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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Da Solidão

John William Godward
Prove a solidão que cura,
Aplauda a solidão que inventa,
Escute a solidão que diz:
-Aquela é pra ti, aquela não é

Sinta a solidão dos seres,
Por um instante,
Firme o olhar nas estrelas
E então, apregoe a solidão dos astros

Banhe os olhos nas águas solitárias
Da Baía perdida

Alguém poderá escrever que um dia te
Viu ali
Banhando-te sozinho na solidão dos outros.
Experimente então a solidão que afaga,
que minimiza a mágoa
e recupera os ouvidos do coração

Faça apenas da solidão que muda
Que transforma tua alma translúcida
em paciência e compreensão.

Mas não precipite as coisas
Não preencha a solidão com mapas

Fite a solidão que ilumina
E lá do fim do arco-íris observe a solidão a
navegar

A solidão que se esquece aos olhos da
viração.

Marcos André Carvalho Lins

quarta-feira, 5 de março de 2014

Reflexão:

John William Godward
“E a vida passa... efêmera e vazia:
Um adiamento eterno do que se espera,
Numa eterna esperança que se adia...”.

Raul de Leoni (1895-1926)

domingo, 21 de outubro de 2012

Solidor

John William Godward
A dor, quando intensa
não tem boca nem ouvidos
não tem palavras
porque silêncio de um grito
não tem ruídos
porque grito do silêncio
a dor, quando intensa
é solidão
porque dói silêncio e grito.

Saddock de Albuquerque

sábado, 29 de setembro de 2012

Solidão

(John William Godward)
Quanto mais ando a procura de gente
mais me encontro sozinho no vago...
e eu nem sabia mais o montante
que queria, nem aonde eu extenso ia...
mas talvez o que sentia... Solidão!

João Guimarães Rosa (1908-1967)

sábado, 22 de setembro de 2012

Atitude

(John William Godward)
Rimar faz mal,
coitado do poeta,
que por qualquer razão,
quer ligar, rimar, juntar.

Prefiro versos soltos,
pequenos e grandes,
cheios de gentes,
cantantes, falantes, antes.

Porra! O que eu faço?
versos e rimas,
narro fatos.

Reflito o momento,
comento, assuntos assim,
não vejo essência,
em fazer versos pra mim.
Rodrigo Capella

terça-feira, 20 de março de 2012

Outono

Imagens de Outono.
Eugène Delacroix - (Francês,1798-1863) .
Evelyn Pickering De Morgan - (Britânico, 1855-1919).
Isaak Il’ich Levitan - (Russia, 1860-1900).
Nicolas Poussin - (Francês, 1594-1665).
John William Godward (Britânico, 1861-1922).
Jean-Léon Gérôme - (Francês, 1824-1904).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Paz quase impossível

John William Godward
Tudo é parede em torno, tudo é nada
e em vão martelo o crânio contra o muro,
os ladrilhos manchados da prisão,
o cárcere maldito, a solitária,
a cela-surda em que não sento ou deito,
mastigando os insetos do meu dia,
a palavra travada, a fala morta
no tubo amordaçado da garganta,
eu, Sísifo rolando a pedra bruta,
eu, Prometeu acorrentado e exposto
ao abutre infernal, eu, navegante
sem bússola ou sextante, remo ou vela,
eu, estrangeiro indesejado, eu, morto,
insistindo no jogo de estar vivo.

Reynaldo Valinho Alvarez