terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Violeta Lopiz
[...]
― Difícil de entender, me dizem, é sua poesia;
o senhor concorda?
― Para entender nós temos dois caminhos: o da
sensibilidade que é o entendimento do corpo; e
o da inteligência que é o entendimento do
espírito.
Eu escrevo com o corpo
Poesia não é para compreender, mas para
Incorporar
Entender é parede; procure ser uma árvore.
[...]
Meu olho perde as folhas quando a lesma
A gente comunga é sapo
Nossa maçã é que come Eva
Estrela é que tem firmamento
Mas se estrela fosse brejo, eu brejava.
[...]
― E como é que o senhor escreve?
― Como se bronha.
E agora peço desculpas
Estou arrumado para pedra.

Manoel de Barros
in: Arranjos para Assobio.

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