segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Dia da Bandeira

O Dia da Bandeira foi criado no ano de 1889, através do decreto lei número 4, em homenagem a este símbolo máximo da pátria.
A Pátria - Pedro Bruno
A Pátria, título do quadro produzido em 1919, pelo pintor brasileiro Pedro Bruno, que sem sombra de dúvidas é uma das telas mais belas do nosso acervo artístico. Dotada de uma grande riqueza de conteúdo histórico, o quadro procura representar o sentimento patriótico, bem como, a esperança e credibilidade depositados na República, sistema político implantado no Brasil em 15 de novembro de 1889.
Sendo assim, quais seriam os elementos simbólicos presentes neste quadro que precisaríamos destacar para bem entendermos a sua mensagem?
Para começar, não posso deixar de brevemente comentar, que não é possível abordar o tema “Proclamação da República no Brasil”, sem realizar o embate ideológico entre dois sistemas políticos que perpassam por nossa história: a MONARQUIA, que vigorou no Brasil entre os anos de 1822 a 1889 e a própria REPÚBLICA, que implantada em 1889, embora tenha sofrido ao longo da história períodos de interrupções, perdura até os dias atuais em nosso país. Este embate se faz presente na imagem acima de forma simbólica, portanto, é preciso ter em mente que, historicamente falando, o sistema monárquico sempre esteve associado à figura masculina. Isto pode ser muito bem exemplificado na postagem de número 2 deste Blog, quando tratamos sobre O Leviatã de Thomas Hobbes. Por outro lado, após a Revolução Francesa, o sistema republicano tem sido fortemente representado pelo elemento feminino, em sinal do contraditório entre os dois sexos e consequentemente entre os dois sistemas. Como exemplo, temos a Marianne, figura alegórica que representa a República Francesa. É justamente desta linha de raciocínio que partiremos para a análise de A Pátria:
Se observarmos no canto superior direito da tela, notaremos a presença de um velho sentado e que até aparenta ser o único elemento masculino da cena. Nele está representado o sistema monárquico, nos dando a ideia de ultrapassado, de atraso, de arcaico, etc. e como quase nem dá pra vê-lo, podemos afirmar que é como se ele estivesse saindo de cena, o que de fato acontecera quando em 1889 a República fora implantada no Brasil.
Em oposição ao velho (monarquia), destaca-se no cenário as mulheres (república) que tecem a nova bandeira brasileira, ou seja, que constroem a nova pátria. Nesse sentido é de suma importância ressaltar que a simbologia da mulher está estritamente condicionada à representatividade do sistema político, no caso a REPÚBLICA, e não à sua participação política de fato, o que não havia naquela época.
Também notamos a presença de crianças na cena, e estas simbolizam o “nascimento” da nova pátria. Chamo a atenção para três delas, a primeira (à esquerda) mama tranquilamente ao colo da sua mãe que está coberto com uma parte da bandeira, a segunda criança (ao centro) apresenta-se de pé abraçando a bandeira e a terceira (à direita) aparece ao chão, deitada, brincando com uma das estrelas que será costurada na bandeira. Indiscutivelmente, podemos afirmar que a bandeira é o elemento de destaque no quadro e por isso é mostrada como objeto de amor, de devoção: “ela é abraçada, ela protege e abriga os seus filhos.” Este é o sentimento patriótico que deveria brotar no coração dos brasileiros segundo os republicanos.
Além disso, a maternidade é um dos elementos simbólicos significantes da cena e deve ser associada a ideia de “terra mãe”, um dos sinônimos atribuídos a palavra pátria.
Para finalizar nossa análise, ainda podemos destacar dois aspectos importantes na cena: Ao fundo, temos um quadro de Tiradentes, que durante o período colonial e imperial foi fadado à condição de traidor e que após a implantação da república foi elevado à qualidade de herói nacional e ao lado deste mesmo quadro, outro de Marechal Deodoro da Fonseca, o proclamador e primeiro presidente do nosso sistema republicano.


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