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domingo, 4 de janeiro de 2015

Sobre a dificuldade de endurecer sem perder a ternura

“Hay Que Endurecer, Pero Sin Perder La Ternura Jamás”.
Ernesto Che Guevara
Somos seres humanos feitos de carne. Mas parece que ao longo da vida, somos conduzidos a viver como se fossemos de ferro ou lata. E, aproveitando que é final de ano, muito embora escrever sobre o ano vindouro seja um clichê dos mais manjados, é válida a tentativa de colocar os pingos nos “is” que se escondem dentro de nosso alfabeto mental. Pancadas servem para encararmos a vida com mais maturidade e nos proporcionarem passeios por certas ousadias, mantendo os braços seguros e abertos para as pequenas e irretocáveis ternuras da vida. Pois há que se acreditar que elas existem. Como na música dos Beatles: “The movement you need is on your shoulder.”
Há um ditado popular que diz que quem apanha nunca esquece. E da primeira pancada da vida a gente jamais esquece mesmo. A pancada no coração, quando inesperadamente a vida lhe tira um irmão sem que ele ao menos possa apertar suas bochechas e dizer tchau. Sem que você possa dizer eu te amo pela última vez. De repente, não se tem mais aquele abraço gostoso. De repente não se tem mais os finais de semana de risadas e gozações um com o outro, nem as madrugadas ouvindo música e aprendendo a tocar violão. E os pais que se tinha antes desse irmão partir, cadê?
Não há mais ninguém no quarto ao lado. Apenas o silencio ensurdecedor da ausência que a vida lhe cobra ser suportada. O violão está mudo e desalento no canto. E você só queria aquecer seus sonhos com um abraço apertado, mas o quarto morre de frio e abandono em todos os cantos. Com o passar do tempo, para sua surpresa, alguma luz de ânimo no universo brilha acanhada e tímida, te dando forças e coragens de seguir em frente. É preciso suportar e se acostumar com esse cenário de ruídos silenciosos e ausências. Mas sem que você perceba, o seu coração que antes era de carne, lento e discretamente vai se endurecendo e sendo acometido por simultâneas fibroses. Em dias de sufocantes saudades ele até para de bater, mas chora em silencio. E antes de se necrosar por inteiro, se recorda, quando o tempo girava sem pressa, que já foi cuidado por mãos amorosas e perfumadas. E se lembra que precisa se virar sozinho. E se acostumar com os insetos que vez ou outra fazem uma visita para um café. Pois as veias que ele possuía se transformaram em raízes presas à próxima planta que ainda irá nascer. O coração já foi macio, e muitas vezes se enfeitava de rendas e tecidos coloridos, para se esbaldar em abraços fraternos e gargalhadas escandalosas nas festas da família, que um dia foi família e que hoje é apenas uma formalidade conveniente.
O coração que pulsava em encantos e possibilidades, hoje não sente mais nada que emocione. Como no filme O Mágico de Oz, parece que o tempo vai te fazendo um "homem de lata". O coração despencou pela calçada sem que ninguém percebesse, em pele e osso o amor se definhou como mendigos poetas.
Outras pancadas vieram após a primeira. Uma traição vulgar. O final monocromático de uma grande história de amor. As frustrações com amigos. As injustiças sociais e políticas do país. Os desvios éticos sutis e escancarados detectados no dia a dia em seus interlocutores. E a essa altura do campeonato, involuntariamente, eu me vi trancando a delicadeza, o amor, as emoções e a esperança em um baú de recordações que fica empoeirado em algum canto esquecido da alma e jogando a chave fora.
A conclusão? Somos seres humanos feitos de carne. Mas parece que ao longo da vida, somos conduzidos a viver como se fossemos de ferro ou lata. E, aproveitando que é final de ano, muito embora escrever sobre o ano vindouro seja um clichê dos mais manjados, é válida a tentativa de colocar os pingos nos “is” que se escondem dentro de nosso alfabeto mental. Pancadas servem para encararmos a vida com mais maturidade e nos proporcionarem passeios por certas ousadias, mantendo os braços seguros e abertos para as pequenas e irretocáveis ternuras da vida. Pois há que se acreditar que elas existem. Depende de cada um querer ou não sair da inércia emocional. Como na música dos Beatles: “The movement you need is on your shoulder.”

Fonte:
© obvious: : ( Roberta Simão )

sábado, 21 de setembro de 2013

O Renascedor

Ernesto "Che" Guevara
Por que será que o Che
tem esse perigoso costume
de seguir sempre
renascendo?
Quanto mais o insultam,
o manipulam
o tradicionam, mais renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será porque o Che
dizia o que pensava,
e fazia o que dizia?
Não será por isso, que segue
sendo tão extraordinário,
num mundo em que
as palavras e os fatos
raramente se encontram?
E quando se encontram,
raramente se saúdam,
porque não se
reconhecem?

Eduardo Galeano

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ernesto "Che" Guevara

Ernesto "Che" Guevara
Hoje, se vivo estivesse, Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido por Che Guevara faria 83 anos. Apesar de ser assassinado com apenas 39 anos, foi um dos mais famosos revolucionários comunistas da história. Foi considerado pela revista norte-americana Time Magazine uma das cem personalidades mais importantes do século XX.
Depois de juntamente com Fidel Castro fazer a revolução cubana, Che desejava a liberdade de toda a América Latina do jugo do imperialismo. Uma das marcas do Comandante Che era exatamente agir como pensava, e, neste sentido, viaja para ajudar o processo revolucionário na Venezuela e depois no Congo, e, em seguida, nas selvas bolivianas. Enfrentando condições extremamente adversas e após longos períodos de batalhas, no dia 8 de outubro de 1967, Che Guevara foi capturado e executado no dia seguinte pelo soldado boliviano Mário Terán, a mando do Coronel Zenteno Anaya, na aldeia de La Higuera, seu corpo “desapareceu” e só foi encontrado trinta anos depois.
Em 1997 seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 km de onde ocorreu a sua execução. Sua ossada estava sem as mãos, que foram amputadas (para servir como troféu) logo após a sua morte. Seus restos mortais foram transferidos para Cuba, onde em 17 de outubro deste mesmo ano foram enterrados com honras de Chefe de Estado, na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro.