sexta-feira, 11 de março de 2011

Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;

quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;

os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranquilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,

que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.

Artur Azevedo
(1855-1908)

Um comentário:

Henrique Rodrigues Soares disse...

Primeiramente o que você me pediu.

Você vai em configurações, clica em comentários, procura o termo BACKLINKS e escolhe exibir.

Vai aparecer.

Segundo belssima postagem.

Bjos!