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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Trechos de Literatura

Os mais belos trechos da História da Literatura
Claude Lorrain
Autor:
Obra
Trecho
Antoine de Saint-Exupéry
O Pequeno Príncipe
“Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz”.
Gabriel García Márquez
Cem Anos de Solidão
“Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.
Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias”.
Jane Austen
Orgulho e Preconceito
“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa”.
José Mauro de Vasconcelos
Meu Pé de Laranja Lima
“Matar não quer dizer a gente pegar revolver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu”.
Anne Frank
O Diário de Anne Frank
“É difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles, porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são realmente boas de coração”.
J. D. Salinger
O Apanhador no Campo de Centeio
“O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: ‘Muito prazer em conhecê-lo’ para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo”.
Johann Wolfgang von Goethe
Os Sofrimentos do Jovem Werther
“É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o pouco de tempo livre que lhe resta pesa-lhe tanto que busca todos os meios possíveis para livrar-se dele. Oh, destino dos homens!”.
Fernando Sabino
O Encontro Marcado
“De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro”.
Hermann Hesse
Demian
“Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas”.
Vladimir Nabokov
Lolita
“Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita”.
George Orwell
A Revolução dos Bichos
“Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco”.
Arthur Conan Doyle
Sherlock Holmes
“Eu sou um cérebro, Watson. O resto é mero apêndice”.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Parêntese

Giorgio de Chirico
O homem ainda vive mais de afirmação do que de pão.
Ver e mostrar, mesmo isso não basta. A filosofia deve ser uma energia; deve ter por esforço e efeito melhorar o homem. Sócrates deve penetrar em Adão e produzir Marco Aurélio; em outras palavras, fazer sair, do homem da felicidade, o homem da sabedoria. Transformar o Éden em Liceu. A ciência deve ser um cordial. Gozar, que triste objetivo, que mesquinha ambição! O irracional goza! Pensar, este é o verdadeiro triunfo da alma. Estender o pensamento à sede dos homens, dar-lhes, a todos, como elixir, a noção de Deus, fazer neles fraternizar a consciência e a ciência, torná-los justos por meio desse misterioso confronto, essa é a função da filosofia real. A moral é um desabrochar de verdade. Contemplar leva a agir. O absoluto deve ser prático. É preciso que o ideal seja respirável, potável e comestível pelo espírito humano. O ideal é que tem o direito de dizer:
Tomai, essa é a minha carne, esse é o meu sangue. A sabedoria é uma comunhão sagrada. É com essa condição que ela cessa de ser um estéril amor da ciência para se tornar o modo único e soberano da união humana, e que de filosofia, é promovida a religião.
A filosofia não deve ser uma sacada aberta para o mistério com a finalidade de contemplá-lo à vontade, sem outro resultado que não seja cômodo para a curiosidade.
Quanto a nós, adiando para outra ocasião o desenvolvimento de nosso pensamento, limitamo-nos a dizer que não compreendemos nem o homem como ponto de partida, nem o progresso como finalidade sem estas duas forças que são os dois motores: crer e amar.
O progresso é o objetivo, o ideal é o tipo.
O que é o ideal? É Deus.
Ideal, absoluto, perfeição, infinito, palavras idênticas.
Victor Hugo (1802-1885)
in 'Os Miseráveis' - Livro VII, Cap. VI

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Decameron

Primeiro Livro Realista da Literatura
John William Waterhouse - The Decameron
A estrutura do Decameron, obra-prima de Boccaccio, é composta de cem contos e novelas.
A Primeira Jornada começa por uma descrição dos efeitos da Peste Negra nas cidades, e assim justifica a razão para o encontro casual, em pleno campo, dos dez jovens de Florença, que darão voz às histórias.
Eles se dirigem para um local, a duas milhas da cidade, onde encontram um palácio curiosamente vazio e arrumado, dotado de excelente adega. Ali será o palco de o Decameron.
Eleita Pampinéia para dirigi-los na primeira noite de histórias, esta principia dando ordens aos criados de cada um, dividindo as tarefas para o bom andamento das jornadas.
O "papel" principal de cada Rei ou Rainha é o de determinar a temática das estórias a serem narradas.
Decameron: – vocábulo com origem no grego antigo: deca, "dez", hemeron, "dias", é uma coleção de cem novelas escritas por Giovanni Boccaccio entre 1348 e 1353. A obra é considerada um marco literário na ruptura entre a moral medieval, em que se valorizava o amor espiritual, e o início do realismo, iniciando o registro dos valores terrenos, que veio redundar no humanismo; nele não mais o divino, mas a natureza, dita o móvel da conduta do homem. Foi escrito em dialeto toscano.
Franz Xavier Winterhalter – The Decameron
A obra e seu Contexto
Decameron marca com certa nitidez o período de transição vivido na Europa com o fim da Idade Média, após o advento da Peste Negra - aliás é neste período de terror que a narrativa se passa.
Dez jovens (sete moças e três rapazes) fogem das cidades tomadas pela pandemia que dizimava impiedosamente o continente europeu ao se recolherem a uma casa de campo. Aconselhados por Pampinéia, a mais velha entre as mulheres, estabeleceram que escolheriam um chefe para o grupo para cada dia. Sendo ela a primeira escolhida, definiu: "(...)Para os que vierem depois, o processo de escolha será o seguinte: quando se vier aproximando a hora do surgimento de Vênus, no céu, à tarde, o chefe será, à vez de cada um, escolhido por aquele, ou aquela, que estiver comandando durante o dia.(...)"
Decameron rompendo com a mítica literatura medieval. As circunstâncias descritas em Decameron têm o senso medieval de numerologia e significados místicos. Por exemplo, é amplamente acreditado que as sete moças representam as Quatro Virtudes Cardinais (Prudência, Justiça, Fortaleza, Temperança) e as Três Virtudes Teologais (Fé, Esperança e Caridade). E mais além é suposto que os três homens representam a Divisão da Alma em Três Partes (Razão, Ira e Luxúria) da tradição helênica.
As moças tinham idade entre 18 e 28 anos, eram bonitas e de origem nobre, e seu comportamento honesto. Agrupadas por acaso na igreja de Santa Maria Novela, resolvem continuar juntas e logo surgem três moços, com idade a partir dos 25 anos, agradáveis e bem educados, que procuravam suas amadas, que eram 3 das moças ali reunidas.
Raffaelo Sorbi - The Decameron
A Peste
A narrativa oferecida por Boccaccio sobre o flagelo da peste negra que dizimara a Europa constitui um verdadeiro documento acerca desta praga que devastara o continente. Seu relato ilustra a doença (suas manifestações, evolução, sintomas, etc), bem como a reação das pessoas diante da perspectiva de uma morte horrenda, a ineficácia da religião católica dominante até aquele momento e de uma medicina quase ou totalmente ineficaz...
Estimando as vítimas em Florença e arredores em cem mil mortos, o autor revela também dois tipos principais de conduta: um, da luxúria desenfreada (as pessoas que passavam a beber e entregar-se aos prazeres); outro, onde pessoas se recolhiam, fechadas em grupos, orando e praticando o ascetismo – além de tantos que agiam entre estes dois tipos, adotando condutas intermediárias. Numerosas levas de gente saíam das cidades, vagando pelos campos, reunindo-se nas igrejas. Foi numa delas que encontrou-se o inusitado grupo que serve como narrador do Decameron.
A forma inovadora e realista na qual os contos foram escritos por Boccaccio fez com que o Decameron se tornasse uma fonte de referência para muitos escritores vindouros.
O primeiro conto (que fala do falso “São Ciappelletto”) foi depois vertido para o latim por Olímpia Fulvia Morata, e depois por Voltaire. Molière usou esta segunda tradução para criar a personagem título do seu Tartufo.
Martinho Lutero revisa o segundo conto, no qual um judeu se converte ao catolicismo após visitar Roma e ver a corrupção da hierarquia católica. Mas na sua versão ele e Philipp Melanchthon tentam converter o judeu em visita a Roma.
A parábola dos anéis (terceiro conto) está presente na obra de Gotthold Ephraim Lessing, em seu livro Nathan der Weise – um apelo à tolerância religiosa. Numa carta a seu irmão, datada de 11 de agosto de 1778 ele diz claramente ter conseguido sua história no Decameron. Jonathan Swift também utilizou esta mesma história para A Tale of a Tub, seu primeiro trabalho publicado, uma bem humorada sátira religiosa. Shakespeare fez uma tradução para o inglês do conto Frederico de Jennen, cujo enredo foi baseado no nono conto da segunda jornada. E “O Mercador de Veneza” teve clara influência do nono conto da terceira jornada.
Antonio Vivaldi escreveu a sua ópera Griselda sobre o argumento da décima novela da décima jornada.
Molière e Félix Lope de Vega usaram o terceiro conto da terceira jornada como base para suas respectivas peças teatrais: L'ecole de maris e Discreta enamorada. Percy Bysshe Shelley, Alfred Tennyson, e muitos outros beberam na fonte do Decameron em muitas de suas obras – uma influência que perpassa através dos séculos e das escolas literárias.
Não apenas Boccaccio influenciou os pósteros, foi ele próprio influenciado por outros autores, não apenas italianos, franceses e latinos – alguns de seus contos parecem ter sua origem remota em lugares como a Espanha, Pérsia, Índia, etc.
Os contos do Decameron ultrapassam seus antecedentes, em complexidade, qualidade e capacidade narrativa. Embora muito poucos deles sejam longas narrativas, têm como características diálogos verossímeis, que prendem a atenção do leitor, de forma que suas ações e conclusão sejam perfeitamente lógicas em seu contexto.
Boccaccio também tornava as histórias que eram já conhecidas mais complexas e inteligentes. Um claro exemplo disso é o sexto conto da nona jornada, baseada num conto do francês Jean de Boves, em que desce a detalhes ao narrar as mudanças de camas ocorridas durante a noite, bem como a passagem da esposa do anfitrião por todas elas – que são elementos criado por Boccaccio, tornando a história mais humorística e complexa.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Felicidade Conjugal, de Lev Tolstói: os ciclos da paixão

Publicada em 1859, quando o escritor tinha pouco mais de trinta anos, Felicidade conjugal é talvez a primeira obra-prima de Lev Tolstói e prenuncia um tema que terá importância fundamental na vida do autor russo - o tema do desejo, neste caso apreendido do ponto de vista feminino. descreve com precisão os ciclos da paixão e seu trágico declínio.
Grandes amores quase sempre vêm acompanhados de grandes tragédias. Pelo menos na boa literatura, no bom cinema, no bom folhetim exibido semanalmente na TV.
Geralmente os pombinhos são separados pelo rei, pela irmã malvada, pela classe social, por traições, guerra, morte; pela amante, pela tia chantagista e por aí vai.
A impossibilidade de viver o amor é o que parece torná-lo eterno.
Os amantes sofrem. Alguns enlouquecem. Outros se casam, mas não esquecem jamais “o grande amor”.
Porém há, também, um tipo de tragédia amorosa tão dolorosa quanto a separação involuntária: o fim do amor.
Perceber, admitir, conceber a ideia de que o amor não dói como antes, não rouba o ar, não alegra na presença nem entristece na ausência é tão (se não mais) trágico quanto ser impedido de amar.
Na novela Felicidade Conjugal, de Lev Tolstói (tradução de Boris Schnaiderman, Editora 34), acompanhamos a decadência não de um casal, mas de uma paixão, que surgiu fresca como a relva, cheia de promessas, palpitações e rubores, e termina feito a febre, como diz Stendhal em seu livro Do Amor: “O amor é como a febre, nasce e morre sem que a vontade venha a representar o menor papel”.
Diferentemente dos demais livros do autor – que envolvem questões ético-religiosas – em Felicidade Conjugal Tolstói se ocupa em nos apresentar o que poderíamos chamar de “ciclo da paixão”.
Descreve com precisão, através da personagem Mária Aleksândrovna, a deliciosa ilusão da simbiose dos primeiros momentos:
“Eu sabia que ele me amava (...), tinha em alto preço este amor, e, sentindo que ele me considerava como a melhor das moças no mundo, não podia deixar de desejar que esta mentira permanecesse nele. E, involuntariamente, eu o enganava. Mas enganando-o, eu própria me tornava melhor”.
Em outro trecho:
“Mas eu pensava nele agora de modo completamente diverso daquela noite em que soubera pela primeira vez que o amava, eu pensava nele como em mim mesma, ligando-o sem querer a cada pensamento sobre meu futuro (...), tinha a impressão de que, em dois, seríamos tão infinita e tranquilamente felizes”.
O que vem depois? O sentimento de posse e ciúmes que aos poucos começa a roer os ossos. A dúvida sobre a qualidade do afeto do outro. Vontades contrárias. Expectativas não partilhadas.
Quando Mária Aleksândrovna se percebe independente, com vontades próprias e demandas particulares, quando ambos se dão conta de que não são “um”, sentem-se traídos um pelo outro.
O resultado dessa traição tácita é o afastamento e por fim... o fim da paixão.
“Pela primeira vez, lembrei vivamente nossos primeiros tempos na aldeia, os nossos projetos, pela primeira vez surgiu-me na cabeça a pergunta: quais foram, afinal, as alegrias dele no decorrer de todo esse tempo? E me senti culpada perante ele. ‘Mas por que ele não me deteve, por que foi insincero comigo, por que evitou explicações, por que me ofendeu? - perguntei a mim mesma – Por que não utilizou sobre mim o poderio do seu amor? Ou não me amava’?”
Tentando buscar explicações para o fim, o amante Sierguiéi Mikháilitch argumenta:
“Eu lamento, eu choro aquele amor passado, que não existe nem pode existir mais. Quem é culpado disso? Não sei. Sobrou o amor, mas não aquele, sobrou o seu lugar, mas o amor ficou totalmente dolorido, não tem mais força nem suculência, ficaram as recordações e a gratidão, mas”...
O livro foi inspirado nas relações pessoais de Tolstói com V. V. Arsiênieva – moça com quem viveu uma história de amor antes de seu casamento – e considerada pelo próprio autor como “uma ignomínia vergonhosa”, Felicidade Conjugal nos faz crer em suas páginas que não apenas Romeu e Julieta foram vítimas de uma tragédia amorosa, mas também Mária Aleksândrovna e Sierguiéi Mikháilitch, que viram o amor-paixão nascer e morrer, pois um amor que morre ante nossos olhos é como um natimorto: quase impossível de enterrar.
Lev Tolstói - Felicidade Conjugal
Tradução: Boris Schnaiderman
Editora: 34

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Presente - Cecelia Ahern

Todos os dias, Lou Suffern luta contra o tempo. Ele tem sempre dois lugares para ir, tem sempre duas coisas a fazer. Quando dorme, sonha com os planos do dia seguinte, e, quando está em casa, com a esposa e os filhos, sua mente está, invariavelmente, em outro lugar. Numa manhã de inverno, Lou encontra Gabe, um morador de rua, sentado no chão, sob o frio e a neve, do lado de fora do imenso edifício onde Suffern trabalha. Os dois começam a conversar, e Lou fica muito intrigado com as informações que recebe de Gabe; informações de alguém que tem observado uniões improváveis entre os colegas de trabalho de Lou, como os encontros da moça de sapatos Loubotin com o rapaz de sapatos pretos... Ansioso por saber de tudo e por manter o controle sobre tudo, Lou entende que seria bom ter Gabe por perto — para ajudá-lo a desmascarar associações que se formam fora de suas vistas — e lhe oferece um emprego. Mas logo o executivo arrepende-se de ajudar Gabe: sua presença o perturba. O ex-mendigo parece estar em dois lugares ao mesmo tempo, e, além disso, Gabe lhe fala umas coisas muito incomuns, como se soubesse do que não deveria saber... Quando começa a entender quem é realmente Gabe, e o que ele faz em sua vida, o executivo percebe que passará pela mais dura das provações. Esta história é sobre uma pessoa que descobre quem é. Sobre uma pessoa cujo interior é revelado a todos que a estimam. E todos são revelados a ela. No momento certo.
Lou é daquele tipo de homem sempre muito ocupado, que só pensa em trabalho, que vive em função de cumprir seu horário em reuniões e fechar grandes negócios.
As coisas pioram quando um cargo muito importante em sua empresa fica vago, e todos desejam ocupa-lo. Afinal, nada mais é, que o cargo do segundo maior manda chuva da empresa, o homem número 2 do lugar.
Assim, Lou que já é obcecado pelo trabalho, esquece todo e qualquer limite e se lança na tarefa de ser o escolhido para o cargo de ouro. Ele se empenha em ser sempre o primeiro a chegar e o último a sair da empresa, em ser o melhor e mais destacado em tudo. Todos os que estão a sua volta o admiram ou invejam.
Com todo esse empenho e dedicação desmedidos, Lou não só se afasta de sua família (Pai, mãe e irmãos), como também se torna ainda mais ausente e distante de sua esposa e filhos. Isso sem contar as diversas traições durante os longos expedientes de trabalho.
Mas a vida de Lou passa por um divisor de águas no momento em que ele conhece Gabe, e por milagre decide emprega-lo. Gabe era um morador de rua que vivia na calçada do lado de fora do prédio onde Lou trabalhava.
Porém, Gabe não parece ser um simples mendigo, e quando Lou se dá conta disso começa a se sentir incomodado e até ameaçado pela presença de Gabe.
Gabe fala e sabe coisas que não deveria, conhece assuntos que ninguém mais deveria conhecer, sabe detalhes que seria impossível a qualquer ser humano comum saber. E todos esses pequenos detalhes começam a incomodar e muito a Lou.
Ao longo das páginas vamos compreendendo a real missão de Gabe na vida de Lou, e compreendemos quem na verdade está ajudando quem.
Lou é o tipo de cara tão obcecado com o sucesso no trabalho que não enxerga as demais coisas bem debaixo do nariz dele. Não percebe o quanto magoa a todos que o amam, o quanto abandonou seus lindos filhos e sua esposa maravilhosa.
As diversas “dicas” que ele recebe ao longo da historia, os diversos “cutucões” e ele não acorda. Teve horas em que senti vontade de gritar com ele, e adorei muitos dos diversos choques de realidade que Gabe dava nele.
Com muito sacrifício e muito sofrimento causado, Lou começa a despertar e mudar de atitude, e começa a querer voltar a ser parte da família a qual pertence.
Mas será que vai ser assim tão fácil, será que ele já não desperdiçou todas as suas chances, será que ele ainda tem tempo pra voltar atrás e mudar? A vida de Lou está prestes a passar por um novo divisor de águas e esse será definitivo, será sua última chance de fazer tudo certo.
O Presente é realmente um lindo presente, nos passa uma mensagem muito importante.
É uma linda história, sobre um homem que esqueceu o que realmente nos é importante nessa vida, as coisas que são realmente valiosas, um homem que trocou tudo de mais lindo que tinha por ambição. E aprendeu da maneira mais difícil e dolorosa, que o tempo não para pra que consertemos os nossos erros.
É uma leitura mais do que recomendada. É aquele tipo de leitura que nos marca, inesquecível!

A Autora
Cecelia Ahern (Dublin, Irlanda, 30 de setembro de 1981) é uma escritora irlandesa. Cecelia, que vive em Dublin, alcançou grande sucesso com seus cinco romances já publicados, além de ter vários contos incluídos em antologia. Antes de engrenar na carreira de escritora, Cecelia Ahern se formou em Jornalismo e Comunicação. Aos 21 anos, escreveu seu primeiro romance, P.S. Eu te amo, que se tornou um best-seller internacional e foi adaptado para o cinema. Seus outros romances — A Vez da Minha Vida, Onde Terminam os Arco-íris, Aqui é o Melhor Lugar, Se Você Me Visse Agora e As Suas Lembranças São Minhas — foram todos best-sellers Cecelia foi uma das criadoras da série de TV Samantha Who?, que ganhou um Emmy. Seus livros foram publicados em 46 países. Foram vendidas mais de 20 milhões de cópias no mundo todo. A autora mora em Dublin (Irlanda) com sua família.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A saga das mulheres brasileiras

Historiadora traz à tona a saga das mulheres brasileiras desde o Brasil Colônia até o século XXI, traçando uma análise daquelas que marcaram a história e a independência das atuais, em que muitas ainda estão submetidas ao mito da eterna beleza.
Mary Del Priore
Mary Del Priore, escritora e historiadora, entende bem de empoderamento feminino. Escreveu 37 livros, dos quais 25 fazem referência ao histórico da mulher, direta ou indiretamente. Em suas análises, considera que as mulheres do século XXI são feitas de rupturas e permanências. As rupturas empurram-nas para a frente e as ajudam a expandir todas as possibilidades, a se fortalecer e a conquistar. As permanências, por outro lado, apontam fragilidades: “São criadas em um mundo patriarcal e machista, não conseguem se enxergar fora do foco masculino de serem belas. Vivem pelo olhar do homem, do ‘outro’. As meninas crescem com o sonho cor-de-rosa da Barbie. Quando conseguem a independência, querem apenas encontrar um príncipe encantado. Têm filhos, mas se sentem culpadas por deixá-los em casa. São machistas, quando não estimulam os homens a lavarem louças e arrumarem os quartos. Em casa, querem sair para trabalhar, mas sem uma ideologia definida. “Se cheinhas, querem emagrecer, a vida é controlada pela balança. Se magras, desejam seios, nádegas e o que mais tiverem direito... em silicone”, diz.
Obra feminista
No mais recente livro, Histórias e Conversas de Mulher, da editora Planeta, publicado este ano, Mary trata de namoros com homens mais jovens, a paixão por usar botinhas de salto, do corpo trabalhado artificialmente para projetar seios e nádegas e ficar mais voluptuoso. “Foi preciso mais de 200 anos para que as mulheres conquistassem direitos que permitem a livre expressão e o exercício da cidadania, onde a futilidade não pode prevalecer: votar, usar anticoncepcionais, divorciar-se, ir à praia de biquíni, ocupar cargos de alto escalão em empresas multinacionais, é o que importa.”
Dentro do aspecto histórico em que a autora se distingue, o livro mais premiado foi Condessa de Barral, em que traça um perfil de uma personalidade pouco conhecida, mas nem por isso irrelevante: Luísa Margarida Portugal e Barros, aquela que manteve durante 30 anos um relacionamento lendário com o Imperador do Brasil, D. Pedro II. “Muito mais do que uma simples amante, esta filha de um senhor de engenhos apaixonado pelas letras foi uma das figuras femininas mais originais e interessantes de seu tempo.” Naquela época, a maioria das mulheres vivia como mera sombra dos homens. No entanto, segundo a escritora, o imperador se apaixonou por Barral não só pela sua personalidade. “Os dois se viam como almas gêmeas, porque encaravam o amor de outra forma, como uma amizade com finas sintonias emocionais e intelectuais. Isso não significa que os dois não tenham se entregado ao desejo, mas não era esse o cerne de sua ligação”, observa.
Em Castelo de Papel, há uma mescla de fábulas de princesa e o panorama político: um mundo em transição através do romance da princesa Isabel com o conde D’Eu, um casamento arranjado embora feliz dentro dos padrões. É revelada a participação de ambos no movimento abolicionista, a derrocada do Império, a intimidade do casal e as tensões com D. Pedro II. “Tudo como se o leitor estivesse dentro do palácio”, considera a historiadora.
O livro Histórias Íntimas retrata o sexo sob o aspecto pecaminoso. “As mulheres levantavam as saias e os homens abaixavam as calças e ceroulas. Tirar a roupa era proibido. No entanto, o proibido aguçava a vontade, e a Igreja, instituição que mais repreendia os afoitos, ironicamente acabou se tornando o templo da perdição”, comenta.
Em A Carne e o Sangue é descrito o famoso triângulo do imperador D. Pedro I, a imperatriz Leopoldina e Domitila, a marquesa de Santos. “O leitor confere detalhes íntimos dessas relações, numa leitura que envolve erotismo e ciúme, apelidos e intrigas, a linhagem e o prazer, que caminham lado a lado com a história do Brasil.”
Em Histórias do Cotidiano, um dos aspectos enfocados é a vida da mulher, em textos curtos e ágeis, que também abordam o cotidiano do tempo presente, conduzindo leitores e leitoras a um passeio instigante pelos assuntos relativos ao corpo, à família, ao convívio social e à condição de crianças, jovens e velhos em nossa sociedade. Em uma agradável viagem literária, a obra passa por temas diversos: de sutiãs a aviões, de maternidade à modernidade, de solidão a casamento, da sujeira nas ruas à sujeira na política, de férias no sítio à violência urbana, de herança do passado a novos desafios, em que demonstra a necessidade das mulheres irem para as ruas no exercício de suas cidadanias.
Já na obra Corpo a Corpo com a Mulher, a professora acompanha as transformações ocorridas no corpo das brasileiras ao longo da nossa história. Documentos do século XVI ao XVIII embasam esse resgate de personagens e situações anônimas, que revelam as marcas deixadas pela diferença de gênero, que ainda hoje fazem parte do imaginário brasileiro. “Um dos exemplos é o estereótipo da santa-mãezinha provedora, piedosa, dedicada e assexuada, arquétipo que ainda hoje permanece vivo.”
Para atingir as mais diferentes leitoras, História das Mulheres no Brasil levanta nossa história falando para adultos e jovens, especialistas e curiosos, estudantes e professores. “Procuro arrastá-los numa viagem em que viveram e morreram as mulheres, o mundo que as cercava, do Brasil colonial aos nossos dias.” Não é apenas a história delas, mas também da família, da criança, do trabalho, da mídia, da literatura e das suas imagens frente à sociedade.

sábado, 13 de julho de 2013

Um bom livro

“Mas Konrád ficava sempre pálido quando ouvia música. Qualquer tipo de música, mesmo a mais vulgar, o tocava muito de perto, como uma agressão física. Ficava pálido e a boca começava-lhe a tremer. A música transmitia-lhe algo que os outros não podiam compreender. Provavelmente as melodias não se dirigiam ao seu intelecto. A disciplina, que era a sua vida, o meio em que era criado, à custa do qual conquistava uma posição no mundo e que admitia voluntariamente, tal como o crente aceita o castigo e a penitência, afrouxava nessas ocasiões, como se a postura rígida e hirta cedesse no seu corpo. Era como quando, no desfile, depois da parada militar longa e fatigante, de repente se ouvia o comando de “destroçar!” Naquelas ocasiões, esquecia-se de onde estava, os seus olhos sorriam, olhava para o vazio, não via nada do que o circundava, nem os superiores, os companheiros, as belas mulheres, nem o público que estava no teatro. Ouvia a música com todo o corpo, tão sequiosamente como o preso escutava na prisão os ruídos distantes dos passos que talvez trouxessem a notícia da libertação. Nessas ocasiões, se alguém lhe falava, não ouvia. A música dissolvia o mundo à sua volta, alterava as leis da convenção artificial, e nesses instantes Konrád jamais era soldado. Uma noite, no Verão, quando Konrád e a mãe do general tocavam uma peça para quatro mãos no palácio, algo aconteceu. Estavam sentados na sala grande, antes do jantar, e o oficial da guarda e o filho escutavam educadamente a música num canto, com aquela condescendência cortês e aquela paciência de alguém que diz: “A vida é um dever, também se deve suportar a música. Não é conveniente contrariar as senhoras”. A mãe tocava com paixão: interpretavam a Fantaisie polonaise de Chopin. Como se tudo tivesse começado a vibrar no quarto. Pai e filho sentiam, no canto da sala, na poltrona, enquanto esperavam educada e pacientemente, que nos dois corpos, no corpo da mãe e no de Konrád, alguma coisa se estava a passar. Como se a rebelião da música tivesse levantado a mobília, como se uma força atrás da janela agitasse as cortinas pesadas de seda, como se tudo o que os corações humanos haviam enterrado e que era gelatinoso e bafiento, começasse a viver, como se no coração de cada pessoa se ocultasse um ritmo mortal que, num determinado momento da vida, começava a pulsar com uma força tremenda. Os ouvintes pacientes perceberam que a música era perigosa”.
Sándor Márai (1900-1989), in 'As Velas Ardem Até ao Fim'

sábado, 6 de julho de 2013

Obra 'Terra Mátria' revela o Thomas Mann 'brasileiro'

Thomas Mann e seu neto Frido, coautor do livro 'Terra Mátria'
Poucos se dão conta, em meio ao zum-zum-zum da Flip, mas uma das famílias mais importantes da literatura moderna mundial começou a não mais do que 10 km da tenda onde se realiza o festival literário de Paraty.
Foi num engenho da cidade que cresceu e viveu a brasileira Julia da Silva-Bruhns Mann (1851-1923), mãe de dois dos maiores autores alemães do século 20, Heinrich e Thomas Mann, avó de escritores como Klauss e bisavó de Frido Mann.
Este último é um dos autores de "Terra Mátria", principal estudo já realizado sobre as relações da família Mann com o Brasil, publicado agora pela editora Civilização Brasileira.
Coescrita com os pesquisadores Paulo Astor Soethe (brasileiro) e Karl-Josej Kuschel (alemão), a obra será lançada com um debate na quinta-feira, na programação paralela da Flip.
O livro, que traz dezenas de documentos inéditos, como cartas de Thomas e de Heinrich, trouxe novidades para os próprios familiares.
"Foi na realização do livro que descobri que vovô chegou a pensar em ir ao Brasil", diz à Folha, por telefone, Frido Mann. O "vovô" era Thomas (1875-1955), o maior escritor alemão moderno e autor de romances como "A Montanha Mágica" e "Doutor Fausto".
Frido, que esteve 16 vezes no Brasil (e que cancelou sua vinda a esta Flip na semana passada, por motivos pessoais), chama a atenção para uma carta desencavada nas pesquisas do livro.
Na correspondência, inédita, e reproduzida em "Terra Mátria", Thomas Mann escreve: "Sempre estive consciente do sangue latino-americano que pulsa em minhas veias e bem sinto o quanto lhe devo como artista. Apenas uma certa corpulência desajeitada e conservadora de minha vida explica que eu ainda não tenha visitado o Brasil".
A carta, hoje na Biblioteca Nacional da Áustria, em Viena, fora despachada em 1943 ao bairro de Higienópolis, para Karl Lustig-Prean, jornalista e produtor cultural de origem tcheca que se refugiou do nazismo em São Paulo.
Lustig-Prean (1892-1965), um líder do grupo antinazista "Movimento dos Alemães Livres do Brasil", manteve correspondência com Thomas (reproduzida na íntegra no livro) e também trocou cartas com seu irmão mais velho, Heinrich.
Autor de romances importantes como "O Anjo Azul", Heinrich Mann (1871-1950) chegou a levar a brasilidade da mãe à literatura.
Em "Entre Raças" (1907), ele romantiza a infância "tropical" de sua mãe, Julia, filha de um alemão com uma brasileira -- Maria Senhorinha da Silva era a avó materna de Thomas Mann.
Julia nasceu na estrada. Os pais se mudavam de uma fazenda em Angra dos Reis (RJ) para outra em Paraty.
O casarão onde ela viveu, o Engenho Boa Vista, ainda está de pé (leia texto ao lado). Quando ela tinha 7 anos, o pai, precocemente viúvo, resolveu voltar para a Alemanha. Levou consigo sua prole e a criada brasileira Ana, negra.
Como sustenta Paulo Astor Soethe, professor da Universidade Federal do Paraná, a família manteve muitos laços com o país.
"O livro conta, por exemplo, como foram os encontros de Thomas Mann com intelectuais brasileiros como Sérgio Buarque de Holanda e Erico Veríssimo e mostra como Gilberto Freyre defendeu a vinda do escritor ao Brasil", afirma Soethe.
Cassiano Elek Machado

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Os 10 livros mais vendidos da história

Os 10 livros mais vendidos da história
Para se chegar ao resultado consultei reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas em livros. O objetivo era identificar, baseado nessas informações, quais são os 10 livros literários mais vendidos no mundo em todos os tempos. Participaram do levantamento as publicações: “Global Times”, “Telegraph”, “New York Times”, “HowStuffWorks”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), International Booksellers Federation (IBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK. Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.
Dom Quixote
(Miguel de Cervantes)
Publicado em Madrid em 1605, “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, é composto de 126 capítulos, divididos em duas partes. O livro narra a história de Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro errante que perdeu a razão e, junto com seu fiel escudeiro Sancho Pança, vive lutas imaginárias. Estima-se que tenha vendido entre 500 e 600 milhões de cópias.
O Conde de Monte Cristo
(Alexandre Dumas)
Publicado em 1844, “O Conde de Monte Cristo é, juntamente com “Os Três Mosqueteiros”, a obra mais conhecida de Alexandre Dumas e uma das mais celebradas da literatura universal. O livro narra a história de um marinheiro que foi preso injustamente. Quando escapa da prisão, e toma posse de uma misteriosa fortuna e arma uma plano para vingar-se daqueles que o prenderam. Estima-se que tenha vendido entre 200 e 250 milhões de cópias.
Um Conto de Duas Cidades
(Charles Dickens)
Publicado em 1859, “Um Conto de Duas Cidades”, de Charles Dickens, é um romance histórico que trata de temas como culpa, vergonha e retribuição. O livro cobre o período entre 1775 e 1793, da independência americana até a Revolução Francesa. Dickens evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social. Estima-se que tenha vendido entre 180 e 250 milhões de cópias.
O Pequeno Príncipe
(Antoine de Saint-Exupéry)
Publicado em 1943, “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, é uma das obras mais traduzidas da história. Por meio de uma narrativa poética, o livro busca apresentar uma visão diferente de mundo, levando o leitor a mergulhar no próprio inconsciente. Estima-se que tenha vendido entre 150 e 180 milhões de cópias.
O Senhor dos Anéis
(J.R.R. Tolkien)
Publicado em três volumes entre 1954 e 1955, “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, é um romance de fantasia que ocorre em um tempo e espaço imaginários. A história narra o conflito entre raças para evitar que um anel poderoso volte às mãos de seu criador, o senhor do escuro. Estima-se que tenha vendido entre 150 e 170 milhões de cópias.
Harry Potter e a Pedra Filosofal
(J.K. Rowling)
Publicado em 1997, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” é o primeiro volume da série Harry Potter, da britânica J. K. Rowling. O livro narra a história de um garoto órfão que vive infeliz com seus tios. Até que, repentinamente, ele recebe uma carta contendo um convite para ingressar em uma famosa escola especializada em formar jovens bruxos. Estima-se que tenha vendido entre 110 e 130 milhões de cópias.
O Caso dos Dez Negrinhos
(Agatha Christie)
Publicado em 1939, “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie, é o maior clássico moderno das histórias de mistério. Dez pessoas diferentes recebem um mesmo convite para passar um fim de semana numa ilha. Na primeira noite, após o jantar, elas ouvem uma voz acusando cada uma de um crime oculto cometido no passado. Mortes inexplicáveis se sucedem. Estima-se que tenha vendido entre 90 e 120 milhões de cópias.
O Sonho da Câmara Vermelha
(Cao Xueqin)
Publicado em meados do século 18, “O Sonho da Câmara Vermelha”, de Cao Xueqin, é uma das obras-primas da literatura chinesa. O livro faz um relato detalhado da aristocracia chinesa da época. Acredita-se que o conteúdo da história seja autobiográfico descrevendo o destino da própria família do escritor. Estima-se que tenha vendido entre 80 e 100 milhões de cópias.
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
(C.S. Lewis)
Publicado em 1950, “O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa” é um romance infantil do escritor britânico C.S. Lewis. O livro narra a história de quatro irmãos que vivem na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial. Em uma de suas brincadeiras descobrem um guarda-roupa que leva quem o atravessa ao mundo mágico habitado por seres estranhos, como centauros e gigantes. Estima-se que tenha vendido entre 75 e 90 milhões de cópias.
Ela, a Feiticeira
(Henry Rider Haggard)

domingo, 19 de maio de 2013

Desastres silenciosos e inspiradores.

Maxfield Parrish

O Sermão sobre a Queda de Roma
Autor: Jérôme Ferrari
Tradução: Samuel Titan Jr.
Editora: 34

As civilizações cumprem um ciclo semelhante à vida humana: nascem, conhecem o apogeu e definham até a morte. Tal máxima vale tanto para o Império Romano, que desabou no ano de 410, como para a União Soviética, cujo poderio se extinguiu simbolicamente com as primeiras marretadas que derrubaram o muro de Berlim, em 1989. "Sempre me interessei por esses desastres silenciosos, em que a corrosão só se torna evidente quando o edifício inteiro finalmente rui", comenta o escritor francês Jérôme Ferrari, um dos principais destaques estrangeiros da próxima Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, que ocorre entre 3 e 7 de julho, na cidade fluminense.
Aos 45 anos, Ferrari tornou-se uma celebridade das letras no ano passado, quando seu livro O Sermão Sobre a Queda de Roma ganhou o Goncourt, o mais prestigioso prêmio francês. A obra chega agora ao Brasil sob a chancela da Editora 34, que inicia, assim, em alto estilo, sua Coleção Fábula - o próximo volume será uma nova tradução de Cândido, de Voltaire. E, em julho, será a vez de Carmen, de Prosper Mérimée.
Não foi uma tarefa fácil - com uma linguagem torturada (como observou o jornal francês Figaro), Jérôme Ferrari oferece uma reflexão sobre o declínio do mundo ocidental a partir da história de dois amigos de infância, Matthieu e Libero, que resolvem abandonar os estudos de filosofia em Paris para se lançar em uma aventura aparentemente fadada ao fracasso: assumir o controle do único bar de uma vila na Córsega. Na verdade, as confusões etílicas da dupla compõem algumas das diversas histórias do romance, que vão de Paris a Argel, da Indochina francesa às antigas colônias na África.
Em outro ponto da narrativa, o leitor acompanha a tortura mental de um idoso, Marcel Antonetti, que, logo no início da trama, é descoberto mirando com tristeza uma velha fotografia de família, pobre relíquia de uma França devastada pela 1ª Guerra Mundial. Sua memória só reteve momentos tenebrosos, sucessão de fracassos pessoais e profissionais.
"Escrevendo numa linguagem muito pessoal e trabalhada, que alterna frases longas e falas brevíssimas, Ferrari compõe uma narrativa circular e vertiginosa. O ápice vem com o sermão final, momento de bela prosa oratória que põe o romance sob o signo da sentença agostiniana: o mundo é como o homem - nasce, cresce e morre."
A referência não é gratuita. Ferrari não esconde a grande influência do Sermão 81, de Santo Agostinho (354-430), especialmente por utilizar a queda de Roma como forma de expressar sua desilusão com o enfraquecimento do Cristianismo como religião unificadora. "Foi a leitura do trecho desse sermão que me inspirou", disse Ferrari ao Estado, por telefone, desde Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes, onde leciona filosofia. "Ele dizia que não deveríamos ficar surpresos com o desaparecimento de Roma, pois o mundo é como o homem, que nasce, cresce e morre. Isso não só me motivou como se transformou na epígrafe do meu livro."
Ele conta que o projeto estava engavetado fazia anos, com o título provisório de Os Mundos. "O que pretendi em Sermão era oferecer um resposta inovadora para a pergunta: 'O que é o mundo?'", explica. "Busquei criar várias camadas enquanto pensava no filósofo alemão Leibniz para quem, em cada mundo, há um número infinito de elementos. Ou seja, tanto pode ser Roma e seu império decadente como o bar de uma aldeia erma, cenário do meu romance. Realmente levo a sério as palavras de Santo Agostinho, pois a trama se constrói a partir do nascimento de um mundo representado por diversos personagens, que atingem um apogeu até chegar sua derrocada. Acredito existir uma coerência mecânica, um ciclo de lógica, que regem o funcionamento do romance."
Apesar de a filosofia ser o seu ganha-pão, Ferrari não a utiliza como ferramenta ao escrever ficção. "Não sou um filósofo de fato por conta da incapacidade de criar conceitos - não bastam opiniões racionais. Assim, a literatura é minha melhor forma de expressão", confessa. "Parece-me que não podemos conceber um bom romance em que os personagens são apenas a máscara de um conceito ou uma crença ideológica, moral etc. Por conta disso, adoro romances metafísicos, eu me inspiro em escritores como Dostoievski e Styron, que mapeiam com sensibilidade a alma humana. O romance tem, na minha opinião, uma vantagem sobre a filosofia ao refletir melhor a complexidade da realidade, sem se preocupar com as exigências da lógica."
Bom conhecedor de literatura, Ferrari desconhece, porém, o trabalho de qualquer autor brasileiro. "Minha cultura latino-americana se resume aos de língua espanhola, como García Márquez, Borges e Cortázar. E é irônico que minha primeira visita ao continente seja justamente no Brasil - será minha chance de redenção."

Fonte:
Jornal Estadão: ( Desastres silenciosos e inspiradores)

sábado, 18 de maio de 2013

Grandes livros

A Selva
Upton Sinclair
"A Selva" é um livro-denúncia escrito por Upton Sinclar (1878-1968), publicado originalmente em 1906. O livro trata da exploração dos trabalhadores pelos trustes dos alimentos enlatados de Chicago. O autor narra, com detalhes, as selvagens condições vividas por uma família de imigrantes, onde os homens adoeciam por excesso de trabalho estafante; as mulheres se prostituíam e os filhos morriam em acidentes nas fábricas. Curiosamente, os leitores se interessaram mais por um breve trecho que descreve a falta de higiene do processo manufatureiro do enlatamento dos alimentos, levando Sinclair a declarar que visava atingir o coração do público, mas acidentalmente, havia atingido o estômago. Desejando aterrorizar o País pintando um quadro daquilo que seus senhores industriais estavam fazendo com suas vítimas, ele havia totalmente por acaso se daparado com outra descoberta: como era feito o abastecimento de carne do mundo civilizado. O livro causou uma enxurrada de críticas, derrubando as vendas dos produtos enlatados, e fazendo com que, sob pressão popular, os congressistas aprovassem uma lei regulando as condições higiênicas na linha de produção industrial, mas no geral pouco foi feito para aliviar as condições desumanas impostas aos trabalhadores.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Literatura

Análise do livro "A Hora da Estrela:"
Clarice Lispector
Clarice Lispector reúne em "A Hora da Estrela" três abordagens fundamentais: filosófica, social e estética.
Pela perspectiva filosófica, enfoca os limites e alcances do conhecimento do mundo mediante a palavra e a consciência, através das quais o ser humano se diferencia dos outros seres; em relação ao social, investiga os impasses criados pela separação dos indivíduos em diferentes grupos, destacando o escritor e o nordestino. Quanto à estética, investiga o ato da criação e da originalidade.
A narrativa se estrutura a partir de um narrador-personagem que fala de si mesmo e de um narrador onisciente que conta a história de Macabéa.
Há trechos na obra de Clarice que lembram grandes autores da fase realista e modernista. Observe os fragmentos a seguir:
I - "E só minto na hora exata da mentira.
Mas quando escrevo não minto."
(Fernando Pessoa )
II - "Mas voltemos a hoje. Porque, como se sabe, hoje é hoje. Não estão me entendendo e eu ouço escuro que estão rindo de mim em risos rápidos e ríspidos de velhos.
"(Machado de Assis)
"É coisa muito séria e muito alegre: sua vida vai mudar completamente!"
(Machado de Assis )
III - "Por Deus! Eu me dou melhor com os bichos do que com gente."
(Graciliano Ramos )
IV - "Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."
(Manuel Bandeira)
Todos aparecem ao longo da narrativa, durante o processo de criação. Reúnem narrador, escritor e criação. É importante observar que apenas o 5º título é acompanhado por ponto final. Isto acontece porque a história a ser narrada contém segredos (um deles pode ser lido como "o que é o mistério da morte?") e também é a frase que Macabéa pronunciou antes de morrer.
A "Hora da Estrela" representa o momento epifânico de Macabéa: a hora da morte. É irônica porque só no momento da morte é que Macabéa alcança a grandeza do ser. Já a autora atinge a epifania ao concluir a obra. É a epifanização do tormento de escrever.
O narrador também é personagem principal porque, ao desenvolver a narrativa, mostrando-nos Macabéa, busca a própria identidade. Moldara Macabéa sobre o seu próprio destino e solidão, e morre com ela. Ao mesmo tempo, ele é um disfarce do "eu" da escritora.
A escritora e o narrador, usando as personagens Macabéa e Olímpico, tecem críticas a respeito do ato de falar, expressar-se, escrever, ler, interpretar. Macabéa possui um vocabulário restrito, cultura por flashes, baseada na memorização acrítica. Olímpico não tem consciência crítica para interrogar o código linguístico e aproximar-se das palavras sem conhecer o seu conceito.
A obra de Clarice Lispector pertence à Terceira Geração Modernista. Há o trabalho com o fluxo de consciência, com a linguagem; transita pelo plano metafísico (indagações existenciais), pelo inconsciente, pela autoanálise com projeções da filosofia existencialista.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Terras do sem fim

“A sombra das roças é macia e doce, é como uma carícia. Os cacaueiros se fecham em folhas grandes que o sol amarelece. Os galhos se procuram e se abraçam no ar, parecem uma árvore subindo e descendo o morro, a sombra de topázio se sucedendo por centenas e centenas de metros. Tudo nas roças de cacau é em tonalidades amarelas, onde, por vezes, o verde rebenta violento. De um amarelo aloirado são as minúsculas formigas pixixicas que cobrem as folhas dos cacaueiros e destroem a praga que ameaça o fruto. De um amarelo desmaiado se vestem as flores e as folhas novas que o sol pontilha de amarelo queimado. Amarelos são os frutos precoces que pecaram ao calor demasiado. Os frutos maduros lembram lâmpadas de oiro das catedrais antigas, fulgem com um brilho resplandecente aos raios do sol, que penetram a sombra das roças. Uma cobra amarela - uma papa-pinto - acalenta o sol na picada aberta pelos pés dos lavradores. E até a terra, barro que o verão transformou em poeira, tem um vago tom amarelo, que se prende e colore as pernas nuas dos negros e dos mulatos que trabalham na poda dos cacaueiros”.
Jorge Amado (1912-1001)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

200 anos de 'Orgulho e Preconceito'

Já se passaram 200 anos desde a primeira publicação de "Orgulho e Preconceito", obra à qual sua autora, Jane Austen (1775-1817), se referia como "seu filho querido", mas sua popularidade continua vigente graças às incontáveis adaptações televisivas e cinematográficas.
Uma pesquisa realizada em 2003 pela BBC concluiu que "Orgulho e Preconceito" é o segundo romance preferido dos britânicos, depois de "O senhor dos anéis".
Publicado pela primeira vez no final de janeiro de 1813, a história da paixão de Fitzwilliam Darcy, um aristocrata britânico soberbo, pela jovem Elizabeth 'Lizzie' Bennet, apesar de sua diferença social, "continua sendo um dos romances mais apreciados da literatura inglesa de todos os tempos", afirma Janet Todd, professora da Universidade de Cambridge, que organiza em junho uma conferência sobre o tema.
"Orgulho e Preconceito", explica Marilyn Joice, membro da Sociedade Jane Austen no Reino Unido, "pode ser lido em vários níveis".
"Pode-se ler como uma versão romântica de Cinderela, uma comédia ou uma crítica social aos problemas que enfrentavam as mulheres no mesmo estrato social de Austen", declarou à BBC.
"O livro é escrito de maneira às vezes mordaz, geralmente com uma ironia sutil, ou seja, não é necessário ser um acadêmico para tirar algo dele", concluiu”.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

As Palavras Certas

Paul St George
“A sua luta com as palavras era geralmente dolorosa e isso por duas razões. Uma era a razão comum a escritores desse tipo: atravessar o abismo existente entre expressão e pensamento; a enlouquecedora sensação de que as palavras certas, as únicas palavras, estão à sua espera na outra margem sob a névoa distante, e o tremor da ideia ainda despida reclamando por elas deste lado do abismo.
Ele não fazia uso de frases feitas porque as coisas que queria dizer eram de constituição excepcional e ele sabia além disso que não se pode dizer que nenhuma ideia real exista sem palavras feitas sob medida. De forma que (para usar uma comparação mais próxima) a ideia que só parecia nua não estava senão pedindo as roupas que usava para se tornar visível, enquanto as palavras à espreita ao longe não eram cascas vazias como pareciam, mas estavam apenas esperando a ideia que já escondiam para incendiá-la e pô-la em movimento. Às vezes, ele se sentia como uma criança a quem dão uma mixórdia de fios e mandam que produza uma maravilha de luz. E ele produzia; e às vezes não tinha a menor consciência de como conseguia isso, e outras vezes ficava pensando nos fios durante horas no que parecia o modo mais racional – e não conseguia nada”.

Autor:
NABOKOV Vladimir
A verdadeira vida de Sebastian Knight
Editora: Alfaguara.
Ano: 1941

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Que há de desejo na leitura?

Toulouse-Lautrec
Que há de desejo na leitura? O Desejo não pode ser nomeado, nem sequer (ao contrário do Pedido) dito. No entanto, não há dúvida de que existe um erotismo da leitura (na leitura, o desejo está ali com o sei objeto, o que é a definição do erotismo).
(...) A leitura aparece assim marcada por dois traços fundamentais. Ao fechar-se para ler, ao fazer da leitura um estado absolutamente separado, clandestino, no qual o mundo inteiro é abolido, o leitor – o lente – identifica-se com os dois outros sujeitos humanos – para dizer a verdade bem próximos um do outro – cujo estado requer igualmente uma reparação violenta: o sujeito amoroso e o sujeito místico.
Roland Barthes (1915-1980)
O rumor da língua.

sábado, 20 de outubro de 2012

A Oscilação na Descrição

Benjamin West
Segundo o Petit Robert, descrever é "representar na sua totalidade por escrito ou oralmente". Também para o Littré, representar e pintar são os significados principais. Descrever e representar designam atos do pensamento. Mas descrever significa muitas outras coisas se nos referirmos a acepções mais antigas que subsistem na filosofia da descrição. Descrever e descrição têm que ver com o abstrato e o concreto, com o ativo e o passivo. Descrever significa representar, pintar, traçar, exibir e, no séc. XVIII, escrever, consignar, formular .
A descrição cola-se à coisa descrita, que é o seu conteúdo. A descrição é "o ornamento do discurso que consiste em pintar com as cores mais vivas" (Littré).
A forma acabada desta descrição criativa inspira-se na geometria . Descrever uma curva é construí-la, os astros descrevem os seus movimentos efetuando-os.
A descrição é, por conseguinte, cópia e construção, representação indeterminada e apresentação "em carne e osso". Dizer que a descrição oscila entre o abstrato e o concreto leva a procurar categorias que lhe sejam próprias. Existem conceitos descritivos, a meio caminho entre os protocolos das observações e os conceitos explicativos? Dizer que a descrição é receptiva e ao mesmo tempo cativa é interrogarmo-nos acerca da sua objetividade.
A descrição "fiel" pretende ser factual. Mas, sendo uma "construção", ela contêm a prioris, interpretações.
Fernando Gil (1937-2006),
"A Boa Descrição"

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Flores Azuis

Elizabeth Parsons
O livro se inicia com uma carta de amor escrita por um remetente anônimo que assina apenas como "A.", mas que se caracteriza como uma mulher que se separou e digere esse momento através da escrita. O livro é composto por nove dessas cartas, intercaladas com nove capítulos em que elas são lidas por Marcos, um arquiteto recém-separado. Inicialmente, as cartas foram endereçadas corretamente: o nome da rua, número do prédio e do apartamento, tudo confere, mas o destinatário está incorreto. Marcos mora nesse apartamento há apenas um mês e observa que esta primeira carta é dirigida a outro que não ele, mas sua curiosidade o leva a lê-la e, depois desse primeiro contato com essa remetente misteriosa, não consegue mais se distanciar. As cartas são escritas e deixadas em sua caixa de correio diariamente, do dia dezenove de janeiro ao dia 27 do mesmo mês. Marcos se envolve com essas cartas, com o conteúdo da escrita; elas causam um impacto devastador em sua vida, transformam-se em uma obsessão e fazem com que ele enxergue claramente as diferenças entre ele e a ex-mulher e suas idiossincrasias. As cartas o levam também a dispensar Fabiane, candidata à nova namorada e, finalmente, o fazem perceber aspectos importantes da sua personalidade. Através da leitura dessas cartas, Marcos descortina o que gosta e quer de uma mulher.
E, se fosse possível, um texto que não só explicasse as palavras, mas também guiasse a tua leitura. Ali, onde havia palavras simples, banais, leia algo extremamente belo, algo inesperado, para que você volte, para que você me ame e volte. Ou, mesmo que você não me ame, que essa leitura seja também uma forma de amor. E fique essa comparação, essa esperança.
Carola Saavedra in: Flores Azuis. Ed. Cia das Letras

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Arcadismo

Jean-Antoine Watteau

O Arcadismo, também conhecido como Neoclassicismo, surgiu no continente europeu no século XVIII, durante uma época de ascensão da burguesia e de seus valores sociais, políticos e religiosos. Esta escola literária caracterizava-se pela valorização da vida bucólica e dos elementos da natureza. O nome originou-se de uma região grega chamada Arcádia (morada do deus Pan).
Os poetas desta escola literária escreviam sobre as belezas do campo, a tranquilidade proporcionada pela natureza e a contemplação da vida simples. Portanto, desprezam a vida nos grandes centros urbanos e toda a vida agitada e problemas que as pessoas levavam nestes locais. Os poetas arcadistas chegavam a usar pseudônimos (apelidos) de pastores latinos ou gregos.

O Arcadismo no Brasil
No Brasil, o arcadismo chega e desenvolve-se na segunda metade do século XVIII, em pleno auge do ciclo do ouro na região de Minas Gerais. É também neste momento que ocorre a difusão do pensamento iluminista, principalmente entre os jovens intelectuais e artistas de Minas Gerais. Desta região, que fervia culturalmente e socialmente nesta época, saíram os grandes poetas.
Entre os principais poetas do arcadismo brasileiro, podemos destacar:
  • Cláudio Manoel da Costa (autor de Obras Poéticas),
  • Tomás Antônio Gonzaga (autor de Liras, Cartas Chilenas e Marília de Dirceu),
  • Basílio da Gama (autor de O Uruguai) ,
  • Frei Santa Rita Durão (autor do poema Caramuru) e
  • Silva Alvarenga (autor de Glaura).
    Características do Arcadismo:
    As principais características das obras do arcadismo brasileiro são:
  • valorização da vida no campo,
  • crítica a vida nos centros urbanos (fugere urbem = fuga da cidade),
  • uso de apelidos,
  • objetividade,
  • idealização da mulher amada, abordagem de temas épicos,
  • linguagem simples,
  • pastoralismo e
  • fingimento poético.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Trecho do livro

“O escritor escreve seu livro
para explicar a si mesmo
o que não pode ser explicado”.

Gabriel García Márquez
Ada Shirley Fox - Lesson in the Garden
“O mundo avança. É verdade, disse eu, avança, mas dando voltas em torno do sol. (…) Os adolescentes da minha geração, alvoraçados pela vida, esqueceram em corpo e alma as ilusões do futuro, até que a realidade lhes ensinou que o futuro não era como o sonhavam, e descobriram a nostalgia. Ali estavam as minhas crônicas dominicais, como uma relíquia arqueológica entre os escombros do passado, e aperceberam-se que não eram só para velhos, mas também para jovens que não tivessem medo de envelhecer”.
Gabriel García Márquez
(Nobel de Literatura em 1982).
In: Memória das Minhas Putas Tristes.
Editora Record.