segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

E o caminho?

Vincent Van Gogh - The Church in Auvers-sur-Oise
Atrás de nós ficava longe o amanhecer
e adiante a tarde já se havia ido,
a noite era uma montanha com estrelas.

Assim que havíamos alcançado o outro lado
quando às nossas costas
o vento gritou de medo
e o caminho desapareceu.

Humberto Ak'abal
(poeta da Guatemala)

domingo, 29 de janeiro de 2012

Literatura

“A ideia de trabalho como castigo precisa ser substituída pelo conceito de realizar uma obra. Enxergar um significado maior na vida aproxima o tema da espiritualidade do mundo do trabalho”.
Mario Sergio Cortella
O autor é, sem dúvida, um dos maiores pensadores brasileiros da atualidade, o filósofo e professor Mario Sergio Cortella. E o livro "Qual é a tua obra?" já traz um subtítulo que nos seduz para a leitura - "inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética". Discussões e questionamentos sobre os pilares para a construção de uma sociedade sustentável, de fato.
Como bem antecipa a filha do autor em um belíssimo prefácio, encontrar a resposta para a pergunta título do livro é uma tarefa muito difícil. Mas não se iluda, a resposta não está no livro... O autor apenas nos ajuda a buscá-la, cada um no seu próprio ritmo.
O livro foi estruturado em três partes: gestão, liderança e ética, mantendo sempre o papel do líder como pano de fundo. Os capítulos são curtos e densos, com formatos variando entre exemplos, citações e parábolas. Mas os temas são tratados em profundidade, provocando forte reflexão no leitor.
A primeira parte aborda Gestão, enfocando a importância da busca de um sentido no trabalho e, consequentemente, de enxergar um significado maior na sua vida. O autor explica porque o trabalho ainda é tratado como uma espécie de castigo, e porque precisamos mudar este conceito pela ideia da realização de uma obra. De certa forma, isto explica o fato da espiritualidade ser um assunto cada vez mais presente no universo corporativo.
O professor Cortella recorre à física quântica para mostrar a cura para casos crônicos de arrogância e falta de humildade. Em um ensaio acadêmico, em resposta à pergunta "você sabe com quem está falando?", o autor sugere uma resposta com uma força metafísica. Afinal, seja "você" quem for, é apenas um entre 6,4 bilhões de indivíduos, pertencente a uma única espécie entre outras 3 milhões já classificadas, que vive num planeta que gira em torno de uma estrela, que é apenas uma entre 100 bilhões que compõem uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. E ainda tem gente que se acha...
Cortella fala sobre o lado bom de não saber, pois reconhecer o desconhecimento é um sinal de inteligência fundamental para mudança. O autor aborda também o estoque de conhecimento, a educação continuada como forma de aprimorar competências e habilidades e a importância do reconhecimento para uma nova "lealdade relativa". Afinal, todos querem aumentar a empregabilidade, mas nem sempre estão dispostos ao sacrifício, daí surge a "síndrome de Rocky Balboa".
Os capítulos seguintes tratam da mudança, do medo de enfrentá-la e a capacidade de antecipá-la. E encerra com o grande estrago das pequenas ondas e a necessidade de melhorar a nossa gestão pessoal. Quando um modelo de vida leva a um esgotamento, é fundamental questionar se vale a pena continuar no mesmo caminho. Já pensou nisso?
Na sessão sobre Liderança, o autor afirma que esta é uma virtude e não um dom. E explica que o fundamental é chegar ao essencial, ou seja, tudo aquilo que você não pode deixar de ter como felicidade, amizade, sexualidade, religiosidade, etc. Por isso, contar com mecanismos de reconhecimento é um sinal de inteligência estratégica.
Cortella afirma que uma das principais tarefas do líder é precisamente esclarecer a obra coletiva. Realizar e perceber-se no conjunto da obra é a perfeita sensação daquilo em que me reconheço como indivíduo. Mesmo em tempos velozes, onde o jogo e a estratégia mudam constantemente, temos que permanecer alertas para as duas piores armadilhas para o líder: a arrogância e a fascinação pelo mesmo. Daí a necessidade da renovação pelo outro e a vitalizarão constante.
Um líder precisa ser capaz de inspirar e animar as pessoas. Elas precisam se sentir bem e plenamente integradas à obra. Para isso, Cortella elenca as cinco competências essenciais na arte de liderar: abrir a mente, elevar a equipe, recrear o espírito, inovar a obra e empreender o futuro.
Na última parte, o autor desvenda o mistério da Ética de forma brilhante, com uma fórmula capaz de dirimir qualquer dúvida. Ele sugere três perguntas simples que são essenciais para cuidarmos da vida coletiva. Quero? Posso? Devo? Afinal, a ética é um conjunto de princípios e valores que usamos para responder estas perguntas. E a integridade é um princípio ético para não apequenar a vida, que já é curta.
Enfim, uma leitura agradável, rápida e profunda. Mas nada servirá se você não praticar seus conceitos. Dê-se esta oportunidade! Como diz o professor Cortella, um poder que se serve em vez de servir, é um poder que não serve. Lembra-te que és mortal.
Mario Sergio Cortella
Editora: Vozes

sábado, 28 de janeiro de 2012

O açúcar

Louis Gaillard
O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.

Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.

Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem
aos vinte e sete anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.

Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

Ferreira Gullar

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Desilusão

Frederick Stuart Church - Shooting Stars
As estrelas aparecem
Mostrando a noite.
Os sonhos que não fenecem
Surgem em procissões.
Como terrível açoite
Vem cantando as lembranças
Entoam velhas,
esquecidas confissões,
Antigas e novas promessas.

A insônia feiticeira,
Abre o cofre das grandes recordações.
Mostra imensas ternuras
Registros escritos ontem
No mar das ilusões.
Na falsa areia perdida
Desenhos de corações

E a lágrima
Não contida
Cai no chão,
Convertida.

Desilusão,
.

Apolônia Gastaldi

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Um passarinho canta

Harrison Rucker - Morning Song
Um passarinho canta
para o canto perder-se.

Para o canto fundir-se
no éter puro e sereno,
no silêncio das coisas,
no mistério dos seres.

Um passarinho canta
apenas porque é vida:
a vida é apenas canto,
canto efêmero.

Tasso da Silveira (1895-1968)
“Numa ação de reintegração de posse de área grande e com muitos ocupantes, a regra orientadora básica do juiz do processo é a Justiça, e buscar à exaustão as conciliações em audiências. Em outras palavras, promover negociações voltadas à desocupação e, para tanto, envolver governos (municipal, estadual e federal) para encontrar soluções alternativas. Afinal, créditos tributários são habilitados para pagamento pela massa falida.
A reintegração coercitiva, com oficiais de Justiça e força policial, só deve ocorrer excepcionalmente e não era o caso da executada no domingo em imóvel pertencente à massa falida da empresa Selecta. Uma empresa que pertenceu ao megaespeculador Naji Nahas.
A falência foi declarada em 2004 e se arrecadou, como bem da massa, uma área de 1,3 milhão de metros quadrados, situada em São José dos Campos, em lugar conhecido por Pinheirinho.
Na reintegração, não estava em jogo apenas o interesse dos cerca de 6 mil ocupantes da área do Pinheirinho. Como todos sabem, os valores arrecadados com a massa falida pagam os créditos de trabalhadores tungados pelos gestores da Selecta. Mais ainda, existem créditos fiscais, previdenciários e até dos credores quirografários. Os pagamentos obedecem a uma ordem legal e, muitas vezes, os quirografários ficam a ver navios.
Desapropriar a área para solucionar o problema dos ocupantes e não deixar os credores desamparados poderia ter sido uma das soluções. Lógico, passada pelo crivo do Ministério Público por meio da curadoria de massas falidas e Judiciário. No caso da falência da Salecta, e como informado pelos jornais, havia um protocolo de intenções em curso no Ministério da Cidade para solucionar o problema dos ocupantes da área.”

Wálter Fanganiello Maierovitch

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um boi vê os homens

Anita Malfatti
Tão delicados (mais que um arbusto) e correm
e correm de um para o outro lado,
sempre esquecidos de alguma coisa.

Certamente falta-lhes não sei que atributo essencial,
posto se apresentem nobres e graves, por vezes.
Ah, espantosamente graves, até sinistros.

Coitados, dir-se-ia que não escutam
nem o canto do ar nem os segredos do feno,
como também parecem não enxergar
o que é visível e comum a cada um de nós, no espaço.

E ficam tristes e no rasto da tristeza chegam à crueldade.
Toda a expressão deles mora nos olhos –
e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra.

Nada nos pelos, nos extremos de inconcebível fragilidade,
e como neles há pouca montanha, e que secura
e que reentrâncias e que impossibilidade
de se organizarem em formas calmas, permanentes e necessárias.

Têm, talvez, certa graça melancólica (um minuto)
e com isto se fazem perdoar a agitação incômoda
e o translúcido vazio interior que os torna tão pobres
e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos:
desejo, amor, ciúme(que sabemos nós),
sons que se despedaçam e tombam no campo
como pedras aflitas e queimam a erva e a água,
e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
No pior ano do desemprego em escala internacional, o Brasil criou um milhão e novecentos mil empregos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Frank Richards - Girl on the beach
Dunas atrás da casa
gafanhotos cor de
madeira cardos cor de areia
ao fim da tarde,
barcos na água rósea
onde a cidade, em frente à casa, cai
De madeira caiada a
casa está
sobre a areia, que escurece quando
a maré devagar desce na praia.

Gastão Cruz

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sheri Howe - The Source
Minha Maria é bonita,
Tão bonita assim não há;
O beija-flor quando passa
Julga ver o manacá.
"Minha Maria é morena,
Como as tardes de verão;
Tem as tranças da palmeira
Quando sopra a viração".
"Companheiros! o meu peito
Era um ninho sem senhor;
Hoje tem um passarinho
Pra cantar o seu amor".
"Trovadores da floresta!
Não digam a ninguém, não!...
Que Maria é a baunilha
Que me prende o coração".
"Quando eu morrer só me enterrem
Junto às palmeiras do vale,
Para eu pensar que é Maria
Que gente no taquaral...".

Castro Alves (1847-1871)

Personalidades Históricas:

Sofonisba Anguissola (1527-1623)
Pintora do Renascimento
Auto retrato
Numa época em que às mulheres estava apenas reservado o papel de dona do lar e mãe de família, Amilcare Anguissola quis que as suas seis filhas estudassem e desenvolvessem os seus talentos naturais. Estava-se no século XVI em Cremona, na Lombardia, e foi assim que Sofonisba Anguissola se tornou a primeira mulher a ser reconhecida como pintora.
Aos 14 anos, Sofonisba começou a ter aulas de pintura com Bernardino Ciampi, um respeitado retratista e pintor de temas religiosos residente igualmente em Cremona, e, mais tarde, prosseguiu os estudos de pintura com Bernardino Gatti, o que constituiu na época um precedente para que os pintores passassem a aceitar mulheres como suas alunas.
Mai tarde, Miguel Ângelo, viria também a orientar o seu trabalho, embora de maneira informal. Apesar dos incentivos familiares e do apoio de artistas da estirpe de Miguel Ângelo, havia algo que estava vedado a Sofonisba Anguissola dada a sua condição de mulher – o estudo da anatomia e as aulas com modelos vivos. Por isso, desenvolveu um novo estilo de retrato, com ela própria como motivo principal – os autorretratos são frequentes ao longo da sua obra – ou membros da sua família em ambientes informais ou descontraídos, como o famoso quadro O Jogo de Xadrez, em que aparecem três das suas irmãs.
Tinha 27 anos quando Filipe II de Espanha convidou-a para ser pintora oficial em sua corte. Deste período, sobrevivem numerosos retratos.
Gian Paolo Lomazzo (1538-1592), no seu Livro, concebeu um diálogo imaginário entre Leonardo da Vinci e o escultor grego Fídias, no qual o primeiro afirma: “Quero chamar a tua atenção para os milagres de uma mulher de Cremona chamada Sofonisba, que tem surpreendido todos os príncipes e sábios da Europa com as suas pinturas. (…) Muitos valorosos têm pensado que ela recebeu o pincel da própria mão do divino Ticiano”.
A pintora apenas viria a casar em 1571, já aos 39 anos, num casamento que lhe foi arranjado por Filipe II. Sofonisba casou-se com D. Francisco de Moncada, filho do vice-rei da Sicília, continuando a viver em Espanha. Em 1578, regressaram a Itália, mais concretamente a Palermo, onde D. Francisco viria a falecer no ano seguinte.
Aos 47 anos, durante uma viagem para Cremona, conheceu Orazio Lomellino, o comandante do navio em que viajou e consideravelmente mais jovem do que ela, com quem se casaria. A fortuna do marido e uma pensão generosa de Filipe II permitiram a Sofonisba viver desafogadamente e entregar-se por completo à sua pintura, sem nunca ter vendido um só dos seus quadros.
Com 90 anos e a vista bastante enfraquecida por cataratas, voltou à Sicília, onde veio a falecer aos 96 anos.
Algumas de suas obras:
Ela e suas irmãs jogando xadrez
Family
Two Sisters and a Brother of the Artist

domingo, 22 de janeiro de 2012

Ramo

Sir Frank Dicksee - The End of the Quest
Talvez eu não consiga quanto amo
ou amei teu ser dizer, talvez
como num mar que tu não vês
o meu corpo submerso seja o ramo
final que estendo já não sei a quem.

Gastão Cruz
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rôtas pelo vento
E mastros carregados de agonias.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo
O cabo das tormentas de mim mesmo.

Paulo Bonfim

sábado, 21 de janeiro de 2012

Marcas Valiosas

As 10 Marcas mais Valiosas do Mundo.
1. Apple
2. Google
3. IBM
4. McDonald´s
5. Microsoft
6. Coca-Cola
7. AT & T
8. Marlboro
9. China Mobile
General Eletric

Sites mais visitados

Os 10 Sites mais vistos em 2011 do Mundo.