Mostrando postagens com marcador Salvador Dali. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Salvador Dali. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Recomeçar

Salvador Dalí - O nascimento de um novo homem
Não há amor perdido, nem se fingem milagres
Não reparto o destino que me expia em saudades...
E o grito ecoa profundo;
"Quero o meu mundo!"
O assalto recomeça, o espelho fascina
Sigo encoberto, o quebrando domina...
Mas a vida desalinha!
Sepulto a ruína, ressurjo em apreço,
E de novo, recomeço.
Só quem se arrisca a ir longe demais
descobre o quão longe se pode ir.

T. S Eliot (1888-1965)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Areias do mar

Salvador Dali
Areias do mar são vermelhas
Onde o sol se põe e estremece
Areias do mar são amarelas
Onde a lua oblíqua oscila.

Carl Sandburg (1878-1967)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Quiseram-me limitada

Salvador Dali - Person at the Window
Quiseram-me limitada
Presa num quadrado
ou em círculos andando
Nesse mundinho dado
Asas cortadas
Espaço delimitado

Rompo o casulo
Minhas linhas são plenas de movimento
Abstratas e indomáveis
Viajam até sem meu consentimento
E a dor do rompimento
Esgarça meus sentidos
e da liberdade alcançada
uma vida ilimitada se abre
sem prévia autorização
sem óbvios desfechos

Assim me arremesso
Em linhas indefinidas
Amor e dor fora da ordem
Possíveis túneis, infinitos céus
Voando e caindo
Novos caminhos se abrindo
Felicidade sem permissão
Tristezas perpendiculares
Azar do medo
Linhas sempre em expansão...

Paola Caumo

sábado, 19 de novembro de 2011

Conclusão

Salvador Dali
Os impactos de amor não são poesia
(tentaram ser: aspiração noturna).
A memória infantil e o outono pobre
vazam no verso de nossa urna diurna.

Que é poesia, o belo? Não é poesia,
e o que não e poesia não tem fala.
Nem o mistério em si nem velhos nomes
poesia são: coxa, fúria, cabala.

Então, desanimamos. Adeus, tudo!
A mala pronta, o corpo desprendido
resta a alegria de estar só, e mudo.

De que se formam nossos poemas? Onde?
Que sonho envenenado lhes responde,
se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)