quinta-feira, 14 de julho de 2011

Campinas

“O príncipe não é o principal
O principal é haver entre as muitas terras
Uma que sonha porque acredita
Nos poetas: Campinas.

Guilherme de Almeida (1860-1969)

Monumento

Monumento aos Heróis da
Revolução Constitucionalista de 1932
no Cemitério da Saudade, em Campinas.
“Não é túmulo, é berço. É sementeira de ideal;
balizado futuro; pista,
Rastro de heróis na terra campineira
Sobre eles, cor a cor, lista por lista,
Eternizou seu vôo essa bandeira,
Petrificou-se o pavilhão paulista.
Bandeirantes, por vós, nesta jazida,
Valem as pedras, que esta morte é vida”.

Guilherme de Almeida (1860-1969)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Phan Thu Trang Trang

Phan Thu Trang
Trang é uma jovem pintora em cuja mente estão gravadas lembranças de cidades e aldeias do norte de seu local de origem, o Vietnã.
Nascida em Hanoi, em 1981, Phan Thu Trang é graduada em Teatro e Cinema.
A artista transporta suas memórias vívidas para as pinturas que cria, sempre utilizando espátulas com tinta a óleo e abusando das cores primárias. Trang desenvolveu um estilo único, a delicadeza e a suavidade presentes em suas criações tornaram-se sua marca registrada.

Veja algumas de suas obras:

terça-feira, 12 de julho de 2011

Grandes acontecimentos históricos

Grandes acontecimentos históricos só são bem escritos (revelados) após vários anos, isto porque os documentos ficam sigilosos e são liberados bem mais longe do acontecido.
São documentos passíveis de classificação como ultras secretos aqueles referentes à soberania e integridade territorial nacionais, planos de guerra e que ponha em risco a segurança da sociedade e do Estado, bem como aqueles necessários ao resguardo da inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas.
Assim podemos citar alguns exemplos:
  • Ilhas de Trindade e Martim Vaz (arquipélago brasileiro no Oceano Atlântico a leste de Vitória).
  • A Guerra do Paraguai (1864-1870)
  • A compra do Estado do Acre que pertencia à Bolívia (1903)
  • A Ditadura Militar (1964-1984)
  • O assassinato do presidente John F. Kennedy ocorrido há mais de 40 anos, mas a maioria dos norte-americanos ainda não tem certeza de quem foi o responsável. Teria sido a direita, os exilados cubanos, ou um complô da CIA, FBI ou KGB?
  • O assassinato do de Martin Luther King Jr.
O problema é que quando liberam os documentos, nem sempre são de uma só vez, e muitas pessoas escreveram livros e fizeram filmes com sua avaliação pessoal, mas acabam tendo uma repercussão como se fosse toda a verdade do fato. Portanto é por isso que a História trabalha com acontecimentos do “passado”, pois como ciência, ela se baseia em documentos.
Faz-se necessário ter isso em mente para analisar acontecimentos históricos.
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Se oriente, rapaz

Koop Delanney
Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração

Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação

Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do Sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão.

Gilberto Gil

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As Rosas

Sim! a minha ventura quer dar felicidade;
Não é isso que deseja toda a ventura?
Quereis colher as minhas rosas?
Baixai-vos então, escondei-vos,
Entre as rochas e os espinheiros,
E chupai muitas vezes os dedos.
Porque a minha ventura é maligna,
Porque a minha ventura é pérfida.
Quereis apanhar as minhas rosas?

Friedrich Nietzsche (1844-1900),
in "A Gaia Ciência"

domingo, 10 de julho de 2011

Ó Fortuna

Ó Fortuna
és como a Lua
mutável,
sempre aumentas
e diminuis;
a detestável vida
ora escurece
e ora clareia
por brincadeira;
miséria,
poder,
ela os funde como gelo.

Sorte monstruosa
e vazia,
tu – roda volúvel –
és má,
vã é a felicidade
sempre dissolúvel,
nebulosa
e velada
também a min contagias;
agora por brincadeira
o dorso nu
entrego à tua perversidade.

A sorte na saúde
e virtude
agora me é contrária.

e tira
mantendo sempre escravizado.
nesta hora
sem demora
tange a corda vibrante;
porque a sorte
abate o forte,
chorais todos comigo!

Carl Orff (1895-1982)
Tradução- (não sei)

sábado, 9 de julho de 2011

Topografia de um Desnudo

O frio chegou com a temperatura caindo muito à noite, o que levou as pessoas a retirar dos baús indumentárias próprias para o inverno, blusas, pulôveres, cachecol e agasalhos diversos com que enfrentar a queda nos termômetros.
Com a friagem piorou a situação dos moradores de rua, pobres mendigos, na sua luta inglória pela sobrevivência. Se já era ruim com o tempo bom, piorou com a baixa temperatura e o sofrimento dessas pessoas. À noite, então, quando buscam locais para dormir e meios de se aquecer do frio cortante, enfrentam a fome, o vento e a falta de caridade da maioria das pessoas.
Rio de Janeiro, anos 60. A cidade se prepara para receber a visita da rainha Elizabeth (essa que está ai até hoje na Inglaterra). O objetivo dos ingleses era mostrar que o Brasil não iria adotar o socialismo, ideia crescente na época. Um clima de tensão social e política antecedem o Golpe Militar. Uma jornalista investiga a morte de moradores de rua e se envolve num perigoso jogo de interesses. Governo e polícia empreendem a “Operação Higienização Social”.
No Rio de Janeiro nos anos 60, a polícia de Carlos Lacerda, recém-eleito com o objetivo de "limpar" a cidade maravilhosa para a visita da rainha, mendigos eram recolhidos por veículos oficiais à noite e jogados no Rio da Guarda, afluente do Rio Guandu, morrendo afogados.
A Imprena nacional e internacional noticiava o fato. Policiais e funcionários do Governo da Guanabara são indiciados. Com o Golpe de 64, os inquéritos são arquivados e o episódio "apagado" da história do Brasil.
Agora, quem quiser, pode assistir ao filme "Topografia de um Desnudo", os assassinatos do Rio Guandu 40 anos depois, da TAO Produções, filme rodado em Campinas e Paulínia que saiu em DVD.
Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la.

Devaneios do Caminhante Solitário

A felicidade é um estado permanente que não parece ter sido feito, aqui na terra, para o homem. Na terra, tudo vive num fluxo contínuo que não permite que coisa alguma assuma uma forma constante. Tudo muda à nossa volta. Nós próprios também mudamos e ninguém pode estar certo de amar amanhã aquilo que hoje ama. É por isso que todos os nossos projetos de felicidade nesta vida são quimeras.
Aproveitemos a alegria do espírito quando a possuímos; evitemos afastá-la por nossa culpa, mas não façamos projetos para conservá-la, porque esses projetos são meras loucuras. Vi poucos homens felizes, talvez nenhum; mas vi muitas vezes corações contentes e de todos os objetos que me impressionaram foi esse o que mais me satisfez. Creio que se trata de uma consequência natural do poder das sensações sobre os meus sentimentos. A felicidade não tem sinais exteriores; para conhecê-la seria necessário ler no coração do homem feliz; mas a alegria lê-se nos olhos, no porte, no sotaque, no modo de andar, e parece comunicar-se a quem dela se apercebe. Existirá algum prazer mais doce do que ver um povo entregar-se à alegria num dia festivo, e todos os corações desabrocharem aos raios expansivos do prazer que passa, rápida, mas intensamente, através das nuvens da vida?
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778),
in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Poder Do Agora

Valériane Leblond

O que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um Agora anterior. Quando lembramos do passado, reativamos um traço da memória e fazemos isso agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente.
Quando o futuro acontece, acontece como sendo o Agora.
Quando pensamos sobre o futuro, fazemos isso no Agora.
Obviamente o passado e o futuro não têm realidade própria. Do mesmo modo como a lua não tem luz própria e apenas reflete a luz do sol, o passado e o futuro são apenas um reflexo pálido da luz, do poder e da realidade do eterno presente. A realidade deles é "emprestada" do Agora.
Eckhart Tolle

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Rembrandt e Degas: mestre e discípulo


Rembrandt van Rijn (1606-1669) Holanda


Edgar Degas (1834-1917) França
Cerca de 200 anos separam estes dois artistas, mas existem claras ligações entre ambos. O jovem Degas estudou os autorretratos de Rembrandt e deixou-se inspirar por eles.
Depois de um ano de academia de artes, Degas já tinha visto o suficiente e partiu de Paris para a Itália. Foi a lugares como Roma e Florença para estudar artistas do passado e copiá-los.
O jovem Degas queria romper com a tradição ‘certinha’ da academia de artes, na qual todos os detalhes de uma pintura tinham que ser trabalhados minuciosamente. Isso pode ser visto no autorretrato pintado por ele ao final de seu primeiro ano na academia.
Mas depois seu estilo se torna mais livre. Ele se retrata com seu rosto na sombra; uma luz rasante vem por trás de uma das faces; a roupa é pintada com soltura e mal pode ser reconhecida, até mesmo os olhos estão na sombra. Todo pintor ousa mais em seus autorretratos, porque sua intenção é serem objetos para estudo e não para a venda.
Durante sua viagem de estudos à Itália Degas quase não encontrou pinturas do mestre holandês. Mas sim seus bicos de pena: originais e reproduções em livros. Em seus cadernos de desenho podem ser encontradas cópias do trabalho de Rembrandt. Degas mais tarde se tornaria um dos grandes pintores do impressionismo francês.
Nos autorretratos em exposição não se vê apenas as semelhanças e diferenças entre os dois grandes artistas. O espectador os olha direto nos olhos. Rembrandt era mais atrevido, mais confiante e sem preconceitos. Degas ainda um pouco tímido. Talvez da mesma maneira como um jovem artista é tímido diante de um colega de profissão ao qual admira.
Agora, o Museu Rijksmuseum, em Amsterdã, expõe os retratos dos dois, lado a lado, até o dia 23 de outubro.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mulheres de Atenas: uma reflexão lírica sobre a condição feminina

A música "Mulheres de Atenas" é de 1976, resultado de uma parceria entre Augusto Boal e Chico Buarque de Holanda, foi parte da trilha sonora da peça de teatro "Lisa, a mulher libertadora", uma adaptação da comédia grega Lisístrata, escrita por Aristófanes em 411 a.C.
Nesta peça, as mulheres obrigam seus maridos a buscarem um tratado de paz sobre as guerras que envolviam as cidades-Estado gregas, impondo uma condição: enquanto a paz não fosse alcançada, elas se recusariam a fazer sexo com eles.
William-Adolphe Bouguereau - Nymphes et Satyre

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas

Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas* *(mechas do cabelo)

Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas* *(correntes)
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados

Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas* *(espécie de mariposa, metáfora para prostituta)

Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos,
Os novos filhos de Atenas.

Elas não têm gosto ou vontade,
Nem defeito, nem qualidade;
Têm medo apenas.
Não tem sonhos, só tem presságios.
O seu homem, mares, naufrágios...
Lindas sirenas*, morenas. *(sereias)
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas.

Chico Buarque
“Falenas”, significam borboletas, uma referencia a homossexuais. Os gregos preferiam relações entre homens, e as relações com mulheres eram apenas para reprodução. As mulheres de Atenas sofriam terrivelmente. Daí o conteúdo irônico da musica.
Chico é um poeta especialista na alma feminino Chico relata de maneira irônica o comportamento de mulheres submissas e que na sua submissão superam a realidade de sofrimento. Como viver reclusas e excluídas de uma sociedade tão machista? Elas “assumem” enquanto eles “somem” de suas responsabilidades e ainda gozam os louros de suas falsas conquistas. Isso! O poema é claro: “mirem-se no exemplo”. O poema alerta o estilo de vida gregário de mulheres que ainda hoje vivem assim. Por um acaso costumamos ver com frequência uma amiga casada? O será q ela está fazendo agora? Escrevendo um livro? Bebendo c as amigas? Viajando? Não! Sinto muito, mas acredito que a mulher tem muito a conquistar: ter filhos deve ser um desejo e não uma obrigação social, casar deve ser por amor e não por medo de solidão, fazer sexo deve ser por desejo e não autoafirmação, ser linda deve ser para você mulher e não para um homem. A violência domestica contra a mulher existe, conte cinco minutos e uma mulher é espancada por um homem. Ainda acreditamos em príncipes encantados. Contem 5 minutos e continuem acreditando… ”Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas” e façam o contrario: lutem para ser o que são! Somos mulheres livres!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Frase

Pessoas que já sofreram são perigosas.
Elas sabem que podem sobreviver!

Anna Barton (Juliette Binoche),
no filme “Perdas e Danos”.
É o caso de Norma de "Insensato Coração".

É tão fundo o silêncio entre as estrelas

É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
nem o canto das aves milagrosas.
Mas, lá, entre as estrelas, onde somos
um astro recriado, é que se ouve
o íntimo rubor que abre as rosas.

José Saramago (1922-2010)

domingo, 3 de julho de 2011

Nus ao Vento

Christophe Vacher
Estar nus ao vento e brincar com sua pele
Deixar-se beijar pelo mar,
pela chuva, pelo orvalho,
pelos humores de uma noite quente de verão
Fazer um manto com a lua
que brinca entre as árvores
E quando o sol subir alto no céu,
derreter no seu quente suspiro ...

Khalil Gibran (1883-1931)