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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O Enigma da Pintura em Paul Cézanne

Paul Cézanne
É a sua existência que o artista expressa em tela. Cézanne evidencia em suas pinturas, sua solidão, sua melancolia, sua evasão do mundo humano, seu ser esquizoide, contempla a natureza. A natureza sem qualquer evidência humana. É a sua percepção e relação com o mundo que o artista almeja exprimir. A sua singularidade é o que há de mais expoente para a arte que se aflora no século XX na França.
Paul Cézanne foi um pintor impressionista que viveu até o início do século XX. Seus trabalhos serviram de bastante referência para a arte que estava prestes a nascer na modernidade na frança. Viveu sua infância na cidade Aix-in-Provence, mas decidindo tornar-se pintor e duvidando sobre sua capacidade como artista, vai á Paris em que entrará em contato com mais artistas.
Cézanne sempre trabalhou sozinho, sem alunos. A sua pintura era sua maneira de existir. Sua vida fora marcada e envolvida por sua melancolia e cólera que permeava a sua vida inócua, instável, indecisa. Pinta na tarde em que sua mãe morre. Não é admirado por parte da família. Ao envelhecer acreditava que a sua pintura era fruto apenas dos distúrbios visuais que perseguiam seu corpo. Duvidava do seu talento e da genialidade que o transbordava, pois as circunstâncias e as reviravoltas da vida, não permitiam o reconhecimento de suas produções. A fraqueza e a baritimia o perseguiram no percurso de sua vida. Quando se mudou para Paris, decidindo ser pintor, escreve “Não faço mais do que mudar de lugar e o tédio me persegue”. Não conversava, pois não sabia argumentar. Preferia a solidão. Encontrar os amigos em Paris, quando via casualmente algumas vezes, apenas os cumprimentavam à distância evitando conversas prolongadas. “A vida assusta”, dizia Cézanne.
Suas pinturas estão envolvidas de todo traço de sua personalidade, da maneira de como poderia perceber e ver a vida. A característica peculiar de sua pintura “direta da natureza” é derivada da instabilidade de Cézanne quanto aos humanos. Volta-se a observação da natureza, como cor, profundidade, e todos os aspectos que envolvem técnicas de pintura. O visível para ele será apenas no âmbito natural. A natureza é o que pretende observar. Sua personalidade o fez fugir do mundo essencialmente humano, “a alienação de sua humanidade”. E se inclina essencialmente a natureza.
Apesar de ter obtido forte influência do impressionismo, Cézanne rompe com o movimento. Pois esse determinava os modos de como os objetos afetavam a visão do artista que o percebia. Enquanto os impressionistas queriam representar os objetos em tela com a mesma vivacidade de cores e propriedades que é visto na atmosfera, como, reflexos, cores que mudam de acordo a luz atmosférica, respeitando a ligação entre a luz e o ar. Cézanne queria demonstrar os objetos por trás da atmosfera, ele toma a natureza como modelo e em tela quer representá-la um pedaço dela.
Paul Cézanne não se preocupou em partir na elaboração de suas obras, seguindo aspectos fixados como modos de observação pelos impressionistas ou pela pintura tradicional, o laço entre sensibilidade e inteligência. O próprio almeja uma visão própria em relação à natureza, uma ótica lógica. Almejava a fusão, um contraste entre sensibilidade e inteligência. A arte para ele é uma visão pessoal, direta do mundo, enquanto a inteligência ajuda a organiza-la em obra. Cézanne deseja voltar-se a natureza, onde existe uma ordem das coisas. Uma natureza viva e que o homem ainda não interferiu. Somente após o uso da inteligência sobre a natureza é que surgem as ciências e as ideias. É a natureza primitiva que Cézanne quer pintar. A natureza na qual o homem ainda não interferiu. Por isso as suas pinturas constituem de um vazio humano, consiste em uma natureza primordial onde a inteligência ainda não se instalou.
O enigma da pintura, a percepção de mundo que Cézanne obtém é sustentando pelos traços de sua personalidade. Evasão do mundo humano e a volta a retratação da natureza visível. Embora uma natureza primitiva, uma natureza em ordem antes da intervenção do homem e da inteligência e da fomentação da ciência sobre a natureza. A sua arte, assim é fruto da sua essência.
O enigma da pintura se instala, seja em qualquer tempo da história da humanidade, seja em qualquer civilização, ou em qualquer religião, a pintura sempre se voltará aos problemas da visibilidade. Ela é fruto do processo de visão do mundo, em que o corpo se volta às coisas deste. O corpo que é visível e vidente se percebe, mas as coisas do mundo que ele ver com olhos carnais, o artista transforma em pintura. Uma exteriorização do interior, visto que o corpo individual possui a sua própria ótica interior das coisas que constitui o ser.
É com a visão que o pintor cria suas obras. Quando um pintor pinta uma tela, ele apenas pinta o que já fora alguma vez visto por ele. Só é passível de ser pintado o que os olhos da carne já viram. O que o faz meramente pintor é a inclinação de constituinte do mundo a partir dos olhos e apenas do que é visível, somente o que é despertado na visão das coisas do mundo tonar-se arte. A pintura é uma mesclagem do ser, visto que ao pintar em tela as coisas do mundo que é prolongamento do corpo, é assim, retratar todos os aspectos do ser. É retratar a união entre o sujeito que ver o mundo e o objeto, que com Merleau-Ponty, rompe a visão tradicional.
Dessa forma, os problemas dessa existência visual é a construção de uma teoria mágica da visão. O que como o pintor artista se pretende é projetar em tela o que nele se ver. Suas fascinações consistem em capturar o mais peculiar possível do que é visto, contribuindo para seu ressurgimento. O pintor pinta para na tela reconhecer-se como vidente e visível. Portanto, o homem cria a arte, nesse caso pinta, para nela reconhecer as instâncias do ser, do olho que ver e do espírito que cria e reflete.

Fonte:
© obvious: : ( Ybine Dias )

sábado, 8 de outubro de 2011

A Desordem da Minha Natureza

Paul Cézanne
(...) enfrentei pela primeira vez o meu ser natural enquanto decorriam os meus noventa anos. Descobri que a minha obsessão de que cada coisa estivesse no seu lugar, cada assunto no seu tempo, cada palavra no seu estilo, não era o prémio merecido de uma mente ordenada, mas, pelo contrário, um sistema completo de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, mas como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir a minha mesquinhez, que passo por prudente por ser pessimista, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que não se saiba que pouco me importa o tempo alheio. Descobri, por fim, que o amor não é um estado de alma, mas um signo do Zodíaco.
Gabriel García Marquez

domingo, 14 de agosto de 2011

Leda e o Cisne

Leda e o Cisne - Correggio
Na mitologia grega, Leda era uma bela princesa, esposa de Tíndaro, herdeiro do reino de Esparta.
Ela gostava de expor sua beleza nua aos raios do sol, sob olhares indiscretos dos deuses.
Certa vez, Zeus, a caminho de Tróia, encontrou Leda na relva e parou para contemplá-la.
Receoso que ela se assustasse com sua majestade e que o repelisse por ser recém casada, Zeus transforma-se em um belo cisne para cortejar a princesa.
Leda e o Cisne - Michelangelo
Ao vê-lo, Leda senta-se e começa a observá-lo. Diante de seus olhos, o cisne move suas belas plumas em uma dança excitante, e sua voz suave emite sinais de desejo e paixão.
Leda e o cisne - Pedro Bruno
Leda estava fascinada e o cisne aproximou-se mais e começou a tocá-la e acariciá-la com suas plumas e seu longo pescoço.
Apaixonada, Leda deitou-se novamente e aguardou que o cisne se posicionasse sobre ela, e então se amaram.
Leda e o Cisne - Leonardo da Vinci
Meses depois, a princesa sente fortes dores e percebe que de seu ventre saíram dois ovos: do primeiro, nasceram Castor e Helena; do segundo, Pólux e Clitemnestra.
Porém Hera, irmã e esposa de Zeus, com ciúmes, persegue e proíbe Leda de viver no reino.
Leda e o Cisne - Paul Cézanne
Por isso, Zeus compensa Leda convertendo-a em deusa e reservando-lhe um espaço no céu, na forma de uma estrela na constelação de Cisne.

Salvador Dalí (1904-1989), foi um importante pintor conhecido pelo seu trabalho surrealista.
Elena Ivanovna Diakonova, conhecida como Gala (1894-1982), foi esposa de Dali de 1928 até ela falecer em 1982.
Quando ele casa com Gala, declara: - “Somos agora dois seres arcangélicos”... Para Dali, ele e Gala foram nascidos de um dos ovos divinos de Leda. São eles “Castor e Pólux, os gêmeos divinos”.

Elvina Maciel Lessa
- "O mundo genial e psicótico de Salvador Dali"

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Natureza morta

Paul Cézanne
(França, 19 de janeiro de 1839 - 22 de outubro de 1906)

domingo, 19 de junho de 2011

O acaso não existe

Paul Cézanne
“O acaso não existe.
Quando alguém encontra algo de que
verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona,
mas a própria pessoa; seu próprio desejo
e sua própria necessidade o conduzem a isso”.

Hermann Hesse (1877-1962)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Eu cantarei de amor tão docemente

Paul Cézanne
Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dous mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que o amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho e arte.

Luis Vaz de Camões (1524-1580)