sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Natureza morta

Paul Cézanne
(França, 19 de janeiro de 1839 - 22 de outubro de 1906)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Van Gogh in Still Life

No pequeno museu sentimental

Heide Presse
No pequeno museu sentimental
os fios de cabelo religados
por laços mínimos de fita
são tudo que dos montes hoje resta,
visitados por mim, montes de Vênus.

Apalpo, acaricio a flora negra,
e negra continua, nesse branco
total do tempo extinto
em que eu, pastor felante, apascentava
caracóis perfumados, anéis negros,
cobrinhas passionais, junto do espelho
que com elas rimava, num clarão.

Os movimentos vivos no pretérito
enroscam-se nos fios que me falam
de perdidos arquejos renascentes
em beijos que da boca deslizavam
para o abismo de flores e resinas.

Vou beijando a memória desses beijos.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A boca da noite

Robert Berran
O que não fiz ficou vivo
pelo avesso. O que não tive
pertence à dor do meu canto.
A estrela que mais amei
acende o meu desencanto.
Vinagre? Sombra de vinho?
De noite, a vida engoliu
(é doce a boca da noite)
as dores do meu caminho.
O meu voo se apazigua
quando a tormenta me abraça.
O que tenho se enriquece
de tudo que não retive.
Diamante? Flor de carvão.

Thiago de Mello

O Sol Nascerá

Federico Andreotti
“A sorrir eu pretendo levar a vida!
Pois chorando eu
vi a mocidade perdida...
Fim da tempestade, o sol nascerá !
Finda esta saudade,
hei de ter outro alguém para amar ...”

Cartola e Ivan Lins

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Depois da chuva

Camille Pissarro
Depois da chuva,
as árvores brotavam de um silêncio verde,
e os pássaros cantavam, escondidos em ninhos de pedra.
Havia uma luz débil, amarela, oblíqua, crepuscular,
uma luz que fazia compridos os dias, que engrandecia.
E, em meus pequenos jardins,
um odor a hortênsias,
a amores-perfeitos.

Naquele tempo, depois da chuva,
as nuvens, como nós,
passeavam, brancas, sobre a cidade deserta.

Koi Hui-Sio

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A história dos japoneses escravizados por portugueses

A história dos japoneses escravizados
por portugueses e vendidos pelo mundo
mais de 400 anos atrás
Ilustração de portugueses que atuavam no Japão, capitães de barcos de escravos
Em 1585, um menino japonês de oito anos de idade foi raptado e vendido como escravo a Rui Pérez, um comerciante português que atuava em Nagasaki. O menino, que ficou conhecido como Gaspar Fernandes, nasceu em Bungo (atual província de Oita, no sul do Japão) e foi o primeiro de cinco escravos asiáticos que Pérez adquiriria nos anos seguintes.
Pesquisadores acreditam que o menino tenha sido raptado por outro japonês, pois era comum que os próprios japoneses capturassem pessoas para vender aos portugueses na região. Junto à família de Pérez, Gaspar passou a atuar como um serviçal. Ele aprendeu português e espanhol e acabou levado com a família para Manila, nas Filipinas, onde Pérez foi perseguido e condenado por praticar o judaísmo em segredo.
O comerciante foi enviado ao México para ser julgado pela Inquisição e acabou morrendo dois dias antes de atracar no porto de Acapulco.
Em 2013, o pesquisador português Lúcio de Sousa, professor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio, concluiu o quebra-cabeças da vida de Gaspar e outros escravos japoneses de Pérez ao descobrir um documento nos Arquivos Gerais da Nação no México.
"Passei um mês no México, pesquisando horas por dia, até que o registro do transporte do Gaspar e outros escravos caiu nas minhas mãos. Eu sabia que não estava apenas atrás de um simples documento, eu estava lidando com a vida de pessoas que existiram de verdade, foram exploradas e esquecidas", revelou à BBC News Brasil.
Gaspar foi um entre milhares de crianças, adultos, homens e mulheres capturados no Japão entre o fim do século 16 e o início do século 17. As vítimas eram raptadas nas camadas mais desfavorecidas da sociedade, depois eram acorrentadas e empurradas aos navios. Os japoneses acabavam forçados a deixar o país e suas famílias para sofrer abusos e torturas em terras estrangeiras.
Não há dados sobre quantos japoneses foram escravizados e exportados para o mundo durante uma lacuna de pelo menos cinquenta anos. Pesquisadores estimam que milhares de japoneses foram submetidos a este mercado, que funcionava de forma ilegal e velada no sul do Japão.
"O mercado de escravos não começou com uma estrutura organizada. Alguns eram raptados, outros se vendiam por causa da fome extrema e da guerra. Tinham japoneses que se vendiam para escapar de situações ou para dar o dinheiro a família, acreditavam que, quando chegassem a Macau, conseguiriam fugir. Muitos foram enganados e não receberam dinheiro algum", explica Lúcio.
Apesar de ser no mesmo século do início da colonização portuguesa no Brasil, não há registros de escravos japoneses enviados ao maior país da América Latina.
"Os portugueses estavam mais interessados em enviar escravos africanos ao Brasil, por causa da força braçal. Os asiáticos eram utilizados mais para tarefas domésticas. Em Lisboa, muitas famílias exibiam seus escravos japoneses como produtos importados.
Portugueses em solo japonês
Os portugueses foram os primeiros europeus a entrar em contato com o Japão, em 1543, depois que uma tempestade fez um navio chinês com comerciantes atracar na Ilha de Tanegashima, na província de Kagoshima (sul do Japão).
O comércio de escravos japoneses só começou mais de uma década depois, quando os portugueses se instalaram em Macau e uma rota comercial para Nagasaki foi estabelecida.
Em solo japonês, os portugueses trouxeram coisas novas, como as armas de fogo e o cristianismo.
"Os portugueses eram fundamentais para a economia do Japão na época, pois intermediavam o comércio com os chineses. Quando já não tinham mais serventia, pois podiam ser substituídos economicamente pelos holandeses e outros grupos, foram expulsos", conta Lúcio.
Os padres jesuítas começaram a converter japoneses e alguns "daimyos" — os senhores feudais que detinham o poder no Japão —, se tornaram católicos por interesses diversos.
"Os senhores feudais se convertiam não apenas pelo aspecto religioso. Eles estavam interessados nas importações de produtos militares trazidos pelos portugues, especialmente materiais para fazer pólvora", explica a pesquisadora na área, Mihoko Oka, professora da Universidade de Tóquio.
Os escravos em Lisboa
O fortalecimento do catolicismo no Japão culminou em um momento histórico em 1582, quando quatro meninos japoneses partiram de Nagasaki para uma missão jesuíta na Europa. O evento, que ficou conhecido como a "Missão Tensho", levou garotos de 13 e 14 anos para conhecer reis, bispos e o papa Gregório 13º em Roma.
"Quando os meninos passaram pela Espanha e Itália, as pessoas saíram curiosas às ruas. Todos queriam ver japoneses pela primeira vez. Quando eles chegaram em Lisboa, no entanto, ninguém se interessou. A população local já conhecia os japoneses, eles eram escravos, estavam inseridos nas comunidades locais", conta Lúcio.
Os registros mostram que, pelo menos uma década antes de os garotos japoneses missionários pisarem em Lisboa, já havia japoneses residentes no país.
"O registro mais antigo é de Jacinta de Sá Brandão, uma escrava japonesa que casou na Igreja Conceição em Lisboa, em 1573, com Guilherme Brandão, que também foi um escravo japonês. Jacinta é a primeira mulher japonesa a morar em Portugal de que se tem conhecimento", revelou.
A questão das escravas mulheres é particularmente delicada, pois muitas eram vendidas com finalidades sexuais. Meninas pequenas acabavam raptadas, exportadas para Portugal e outros países e forçadas a passar pelas mãos de vários homens.
"A escravatura ainda é vista sob uma ótica masculina e machista. Em Nagasaki havia bordéis chocantes com escravas coreanas. Os homens escravos não passavam pelo que as mulheres eram submetidas. Foi chocante compreender isto, o quanto as mulheres são colocadas de fora do discurso da escravatura", diz.
Expulsos do Japão
Quem acabou com a "farra" dos portugueses foi Toyotomi Hideyoshi, um poderoso senhor de guerra, conhecido por unificar o Japão.
Foi em 1587 que ele soube, através de um subordinado, que os portugueses escravizavam milhares de japoneses na região de Kyushu e os enviavam para fora do país.
O líder japonês ficou abismado com a notícia e, no mesmo ano, fez uma expedição militar para Nagasaki que culminou no banimento dos padres.
"Ele ficou chocado com o domínio católico sob o apoio do clã Omura, depois que o 'daimyo' Sumitada Omura se tornou o primeiro senhor feudal cristão. No ano seguinte, Hideyoshi usou seu comandante militar, Todo Takatora, para recuperar o território ao Japão", conta o professor especializado em história do Japão Tatsuo Fujita, do Departamento de Educação da Universidade de Mie.
Fujita acredita que a expansão do catolicismo trouxe preocupações maiores para Hideyoshi.
"Ele temia que o próximo passo após a conversão religiosa fosse a colonização. Podemos supor que ele sabia do Tratado de Tordesilhas, a divisão de territórios entre Portugal e Espanha na América do Sul, ocorrido quase um século antes."
O mercado de escravos continuou mesmo após a sua proibição por lei em 1590 e não incomodou apenas o líder do Japão, mas a própria estrutura da "Companhia de Jesus", como era chamada a ordem religiosa. A captura e venda de numerosos escravos japoneses afetava negativamente a imagem do catolicismo.
"O primeiro a tentar parar o comércio de escravos japoneses foi o Rei Sebastião, no início da década de 1570. No fim da década de 1590, o bispo do Japão, Dom Luís de Cerqueira, tomou medidas para coibir este mercado", conta a professora Mihoko Oka.
O bispo agiu em uma reunião fatídica, ocorrida com as lideranças da Companhia de Jesus em Nagasaki, em 1598. A igreja deixou claro o repúdio ao comércio de escravos, que funcionava de maneira ilegal e atacava a moral religiosa. Ficou decidido que os envolvidos seriam punidos com multas, excomunhão e não teriam licenças para levar japoneses para fora do país.
No entanto, a escravidão persistiu no início do século 17, quando os católicos já estavam sendo perseguidos e massacrados. Os portugueses acabaram expulsos do Japão na década de 1630, sob o regime rigoroso do xogunato Tokugawa. O país entrou em um período de controle severo de influências estrangeiras, que persistiu por mais de 200 anos.

domingo, 7 de agosto de 2011

Alegre Menina

Duffy Sheridan
O que fizeste, sultão, de minha alegre menina?
Palácio real lhe dei, um trono de pedraria
Sapato bordado a ouro, esmeraldas e rubis
Ametista para os dedos, vestidos de diamantes
Escravas para servi-la, um lugar no meu dossel
E a chamei de rainha, a chamei de rainha
O que fizeste, sultão, de minha alegre menina?
Só desejava campina, colher as flores do mato
Só desejava um espelho de vidro para se mirar
Só desejava do sol calor para bem viver
Só desejava o luar de prata pra repousar
Só desejava o amor dos homens pra bem amar
No baile real levei a tua alegre menina
Vestida de realeza, com princesas conversou
Com doutores praticou, dançou a dança faceira
Bebeu o vinho mais caro, mordeu fruta estrangeira
Entrou nos braços do rei, rainha mas verdadeira.

Dorival Caymmi e Jorge Amado

sábado, 6 de agosto de 2011

66 anos da Bomba de Hiroshima

Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária

A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinícius de Moraes e Gerson Conrad

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Plutarco

Oskar Moll

A sensatez, pelo que respeita aos bens da fortuna,
explica-se de quatro modos:
⇒ em adquiri-los,
⇒ em considerá-los,
⇒ em aumentá-los
⇒ e deles usar convenientemente.

Plutarco (46-126)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Guerrilha do Araguaia

Educar Para Crescer
Guerra fantasma
Documentos podem trazer à luz um dos mais obscuros episódios do país.
É difícil fechar esse capítulo da História do Brasil diante das dificuldades de encontrar documentos comprobatórios das operações realizadas pelo Exército e do efetivo militar empregado no combate aos guerrilheiros. Nos últimos anos, e aos poucos, documentações importantes que registraram o cotidiano das operações militares foram aparecendo. Mas ainda há a recusa em abrir os arquivos oficiais, o que certamente ajudaria a desvendar muitos dos segredos que envolveram o conflito.
Local do Conflito
Os fracassos militares deixaram claro o erro das estratégias e táticas iniciais e colocou em xeque a capacidade de o regime militar, naquele momento, debelar o foco guerrilheiro. Operações desastradas levadas a cabo com efetivo despreparado, repressão violenta contra a população, torturas, assassinatos... Tudo isso somado dá a síntese do que pode ser compreendido como um dos maiores equívocos de nossas Forças Armadas - e ajudou a transformar a Guerrilha do Araguaia em um fato histórico fantasma.
Por muito tempo, omitiu-se ter havido uma guerrilha no sul do Pará. Nenhum documento oficial trazia informações a respeito, e a população da região onde se desenrolou o conflito era vigiada e intimidada para não revelar o que sofreu e testemunhou nos anos de 1972 a 1975.
Foto da época
Mas tais documentos, que se acreditavam destruídos, existiam. E boa parte deles estava em mãos de militares, inclusive oficiais, envolvidos na repressão ao movimento. Mapas, memorandos, ofícios, alguns sem timbres oficiais, mas devidamente carimbados por uma das forças militares (Exército, Marinha ou Aeronáutica) ou das polícias Militar e Federal, foram sendo trazidos à luz, embora vários tivessem sua legitimidade questionada.
Também surgiram relatos dos comandantes da guerrilha, como o "diário do velho Mário". Mário era o nome de guerra de Maurício Grabois, o mais importante e experiente militante comunista presente no Araguaia. O diário, no entanto, era apenas uma cópia reescrita por suboficiais a mando de um dos chefes do Exército - o manuscrito original teria sido incinerado. Embora seja um documento importante, carece de análise aprofundada e de cruzamento de informações para que se ateste sua veracidade. Como documento histórico, só terá validade se o manuscrito original aparecer.
De qualquer forma, esses documentos ajudam a montar o violento mosaico que significou a ação militar até o processo final de limpeza da área, em 1975, quando os corpos dos guerrilheiros foram retirados dos lugares onde haviam sido mortos ou enterrados - outra tentativa, assim como o silêncio imposto à população local, de apagar qualquer vestígio da existência do conflito.
Informações importantes também têm sido obtidas por meio de moradores da região, desde que a juíza Solange Salgado determinou a busca dos corpos dos guerrilheiros e desde que o Ministério da Defesa organizou o Grupo de Trabalho Tocantins, em 2009. Mas hoje, quase quatro décadas depois, quais seriam as consequências desses depoimentos e do aparecimento dos documentos?
Sepultamento
Além de facilitar as pesquisas sobre o assunto baseando-se em documentos, mesmo com eventuais erros e desinformações, essas pistas nos ajudam a entender a estratégia dos militares e sua visão do desafio que tinham pela frente. Assim, podemos comparar essa visão com a opinião expressa pela organização de esquerda que organizou a guerrilha, mais difundida.
A abertura de arquivos e a publicidade de toda a documentação corresponde ainda a um direito que nós, historiadores, temos de registrar fatos importantes das lutas do povo brasileiro. Corresponde, mais que isso, ao direito que as famílias daqueles que morreram têm de saber o que aconteceu com seus parentes, qual seu paradeiro ou o de seus restos mortais.


Lista abaixo reúne integrantes conhecidos que morreram na Guerrilha do Araguaia. Nos parênteses seus codinomes.


Maurício Grabois (Mário) (1912-1973) - Membro da cúpula do PCdoB, integrante da Comissão Militar do Partido e comandante-em-chefe dos guerrilheiros do Araguaia. Foi morto numa emboscada na selva em dezembro de 1973. Seu corpo nunca foi encontrado e sua morte jamais admitida pelo Exército. É dado como desaparecido.

Ângelo Arroyo (Joaquim) (1928-1976)- Membro da cúpula do PCdoB e militante comunista desde 1945, foi um dos líderes da guerrilha, integrante da Comissão Militar. Foi um dos dois únicos guerrilheiros que escaparam vivos do Araguaia, depois da última campanha militar que exterminou a guerrilha, fugindo a pé para o Piauí atravessando a selva e dali para são Paulo. Foi fuzilado em dezembro de 1976 por agentes do Doi-Codi numa casa no bairro da Lapa, em São Paulo, onde se realizava uma reunião do Comitê Central do PCdoB, no episódio conhecido como Chacina da Lapa.

Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão) (1938-1974) - O mais carismático e temido guerrilheiro do Araguaia, negro, forte, 1,98m e ex-campeão carioca de boxe, considerado mítico pelos moradores do Araguaia, foi morto num encontro com uma patrulha militar em janeiro de 1974. Seu corpo foi pendurado num helicóptero e mostrado em sobrevoo pelos povoados da região. Decapitado, foi enterrado em lugar desconhecido. É considerado desaparecido político.

Líbero Castiglia (Joca) (1944-1974) - Italiano, foi o único estrangeiro que participou da guerrilha. Com treinamento militar na China, era ligado ao Destacamento A e fazia a segurança da comissão militar da guerrilha. Foi um dos primeiros militantes a chegar à região do Araguaia. É dado como desaparecido desde o ataque do exército ao comando guerrilheiro, no Natal de 1973.

André Grabois (Zé Carlos) (1946-1973) - Filho de Maurício Grabois e vivendo na clandestinidade desde os 17 anos por causa da perseguição ao pai, foi comandante do destacamento A da guerrilha. Morreu em combate junto a outros três guerrilheiros, durante tiroteio com patrulha do exército em outubro de 1973, após caçarem porcos-do-mato. Seu corpo nunca foi encontrado, é dado como desaparecido.

Bergson Gurjão Farias (Jorge) (1947-1972) - Ex-estudante de Química da Universidade Federal do Ceará, e subcomandante do Destacamento C da guerrilha, sob o codinome de 'Jorge', foi o primeiro guerrilheiro a ser morto em combate no Araguaia. Ferido a tiros de metralhadora numa emboscada, foi morto a golpes de baioneta dias depois numa instalação militar de Marabá em maio de 1972. Dado como desaparecido politico por trinta anos, seus ossos foram identificados por exames de DNA em 2009, após exumação do cemitério de Xambioá.

João Carlos Haas Sobrinho (Dr. Juca) (1941-1972) - Médico formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chegou ao Araguaia vindo do Maranhão onde morou com alguns dos principais líderes da guerrilha e atendia a população. Respeitado pelos caboclos locais pelo auxílio que prestava na área da saúde de Marabá e Xambioá, o comandante médico-militar foi morto em combate em 30 de setembro de 1972. Seu corpo nunca foi encontrado e é dado como desaparecido político.

Dinalva Oliveira Teixeira (Diná) (1945-1974) - Geóloga formada pela Universidade Federal da Bahia, popular no Araguaia como parteira e temida pelos militares pela coragem física e por ser exímia atiradora, foi a mais famosa das guerrilheiras, lendária entre os moradores da região. Única mulher a ser subcomandante de destacamento de combate, foi presa já no fim da guerrilha, em julho de 1974, e assassinada a tiros por agentes militares do CIEx. Seu corpo nunca foi encontrado e é dada como desaparecida.

Helenira Resende (Fátima) (1944-1972) - Ex-estudante de Filosofia da USP e vice-presidente da UNE, no Araguaia conquistou o respeito dos demais pela coragem física e determinação. Morreu em combate em setembro de 1972, metralhada nas pernas em troca de tiros com soldados do exército e morta à baioneta depois. O respeito que gozava no meio dos companheiros fez com que a partir de sua morte um dos destacamentos da guerrilha passasse a ter o seu nome.

Maria Lúcia Petit (Maria) (1950-1972) - Ex-professora primária, participou da guerrilha com os irmãos mais velhos. Morta em junho de 1972 numa emboscada, seus restos mortais foram identificados em 1996. Junto com Bergson Gurjão, são os dois únicos guerrilheiros mortos e identificados posteriormente. Foi enterrada em Bauru, São Paulo.

Dinaelza Santana Coqueiro (Mariadina) (1949-1974) - Ex-estudante de Geografia da PUC de Salvador, chegou o Araguaia em 1971 com o marido, Vandick Coqueiro e Luzia Reis. Integrante do destacamento C, foi executada por agentes do CIEx em abril de 1974, após ser vista presa na base de Xambioá. É dada como desaparecida.

Luzia Reis (Baianinha) (Jequié, 1949) - Ex-militante do movimento estudantil de Salvador, chegou ao Araguaia em janeiro de 1972 e fez parte do destacamento C. Primeira guerrilheira a ser presa, após uma emboscada, foi torturada na base de Xambioá e transferida para Brasília, onde cumpriu dez meses de prisão. Solta, abandonou a militância e o Partido. Vive em Salvador, aposentada do serviço público.

Glênio Sá (Glênio) (1950-1990) - Ex-aluno de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, chegou à guerrilha em 1970 e foi preso em 1972, traído por um camponês, depois de dois meses perdido na mata, após um tiroteio. Morreu em 26 de julho de 1990 num acidente de automóvel, quando fazia campanha para o senado no Rio Grande do Norte.

Suely Kanayama (Chica) (1948-1974) - Ex-estudante da Letras na USP, baixinha e magrinha, chegou ao Araguaia em fins de 1971 e passou a integrar o Destacamento B. Apesar da frágil compleição física, foi das que mais se adaptou à vida na selva e uma das últimas guerrilheiras a morrer. Audaciosa e com treinamento de tiro e sobrevivência na selva, cercada por uma patrulha do exército no início de 1974 recusou rendição, atirou ferindo um policial e morreu metralhada por mais de 100 tiros, fato que chocou até integrantes do Exército. Consta como desaparecida política.

Lúcia Maria de Souza (Sônia) (1944-1973) - Ex-estudante da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, deixou o curso no 4º ano devido às atividades políticas e entrou na clandestinidade. Participante do destacamento A, o episódio de sua morte é o mais célebre da história da guerrilha, onde feriu dois oficiais do exército antes de morrer, um deles o notório Major Curió. É oficialmente desaparecida política.

Adriano Fonseca Filho (Chico) (1945-1973) - Ex-estudante de Filosofia da UFRJ, chegou ao Araguaia em abril de 1972. Integrante do Destacamento B, foi morto a tiros por mateiros de patrulhas do exército em 3 de dezembro de 1973, na última fase das operações militares, quando caçava jabutis na mata para alimentação. Foi decapitado e enterrado em local desconhecido. Permanece como desparecido político.

Luiza Garlippe (Tuca) (1941-1974)- Ex-enfermeira do Hospital das Clínicas, chegou ao Araguaia com o companheiro Pedro Alexandrino (Peri). Integrou-se ao Destacamento B, na área da Gameleira e substituiu João Carlos Haas Sobrinho depois da morte deste, como comandante-médica. Presa em julho de 1974 junto com 'Dina', foi executada a tiros pelo CIEx.

Jaime Petit (1945-1973) - Engenheiro e irmão mais velho da família Petit. Em 1962 foi para Itajubá morar com o irmão mais velho, Lúcio, e ingressou, em 1965, no Instituto Eletrotécnico de Engenharia de Itajubá. Trabalhou como professor de Matemática e Física em colégios de Itajubá e Brasópolis, ambos em Minas Gerais. Participou do Movimento Estudantil, sendo eleito presidente do Diretório Acadêmico de sua faculdade em 1968. Esteve no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna, onde foi preso. Ainda em Itajubá, casou-se com Regilena da Silva Carvalho. Decapitado, seu corpo nunca foi encontrado. É dado como desaparecido político.

Lúcio Petit (Beto) (1943-1974) - Engenheiro e irmão do meio da família guerrilheira Petit, foi preso durante a aniquilação final da guerrilha no começo de 1974. Visto pela última vez amarrado a bordo de um helicóptero do exército, é dado como desaparecido político.

Antônio Carlos Monteiro Teixeira (Antônio da Dina) (1944-1972) - Geólogo baiano e militante do PCdoB, marido de 'Dina' - de quem se separou durante a guerrilha - chegou ao Araguaia em 1970 e integrou-se ao destacamento C. Conhecedor da mata, era o instrutor de orientação na selva dos militantes recém-chegados à região. Morto em combate em 21 de setembro de 1972, na primeira fase das operações anti-guerrilha.

Jana Moroni (Regina) (1948-1974) - Cearense, ex-estudante de biologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, chegou ao Araguaia em abril de 1971, com apenas 21 anos. Trabalhou como professora primária e agricultora. Casou-se na guerrilha com Nelson Piauhy (Nelito), dava aulas de tiro e fez parte do Destacamento A. Oficialmente desaparecida em 2 de janeiro de 1974 junto com mais dois guerrilheiros, foi vista presa e ferida na base militar em Bacaba.

Áurea Valadão (Elisa) (1950-1974)- Ex-estudante de Física da UFRJ, foi para a guerrilha com o marido Arildo Valadão em 1970, integrando o destacamento C. Aprisionada por mateiros a serviço dos militares no começo de 1974, doente, faminta e em farrapos, sua morte consta em relatório da Marinha como 13 de junho de 1974. É dada como desaparecida política.

Arildo Valadão (Ari) (1948–1973) - Ex-estudante de Física da UFRJ, onde conheceu a mulher, Áurea, chegou ao Araguaia em 1970 com a mulher, integrando o destacamento C. Foi assassinado e decapitado por um mateiro amigos dos guerrilheiros que se passou para o lado dos militares, em 23 de outubro de 1973. Seu corpo nunca foi encontrado.

Carlos Danielli (Antonio) (1929-1972) - Integrante do quadro dirigente do PCdoB, fazia a ligação entre a área rural e urbana do partido. Morreu sob torturas ao ser preso na OBAN em São Paulo, em 31 de dezembro de 1972.

Paulo Mendes Rodrigues (Paulo) - Economista e comandante do destacamento C, morreu em combate no dia de Natal de 1973 junto com o comandante geral da guerrilha, Maurício Grabois. Seu corpo nunca foi encontrado.

José Humberto Bronca (Zeca Fogoió) (1934-1974) - Ex-mecânico de aviões da VARIG no Rio Grande do Sul, foi um dos militantes do PCdoB enviado para treinamento de guerrilha na Academia Militar de Pequim. Chegou ao Araguaia em 1969, onde foi o vice comandante do destacamento B e depois integrante da Comissão Militar da guerrilha. Último integrante da CM a ser preso, delatado por um camponês a quem pediu ajuda, subnutrido e cheio de ulcerações provocadas por picadas de mosquitos, foi executado e dado como desaparecido em março de 1974.

Kleber Lemos da Silva (Carlito) (1942-1972) - Economista carioca, integrou o destacamento B. Emboscado com primeiro grupo a ser desbaratado pelas tropas do exército, pediu aos companheiros que o deixassem durante a fuga, impedido de caminhar por uma fístula de Leishmaniose na perna. Delatado por um camponês, foi preso pelos fuzileiros navais 26 de junho de 1972 e executado três dias depois. Seu cadáver foi fotografado e a foto divulgada anos depois. Seu corpo nunca foi encontrado e é dado como desaparecido.

Daniel Callado (Doca) (1940-1974) - Operário fluminense formado pelo SENAI, chegou ao Araguaia depois de morar em Rondonópolis, no Mato Grosso, onde era lanterneiro e craque do time de futebol da cidade. Fez parte do Destacamento C da guerrilha, que foi disperso pelos ataques militares em dezembro de 1973. Visto por moradores da região no começo de 1974, preso na base militar de Xambioá, onde era torturado a socos e pontapés por soldados comandados pelo Major Curió, desapareceu e seu corpo nunca foi encontrado. O relatório da Marinha registra sua morte como em 28 de junho de 1974.

Guilherme Lund (Luis) (1947-1973) - Carioca, formado pelo Colégio Militar e ex-estudante de arquitetura da UFRJ, no Araguaia integrou a segurança da Comissão Militar da guerrilha. Foi morto em combate contra tropas do exército com mais quatro guerrilheiros, incluindo o comandante geral Mauricio Grabois, no dia de Natal de 1973.

Maria Célia Correa (Rosa) (1945-1974)- Carioca, bancária e ex-estudante de Filosofia da UFRJ, chegou ao Araguaia em 1971 para se encontrar com o noivo, 'Paulo Paquetá' (que desertou sozinho da guerrilha em 73). Integrante do Destacamento A, perdeu-se da organização da guerrilha após combate em 2 de janeiro de 1974. Presa por um camponês quando procurava ajuda, foi entregue aos militares da base de Bacaba. Transportada de helicóptero para a mata depois de presa, foi metralhada com mais dois guerrilheiros. É dada como desaparecida.

Antônio de Pádua Costa (Piauí) (1943-1974) - Ex-estudante de astronomia na UFRJ, entrou na clandestinidade após ser preso no XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, 1968. Na guerrilha, atuou como subcomandante do destacamento A e comandante depois da morte de André Grabois. Após o confronto armado entre guerrilheiros e militares de 14 de janeiro de 1974, ele desapareceu junto com mais dois guerrilheiros. Mais tarde, foi preso na casa de um camponês que o traiu e obrigado a passar semanas guiando batedores do exército nas matas, até possíveis esconderijos de armas e mantimentos dos guerrilheiros. Executado após perder a utilidade, seu corpo nunca foi encontrado.

Divino Ferreira de Sousa (Nunes) (1942-1973) - Guerrilheiro com treinamento militar na China, foi um dos primeiros no Araguaia e integrou o Destacamento A. Ferido no tiroteio que matou outros três guerrilheiros em 14 de outubro de 1973, foi levado à Casa Azul, base militar dirigida pelo Major Curió no Araguaia, e executado.

(Lourival) (1946-1974) - Ex-estudante da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, cursou até o 3ª ano e participava do movimento estudantil. Chegou ao Araguaia com a mulher Telma Regina Correia (Lia) em 1971, e mais tarde a irmã, Maria Célia Correa, (Rosa) juntou-se a eles. Desaparecido da guerrilha após o ataque de Natal de 1973, foi morto na localidade de Carrapicho, segundo testemunhos de locais, no dia 14 de maio de 1974, segundo relatório da Marinha.

Tobias Pereira Junior (Josias) (1949-1974) - Ex-estudante carioca da Universidade Federal Fluminense, integrou o destacamento C da guerrilha. Entregou-se no fim de 1973 e passou semanas acompanhando os militares na localização de esconderijos de armas, munições e mantimentos. Desenhou mapas de localização e reconheceu fotografias. Mesmo auxiliando os militares depois de preso e torturado, foi assassinado em 14 de fevereiro de 1974.

Gilberto Olímpio Maria (Pedro) (1942-1973) - Jornalista e genro de Maurício Grabois, chegou à região no fim da década de 60 e morreu em combate junto com o sogro, no Natal de dezembro de 1973, durante encontro com patrulhas militares.

Antonio Guilherme Ribas (Ferreira) (1946-1973) - Ex-presidente da UPES (União Paulista de Estudantes Secundaristas), foi preso no XXX Congresso da UNE, em 1968, e cumpriu um ano e meio de prisão. Depois de solto, viveu alguns meses clandestino na Baixada Fluminense com José Genoíno e dali foi para o Araguaia. Integrante do destacamento B comandado por Osvaldão, foi morto em novembro de 1973, durante a última campanha militar na região. Seu corpo nunca foi encontrado e é dado como desaparecido político.

Rodolfo Troiano (Mané) (1950-1974) - Ex-estudante secundarista mineiro, filiado ao PCdoB, foi preso por participar de manifestações estudantis em 1969, cumprindo pena em Juiz de Fora. Depois de solto, em 1971 foi para o Araguaia e integrou o destacamento A da guerrilha. Morto em 12 de janeiro de 1974 segundo a Marinha, executado após ser preso, seu corpo nunca foi encontrado.

Pedro Alexandrino de Oliveira (Peri) (1947-1974) - Bancário mineiro, integrante do destacamento B. Morto com um tiro na cabeça em agosto de 1974, após ser encontrado sozinho na selva. Seu corpo foi transportado de helicóptero para a base de Xambioá, onde foi chutado e cuspido pelos soldados, o que causou a intervenção de um oficial da FAB ordenando que o inimigo fosse respeitado.

Telma Regina Correia (Lia) (1947-1974) - Ex-estudante de geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), de node foi expulsa em 1968 por sua atividades políticas, foi para a região do Araguaia em 1971, juntamente com seu marido Elmo Corrêa, e integrou o destacamento B. Foi presa e desapareceu em janeiro de 1974.

Luis Renê Silveira (Duda) (1951-1974) - Carioca e ex-estudante de medicina, chegou ao Araguaia com apenas 19 anos. Preso com a perna quebrada por tiro perto da base de Bacaba, desapareceu no início de 1974.
O mais novo.

Walkiria Afonso da Costa (Walk) (1947-1974) - Ex-estudante de Pedagogia na Universidade Federal de Minas Gerais, integrou o destacamento B e foi a última guerrilheira morta, fuzilada após ser capturada, em outubro de 1974. Sua morte encerrou a Guerrilha do Araguaia.

Vandick Reidner Coqueiro (João Goiano) (1949-1974) - Ex-estudante de economia baiano, chegou ao Araguaia com a mulher Dinaelza Coqueiro, a guerrilheira 'Mariadina'. Integrante do Destacamento B, foi o penúltimo guerrilheiro preso e executado pelo exército, em setembro de 1974.

José Piauhy Dourado (Ivo) (1946-1974) - Ex-estudante da Escola Técnica Federal da Bahia, era fotógrafo em Salvador até entrar na clandestinidade, junto com o irmão, Nélson. Combatente do destacamento C, não foi mais visto pelos guerrilheiros a partir de dezembro de 1973. Relatório sigiloso da Marinha registrou sua morte em 24 de janeiro de 1974. Seu corpo nunca foi encontrado.

Cilon Cunha Brum (Simão) (1946-1973) - Também conhecido como 'Comprido', era um ex-estudante de Economia da PUC-RS. Presidente do DCE da universidade, chegou ao Araguaia fugindo da repressão política. Não foi mais visto pelos companheiros depois de dezembro de 1973 e foi visto preso por mais de dois meses numa base militar na região de Brejo Grande. Dado oficialmente como desparecido, anos depois, foram descobertas e publicadas fotografias que mostravam 'Simão' preso, escoltado por militares, em algum lugar da mata do Araguaia, comprovando que morreu sob custódia de tropas federais. Seu corpo nunca foi encontrado.

Manuel José Nurchis (Gil) (1940-1972) - Ex-operário paulista, integrou o Destacamento B de Osvaldão e foi morto em combate em 30 de setembro de 1972, junto com João Carlos Haas Sobrinho e Ciro Flávio Salazar. Seu corpo nunca foi encontrado.

Uirassu de Assis Batista (Valdir) (1952-1974) - Estudante baiano, integrante do movimento secundarista e perseguido por sua atuação política, foi para o Araguaia e integrou-se ao Destacamento A. Preso com mais dois guerrilheiros no inicio de 1974, foi visto na base de Xambioá, algemado e mancando com a perna coberta por uma leishmaniose, sendo levado em direção a um helicóptero do exército. Desapareceu e seu corpo nunca foi encontrado.

Pedro Matias de Oliveira (Pedro Carretel) (? – 1974) - Posseiro do Araguaia que se juntou aos guerrilheiros, teve o último contato em 2 de janeiro de 1974. Foi visto amarrado numa base militar sendo levado para a mata. É dado como desaparecido político.

Rosalindo de Sousa (Mundico) (1940-1973) - Advogado baiano, chegou ao Araguaia em 1971 e era famoso na região pelos cordéis que fazia. Foi fuzilado pelos guerrilheiros após um julgamento por um 'tribunal revolucionário' dentro da mata, que o condenou por 'traição ideológica' e adultério.

João Qualatroni (Zebão) (1950-1973) - Ex-militante do movimento estudantil secundarista do Espírito Santo, integrou-se ao Destacamento A da guerrilha. Morreu em combate em 13 de outubro de 1973, aos 23 anos, vítima de uma emboscada junto com André Grabois e mais dois guerrilheiros.

Texto de Homenagem aos Jovens da Guerrilha do Araguaia,
e a todos Familiares dos Mortos e desaparecidos
durante a Ditadura Militar

A Guerrilha do Araguaia

Irmãos Pais e Amigos que Heroicamente ainda lutam por notícias e pela localização de onde deram sumiço nos corpos dos Heróis que levantaram a voz contra os Golpistas da Ditadura Militar, que Juraram defender a Nação e com as armas da Nação submeteram a População a uma nova ordem Injusta e desumana no Econômico, Político e Social. Jovens na sua maioria, que deram a vida diante de um poderio militar sem igual, na Selva Amazônica perseguidos e acuado, todo mundo sabia que os que fossem pegos vivos seriam executados friamente o que foi tristemente comprovado.
A Presença no Araguaia foi uma imensidão, as mulheres prestaram muitos serviços, todos se tornaram muito queridos, os exilados divulgavam no exterior. A Guerrilha do Araguaia que era de serviços humanitários de Saúde e Educação, diante da realidade de combates, se agigantaram e as mulheres deram um exemplo de coragem e combatividade que lembraram o povo Cabano em Belém, os Baianos em Itaparica e Salvador e Anita dos Farrapos, Pernambucanos de Guararapes, no Araguaia, enfrentaram um sacrifício sem igual numa repressão muito poderosa com os recursos usados no Vietnam. A Guerrilha é lembrada e esta em todo lugar.
Como disse João Amazonas: os ideais do Araguaia são eternos.

Fonte:
Livro:
Azuir Filho e Turmas: Do Social da Unicamp e, de Amigos e
Rocha Miranda, Rio, RJ e, de Mosqueiro, Belém, PA.
E no site: ( A Guerrilha do Araguaia )


Vassourinha

A saga de Vassourinha
Ele nasceu Mário Ramos de Oliveira em 16 de maio de 1923 em São Paulo, filho de Mauro Almeida Ramos e Teresa Dias de Assunção, dados colhidos de sua carteira profissional, único registro encontrado.
Estamos no fim dos anos 30 e o panorama é o seguinte: Com a revolução de 32, o Brasil sintonizava em busca de notícias de São Paulo. Encontraram a Record. Junto com as novidades do front, os ouvintes se depararam com um grupo de novos artistas, novas vozes. Outra revolução se instalou: essas novas vozes fez São Paulo começar a arranhar no título de “capital cultural do Brasil”, que até então pertencia ao Rio de Janeiro.
Na linha de frente do escrete paulistano vinham:
* Nelson Gonçalves (1919-1998),
* Isaura Garcia(1923-1993),
* Januário de Oliveira (1902-1963),
* Agripina (1918-1979),
* Alvarenga (1911 -1978) e Ranchinho (1912-1991).
De mansinho, vinha ele, Mário Ramos de Oliveira, ou melhor, Vassourinha.
Sua história daria um filme de sucesso caso nossos cineastas fossem espertos. Vassourinha foi descoberto por um redator de textos comerciais da Record, que dizia conhecer, da pensão onde morava, “um garotinho com muito ritmo, cantor e tocador de pandeiro”. Vassourinha, que então atendia pelo nome artístico de Juracy, tinha apenas 12 anos de idade, e começou na rádio trabalhando como contínuo de dia e cantor de noite. Aos 14, começou a fazer sucesso e a dedicar cada vez mais tempo à carreira musical. Foi quando a rádio achou melhor trocar o pseudônimo do guri.
A história desse apelido é que ele, como contínuo da rádio, fazia faxina e "cantava" enquanto varria a emissora. Isaurinha Garcia ouviu-o, sugeriu o nome de Vasourinha e passaram a formar dupla cantando profissionalmente.
Em 1938, Vassourinha teve sua chance de fazer sua 1ª gravação solo em um LP. Daí começou a fazer sucesso.
Seu maior sucesso foi "Emília"
............“Quero uma mulher, que saiba lavar e cozinhar...
............E de manhã cedo, me acorde na hora de trabalhar.
............Só existe uma e sem ela eu não vivo em paz
............Emília, Emília, Emília Não posso mais”.

Ainda no Rio, Vassourinha começou a padecer de uma doença degenerativa; retornou a São Paulo e faleceu dessa doença, que nunca foi bem esclarecida, em 3 de agosto de 1942, com apenas 19 anos.
Morreu uma das maiores revelações de todos os tempos da música popular brasileira. Partiu para o anonimato, não recebeu nem um pingo de reconhecimento que tiveram artistas do mesmo quilate, como Cartola e Nelson Cavaquinho.
Suas 12 gravações – reunidas em um LP da Continental em 1976 - foram relançadas recentemente em CD na coleção "Arquivos Warner".

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Gentileza

Frederico Oliva
É tão gentil e tão honesto o ar
de minha Dama, quando alguém saúda,
que toda boca vai ficando muda
e os olhos não se afoitam de a fitar.

Ela assim vai sentindo-se louvar
na piedosa humildade em que se escuda,
qual fosse um anjo que dos céus se muda
para uma prova dos milagres dar.

Tão afável se mostra a quem a mira
que o olhar infunde ao coração dulçores
que só não sente quem jamais olhou-a.

E quando fala, dos seus lábios voa
Uma aura suave, trescalando amores,
que dentro d'alma vai dizer: "Suspira!"

Dante Alighieri (1265-1321)
Tradução: Augusto de Campos

terça-feira, 2 de agosto de 2011

As grandes descobertas da Medicina

Medicina
Quadro no Louvre sobre Medicina
A medicina é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da saúde. Ela trabalha, num sentido amplo como:
  • o controle da saúde publica e ambiental,
  • a saúde animal, prevenção, controle,
  • erradicação e tratamento das doenças,
  • traumatismos ou qualquer outro agravo à integridade e bem-estar animais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde não é apenas a ausência de doença. Consiste no bem-estar físico, mental, psicológico e social do indivíduo. É um estado cumulativo, que deve ser promovido durante toda a vida, de maneira a assegurar-se de que seus benefícios sejam integralmente desfrutados em dias posteriores. Nesse contexto, diretrizes de organizações supra-nacionais compostas por eminentes intelectuais do globo relacionados à área de saúde estabeleceram um novo paradigma de abordagem em medicina. O santo patrono da Medicina é São Lucas.
1. Anatomia Humana
A anatomia Humana só começou a ser estudada na renascença. O médico belga Andreas Vesalius (1514-1564), considerado o “pai da anatomia moderna”. Foi o autor da publicação De Humani Corporis Fabrica, um atlas de anatomia publicado em 1543. Muito pouco havia sido descoberto sobre anatomia e fisiologia desde a Antiguidade, cujas descobertas foram baseadas na dissecação de animais. A falta de aulas práticas de anatomia na Universidade de Paris acabou levando Versalius, assim como Michelangelo, a frequentar cemitérios em busca de ossadas de criminosos executados e vítimas de praga.
2. A circulação sanguínea
William Harvey (1578-1657) foi um médico britânico que pela primeira vez descreveu corretamente os detalhes do sistema circulatório do sangue ao ser bombeado por todo o corpo pelo coração. Estudou Medicina na Universidade de Cambridge, onde, em 1602, se doutorou. Seus estudos inspiraram as ideias de René Descartes, que em sua "Descrição do Corpo Humano" disse que as artérias e as veias eram canos que carregavam nutrientes pelo corpo.
3. Grupos Sanguineos
Karl Landsteiner (1868-1943), imunologista e patologista austríaco, naturalizado americano, descobridor o fator sanguíneo Rh. Estudou medicina na Universidade de Viena. Por mais cinco anos estudou química em várias outras universidades europeias. Como um assistente de pesquisa no Instituto Patológico de Viena, descobriu as diferenças básicas dos diversos tipos sanguíneos humanos. Primeiro O, A e B, e um ano mais tarde, AB, criando assim o sistema de classificação sanguínea de Landsteiner ou sistema ABO. Foi professor de patologia na Universidade de Viena. No Rockefeller Institute for Medical Research, em New York City (1922), ele descobriu o fator sanguíneo Réus (Rh). Escreveu um livro The Specificity of Serological Reaction, (1936), um texto clássico da ciência da imunoquímica, e morreu em New York. Ganhou o Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia (1930) pela descoberta dos grupos sanguíneos humanos, o que desenvolver a transfusão de sangue como rotina médica.
4. Anestesia
O mérito da descoberta e divulgação do éter como primeiro agente anestésico é uniformemente atribuído ao dentista William Thomas Green Morton. E a data da “primeira” intervenção cirúrgica realizada com anestesia geral induzida pelo éter 16 de Outubro de 1846. Nesse dia, às 10 horas, no anfiteatro cirúrgico do Massachusetts General Hospital, em Boston, E.U.A., o cirurgião John Collins Warren realizou a extirpação de um tumor no pescoço de um jovem de 17 anos, chamado Gilbert Abbott. O doente foi anestesiado com éter pelo dentista William Morton, que utilizou um aparelho inalador inventado por ele. A cena não foi fotografada porque o fotógrafo sentiu-se mal ao presenciar o ato cirúrgico. Mais tarde foi reproduzida num quadro do pintor Roberto Hinckley, pintado em 1882. Morton, que praticara com sucesso extrações dentárias sem dor, com inalação de éter, antevira a possibilidade da cirurgia sem dor e obtivera autorização para uma demonstração naquele Hospital. Um jovem médico de 27 anos chamado Crawford Williamson Long. Nessa altura, alguns dos efeitos particulares do éter já tinham sido notados nos EUA, tendo-se popularizado em festas ou reuniões, denominadas “ether frolics” ou “ether parties”, durante as quais a inalação.
5. A Descoberta dos Raios X
Os raios X foram descobertos em 8 de novembro de 1895, quando o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen realizava experimentos com os raios catódicos. Raios X são basicamente o mesmo que os raios de luz visíveis. Ambos são formas de ondas de energia eletromagnética carregadas por partículas chamadas fótons. A máquina de raios-X foi eleita a melhor invenção, numa votação promovida pelo Museu de Ciências de Londres. Este aparelho ganhou dez mil dos 50 mil votos que o museu recebeu nesta eleição que propunha aos eleitores refletirem sobre o impacto das invenções ao longo dos tempos. Andy Adam, presidente do Royal College of Radiologists, mostrou-se satisfeito com o resultado, pois considera que este mecanismo revolucionou a Medicina. "A tecnologia na radiologia avançou tanto que estamos prestes a chegar à era do paciente transparente”, afirmou.
6. Teoria dos Germes
Até o século XIX os médicos não lavavam as mãos após mexer em cadáveres e isso transmitia germes. Muitas pessoas morreram, principalmente mulheres após o parto. O médico húngaro Ignaz Philipp Semmelweis (1818-1865), foi o primeiro a mostrar evidências claras sobre o processo de transmissão dos germes, principalmente a infecção hospitalar. Sugerindo lavar bem as mãos após cada procedimento. Em 1847, o jovem químico Louis Pasteur, com apenas com 26 anos de idade começou a trabalhar com pesquisas e ampliou a ideia da higienização na prevenção de doenças.
7. Vacinação
A vacina é produzida com o vírus atenuado ou morto. Este produto é injetado em pequena quantidade no paciente. O corpo reage ao vírus, e vai criando novos anticorpos adaptados ao vírus e quando a doença chega, determinada a atacar, o corpo já tem sua defesa. O problema é que as vezes o vírus sofre mutações genéticas e novas vacinas devem ser criadas nos dias de hoje. O criador da primeira vacina, contra a varíola, foi Edward Jenner. Em 1796 Jenner observou que as vacas tinham nas tetas feridas iguais às provocadas pela varíola no corpo de humanos. Os animais tinham uma versão mais leve da doença, a varíola bovina. Ao observar que as moças responsáveis pela ordenha, que comumente acabavam infectadas pela doença bovina tinham uma versão mais suave da doença, ficando imunizadas ao vírus humano, ele recolheu o líquido que saía destas feridas e o passou em cima de arranhões que ele provocou no braço de um garoto, seu filho. O menino teve um pouco de febre e algumas lesões leves, tendo uma recuperação rápida. A partir daí, o cientista pegou o líquido da ferida de outro paciente com varíola e novamente expôs o garoto ao material. Semanas depois, ao entrar em contato com o vírus da varíola, o pequeno passou incólume à doença. Estava descoberta assim a propriedade de imunização. Jenner ficou mundialmente conhecido como sendo o inventor da vacina, mas parece não ter sido o primeiro de empregar a vacinação. Afirma-se que os chineses tenham desenvolvido uma técnica de imunização anteriormente à Jenner. Eles trituravam as cascas das feridas produzidas pela varíola, onde o vírus estava presente, porém morto, e sopravam o pó através de um cano de bambu nas narinas das crianças. O sistema imunológico delas produzia uma reação contra o vírus morto e, quando expostas ao vírus vivo, o organismo já sabia como reagir, livrando os pequenos da doença.
8. Vitaminas
O nome vitamina foi criado pelo bioquímico polonês Casimir Fuks em 1912, baseado na palavra latina vita (vida) e no sufixo -amina (aminas vitais ou aminas da vida). Em 1906, o bioquímico inglês Frederick Gowland Hopkins demonstrou a existência desses fatores acessórios nos alimentos, e em 1911, o químico polonês Casimir Funk descobriu na casca do arroz um "fator anti-beriberi" (que hoje sabemos ser a vitamina B6 ou niacinamida), que era capaz de corrigir a doença experimentalmente em animais e seres humanos. Como a substância era uma amina Em 1912, depois de várias pesquisas semelhantes, ambos pesquisadores propuseram a "hipótese da deficiência de vitaminas", ou seja, que várias doenças poderiam ser causadas pela falta de uma quantidade mínima dessas substâncias. Por meio de experimentos nos quais os animais eram desprovidos de certos tipos de alimentos, os cientistas conseguiram reproduzir em laboratório o raquitismo, o escorbuto e a pelagra, e assim foram capazes de isolar e identificar as vitaminas que conhecemos hoje. Esse foi um dos mais importantes progressos da medicina em todos os tempos. Ele levou à virtual erradicação de todas essas doenças, a partir da recomendação dos médicos que fossem suplementadas as vitaminas dos alimentos normalmente consumidos (por exemplo, leite), a adoção de dietas mais balanceadas, principalmente em alimentos ricos em certos tipos de vitaminas (os de gerações mais antigas ainda se lembram do famoso óleo de fígado de bacalhau, rico em vitamina D, e que eliminou do planeta a praga do raquitismo, que afetava muitíssimas crianças, principalmente no hemisfério norte). Posteriormente surgiram os suplementos vitamínicos na forma de cápsulas e drágeas, hoje amplamente consumidos.
9. Penicilina
A penicilina surgiu de um acidente com uma das experiências de Alexander Fleming; ela foi o marco inicial da era dos antibióticos e pôde diminuir expressivamente o número de mortes causadas por doenças infecciosas. Uma das mais poderosas armas da Medicina contra as infecções foi descoberta por acaso: no mofo de uma cultura de bactérias que estragou uma pesquisa. Alexander Fleming, bacteriologista do St. Mary's Hospital, de Londres, vinha já há algum tempo pesquisando substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias nas feridas infectadas. Essa preocupação se justificava pela experiência adquirida na Primeira Grande Guerra (1914-1918), na qual muitos combatentes morreram em consequência da infecção em ferimentos profundos. Fleming identificou o fungo Penicilium, donde deriva o nome de penicilina dado à substância por ele produzida. Fleming passou a empregá-la em seu laboratório para selecionar determinadas bactérias, eliminando das culturas as espécies sensíveis à sua ação. A descoberta de Fleming não despertou inicialmente maior interesse e não houve a preocupação em utilizá-la para fins terapêuticos em casos de infecção humana até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939. Em 1940, Sir Howard Florey e Ernst Chain, de Oxford, retomaram as pesquisas de Fleming e conseguiram produzir penicilina com fins terapêuticos em escala industrial, inaugurando uma nova era para a medicina - a era dos antibióticos. Alguns anos mais tarde, Ronald Hare, colega de trabalho de Fleming, tentou, sem êxito, "redescobrir" a penicilina em condições semelhantes às que envolveram a descoberta de Fleming. Após um grande número de experiências verificou que a descoberta da penicilina só se tornou possível graças a uma série inacreditável de coincidências, quais sejam: - O fungo que contaminou a placa, como se demonstrou posteriormente, é um dos três melhores produtores de penicilina dentre todas as espécies do gênero Penicilium; - O fungo contaminante teria vindo pela escada do andar inferior, onde se realizavam pesquisas sobre fungos; -O crescimento do fungo e dos estafilococos se fez lentamente, condição necessária para se evidenciar a lise bacteriana; - No mês de agosto daquele ano, em pleno verão, sobreveio uma inesperada onda de frio em Londres, que proporcionou a temperatura ideal ao crescimento lento da cultura; - A providencial entrada do Dr. Pryce no Laboratório permitiu que Fleming reexaminasse as placas contaminadas e observasse o halo transparente em torno do fungo, antes de sua inutilização. Apesar de todas essas felizes coincidências, se Fleming não tivesse a mente preparada não teria valorizado o halo transparente em torno do fungo e descoberto a penicilina.
10. Sulfa
As sulfonamidas são um grupo de antibióticos sintéticos usados no tratamento de doenças infecciosas devidas a microorganismos. Sulfonamida - O Primeiro Antibiótico eficaz a ser utilizado Em 1935, Domagk, médico alemão, conseguiu sintetizar o prontosil, a primeira sulfa com possibilidade de uso terapêutico. A partir de 1940, um número elevado de derivados foi obtido — mais de 6 mil em poucos anos —, ampliando em muito o arsenal de agentes antimicrobianos. Sulfas com efeito diurético, predominante, foram também obtidas e são de uso corrente na terapêutica atual.
11. Insulina
Em 1921, os pesquisadores canadenses Frederick Banting e Charles Best isolaram a insulina em pâncreas animais, usada pela primeira vez com sucesso em 1922 por Leonard Thompson, de 14 anos. Desde então, os progressos feitos na purificação do medicamento foram ininterruptos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A salvação opera nos abismos

Maxfield Parrish
A salvação opera nos abismos
na estação indescritível,
o gênio mau da noite me forçava
com saudade e desgosto pelo mundo.
A relva estremecia
mas não era para mim,
nem os pássaros da tarde.
Cães, crianças, ladridos
despossuíam-me.
Então rezei: salva-me, Mãe de Deus,
antes do tentador com seus enganos.
A senhora está perdida?
Disse o menino,
é por aqui.
Voltei-me
e reconheci as pedras da manhã.

Adélia Prado