sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Antigamente dormia-se duas vezes por noite

Isabel Guerra
Dormir três horas, descansar três e
depois dormir outras seis era a norma antes do século XIX.
Dormir oito horas é a norma e o "correto" todos nós sabemos. Por mais adquirido que isso pareça, não era, de todo o habitual antes do século XIX. É isso que nos revela o professor de história da Virgina Tech, Roger Erkich, cuja pesquisa o fez chegar à conclusão que antes se dormia duas vezes por noite.
Em vez das oito horas num só bloco, os nossos antepassados dormiam em duas fases num perído mais longo, geralmente de 12 horas, que se dividia em três horas iniciais de sono, três de descanso e seis a dormir até de manhã.
As referências estão espalhadas ao longo da literatura e documentos da época e para Roger Erkich, o mais surpreendente é perceber que "esse comportamento era o mais habitual e disseminado por todas as classes", de acordo com o "Slumber Wise".
O período entre os 'dois sonos' era utilizado para as mais variadas atividades - ler, escrever, brincadeiras, entre outras -, sem sair da cama, e era visto com grande reverência por algumas das mentes mais famosas da época, como o poeta inglês Chaucer, por exemplo.
De acordo com Roger Erkich, a prática terá desaparecido com o advento da iluminação elétrica, primeiro nas ruas e, mais tarde, nas casas, bem como o aparecimento dos primeiros cafés noturnos. Novidades que serviram para que a noite deixasse de ser vista como altura perfeita para crimes, e passasse a ser olhada como altura de socialização.
Surpreendentemente, alguns dados científicos apontam para a tendência natural de dormir duas vezes por noite. De acordo com Russell Foster, especialista em neurociência da universidade de Oxford, a ocorrência comum de acordar durante a noite expressa a 'vontade' do nosso corpo em experimentar o padrão de dois períodos no escuro.
Já um estudo sobre os efeitos da luz nos padrões de sono realizado nos anos 90 por Thomas Wehr, apresentou resultados que indicam que passado um período de habituação sem luz elétríca, o corpo acabava naturalmente por assumir os "dois sonos por noite".
Ainda assim, não é cientificamente seguro que este padrão seja melhor para a nossa saúde do que as oito horas a que agora estamos habituados, uma vez que parece estar intimamente relacionado com a maior falta de luz que existia antes da propagação das eletricidade.

Fonte:
Jornal Expresso: ( Mudanças nos hábitos de dormir )

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