domingo, 13 de janeiro de 2013

A cantiga que cantavas

Franz von Defregger
A cantiga que cantavas
não tinha acompanhamento
nem de nenhum instrumento
nem de outra voz, nem de vento,
nem de água em murmúrio vão.

Subia pura na noite.
Subia serenamente
fresca, simples, inocente,
para os astros, para a lua,
no seio da solidão.

Afora o canto que entoavas,
tudo era recolhimento
no vasto e perdido mundo.
Tudo era êxtase profundo.
Ao teu canto claro e lento,
tudo era deslumbramento.
Não havia voz de vento,
nem água em murmúrio vão.

Teu canto, no vasto mundo,
não tinha acompanhamento.

Tasso da Silveira (1895-1968)
Em: Antologia de poemas para a infância.

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