quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Os pássaros cantarão nas árvores tão lindas
Quando eu passar
A estrada será boa e macia
Quando eu passar
A brisa virá delicada das matas
E trará o perfume de todas as flores silvestres
Quando eu passar
A tarde cairá meiga e consoladora
Pelos caminhos
Quando eu passar
Depois derramará sua luz triste e branca
Quando eu passar
E dos ermos virão as vozes da natureza
Contar histórias doces e estranhas
Quando eu passar
Mas eu não ouvirei o cantar dos pássaros
Nem verei a maciez dos caminhos
Nem a poesia da tarde
Nem o mistério da noite
Nem as vozes das coisas da natureza
Passarei indiferente a tudo
Indiferente à beleza de todas as coisas que me cercam
Porque virá comigo tua imagem
Meu amor.

Augusto Frederico Schmidt (1906-1965)

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