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domingo, 16 de outubro de 2011

É o êxtase amoroso

Van Gogh - The Grove
É o êxtase amoroso,
é o cansaço langoroso,
são os suspiros que exalam
as matas, ao vir da aragem .
São, pela espessa folhagem,
tímidas vozes que falam.

Oh! fresco e flébil ruído!
É como um leve gemido,
é como o lânguido arfar
que agita a relva, de manso.
Dir-se-ia um surdo balanço
de calhaus n'água, a rolar.

Esta alma que se lamenta,
nesta queixa sonolenta,
não será, talvez, nossa alma?
Quem sabe a minha alma e a tua,
cuja canção se insinua,
baixinho, na tarde calma?

Paul Verlaine (1844-1896)

sábado, 31 de julho de 2010

Calmo, na paz que difunde

Calmo, na paz que difunde
a sombra dos altos ramos,
que o nosso amor se aprofunde
neste silêncios em que estamos.

Coração, alma e sentidos
se confundam com estes ais
que exalam, enlanguescidos,
medronheiros e pinhais.

Fecha os olhos mansamente
e cruza as mãos sobre o seio.
Do teu coração dolente
afasta qualquer anseio.

Deixemo-nos enlevar
ao embalo desta brisa
que a teus pés, doce, a arrulhar,
a relva crestada frisa.

E quando a noite sombria
dos carvalhos for baixando,
o rouxinol a agonia
da nossa alma irá cantando.

Paul Verlaine (1844-1896)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Canção de Outono

Lord Frederick Leighton
Estes lamentos
Dos violões lentos
Do outono
Enchem minha alma
De uma onda calma
De sono.

E soluçando,
Pálido, quando
Soa a hora,
Recordo todos
Os dias doidos
De outrora.

E vou à toa
No ar mau que voa.
Que importa?
Vou pela vida,
Folha caída
E morta.

Paul Verlaine (1844-1896)
Tradução: Guilherme de Almeida