quarta-feira, 20 de abril de 2011

Todo amor é passageiro,
cobra oculta na folhagem.
Que bandeira me convida
a respirar outra aragem?

O mar arrasta o navio
à resplandecente margem.
A morte, por mais solene,
não passa de uma bobagem.

Entre a estiva e o sol raiante
vai a linguagem, produto
que não paga armazenagem.

Vaga, saga,chaga aberta!
Rumo a que matalotagem
me encaminha o céu deserto?

Lêdo Ivo (1924-2012)

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