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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Versos de Natal

Pablo Picasso
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.

Manuel Bandeira (1886-1968)

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A origem do Natal

Gerard David (1460-1523) – pintor holandês
Natal ou Dia de Natal é um feriado e festival religioso cristão comemorado anualmente em 25 de Dezembro, originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno (natalis invicti Solis), e adaptado pela Igreja Católica no terceiro século d.C., para permitir a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano, passando a comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré. O Natal é o centro dos feriados de fim de ano e da temporada de férias, sendo, no cristianismo, o marco inicial do Ciclo do Natal que dura doze dias.
Embora tradicionalmente seja um dia santificado cristão, o Natal é amplamente comemorado por muitos não cristãos, sendo que alguns de seus costumes populares e temas comemorativos têm origens pré-cristãs ou seculares. Costumes populares modernos típicos do feriado incluem a troca de presentes e cartões, a Ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal, pisca-piscas e guirlandas, visco, presépios e ilex. Além disso, o Papai Noel (conhecido como Pai Natal em Portugal) é uma figura mitológica popular em muitos países, associada com os presentes para crianças.
Como a troca de presentes e muitos outros aspectos da festa de Natal envolvem um aumento da atividade econômica entre cristãos e não cristãos, a festa tornou-se um acontecimento significativo e um período chave de vendas para os varejistas e para as empresas. O impacto econômico do Natal é um fator que tem crescido de forma constante ao longo dos últimos séculos em muitas regiões do mundo. A palavra natal do português já foi nātālis no latim, derivada do verbo nāscor (nāsceris, nāscī, nātus sum) que tem sentido de nascer. De nātālis do latim, evoluíram também natale do italiano, noël do francês, nadal do catalão, natal do castelhano, sendo que a palavra natal do castelhano foi progressivamente substituída por navidad, como nome do dia religioso.
Já a palavra Christmas, do inglês, evoluiu de Christes maesse (‘Christ’s mass’) que quer dizer missa de Cristo.
Como adjetivo, significa também o local onde ocorreu o nascimento de alguém ou de alguma coisa. Como festa religiosa, o Natal, comemorado no dia 25 de dezembro desde o Século IV pela Igreja ocidental e desde o século V pela Igreja oriental, celebra o nascimento de Jesus Cristo e assim é o seu significado nas línguas neolatinas. Muitos historiadores localizam a primeira celebração em Roma, no ano 336 d.C., no entanto parece que os primeiros registos da celebração do Natal têm origem anterior, na Turquia, a 25 de Dezembro, já em meados do sec. II.
Os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus em 25 de dezembro é a partir do Cronógrafo de 354. Essa comemoração começou em Roma, enquanto no cristianismo oriental o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania, em 6 de janeiro. A comemoração em 25 de dezembro foi importada para o oriente mais tarde: em Antioquia por João Crisóstomo, no final do século IV, provavelmente, em 388, e em Alexandria somente no século seguinte15 Mesmo no ocidente, a celebração da natividade de Jesus em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380.
No ano 350, o Papa Júlio I levou a efeito uma investigação pormenorizada e proclamou o dia 25 de Dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano, em 529, declarou-o feriado nacional.
Muitos costumes populares associados ao Natal desenvolveram-se de forma independente da comemoração do nascimento de Jesus, com certos elementos de origens em festivais pré-cristãos que eram celebradas em torno do solstício de inverno pelas populações pagãs que foram mais tarde convertidas ao cristianismo. Estes elementos, incluindo o madeiros, do festival Yule, e a troca presentes, da Saturnalia, tornaram-se sincretizados ao Natal ao longo dos séculos. A atmosfera prevalecente do Natal também tem evoluído continuamente desde o início do feriado, o que foi desde um estado carnavalesca na Idade Média, a um feriado orientado para a família e centrado nas crianças, introduzido na Reforma do século XIX. Além disso, a celebração do Natal foi proibida em mais de uma ocasião, dentro da cristandade protestante, devido a preocupações de que a data é muito pagã ou anti-bíblica.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Os três Reis Magos

Mosaico da Basílica de Santo Apolinário, Ravena (séc. V-VI)
Os três Reis Magos são as figuras mais misteriosas da Bíblia.
As imagens deles estão em vários cartões de natal, mas na Bíblia não diz que eram reis e nem que eram três.
Apenas que “homens sábios vieram do leste seguindo uma estrela”.
Na verdade, a Estrela de Belém vem sendo estudada por Cientistas e acadêmicos há séculos. Michael Molnar é um astrônomo dos Estados Unidos (Atlanta), garante ter descoberto a primeira referência à Estrela de Belém fora da Bíblia, em textos do século quatro escritos por um cristão convertido que queria esconder as raízes astrológicas do fenômeno celestial.
Molnar concluiu que a estrela era na verdade um eclipse duplo de Júpiter.
A comemoração do dia de reis tornou-se uma tradição secular cristã que chegou aos dias atuais. É atribuída aos reis magos a tradição da troca de presentes no natal. Construída durante os últimos séculos, a história dos magos termina com a reverência aos seus corpos, guardados como relíquias na catedral de Colônia (igreja de estilo gótico), Alemanha.
Os magos, provavelmente astrólogos, descritos unicamente no Evangelho de Mateus, estão longe da imagem dos três reis magos que nos chegou. A começar pelo título de rei. Em nenhum momento Mateus os descreveu como reis, não lhes foi atribuído um número exato, muito menos os nomes.
As bases da lenda dos três reis magos remontam das histórias ao redor do nascimento de Cristo, ou seja, de uma narrativa de um dos evangelhos cristãos, o de Mateus.

“Depois de Jesus ter nascido em Belém da Judéia, nos dias de Herodes, o rei, eis que vieram magos (astrólogos) das regiões orientais a Jerusalém, dizendo: “Onde está aquele que nasceu rei dos judeus? Pois vimos a sua estrela quando no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem.” (Mateus 2:1,12)
Na narrativa de Mateus não é especificado o número dos magos. Conclui-se que é mais de um porque a narrativa está no plural. Os magos seriam uma casta de sacerdotes eruditos, astrólogos e astrônomos, que viviam na Pérsia. Estudavam os livros sagrados e seguiam os ensinamentos do profeta persa Zaratustra. A religião zoroastriana era monoteísta, com concepções de paraíso e de messianismo, que segundo alguns historiadores, influenciariam o judaísmo.
Como Mateus não precisou o número exato dos magos, no início da veneração a eles, várias foram as interpretações de quantos seriam. Nos primeiros tempos do cristianismo chegaram a ser representados em doze. Há imagens medievais que mostram apenas dois. Na catacumba de Santa Domitilla, em Roma, aparecem quatro magos representados. Naturalmente chegou-se ao número de três reis magos devido às prendas oferecidas: ouro, olíbano (incenso) e mirra.
Também a cor da pele de cada um não é mencionada no evangelho. Com o tempo, as crenças populares moldaram a fisionomia de cada um dos magos, dando-lhes idade, cor e nacionalidades diferentes. Por fim, receberam nomes: Melchior, Gaspar e Baltazar.
As identidades dos três reis magos, como nome, nacionalidade, idade e cor, só foram dadas cerca de 800 anos após o nascimento de Cristo. Os nomes de Gaspar, Melchior e Baltazar aparecem pela primeira vez, nos mosaicos da Basílica de San Apollinare Nuovo, em Ravena.
Melchior (do hebreu Melichior, que significa o “rei da luz”), rei da Pérsia. Foi descrito por São Beda, o Venerável, como um velho de 70 anos, de cabelos e barbas brancas. Partiu de Ur, terra de Abraão, na Caldeia, rumo a Jerusalém, para reverenciar o messias.
Gaspar (do hebreu Gathaspa, “o branco”), rei da Índia. Na versão de São Beda era jovem de 20 anos, robusto, partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio.
Baltazar (do hebreu Bithisarea, “senhor do tesouro”), rei da Arábia. Segundo São Beda, era mouro, de barba cerrada, tinha 40 anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal

Piero Della Francesca
O
NATAL
anuncia
que Deus fugiu
de ser Deus.
Invejou os
prazeres que os homens
podiam ter e ele não:
dormir, tomar banho

de cachoeira, chupar
mexerica, brincar, amar,
ter que se esforçar por conseguir.
A teologia cristã dá a isso o
nome de "encarnação".
O NATAL é DEUS dizendo
que, divino, mesmo, é o humano.

Rubem Alves

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cartão de Natal

Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno, fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo,
e parece que vão enfim poder explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente; que o
entusiasmo conserve vivas suas molas, e
possa enfim o ferro comer a ferrugem
o sim comer o não.

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)