sexta-feira, 22 de julho de 2011

A casa do poeta Guilherme de Almeida

Um bom passeio nas férias ou durante o fim de semana é visitar a Casa Guilherme de Almeida, no Pacaembu em São Paulo. O local é considerado o primeiro museu-casa biográfico e literário da cidade; trata-se da antiga residência do poeta, tradutor, jornalista, crítico e advogado paulista Guilherme de Almeida e de sua esposa. Junto com seu diretor, o poeta Marcelo Tápia, percorremos as várias salas, repletas de obras de arte. O casal Baby e Guilherme se dava com Lasar Segall, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e toda a turma modernista, por quem foram retratados…
Guilherme de Almeida foi um dos princípais articuladores da Semana de 22
Um dos destaques da sala de estar é a peça em bronze criada por Brecheret, intitulada Sóror Dolorosa (mesmo nome de um poema de Guilherme) – exposta durante a Semana de Arte Moderna de 1922, no Theatro Municipal. Guilherme de Almeida foi editor da Klaxon, a revista porta-voz do movimento modernista, como nos conta Marcelo Tápia, ao nos guiar pela casa.
Guilherme de Almeida teve uma ação plural
Ele gostava de se dedicar à heráldica, a arte de fazer brasões e fez o de São Paulo e Brasília.
O museu-casa tem cerca de 5 500 livros que pertenceram ao poeta que dialogou com a vanguarda, que sempre foi antenado e é referência por sua vasta produção para a poesia brasileira. Ele foi jornalista, colunista e diretor da Folha de São Paulo. Atuou também como crítico de cinema e tradutor, sobretudo do francês.
Em sintonia com uma das principais atividades de Guilherme de Almeida, cujas traduções são consideradas exemplares pela crítica, aqui funciona um Centro de Estudos de Tradução Literária com cursos avançados de tradução e também, sessões de cinema com filmes comentados.
Entre os livros raros, Marcelo nos mostra um precioso volume em pergaminho, datado do século XVII, e um exemplar da quinta reimpressão da primeira edição de Ulysses, de James Joyce.
O museu abriga quadros e objetos que o poeta e sua esposa, Baby de Almeida, colecionaram durante uma vida. Merece destaque o conjunto de telas assinadas por pintores como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Gomide, Tarsila do Amaral e Samson Flexor. Além dos retratos diversos, por vários pintores, do casal, há também uma interessante cabeça de Baby esculpidada pelo suíço William Zadig, além de um busto do poeta feito por Joaquim Figueiras. Litografias de Rugendas, desenhos, aquarelas e iluminuras, de diversos artistas brasileiros, compõem os ambientes. Sem falar na vitrine extarordinária que atesta a amizade de dois poetas: Guilherme de Almeida e Oswald de Andrade.
A arquitetura da Casa foi mantida praticamente original permitindo ao visitante, uma rica experiência de imersão no universo do gosto e da abrangência cultural do poeta. Além de vermos como o casal vivia, há um belo acervo de arte para ser apreciado.
Você pode conhecer a habilidade do poeta tradutor Guilherme de Almeida, através da reedição dos Poetas de França, (editora Babel) obra de 1936 que apresenta uma ampla e diversificada mostra da produção de 31 dos mais importantes poetas franceses. A edição, bilingue da Babel, traz desde do medieval François Villon aos célebres Stéphane Mallarmé, Charles Baudelaire, Paul Verlaine e Paul Valéry.

Conhecendo pessoalmente ou não a Casa Guilherme de Almeida, você não pode deixar de ouvir o poema que ele fez sobre um assunto tão prosaico: a escada de sua casa que conduz ao piso superior, na voz do poeta Marcelo Tápia.
A escada de minha mansarda
“Íngreme, estreita, escura e curva
é a escada que sobe para minha mansarda.
Capaz de desanimar os velhos fôlegos cardíacos,
nunca, entretanto, intimidou meu já muito vivido
coração. Pelo contrário: leva-me leve, alado como
os anjos da escada de Jacó.
Jamais me arrependi de tê-la subido.
Sempre me arrependi de tê-la descido.
Porque é mesmo uma ascensão ir pelos seus degraus acima:
um desprendimento do rasteiro, numa ânsia de quietude,
isolamento e sonho, para o pleno ingresso nos meus Paraísos Interiores.”
Casa Guilherme de Almeida
Rua Macapá, 187, Pacaembu,
Fone: 3673-1883.
10h/17h (3ª e 5ª, só com agendamento prévio; fecha 2ª). Abre sábados.
Todas as visitas são orientadas e feitas em grupos de até quatro pessoas, com duração média de 30 min.
Entrada franca.

2 comentários:

Herbert Macário disse...

Muito interessante, não conhecia. Realmente uma boa dica.

Grato pelo comentário no “4 Portas”
Abraço
Herbert

Anônimo disse...

Amei seu blog e este post.

Beijo!

Araci