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terça-feira, 6 de maio de 2014

Ó, Beleza!

Dante Gabriel Rossetti
“Ó, Beleza!
descubra-se no Amor
e não na adulação do espelho”.

Rabindranath Tagore (1861-1941)

domingo, 25 de novembro de 2012

O Céu e o Ninho

Georges Elgood
És ao mesmo tempo o céu e o ninho.
Meu belo amigo, aqui no ninho,
o teu amor prende a alma

És ao mesmo tempo o céu e o ninho.
Meu belo amigo, aqui no ninho com mil cores,
cores e músicas.

Chega a manhã,
trazendo na mão a cesta de oiro,
com a grinalda da formosura,
para coroar a terra em silêncio!

Chega a noite pelas veredas não andadas
dos prados solitários,
já abandonados pelos rebanhos!
Traz, na sua bilha de oiro,
a fresca bebida da paz,
recolhida
no mar ocidental do descanso.

Mas onde o céu infinito se abre,
para que a alma possa voar,
reina a branca claridade imaculada.
Ali não há dia nem noite,
nem forma, nem cor,
nem sequer nunca, nunca,
uma palavra!
Rabindranath Tagore (1861-1941)
in "O Coração da Primavera"
Tradução: Manuel Simões.

sábado, 8 de janeiro de 2011

O Coração da Primavera

Mulher, não és só obra de Deus;
os homens vão te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.

Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.

Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.

Mulher, és meio mulher,
meio sonho.

Rabindranath Tagore (1861-1941)
Tradução: Manuel Simões

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Como as gaivotas e as ondas se encontram

Como as gaivotas e as ondas se encontram,
nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando,
vão pairando sobre as ondas; e nós também vamos.
Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.
Se faço sombra em meu caminho,
é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.
Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração,
e não duvido jamais das flores de tua primavera.

Rabindranath Tagore (1861-1941)