sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mariazinha Boccaletti

Campinas reverência Mariazinha Boccaletti (1913-1992), que vestiu nove entre as dez mais elegantes da cidade (e da região também) durante 60 anos.
Noivas, debutantes, atrizes, misses e socialites passaram pelo ateliê da modista. Mariazinha Lulu – o Boccaletti é do marido e Lulu, em árabe, significa pérola – parou de estudar aos 12 anos para aprender corte e costura. Era tão habilidosa que não usava moldes ou desenhos para confeccionar suas peças. “Vou pelo rumo”, dizia. E dava certo. Aos 16 anos, já fazia vestidos de baile.
Em 1958, ela recebeu o disputado prêmio Agulha de Ouro das mãos do estilista Denner Pamplona de Abreu. Os dois ficaram amigos e o costureiro a chamava carinhosamente de Maricota, apelido que combinava muito com Mariazinha, uma mulher baixinha, bem disposta e ágil.
Estudante escreve sobre a modista
"Quem mergulhou recentemente no universo da criadora de moda campineira foi Mariana Nogueira Motta, de 22 anos, autora do livro-reportagem Lulu – Mariazinha Boccaletti: 60 Anos de Moda, trabalho de conclusão do curso de jornalismo na PUC-Campinas. O que mais impressionou Mariana durante as pesquisas foi o fato de a modista ser uma mulher à frente de seu tempo. “Filha de árabes, sua mãe teve uma educação muito rígida na Líbia, mas não passou isso para Mariazinha. A menina teve a iniciativa de aprender a costurar e sempre cuidou dos próprios negócios. Ajudava também o fato de Julinho Boccaletti, seu marido, que era músico, apoiá-la em tudo”, conta".
Desfiles concorridos
Os desfiles que Mariazinha realizava no Tênis Clube e Cultura Artística eram muito disputados. Ela confeccionava de 60 a 70 modelos para essas ocasiões e contava com o auxílio das filhas Julmar e Maria Auxiliadora na organização. A pequenina senhora corria o tempo todo para que tudo desse certo e, em 1972, quebrou a parte de trás do ombro direito. O maquiador Warney e o cabeleireiro Ênio eram parceiros de Mariazinha nesses badalados eventos. Quem também frequentava o ateliê da campineira eram os cantores Aguinaldo Rayol e Cauby Peixoto.
Janete Trevisani

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ceticismo

Luis Ricardo Falero
Desci um dia ao tenebroso abismo,
Onde a Dúvida ergueu altar profano;
Cansado de lutar no mundo insano,
Fraco que sou, volvi ao ceticismo.

Da Igreja- A Grande Mãe- o exorcismo
Terrível me feriu, e então sereno,
De joelhos aos pés de Nazareno
Baixo rezei, em fundo misticismo:

- Oh! Deus, eu creio em ti, mas me perdoa!
Se esta dúvida cruel que me magoa
Me torna ínfimo, desgraçado réu.

Ah, entre o medo que o meu Ser aterra,
Não sei se viva para morrer na terra,
Não sei morra pra viver no Céu.

Augusto dos Anjos (1884-1914)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Poeminha

Basta uma flor,
basta uma asa
para saber que a primavera
entrou em nossa casa.

Albano Martins

Ruy Guerra

Claude Monet - Auf der Wiese
As flores rareiam nos campos
Não faz mal
Desfolharei um pavão
no jogo do malmequer
E qualquer que seja a resposta
muito, pouco, nada
darei uma gargalhada
pela vaidade dos homens e dos bichos.

Ruy Guerra

terça-feira, 2 de outubro de 2012

As Realidades da Alma

William Merritt Chase
É certo que o homem fala a si mesmo; não há um único ser racional que o não tenha experimentado. Pode-se até dizer que o mistério do Verbo nunca é mais magnífico do que quando, no interior do homem, vai do pensamento à consciência, e volta da consciência ao pensamento. (...) Diz, fala, exclama cada um consigo mesmo, sem que seja quebrado o silêncio exterior. Há um grande tumulto; tudo fala em nós, exceto a boca. As realidades da alma, por não serem visíveis e palpáveis, nem por isso deixam de ser também realidades.
Victor Hugo,
in 'Os Miseráveis'.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Haikai

Olha o velho lago –
Após o salto da rã
O barulho da água.

Matsuo Bashô (1644-1694

domingo, 30 de setembro de 2012

Caminho de Swann

Henry Ryland - Amendoeiras em Flor

“Possuía ela, para julgar as coisas que se devem ou não se devem fazer, um código imperioso, abundante, sutil e intransigente, com distinções imperceptíveis ou ociosas (o que lhe dava a aparência dessas leis antiga que, a par de prescrições ferozes como o massacre de crianças de peito, proíbem, com exagerada delicadeza, que se cozinhe o cabrito no leite de sua própria mãe ou que se coma ou que se coma o tendão de algum animal)” .
Marcel Proust, em " Caminho de Swann"
Tradução: Mario Quintana

sábado, 29 de setembro de 2012

Solidão

(John William Godward)
Quanto mais ando a procura de gente
mais me encontro sozinho no vago...
e eu nem sabia mais o montante
que queria, nem aonde eu extenso ia...
mas talvez o que sentia... Solidão!

João Guimarães Rosa (1908-1967)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Apontamentos

Jane Small
O deslizante cisne destas águas
nem simbolista nem parnasiano;
a tartaruga em si mesma trancada;
as rêmiges de fogo no viveiro;
o cris da areia em solas transeuntes;
o guarda que de inerte se assemelha
às árvores, e árvore é com sua farda;
o macaco brincando de ser gente;
a foto de jornal sobre o canteiro;
essa flor que nasceu sem dar aviso
nos ferros rendilhados do gradil;
a caixa envidraçada de empadinhas
e cocadas baianas logo à entrada;
o ver, em si, como ato de viver;
o perder-se e encontrar-se nas aléias,
no entrelaçar de curvas sombreadas,
de onde espero surgir alguma ninfa
sem que surja nenhuma (e continuo
procurando a metáfora do sonho);
o barquinho alugado por sessenta
minutos, e o perfume, que é gratuito,
de resinosos troncos tutelares
desta gentil paisagem recolhida;
uma cantiga - ó minha Carabu...
entoada à distância e logo extinta;
o torpor que a meu ser eis se afeiçoa
na vontade de relva, de reflexo,
de sopro, de sussurro me tornar;
a ausência de relógio e de colégio,
de obrigação, de ação, de tudo vão.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dia de Cosme e Damião

Fra Angelico – Cosme e Damião
Santos Cosme e Damião, os santos gêmeos, morreram em cerca de 300 d.C. Crê-se que foram médicos, e sua santidade é devida por exercer a medicina sem cobrar por isto. Sua festa é celebrada atualmente no dia 26 de setembro pela Igreja Católica, no dia 27 de setembro pelas religiões afro-brasileiras e no dia 1º de novembro pela Igreja Ortodoxa.
São Cosme e São Damião são santos católicos com grande receptividade entre as camadas afro-brasileiras do Recôncavo baiano.
São associadas aos Ibejís, divindades gêmeas do Candomblé. Apesar do catolicismo oficial venerar a figura de Cosme e Damião como santos adultos e que dedicaram a vida a praticar a medicina caridosa, os mesmos santos “correspondem” a entidades infantis nos cultos afros – brasileiros, e é justamente dessa maneira que Cosme e Damião são venerados pela maior parte de seus devotos: os santos meninos.
Pessoas devotas, crianças, católicos, pais-de-santo, babalorixás, vendedores ambulantes do souvenir dos santos, simpatizantes, toda essa gente devota segue em clara romaria até o bairro da Liberdade, precisamente á Paróquia dos Santos Cosme e Damião, no dia 27 de setembro. Durante todo o dia de São Cosme e São Damião, são várias celebrações com procissão, missas durante o dia e uma celebração do Cardeal á noite.
Nas comemorações são oferecidos caruru, vatapá, doces e pipoca para a vizinhança.

Oração a “Cosme e Damião”
Amados São Cosme e São Damião,
Em nome do Todo-Poderoso
Eu busco em vós a bênção e o amor.
Com a capacidade de renovar e regenerar,
Com o poder de aniquilar qualquer efeito negativo
De causas decorrentes
Do passado e presente,
Imploro pela perfeita reparação
Do meu corpo e de
(Dizer nome dos seus familiares)
Agora e sempre,
Desejando que a luz dos santos gêmeos
Esteja em meu coração!
Vitalize meu lar,
A cada dia,
Trazendo-me paz, saúde e tranquilidade.
Amados São Cosme e Damião,
Eu prometo que,
Alcançando a graça,
Não os esquecerei jamais!
Assim seja,
Salve São Cosme e Damião,
Amém!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Flores Azuis

Elizabeth Parsons
O livro se inicia com uma carta de amor escrita por um remetente anônimo que assina apenas como "A.", mas que se caracteriza como uma mulher que se separou e digere esse momento através da escrita. O livro é composto por nove dessas cartas, intercaladas com nove capítulos em que elas são lidas por Marcos, um arquiteto recém-separado. Inicialmente, as cartas foram endereçadas corretamente: o nome da rua, número do prédio e do apartamento, tudo confere, mas o destinatário está incorreto. Marcos mora nesse apartamento há apenas um mês e observa que esta primeira carta é dirigida a outro que não ele, mas sua curiosidade o leva a lê-la e, depois desse primeiro contato com essa remetente misteriosa, não consegue mais se distanciar. As cartas são escritas e deixadas em sua caixa de correio diariamente, do dia dezenove de janeiro ao dia 27 do mesmo mês. Marcos se envolve com essas cartas, com o conteúdo da escrita; elas causam um impacto devastador em sua vida, transformam-se em uma obsessão e fazem com que ele enxergue claramente as diferenças entre ele e a ex-mulher e suas idiossincrasias. As cartas o levam também a dispensar Fabiane, candidata à nova namorada e, finalmente, o fazem perceber aspectos importantes da sua personalidade. Através da leitura dessas cartas, Marcos descortina o que gosta e quer de uma mulher.
E, se fosse possível, um texto que não só explicasse as palavras, mas também guiasse a tua leitura. Ali, onde havia palavras simples, banais, leia algo extremamente belo, algo inesperado, para que você volte, para que você me ame e volte. Ou, mesmo que você não me ame, que essa leitura seja também uma forma de amor. E fique essa comparação, essa esperança.
Carola Saavedra in: Flores Azuis. Ed. Cia das Letras

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ar Vivo

Wilhelm Menzler Casel
Olhei e vi-te
À minha frente te vi na multidão
Entre os trigos eu te vi
Tu vi-te debaixo de uma árvore

No término da viagens que fiz
No fim de todos os meus tormentos
Ao dobrar de todas as gargalhadas
Quando emergia do fogo ao sair da água

No inverno eu te vi no verão
Na minha casa eu vi-te
Eu te vi nos meus braços
Nos meus sonhos eu vi-te

Não vou mais deixar-te.

Paul Éluard (1895-1952)
Tradução: Maria Gabriela Llansol

José Dirceu

José Dirceu de Oliveira e Silva
(Passa-Quatro, 16 de março de 1946)
José Dirceu em 4 fotos:
Com 19 anos, 22 anos e 25 anos
Atualmente.
Por que a mídia, principalmente a Globo, odeia o José Dirceu?
Pelos seguintes motivos:
1 - Foi Dirceu, quando Ministro da Casa Civil, (chefe do Gushiken), que deu a ideia de se regular as mídias. Criar uma Ley De Medios, e a Globo não perdoa.

2 - Foi Dirceu que acabou com a farra da Globo. Antes de Lula, toda a verba de publicidade do governo era dividida somente entre 499 veículos.

3 - E para cada R$ 1,00 de verba publicitária do governo, a Globo ficava com R$ 0,80 (80%).

4 - Dirceu redistribuiu a verba publicitária do governo entre quase 9.000 veículos. Antes eram só 499. Agora, Globo só recebe 16% do total.

5 - Foi ideia do José Dirceu criar o Ministério das Cidades que acabou com o poder dos coronéis locais. Oposição e velha mídia não perdoam.

6 - Foi Dirceu quem acabou com a farra dos livros didáticos que eram publicados pela Editora Abril e Fundação Roberto Marinho.

7 - Foi Dirceu que articulou e viabilizou a governabilidade do governo Lula.

8 - Foi Dirceu que BARROU Demóstenes de ser o Secretário Nacional de Justiça. Demóstenes e Cachoeira se juntaram para ferrar Dirceu.

9 - Por que Dirceu sofre perseguição do Ministério Público? Em 2004, foi ideia de Dirceu de se criar um controle externo sobre o MP.

10 - Por que Cesar Peluso não gosta de Dirceu? Márcio Thomaz Bastos indicou a Lula o nome de Peluso para o STF. Dirceu barrou. Márcio Thomaz Bastos forçou a barra.

11- Dirceu, quando Ministro Chefe Casa Civil, fechou as portas do BNDES à mídia: "dinheiro só para fomentar desenvolvimento, jamais pagar dívidas".

12 - Dirceu fez o BNDES parar de financiar as privatizações e deixar de ser hospital para empresas privadas falidas.

Fonte: Contexto Livre

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Serenidade

Rogelio de Egusquiza
Seremos sonhos
serenas sombras
sonoras somas
selvagens sinas.
Sem silêncios,
só sentimentos.
Sobrarão saudades.
Serenidades...
Ana Wagner

domingo, 23 de setembro de 2012

Primavera

A Primavera
Luc Olivier Merson
Lá vem ela
Pelas praças e jardins
Sorridente e bela
A primavera
Com as chuvas criadeiras
Resplandecendo nos canteiros
Alegrando as brincadeiras
Florescendo nos outeiros
Sua brisa já posso sentir
O aroma que trás lembrança
Perfume que envolve a alma
No colorido que da esperança
Estação que alegra os olhos
Estação que embeleza a terra
Estação que acalanta e revela
E inspira a escrita dos poetas
É tempo de ver as “borboletas”
É tempo de ouvir passarinhos
É tempo de luz que revela
A beleza da Primavera.

Claudia Liz