sábado, 12 de novembro de 2011

↷ A Morte Absoluta

Marc Chagall
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.

Manuel Bandeira (1886-1968)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

↷ Dia do Trigo

Hoje é o Dia do Trigo! E motivos para comemorar não faltam! Ele foi o primeiro cereal que o homem aprendeu a cultivar, havendo várias lendas, em quase todas as religiões, sobre o seu aparecimento.
Primeiramente cultivado no Crescente Fértil do Oriente Médio. Globalmente, é a segunda maior cultura de cereais, a seguir ao milho; o terceiro é o arroz. O grão de trigo é um alimento básico usado para fazer farinha e, com esta, o pão, na alimentação dos animais domésticos e como um ingrediente na fabricação de cerveja. O trigo é plantado também estritamente como uma forragem para animais domésticos, como o feno.
No Brasil, acredita-se que ele veio com a chegada dos portugueses. E, desde então, se tornou indispensável na nossa culinária. Todos gostamos de pãozinho no café da manhã. E, hoje em dia, fazer pão ficou muito mais simples com a máquina de fazer pão e com várias receitas saborosas.
Comemore o Dia do Trigo fazendo o seu pão preferido! Sugestão:
Pão de batata doce:
1 envelope ou 1 colher (sopa) de fermento biológico seco
4 colheres (sopa) de água
1 ovo
1,5 colher (chá) de sal
2 xícaras de batata-doce cozida, espremida e fria
1 xícara de leite morno (240 ml)
150 g de farinha de trigo integral (se quiser, use apenas farinha branca)
Meio quilo, aproximadamente, de farinha de trigo branca
40 g de manteiga sem sal.

Misture o fermento com a água e deixe hidratar por uns 5 minutos. Coloque no liquidificador o ovo, o fermento, o sal, a batata doce e o leite. Bata até virar um creme grosso. Coloque esta mistura numa bacia e junte a farinha de trigo integral. Vá juntando farinha de trigo branca aos poucos, mexendo sempre com uma colher de pau. Quando ficar difícil de mexer, comece a sovar com as mãos, juntando mais farinha até conseguir uma massa lisa que não grude mais nas mãos. Junte a manteiga em pedacinhos e sove para homogeneizar a massa. Se precisar, acrescente mais farinha. Cubra com plástico e deixe a massa crescer até dobrar de volume. Se tiver máquina de pão, pode fazer esta primeira fase no modo massa (ciclo de 1h30m). Passe a massa para uma superfície enfarinhada e divida em três porções. Modele os pães e coloque em assadeira untada e enfarinhada, deixando espaço entre eles. Deixe crescer novamente. Se quiser, pincele leite, polvilhe farinha de trigo branca ou integral e faça cortes na superfície. Leve ao forno pré-aquecido à temperatura alta e deixe assar por 10 minutos. Abaixe a temperatura e deixe assar por mais 50 minutos hora ou até que fiquem dourados.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

↷ Cidade fantasma

Fotografia do Escritório Central de Fordlândia em 2010 - Wikimedia Commons

Conheça a cidade construída por Henry Ford no final da década de 1920, hoje abandonada.
A Ford Motors Company, fundada por Henry Ford apresentou ao mundo um novo método de produção de automóveis.
Neste sistema, os funcionários permaneciam em filas, realizando a mesma tarefa repetidamente, sendo cada um especializado na produção de uma parte do veículo.
A indústria automobilística de Ford necessitava de vários materiais para a produção, entre eles, a borracha. Contudo, as seringueiras de onde era extraído o látex se encontravam no território asiático e estavam sob monopólio inglês.
Assim, Ford pensou que seria uma boa alternativa buscar a matéria prima em território brasileiro. No entanto, seus investimentos resultaram em um verdadeiro desastre.
1. O Golpe
Naquela época, o governo do Pará concedia terras gratuitamente a quem quisesse plantar seringueiras. Assim, sabendo do interesse de Henry Ford em investir na região amazônica, o cafeicultor Jorge Dumont Villares obteve do governo áreas em sete pontos diferentes. No entanto, quando os funcionários da companhia chegaram ao Brasil, Villares mostrou apenas sua propriedade privada.
Dessa forma, Ford comprou 1 milhão de hectares do cafeicultor por 125 mil dólares, sendo que poderia tê-las conseguido gratuitamente. Além disso, o terreno era impróprio para o cultivo de seringueiras.
2. A Fordlândia
A floresta começou a ser derrubada no ano de 1928 para a construção das casas e para a plantação das seringueiras. Dois navios, Lake Ormoc e Lake Farge, foram encarregados de trazer dos EUA madeira, telhas e mudas, além de outros materiais necessários para a construção da vila. Uma das embarcações serviu temporariamente de hospital, além de fornecer energia elétrica para a região. Terminada a construção, a cidade era um verdadeiro povoado americano dentro da Amazônia. Nela, estavam as casas dos administradores, que contavam com piscina, gramados para golfe, cinema, entre outras comodidades.
3. Os funcionários
Enquanto os administradores americanos viviam luxuosamente, os funcionários brasileiros habitavam vilas modestas. Porém o salário era muito maior do que em outras localidades, o que fez com que muita gente buscasse emprego em Fordlândia, sendo especializada ou não. Mas, por mais que houvesse um enorme número de candidatos, grande parte não era admitida devido a problemas de saúde. Contudo, ainda que o salário não fosse baixo, havia uma grande diferença de costumes entre brasileiros e estadunidenses. Os caboclos estavam acostumados a seguir o ciclo do sol, mas os americanos utilizavam relógios de ponto e uma sirene que marcava turnos e horários de descanso. Além disso, era proibido o consumo de bebida alcoólica na Fordlândia, o que não era de fato um problema, já que os funcionários davam um jeito de contrabandear álcool dentro de melancias, que entravam no local pelo rio.
4. Seringueiras
Logo no início, a plantação de seringueiras foi atacada por um fungo chamado mal-das-folhas, que matava as árvores ou pelo menos reduzia a produção do látex, o que representou um grande prejuízo para Ford.
Outro obstáculo era que o ritmo da plantação também era muito baixo. Se no ano de 1929, havia um total de 400 hectares ocupados por seringueiras, em 1931, esse número subiu para somente 900, sendo que o plano inicial era de 200 mil hectares.
Apenas no ano de 1932, a empresa contratou um especialista chamado James R. Weir para tratar das plantações. Ele sugeriu que a Fordlândia fosse transferida para a cidade de Belterra, que seria mais propícia ao cultivo. Assim, teve início a construção de um novo povoado. Porém a produção ainda permaneceu baixa.
5. O abandono
O surgimento da borracha sintética, que passou a ser largamente produzida após a Segunda Guerra Mundial representou uma diminuição do interesse pelo látex. Outra razão era que a forma de produção das fábricas passou por mudanças. A terceirização fez com que os produtos não precisassem ser realizados totalmente num mesmo local.
Assim, com um prejuízo de 9 milhões de dólares na época, no ano de 1945, Henry Ford, decidiu vender as terras na Amazônia para o governo brasileiro pelo preço de 250 mil dólares. Desde então, o local se encontra totalmente abandonado.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Amores-perfeitos

“Amores-perfeitos eu te envio enquanto o ano ainda inicia,
Amarelos como o sol, púrpuras como a noite;
Flores de recordações, com afeto sempre cantadas
Por todos os mais radiantes filhos da luz;
E se na recordação vivem pesares
Por dias perdidos e sonhos não realizados,
Digo-te que a flor “salpicada de negro âmbar”
Ainda é o perfeito amor que os poetas conheceram.
Absorve toda a doçura de um presente inesperado
E retribui-me as flores com um pensamento.”

Sarah Doudney (1841-1926)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

↷ Jogos Infantis

Pieter Brueghel (1525-1569)
A pintura de Brueghel mostra atividades lúdicas. Cerca de 250 personagens participando de 84 brincadeiras, em 1560. Grande parte delas é conhecida ainda hoje.
É o caso da Maria cadeira, em que duas crianças trançam os braços para formar uma cadeira humana, usada para lançar um dos companheiros, após o canto de um versinho:

“Onde vai, Maria Cadeira?
Vai à casa do capitão,
O capitão não está em casa,
Joga Maria Cadeira no chão
joga Maria Cadeira no chão...”.

De onde vêm as brincadeiras? Ninguém responde com certeza. Elas são universais e fazem parte da cultura popular como a literatura oral, a música, a culinária.
A brincadeira pode ser considerada uma linguagem. Sigmund Freud (1856-1939). Para o psicanalista, o jogo seria a vivência simbólica da presença e afastamento da mãe. Melanie Klein (1882-1960) e outros psicanalistas e psicólogos trabalharam com a ludoterapia e atribuíram aos jogos e brincadeiras a função de elaborar sentimentos e vivências. Eles divertem as crianças e as preparam para a realidade.
Homero fala de jogos infantis na “Odisseia”. Em túmulos de crianças do século 4 a.C., na Grécia, foram encontradas bonecas. Mas é impossível dar a palavra final sobre a origem de uma brincadeira, pois ela ganha variantes e se transforma no tempo e no espaço.
As primeiras famílias europeias que chegaram ao Brasil durante a colonização trouxeram a boneca, o pião e o soldadinho. E também monstros e gigantes, ogros e “trolls”, sereias e duendes, junto com canções de ninar e contos de fada.
Os africanos também contribuíram com criaturas que assustavam as crianças, como o tutu-marambá, o quibungo e o nironga.
Há referências de que as danças de umbigada têm origem africana. Em 1928, Simões Lopes Neto escreveu que certas danças teriam características indígenas e traços portugueses, como o sapateado.
As danças tinham nomes indígenas como anu e tatu, além de chimarrita, chico, galinha-morta, e eram dançadas em bailes chamados fandangos que, a partir de 1840, foram sendo substituídos pelas danças vindas da Europa. Eram divertimentos tanto das classes altas quanto das senzalas.
Muitas dessas danças passaram para as rodas infantis. É o caso da dança que acompanha a canção que diz:

“Folga, folga, minha gente,
que uma noite não é nada;
se não dormires agora,
dormirás de madrugada!”.

Tudo isso foi sendo misturado ao Brasil que já existia antes de ser descoberto. No imaginário dos índios, antes de eles sofrerem influência das missões catequéticas, heróis reinavam sobre a terra. Além de Macunaíma e Maíra, mitos mais difundidos, Nunes Pereira registrou, em 1940, o mito de Bahira, o herói bem-humorado que roubou o fogo guardado no céu pelos urubus.
Informam Orlando e Claudio Villas Boas que as crianças indígenas brincam durante todo o dia, especialmente com seus arquinhos e flechinhas. Têm, como se vê hoje entre as crianças do país, brincadeiras de disputa.
Um exemplo da miscigenação cultural e da dificuldade de datar e estabelecer origens pode ser observado nas interpretações sobre o conto jocoso “A Festa no Céu”.
Para o estudioso Sílvio Romero, a cultura brasileira toma forma a partir do século 17.
João Ribeiro escreveu no livro “O Folk-Lore” (1919) que as brincadeiras infantis “são mensagens e recados de raça a raça, de povo a povo, de século a século, sem sair da perene onda infantil que os leva a ignorados destinos”.
Ribeiro faz um estudo da expansão da brincadeira joão-do-cabo. Ele conta que, em 1919, o jogo vintém-queimado existia em Portugal e possessões, com vários nomes. Na Espanha, o nome era joão-das-cadeinhas. Alberto de Faria recolheu em Campinas (SP) a seguinte variante:

_ Vintém queimado!
_ Quem queimou?
_ Pilão do Carmo (Vilão do Cabo).
_ Quer que se prenda?
_ Prendido vá.”

Após o diálogo, vem outra série de versos, que autorizam a passagem de quem está na brincadeira:
Passa, passa cavaleiro, pela porta do carneiro!
_ Tem uma corda p’ra me emprestar?
_ Tenho; mas está suja.
_ De quê?
_ De cuspe de galinha!
_ Vamos experimentar...
_ Vamos!”

Depois dessas perguntas e respostas, feitas por dois meninos que estão nos extremos de uma cadeia de crianças de mãos dadas, todos passam sob os braços em arco dos meninos de uma ponta (a porta do carneiro) à outra; em seguida, os meninos dão um puxão para arrebentar a cadeia (a corda). Todo mundo cai.
A análise dos aspectos linguísticos demonstram o percurso que o jogo fez por Portugal, Espanha e Brasil.
A mudança pode ter apenas relação verbal. Explica João Ribeiro: “Quase todas as criações tradicionais devem suas formas a verdadeiros equívocos e trocadilhos das palavras. Só a essência escapa a essas erosões e metamorfoses da linguagem”.
Folha de SP - Brasil 500 anos

sábado, 5 de novembro de 2011

‘ A Linguagem das Flores ’

Título do livro: A Linguagem das Flores
Autor: Sheila Pickles
Editora: Melhoramentos
Conta-se que um inglês, em visita à Turquia no século XVIII, teria feito a seguinte afirmação: “aqui pode-se brigar, censurar, mandar cartas de paixão, amizade ou civilidade, ou mesmo notícias, sem nunca ter de sujar os dedos com tinta!”. O “código dos turcos” era o uso de flores para expressar sentimentos. Cada espécie tinha um significado e uma “carta” bem feita podia comunicar praticamente qualquer combinação de sentimentos.
Esse curioso costume teria logo chegado à França, onde “inventou-se” uma linguagem composta inteiramente de símbolos florais. Publicada em 1819, como Le Langage des Fleurs, tornou-se uma das referências favoritas. A nova linguagem das flores atraiu os poetas românticos na Inglaterra. “Doces flores sozinhas podem dizer o que a paixão tem medo de revelar”, disse Thomas Hood (1799-1845) no poema “A Linguagem das Flores”.
Na era vitoriana, a linguagem tornou-se mais complexa. As flores não só significavam diferentes sentimentos, mas a maneira como eram oferecidas e aceitas podia significar alguma coisa. Uma simples rosa vermelha aberta era sinal de admiração pela beleza feminina. Contudo, oferecer um botão com espinhos e folhas queria dizer: “Temo, porém com esperança”. Se a destinatária respondesse recatadamente com o botão virado para baixo, o gesto queria dizer: “Não deves temer, nem ter esperança”. Se a jovem pusesse a flor recebida nos cabelos, o gesto significava cautela, mas se a colocasse sobre o coração, significava que o amor era correspondido.
Eternos símbolos do amor, as rosas ganharam até uma “linguagem” própria: dizem que a cor das suas pétalas também levam mensagens. As vermelhas simbolizam as emoções apaixonadas, as de cores de rosa estariam ligadas aos amores sublimes, as brancas ao amor puro e incondicional, mas as amarelas são misteriosas - uns dizem que simbolizam o ciúme, enquanto outros afirmam que estão ligadas aos amores afortunados. É interessante também que até a forma de arrumar as rosas nos vasos pode expressar sentimentos: uma única rosa num vaso demonstra elegância e intimidade; várias delas, formando arranjos grandes e compactos inspiram alegria e confraternização.

Girassol

Charles Daniel Ward - Spring
“Não, o coração que amou de fato jamais esquece,
Mas continua amando até o fim,
Como o girassol volta para seu deus, quando ele se põe,
O mesmo olhar que lhe dirigiu quando ele nasceu.”

Tomas Moore (1779-1852)

↷ Família Real brasileira

Última foto oficial da família imperial no Brasil, tirada às vésperas da Proclamação da República, no palácio da Princesa Isabel, em Petrópolis. Foi autografada pela família já em alto-mar.
Família Imperial fotografada por Otto Hees. Da esquerda para direita, D. Teresa Cristina, D. Antônio, D. Isabel, D. Pedro II, D. Pedro Augusto de Saxe-Coburgo, Conde d'Eu, e os príncipes Luís e Pedro de Alcântara.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

↷ Vida e morte das palavras

Carl Larsson - The Threshing of the grain

São vivas quando
o coração do vento amadurece
e a voz vem de repente
e não se esquece
de estremecer as trevas
ou de roer as malhas
da rotina
ou de dar lenha e fogo
(matéria inesperada
e sibilina)
a um barco que arrefece.

São mortas quando
a morte nelas cresce
– com os seus cabelos ralos,
suas ramagens crespas, desgastadas,
seus ossos cabisbaixos
rolados sobre o nada.
São mortas se não queimam
a limalha sobrante – esse pó
de cães exaustos, de dias
fatigantes –
e em podridão se instalam.

João Rui de Sousa

↷ Angelo Agostini

‘Pioneiro dos quadrinhos no Brasil’
Angelo Agostini (Vercelli, Itália 1843 - Rio de Janeiro RJ 1910). Foi o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado. Colaborou tanto com desenhos quanto com textos com as publicações O Mosquito, Vida Fluminense, Revista Ilustrada, Don Quixote, O Tico Tico, O Malho, Gazeta de Notícias, entre outros. Publicou, a 30 de Janeiro de 1869, Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo. Mais tarde publica outro personagem, Zé Caipora. Seu nome serviu de inspiração ao Prêmio Angelo Agostini, concedido anualmente pela Associação de Quadrinistas e Caricaturistas de São Paulo aos melhores do ramo e para a criação do Dia do Quadrinho Nacional. Agostini esteve à frente de sua época, criou um estilo, influenciou e tornou a caricatura, a sátira política e os quadrinhos parte de nossa nascente imprensa.
Num Brasil em profunda transformação política, econômica e social, repleto de lutas pela abolição dos escravos e pela proclamação da República, Ângelo Agostini produziu uma arte que se recusava a ficar parada, estática. Avançando no tempo e no espaço, o artista criou uma narrativa sequencial com cortes gráficos que futuramente apareceriam nas histórias em quadrinhos. O mesmo pode-se dizer de suas caricaturas, pois elas não foram apenas um retrato de uma época, mas um olhar critico de uma sociedade que crescia em todos os sentidos. Ou seja, o pai de Nhô Quim e de Zé Caipora, nos deixou como legado aventuras e caricaturas que revelam um tempo histórico significativo, de um país que se tornará Nação, porém, com fortes desejos de ser uma República.

Duas charges de Angelo Agostini:
Charge da Primeira República de Prudente de Morais, considerada corrupta pela política do encilhamento.
Sátira da distribuição de favores por D. Pedro II nos últimos anos do Império.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Entrudo

Jean-Baptiste Debret – Entrudo
Augustus Earle
O carnaval foi chamado de Entrudo por influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, no ano de 1723, surgindo depois as batalhas de confetes e serpentinas.
No Brasil foi alvo de críticas desde os tempos coloniais, devido ao seu espírito perturbador da ordem, tendo sido proibido várias vezes. Tais medidas, entretanto, eram inoperantes, pois ele continuava soberano como divertimento. Se dentro das casas senhoriais dos principais centros urbanos caracterizava-se pelo caráter delicado e pela presença dos limões de cheiro que os jovens lançavam entre si com o intuito de estabelecer laços sociais mais intensos entre as famílias, nas ruas era uma brincadeira violenta e grosseira, que tinha como principais atores escravos e a população de rua, sendo caracterizado pelo lançamento mútuo de todo tipo de líquidos (até sêmem ou urina) que estivessem disponíveis. Na segunda metade do século XIX uma campanha acirrada foi deflagrada contra o entrudo, vislumbrando o aceleramento das mudanças no modo de vida da sociedade brasileira. A escolha inicial das festas de carnaval que substituiriam o entrudo foi influenciada pelos que frequentavam teatros, óperas e salões. Carnaval para a elite passou a ser sinônimo de luxo, danças, cantos, banquetes, músicas e, especialmente, máscaras. Os bailes de máscaras constituíram-se, a partir de então, no grande ideal de carnaval no Brasil, em meados do século XIX. Já o entrudo praticamente desapareceu, porém é ainda hoje praticado durante o carnaval na cidade de Arraias (TO), onde uma singela placa alardeia: " Entrada franca! Basta um balde de água para molhar os foliões!"


Augustus Earle nasceu na Inglaterra dentro de uma família de artistas oriunda dos Estados Unidos, em 1793.
Aos 27 anos resolveu viajar para América do Sul. Depois de breve estadia no Peru, ele desembarcou em 1821 no Rio de Janeiro, permanecendo no Brasil até 1824.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Igreja

Igreja Nossa Senhora do Carmo em Sabará - MG
Herdado dos portugueses, o hábito de fazer ecoar os sinos para marcar acontecimentos importantes virou rotina nas cidades do período colonial. Os sinos e os relógios das igrejas alardeavam incêndios e davam o "Toque do Aragão", que anunciava a todos a hora de se recolher para suas casas. Na época, muitos ganhavam a vida como sineiros. Para anunciar o nascimento dos filhos de gente rica e abastada, pagava-se quatro vinténs e meia pataca. Se a criança fosse do sexo masculino, o sino da matriz ecoava nove vezes; já para o nascimento das meninas, os sineiros davam sete badaladas.

Frases de Bernard Shaw

“Uma vida inteira de felicidade?
Ninguém aguentaria: seria o inferno na terra”.

“O pior crime para com os nossos semelhantes não é odiá-los, mas demonstrar-lhes indiferença: é a essência da desumanidade”.

“Há apenas uma única religião,
embora dela exista uma centena de versões”.


Bernard Shaw

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A nossa canção

Henri Rousseau (La Douanier)
A nossa canção de roda
tinha nada e tinha tudo
como a voz dos passarinhos-
mas que será que dizia?
A nossa canção de roda
era boba como a lua.
Mas a roda dispersou-se
cada qual perdeu seu par...
Agora, nossos fantasmas meninos
talvez a cantem na lua...
talvez que junto a algum leito
a morte a esteja a cantar
como quem nana um filhinho...
A nossa canção de roda
tinha nada e tinha tudo: era
uma girândola de vozes
chispando
mais lindas do que as estrelas
era uma fogueira acesa
para enganar o medo, o grande medo
que a Noite sentia da sua própria escuridão.

Mario Quintana (1906-1994)

↷ Subnutridos e Sobrealimentados

Nosso planeta chega em 7 bilhões de habitantes, mas há um bilhão de famintos no mundo.
A fome existe desde os primórdios da humanidade, mas, desde meados do século 20, as pessoas passaram a se referir às dificuldades decorrentes desse flagelo como um problema de Segurança Alimentar.
O mundo produz comida suficiente para alimentar seus quase 7 bilhões de habitantes, mas a cada dia um bilhão de homens, mulheres e crianças vão dormir com fome, informa a Federação Internacional da Cruz Vermela.
A Cruz Vermelha destaca o desequilíbrio que existe no mundo, onde um bilhão de pessoas em situação de desnutrição crônica convivem com 1,5 bilhão de pessoas sobrealimentadas.