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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

↷ Soneto do coração destruído

George Romney
Havia um coração a ser construído
pelos cantos do mundo sacudido
havia uma paixão despedaçada
pelo choro do mar atravessada

Havia um sono sempre soluçado
e um copo d’água nunca derramado
e uma rua de sol sempre banhada
e uma noite de lua inacabada

Havia um ser de pregos trespassado
e uma clareira em meio ao mar irado
e um grito por espasmos dividido

E nos espinhos rosa concentrada
e nos passeios rosa desfolhada
e nas esquinas coração destruído.
Odylo Costa Filho (1914-1979)

domingo, 27 de novembro de 2011

↷ Poesia

“… nos olhos me levais alma e sentidos…”
Luís de Camões
Richard Franklin - Adonis' Dream
“Dois livros, três pinturas, quatro flores”,
pedia Lopes para ser feliz:
Não falou de riquezas nem de amores.
Esse pouco de pobre - não mais - quis.

Castos delírios de espanhol asceta...
Passaram quatro séculos, e um dia
Gabriel Celaya, também grande poeta,
jurou por Deus que nada mais queria.

Temos, porém, pai, mestre e capitão,
no soldado fortíssimo, que disse
a uns olhos entregar alma e sentidos.

De coisa alguma havemos precisão.
Livros, quadros e flores, que doidice!
Basta-nos ser de um só Amor providos.

Odylo Costa Filho (1914-1979)