasil o romance.
Certamente o desenvolvimento literário no Brasil está relacionado às contingências econômicas, políticas e sociais do país. Com os três séculos de subordinação colonial e a escravidão, nos interrogamos acerca de quando se iniciou uma literatura realmente nacional, que requereria a presença do povo não apenas como personagem, mas também como autor e público, fazendo e consumindo a arte que produz.
O Brasil deixou de ser colônia em 1822 e o período colonial da nossa literatura abrangeu o Quinhentismo, o Barroco e o Arcadismo.
∗ Quinhentismo ∗ (1500-1600)
Nos primeiros cem anos do chamado “Descobrimento” a nossa literatura esteve atrelada aos registros históricos e relatórios dirigidos à Coroa Portuguesa: era uma literatura de informação.
Os relatórios dos colonizadores portugueses traziam implícita a marca cultural europeia e eram meramente descritivos: relatavam da fauna, da flora, dos indígenas, da terra que, como disse Caminha, “em se plantando, tudo dá”. Eram crônicas não literárias, mas com grande valor histórico.
A Carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro relato extenso sobre o Brasil, enviado a D. Manuel tão logo aqui chegaram em 1500, é um documento precioso da nossa história.
Outros documentos da época eram os diários de viagem, das expedições guarda-costas, a princípio, em seguida das exploradoras e, por fim, das colonizadoras. Narravam eventos e apontavam observações náuticas e geográficas, o que as configurava como documentos de interesse para a história marítima de Portugal e para a da colonização do Brasil. Houve algumas outras obras, sempre essencialmente informativas: mas prosa, não poesia.
Na poesia o destaque é o jesuíta José de Anchieta, que escreveu poemas líricos e épicos. Escreveu nas areias das praias de Iperoig, atual Ubatuba, em São Paulo, com seu bastão: foram 4072 versos latinos de puro afeto à Virgem Maria. Anchieta veio para catequizar os indígenas e fez muito mais que isso: fundou a cidade de São Paulo, a Santa Casa de Misericórdia e foi professor, entre outras atribuições e funções que acumulava.
∗ Barroco ∗ (1601 – 1768)
Nas artes em geral, em todo o mundo, no Barroco houve um culto exagerado da forma. Na poesia brasileira isso se viu numa sintaxe rebuscada e no abuso de figuras de linguagem, o que foi questionado pelos poetas do Arcadismo.
Mas houve especificidades no Barroco brasileiro que o distinguiu do português, literatura à qual a nossa mantinha-se atrelada como um carro-reboque. Iniciou-se na poesia uma tendência nativista e uma lírica amorosa na qual a mulher aparecia enaltecida, sendo louvada por sua beleza e, ao mesmo tempo, exorcizada pelo perigo que representava.
Bento Teixeira, ao publicar o poema épico Prosopopeia, inaugurou o Barroco brasileiro, no qual também se destaca Gregório de Matos.
∗ Arcadismo ∗ (1769 - 1789)
Também chamado de Escola Mineira, o Arcadismo se praticava no Brasil – ainda que sem um academicismo nos moldes da Arcádia Lusitana - por um grupo de intelectuais que incluía os inconfidentes (Movimento político para libertação de Portugal, chamado Conjuração ou Inconfidência Mineira). Principiou com a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa e se encerrou com o fim trágico da Inconfidência, em 1789, quando foi enforcado e esquartejado o ‘mártir da inconfidência’ Tiradentes, herói nacional.
Os poetas arcádicos retomaram os modelos do Classicismo do século XVI com o soneto de versos decassílabos e rima optativa e o épico. Apesar de poetas urbanos, estavam presentes em seus poemas a paisagem mineira, as coisas da terra, um forte sentimento nativista, a presença do índio e a sátira política aos tempos de opressão portuguesa e corrupção dos governos coloniais.
Destacam-se:
• Cláudio Manuel da Costa,
• Tomás Antonio Gonzaga,
• Silva Alvarenga,
• Alvarenga Peixoto,
• Santa Rita Durão e
• Basílio da Gama.
∗ Romantismo ∗ (1ª metade do séc. XIX)
O ‘espírito romântico’ continuou, após o ‘espírito revolucionário romântico’ inconfidente. Em 1836 Gonçalves de Magalhães publicou o livro de poemas "Suspiros poéticos e saudades". Essa publicação e a da revista “Niterói”, para a qual escreviam poetas e letrados, marcaram o início do Romantismo no Brasil.
Numa estética inovadora o Romantismo criou uma nova linguagem, capaz de refletir os ideais nacionalistas, uma de suas características essenciais.
Primeira geração romântica: a poesia indianista, extremamente nacionalista. Destacam-se:
• Gonçalves de Magalhães e
• Gonçalves Dias, o nosso melhor poeta indianista.
Segunda geração romântica: a poesia da angústia, melancolia, do lamento e amores impossíveis.
Destacam-se:
• Fagundes Varela,
• Álvares de Azevedo,
• Casimiro de Abreu e
• Junqueira Freire.
Terceira geração romântica: Influenciados por Victor Hugo, os poetas dessa geração valorizavam a poesia engajada em lutas sociais. Também chamada “geração condoreira", que tinha como símbolo o condor, que voa alto – pretendia uma poesia de efeito que tocasse o coração das massas.
Destaca-se:
• Castro Alves, cuja causa era a abolição da escravatura.
∗ Parnasianismo e Simbolismo na Poesia,
Realismo na Prosa ∗

(2ª metade do séc. XIX- duas primeiras décadas do século XX)
Alfredo Bosi assim descreve o movimento: "O Realismo se tingirá de naturalismo no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das "leis naturais" que a ciência da época julgava ter codificado; ou se dirá parnasiano, na poesia, à medida que se esgotar no lavor do verso tecnicamente perfeito".
O simbolismo retomou o subjetivismo e o espiritualismo banidos da literatura pelo objetivismo realista. Na poesia parnasiana a linguagem se caracterizava pelo trabalho artesanal cuja perfeição e o virtuosismo tendiam à transitoriedade e ao isolamento.
No entanto, esse era um Brasil em que a divisão de classes era profunda, definida sobretudo pela diferença entre senhores e escravos, e a literatura exprime essas diferenças. A capacidade artística começou a ter um papel social e surgiu a ideia nas classes dominantes de que esse artesanato fosse uma criação requintada, requinte esse não próprio das classes menos favorecidas.
Principais autores: Simbolistas:
• Cruz e Sousa,
• Alphonsus de Guimaraens;
Parnasianos:
• Augusto dos Anjos,
• Olavo Bilac,
• Raimundo Correia.
∗ Modernismo ∗ (1922 – 1945)
A Semana de Arte Moderna marcou a data (1922), sem dúvida, do rompimento definitivo com a arte tradicional. Cansados da mesmice na arte brasileira e empolgados com inovações que conheceram em suas viagens à Europa, os artistas quebraram as regras preestabelecidas na cultura.
1. A primeira fase (1922 a 1930)
caracterizou-se pelas tentativas de solidificação do movimento renovador e pela divulgação de obras e ideias modernistas.
Imbuídos da convicção de que se faziam uma arte nova com um novo espírito, os primeiros modernistas ridicularizavam o parnasianismo, movimento artístico em voga na época que cultivava uma poesia formal.
Propunham uma ruptura com princípios e técnicas, uma renovação radical na linguagem e nos formatos.
Dentre os muitos poetas que fizeram parte da primeira geração do Modernismo destacamos:
• Oswald de Andrade,
• Mário de Andrade,
• Manuel Bandeira,
• Menotti del Picchia,
• Raul Bopp,
• Ronald de Carvalho e
• Guilherme de Almeida.

2. Na segunda fase do modernismo (1930 a 1945)
a poesia brasileira não mais necessita quebrar com os meios acadêmicos - tônica da Geração de 22. No aspecto formal, o verso livre foi o melhor recurso para exprimir a sensibilidade do novo tempo.
Caracterizada como uma poesia de questionamento, levou adiante o projeto de liberdade de expressão com poetas como:
• Carlos Drummond de Andrade, com poesias sociais e de combate e reflexões sobre o papel do homem no mundo;
• Jorge de Lima, com poesias metafóricas e metafísicas;
• Murilo Mendes, com poesias surrealistas;
• Vinícius de Moraes, cuja poesia caminha cada vez mais para a percepção material da vida, do amor e da mulher, e
• Cecília Meireles, que envereda pela direção da reflexão filosófica e existencial.
∗ Pós-Modernismo ∗
A conquista do sublime literário pela poética modernista correspondeu à sua progressiva pedagogização, oficialização, daí porque se usa a palavra cânone e a expressão modernismo canônico.
Alto Modernismo - O modernismo viu completada sua dialética na fase canônica do alto modernismo, configurando-se enquanto totalidade. É inerente ao conceito de alto modernismo a noção de que corresponde ao fechamento, momento de completude. Quando já não se pode mais ser completado, diz Derrida do suplemento, a repetição de traços modernistas passa a dar-se num espaço fora, propício a deslocamentos.
1968 definiu o início de um primeiro momento pós-modernista, ainda contracultural, em que se combinavam elementos de vanguardismo e pós-vanguardismo. O pós-modernismo diz mais respeito a um contexto cultural e histórico que propriamente a traços estilísticos.
A tradição da ruptura, que foi a ideia que se estendeu desde o Romantismo, foi chegando a um momento de esclerose.
A geração 70 escrevia num coloquial chegado à gíria, como Paulo Leminski, os da geração 90 optaram por um coloquial mais “nobre”.
1980 foi pós-vanguardista, pós-contracultural, intelectualmente marcado pela superação acadêmica de diversos aspectos do estruturalismo e do marxismo.
Os anos 80 foram a década yuppie, que enterrou os valores da contracultura e revalorizou o saber, então empacotável como produto de consumo cultural, pedagógico. Cresceu a preocupação com o caráter funcional e pedagógico das manifestações artísticas.
Destacam-se nos anos 80 Ana Cristina César, Adélia Prado e Manoel de Barros.
A poesia marginal trouxe de volta a questão do sujeito e o valor do subjetivo na poesia. Poesia: discurso da intimidade. Mas a subjetividade pós-moderna já não é a mesma da 1ª metade do século XX. O sujeito pós-moderno existe na moldura da visibilidade total e o sujeito poético é uma projeção desse novo tipo de indivíduo.


Bibliografia

• ANDRADE, Mário de. O movimento modernista (1942) e A poesia em 1930. In: Aspectos da literatura brasileira. São Paulo: Martins Fontes.
• BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix
• MORICONI, Italo. Pós-modernismo e volta do sublime na poesia brasileira. In: Poesia hoje. Rio de Janeiro: EdUFF, 1997.
• SANTIAGO, Silviano. Permanência do discurso da tradição no modernismo brasileiro. In: Nas malhas da letra. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.
• SODRÉ, Nelson Werneck. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Graphia.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O mais singular livro dos livros
É o Livro do Amor;
Li-o com toda a atenção:
Poucas folhas de alegrias,
De dores cadernos inteiros.
Apartamento faz uma seção.
Reencontro! um breve capítulo,
Fragmentário. Volumes de mágoas
Alongados de comentários,
Infinitos, sem medida.
Ó Nisami! — mas no fim
Achaste o justo caminho;
O insolúvel, quem o resolve?
Os amantes que tornam a encontrar-se.

Johann von Goethe (1749-1832) )
Stonehenge é um monumento megalítico da Idade do Bronze, localizado no Sul da Inglaterra e sempre foi palco de mistérios.
É o mais visitado e bem conhecido dos círculos de pedra britânicos, parece ter sido projetado para permitir a observação de fenômenos astronômicos - solstícios do Verão e do Inverno, eclipses, e outros.
Arqueólogos escavaram perto de Stonehenge no ano passado descobriram os restos de uma grande aldeia pré-histórica onde eles acham que os construtores do círculo de pedra misteriosa costumava viver.
A vila foi construída cerca de 4.600 anos de atrás. Trincheiras revelam pisos de cerâmica em casas neolíticas.
Restos encontrados no local incluíram joias, pontas de flechas de pedra, instrumentos feitos de chifres de veado, e uma enorme quantidade de ossos de animais e cerâmica quebrada.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Uns

Aleksandr Kosteckij
Uns, com os olhos postos no passado,
Veem o que não veem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, veem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
o dia, porque és ele.

Ricardo Reis
(heterônimo de Fernando Pessoa) (1888-1935)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Projeto de Lei de Clodovil é aprovado
no Senado após dois anos da morte do deputado.
Foi aprovado hoje (14/06) lei de autoria de Clodovil Hernandes onde proibe comercialização de produtos infantis em forma de cigarros. Ao propor o projeto, Clodovil justificou que o objetivo seria "proteger as crianças contra a exposição de qualquer tipo de produto, seja ele brinquedo ou alimento, que reproduza a forma de cigarro".
Qualquer produto nacional ou importado destinado ao público infanto-juvenil que reproduza a forma de cigarros e similares poderá ter sua fabricação, comercialização, distribuição e propaganda proibidas no Brasil.