quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Crucificação – Terrorismo de Estado
Não se pode entender o significado da crucificação se ignorarmos o fato de que seu principal objetivo era o de comunicar horror. Era comunicar às pessoas o seguinte: “Nem tente me desafiar ou você também vai acabar dessa maneira”.
Quando se fala em crucificação, a palavra remete imediatamente a Jesus. Mas, ao contrário que muitos pensam, essa forma de assassinato, altamente aperfeiçoada pelos romanos, está longe de ser algo exclusivamente ligado a Jesus.
Seu uso através da história foi muito frequente e sua origem remete a muito tempo antes de Cristo.
A primeira evidência desse tipo de prática data do tempo do rei assírio Salmanasar, século IX a.C. O império assírio foi um dos impérios mais cruéis possivelmente enfrentados por Israel. As torturas assírias incluíam a empalação ou empalamento. uma forma primitiva, ou a primeira forma de crucificação.
Crucificação é um termo geral para qualquer exposição de um criminoso numa cruz, numa árvore ou num mastro como na empalação. O aspecto chave é que os criminosos são levantados e expostos ao público.
A empalação já trazia as primeiras características dos mecanismos de sofrimento e de horror às vítimas. Somava a incapacidade de respirar ou de se mexer a uma dor alucinante durante o processo todo.
Em 332 a.C. o rei da Macedônia, Alexandre O Grande, usou punição similar sobre o povo de Tyro. Alexandre sitiou Tyro durante sete meses. Seu exército matou 10.000 pessoas e mais 2.000 foram crucificadas. As vítimas foram penduradas em estacas ao longo da costa mediterrânea.
A maioria dos estudiosos acredita que foi Alexandre quem fez uma transição entre a empalação assíria e a crucificação romana.
Chega o primeiro século a.C. e a crucificação se tornou uma das grandes armas do império romano. Sua prática era geral e disseminada e se tornaram mestre na arte da crucificação.
Com os romanos a crucificação assumiu novas formas, que aumentaram o sofrimento e a humilhação. Os historiadores creditam aos romanos a primeira crucificação em uma cruz de fato.
Os romanos costumavam crucificar cidadãos não-romanos que ameaçavam a paz, escravos desobedientes, desordeiros de todos os rebeldes. A tendência era que o criminoso que merecia esse tipo de execução fosse um inimigo do Estado. Em geral ninguém era crucificado por roubar um filão de pão, mas por crimes bem maiores.
Uma das mais conhecidas estórias de múltiplas crucificações de seu em 71 a.C., quando um ex-gladiador chamado Spartacus liderou um exército de 120.000 escravos revoltosos contra Roma.
Spartacus expôs os romanos a uma série de derrotas humilhantes.
Quando os romanos finalmente derrotaram o exército de Spartacus, 6.000 rebeldes foram crucificados ao longo da Via Ápia. Seus corpos formaram uma linha de 200 quilômetros de comprimento, de Cápua até Roma.
No ano 4 d.C., depois da morte de Herodes O Grande, os cidadãos da Judéia se revoltaram contra o julgo romano. As legiões romanas marcharam pela Judéia para esmagar a revolta. Cidades foram arrasadas. Judeus foram vendidos como escravos. Cerca de 2.000 revoltosos foram crucificados.
Chega o ano 33 d.C. e já havia na Judéia uma longa estória de crucificação de supostos profetas e pretendentes a Messias. A mais conhecida crucificação desse tipo nós conhecemos. Mas estaria longe de ser a última…

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