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terça-feira, 14 de abril de 2015

Os libertinos: Condições políticas da libertinagem

Jean-Antoine Watteau - Prazeres do amor
Grupos de homens, unidos sob a mesma denominação de libertinos, apresentavam como característica comum a rejeição do cristianismo, na teoria e na prática, e a adoção de uma vida pagã ou de uma concepção pagã da vida. Continuavam os críticos racionalistas do Renascimento, Pomponazzi, Maquiavel e o principe dos céticos, Montaigne. Como eles, utilizavam os Antigos. A Antiguidade integral passara ao ensino. Um jovem encontrava nos autores latinos e gregos tudo o que era necessário à vida: moldava uma alma antiga e anticristã.
Tais homens afastavam-se do cristianismo em primeiro lugar devido aos maus costumes do clero, que os Estados recrutavam por motivos políticos: padres ignorantes que haviam esquecido até a fórmula da absolvição, freiras devassas, abadessas mundanas, prelados de vida pouco edificante, abades que eram crianças de peito, cônegos escolares, padres bêbados [...]. Um reformador dizia: "O que se faz de pior... passa-se entre os eclesiásticos". As controvérsias religiosas, as discussões de teólogos, ortodoxos e jansenistas, gomaristas e arminianos, trazidas a público e desprovidas amiúde de elementar caridade, enfastiavam. As guerras de religião desconsideravam e aviltavam a religião. Em nome de Cristo e do Evangelho, os homens injuriavam-se, caluniavam-se, semeavam a imundície em panfletos rancorosos, descomedidos, escandalosos, traíam, assassinavam. Acabava-se duvidando de que houvesse uma verdade religiosa e aos poucos insinuava-se a ideia de que a religião talvez fosse nefasta. As guerras civis e estrangeiras desbridavam a violência dos instintos e destruíam o respeito à religião. No curso das campanhas, as igrejas eram invadidas, os ornamentos roubados, os tabernáculos quebrados, os cibórios arrebatados, as hóstias profanadas. A vida dos acampamentos favorecia a vida dos sentidos, o abandono aos impulsos da carne, as pilhagens, as rapinas, os estupros. a galanteria, a bebida; afastava os homens de uma religião da pureza, que procurava derivar todos os poderes do indivíduo para o puro amor a Deus, para a santidade perfeita e imaculada.
Roland Mousnier (1907-1993)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Arcadismo

Jean-Antoine Watteau

O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo, surgiu no continente europeu no século XVIII, durante uma época de ascensão da burguesia e de seus valores sociais, políticos e religiosos. Esta escola literária caracterizava-se pela valorização da vida bucólica e dos elementos da natureza. O nome originou-se de uma região grega chamada Arcádia (morada do deus Pan).
Os poetas desta escola literária escreviam sobre as belezas do campo, a tranquilidade proporcionada pela natureza e a contemplação da vida simples. Portanto, desprezam a vida nos grandes centros urbanos e toda a vida agitada e problemas que as pessoas levavam nestes locais. Os poetas arcadistas chegavam a usar pseudônimos (apelidos) de pastores latinos ou gregos.

O Arcadismo no Brasil
No Brasil, o arcadismo chega e desenvolve-se na segunda metade do século XVIII, em pleno auge do ciclo do ouro na região de Minas Gerais. É também neste momento que ocorre a difusão do pensamento iluminista, principalmente entre os jovens intelectuais e artistas de Minas Gerais. Desta região, que fervia culturalmente e socialmente nesta época, saíram os grandes poetas.
Entre os principais poetas do arcadismo brasileiro, podemos destacar:
  • Cláudio Manoel da Costa (autor de Obras Poéticas),
  • Tomás Antônio Gonzaga (autor de Liras, Cartas Chilenas e Marília de Dirceu),
  • Basílio da Gama (autor de O Uruguai) ,
  • Frei Santa Rita Durão (autor do poema Caramuru) e
  • Silva Alvarenga (autor de Glaura).
    Características do Arcadismo:
    As principais características das obras do arcadismo brasileiro são:
  • valorização da vida no campo,
  • crítica a vida nos centros urbanos (fugere urbem = fuga da cidade),
  • uso de apelidos,
  • objetividade,
  • idealização da mulher amada, abordagem de temas épicos,
  • linguagem simples,
  • pastoralismo e
  • fingimento poético.