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segunda-feira, 12 de março de 2012

Trecho do livro

“O escritor escreve seu livro
para explicar a si mesmo
o que não pode ser explicado”.

Gabriel García Márquez
Ada Shirley Fox - Lesson in the Garden
“O mundo avança. É verdade, disse eu, avança, mas dando voltas em torno do sol. (…) Os adolescentes da minha geração, alvoraçados pela vida, esqueceram em corpo e alma as ilusões do futuro, até que a realidade lhes ensinou que o futuro não era como o sonhavam, e descobriram a nostalgia. Ali estavam as minhas crônicas dominicais, como uma relíquia arqueológica entre os escombros do passado, e aperceberam-se que não eram só para velhos, mas também para jovens que não tivessem medo de envelhecer”.
Gabriel García Márquez
(Nobel de Literatura em 1982).
In: Memória das Minhas Putas Tristes.
Editora Record.

sábado, 8 de outubro de 2011

A Desordem da Minha Natureza

Paul Cézanne
(...) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus noventa anos. Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prémio merecido de uma mente ordenada, mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, mas como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que não se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor não é um estado de alma, mas um signo do Zodíaco.
Gabriel García Marquez