quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Hypátia de Alexandria: Uma mulher além de seu tempo

Ao pensar sobre a necessidade de falar sobre o início da expansão feminina na sociedade, desde a antiguidade, onde apenas o homem tinha o direito de trabalhar e exercer cargos públicos, me senti obrigada a abordar a história de Hypátia.
Alfred Seifert - Hypatia
Na cidade de Alexandria no Egito, por volta do ano 370 D.C nasce uma mulher além de seu tempo: Hypátia de Alexandria. Filha do diretor do Museu de Alexandria, o filósofo, matemático e astrônomo Theón. Desde pequena, foi educada por princípios matemáticos e filosóficos no desejo de torná-la um ser perfeito. Acreditava-se no ideal grego de que mente e corpo deveria estar em perfeita harmonia de acordo com o ditado “mente sã em um corpo sadio” (“men sana in corpore sano”).
A cidade de Alexandria fundada por Alexandre da Macedônia, mais conhecido como Alexandre, O Grande, vivia uma época de grande ascensão cultural e ao mesmo tempo, vivia em conflito com o crescimento do poderio da Igreja Católica de um lado e as correntes filosóficas em contrapartida, que criticavam os preceitos da Igreja.
Nos seus relatos, Sócrates a descreveu como uma mulher que realizou grandes feitos na literatura e na ciência como nenhum outro filósofo antes na época. Transmitia seus conhecimentos filosóficos para quem quisesse ouvir e muitos vinham de longe só para ouvi-la. Destacou-se na escola de Platão de Plotino ao demonstrar desde cedo sua profunda sabedoria e para aprimorar ainda mais os seus conhecimentos, viajou para Atenas ainda jovem, tornando-se discípula na Escola de Plutarco, onde explanava os seus ensinamentos Neoplatônicos. Quando retornou a sua cidade natal, foi condecorada com a cadeira de professora na Academia de Alexandria pela qual se torna diretora aos 30 anos.
Uma mulher de conhecimento vasto que abrangia desde a Filosofia, passando pela Matemática, Astronomia, Religião, poesia e artes. Escreveu diversos livros relacionados a tratados de álgebra e aritmética, mecânica e tecnologia. Mas infelizmente, suas obras foram perdidas durante um incêndio na biblioteca de Alexandria, e o acesso aos seus escritos restringiu-se apenas, por suas correspondências.
Relatos de alunos como Hesíquio, o hebreu, a descreviam como uma mulher que fazia questão de transmitir seus conhecimentos andando pela cidade com um manto que é comumente utilizado pelos filósofos. Explicava para o povo, escritos de Platão, Aristóteles e qualquer outro filósofo que alguém a questionasse. Até os responsáveis pela administração da cidade a consultavam antes de tomar alguma decisão importante.
Hypátia lutava pelo pensamento livre numa época em que o Cristianismo tornava-se cada vez mais forte sobre o Paganismo em Alexandria, e as pessoas que tivessem pensamentos opostos, eram considerados hereges e perseguidos. Sua vida ainda estava a salvo no período em que seu ex-aluno Orestes, foi prefeito. Mas quando Cirilo se tornou o novo bispo da cidade, o movimento pagão foi reprimido violentamente e Hypátia, condenada a morte.
Quando voltava para casa em sua carruagem, numa tarde de 415 D.C, foi retirada a força por uma multidão de cristãos furiosos que a arrastaram para a Igreja. Chegando lá, foi brutalmente despida e esquartejada a sangue frio com cascas de ostras, que lhe feriam a carne e desmembravam os membros do seu corpo a cada novo golpe, sendo depois jogado ao fogo, sem dó nem piedade.
Ilustração de Hypátia sendo retirada de sua carruagem
Com requintes de crueldade, morre uma mulher que se destacou como nenhuma outra de sua época, por pregar a liberdade cultural e filosófica do pensamento, que estava no seu início, mas que logo foi brutalmente interrompida por uma doutrina religiosa. Hypátia morreu levando consigo toda a sabedoria de uma mulher que queria promover a liberdade de expressão para o seu povo, para sua cidade Alexandria. Um exemplo a nos mostrar que jamais devemos deixar de acreditar e lutar pelos nossos ideais.

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