Mostrando postagens com marcador Personalidades HIstóricas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Personalidades HIstóricas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Madison Grant (1865-1937), o guru de Hitler

Madison Grant - Sua obra seviu como "Bíblia" para o Führer

Ele é uma das mais obscuras figuras entre os precursores do nazismo, mas a importância desse advogado americano em sua época foi extremamente marcante e, claro, alcançou a Alemanha e impressionou um jovem ambicioso de Viena: Adolf Hitler.
Adepto e grande divulgador das teorias racistas por um lado e conservador naturalista pioneiro por outro, Madison Grant nasceu em 1865 – ano que marca a abolição da escravatura nos Estados Unidos, a descoberta das primeiras leis da genética e da sistematização do eugenismo pelo cientista – matemático e antropólogo – inglês Francis Galton. Grant morreria em 1937, ano de construção do campo de Buchenwald, na ocasião em que Hitler, seu mais célebre admirador, se dedicava a dar uma sequência industrial a mais um de seus ensinamentos.
No curso dos anos de juventude de Grant, a sociedade americana é dominada pelos WASP (cidadãos de raça branca, origem anglo-saxã e religião protestante), membros da classe dirigente que amam se apresentar como “patrícios” – um termo, como sabemos, tomado emprestado à aristocracia detentora do poder em Roma. Eles são descendentes dos “pais fundadores”, que se organizaram para formar um novo país no fim do século anterior. Esses “patrícios” estão convencidos de sua destinação natural: as virtudes que teriam herdado pelo sangue os designaram para a tarefa de governar os Estados Unidos, impondo a sua visão do mundo aos demais.
Assim, os WASP veem o país como o seu patrimônio, e aos habitantes não WASP da América estão reservados dois papéis: ou o de servos de sua missão ou o de parasitas aproveitadores das sobras da grande obra dos pais fundadores. Assim, os ameríndios, herdeiros de uma terra inculta à qual os pioneiros levam as bênçãos da civilização, são dizimados sistematicamente e concentrados em suas reservas, por causa de sua “selvageria”, como é classificada qualquer forma de resistência.
Os descendentes dos escravos são tratados com mais condescendência, vistos como “primitivos”. As discretas populações asiáticas são desprezadas. Católicos e judeus, como o conjunto dos imigrantes da Europa central ou meridional, são acusados de déficit moral, os primeiros por uma suposta inclinação atávica, e os segundos por sua cupidez (“o judeu polonês”, escreve Grant, “anão por natureza e concentrado em seu interesse particular...”).
O mexicano é pouco mais que um indígena. Sua imagem tradicional é a de um bandoleiro pouco asseado, desordeiro e propenso ao consumo excessivo de álcool – e nesse perfil se enquadram indistintamente todos os latinos. As outras populações do mundo são ignoradas ou tratadas como fauna exótica.
A educação recebida por essa elite, que mistura cultura clássica, ritualística social estrita e exercícios físicos, faculta aos mais altos responsabilidades em aproximadamente todos os domínios. Formado por preceptores em Manhattan e em Dresden, na Alemanha, admitido no círculo estreito de Yale, diplomado em direito em Columbia, Madison Grant se forma como um “gentleman erudito”. Um de seus amigos mais próximos é Theodore Roosevelt (1858-1919), historiador, naturalista, explorador, escritor e soldado que se torna, em 1901, o 26º presidente dos Estados Unidos.
Caçador e naturalista, Grant é, também ele, inspirador da ecologia, das reservas naturais, um dos criadores do zoológico do Bronx, em Nova York, (1899), e o salvador de várias espécies vivas. Mas é a salvação da “raça branca” que lhe confere a celebridade e uma influência decisiva sobre todo o pensamento racista do século XX e, particularmente, a ideologia hitlerista.
Jean-Louis Vullierme
Filósofo e Escritor

sábado, 4 de julho de 2015

Lucrécia Bórgia

Bartolomeo Veneto - Lucrécia Bórgia
Se Judas encarna a imagem do traidor, Lucrécia Bórgia representa a manipuladora sem escrúpulos de costumes depravados. Mas a realidade é bem diferente. Aquela que é descrita como uma envenenadora e uma depravada foi, na realidade, uma aristocrata erudita.
Fruto da união entre o cardeal Rodrigo Borgia e sua favorita, a patrícia romana Vannozza Cattanei, Lucrécia nasceu em 18 de abril de 1480. Recebeu a educação refinada das crianças da aristocracia, que era uma preocupação de seu padrasto, o humanista Carlo Canale. Ela aprendeu línguas antigas, se familiarizou com a poesia, dedicou-se à música e estudou filosofia e letras latinas. Aristóteles, Tito Lívio, Salústio e Virgílio balizaram uma formação que, tanto quanto sua beleza, se revelaria útil para o destino que lhe estava reservado.
Na adolescência, Lucrécia mudou-se para o palácio de seu pai. Cresceu então à sombra do poder da Igreja. O Vaticano tinha sua corte, assim como a dos reinos da França, Inglaterra e Espanha. Era fértil também em artes e, sobretudo, em intrigas. O cardeal Bórgia subiu ao trono de Pedro em 1492. Lucrécia tornou-se, a partir de então, filha do papa Alexandre VI. De espectadora das lutas pelo poder, tornou-se protagonista das ambições de seu clã e trunfo no jogo político de seu pai.
Nada distinguia a casa pontifical das outras casas principescas da época. Nem seus costumes nem suas preocupações, das quais a principal era consolidar e estender a influência familiar, reforçando a da Igreja. Essa era a obsessão dos soberanos pontífices desse final de século XV. Era evidentemente também ao papa Borgia, cujos Estados papais se estendiam por toda a parte central da península, cercados pelos domínios da família Aragão em Nápoles, dos Sforza de Milão e dos Médicis de Florença. Afirmar o poder da Igreja passava tanto pela ostentação de uma corte e a organização de um exército poderoso como pelo casamento diplomático.
Aos 11 anos, Lucrécia foi prometida, no espaço de seis meses, a dois maridos diferentes: um aristocrata espanhol e depois um italiano. Mas foi com o condottiero Giovanni Sforza, senhor de Pesaro, que a adolescente de 13 anos se casou, em 1493. Os riscos de uma invasão francesa a Roma e a peste que devastava a Cidade Eterna precipitaram a ida do casal para Pesaro. Em 10 de junho de 1494, Lucrécia enviou uma carta a Alexandre VI na qual expressava a admiração e o carinho que ela dedicava a seu pai. Descobrimos uma adolescente comedida e ponderada que revelou certo desinteresse em relação às festas que celebravam sua chegada ao novo domínio de Pesaro. A aliança com os Sforza revelou-se rapidamente um erro estratégico para o clã Borgia. Alexandre VI conseguiu anular o casamento em 1497, afirmando de maneira não comprovada que ele não havia sido consumado. Giovanni Sforza, humilhado ao ser chamado de impotente, vingou-se, espalhando o boato de relações incestuosas entre Lucrécia, seu irmão César e o papa. Foi o primeiro elemento que alimentaria a lenda negra de Lucrécia.
Peça do jogo de xadrez diplomático de seu pai, ela não poderia ficar sozinha muito tempo. Casou-se novamente em 1498 com Afonso de Aragão, filho do rei de Nápoles. Apaixonou-se por ele e o casal, longe das intrigas políticas, vivia tranquilamente em Roma, onde ele mantinha uma corte frequentada pelos cardeais Médicis e Farnese, os pintores Michelangelo e Pinturicchio. Lucrécia recebia com fidalguia em seu palácio romano artistas e literatos. Falavam de artes. Lucrécia animava essa sociedade e ali brilhava pela vivacidade de seu espírito. Mas não por muito tempo. Novamente seu casamento foi insatisfatório para os Borgia. Como o nascimento de um filho tornou impossível uma anulação, César optou por uma solução radical: o assassinato do cunhado por um de seus homens.
Divorciada e viúva aos 21 anos, Lucrécia se casou pela terceira e última vez com Afonso I d’Este, duque de Ferrara, em 1505. Com a morte de Alexandre VI, em 1503, ela pôde enfim viver dias felizes. Apresentou-se como protetora das artes e das letras, cercou-se de muitos poetas, particularmente de Ludovico Ariosto – que lhe dedicou Orlando furioso – e Pietro Bembo, por quem nutria um amor platônico – que lhe dedicou Gli Asolani. Ela inspirou também os pintores, protegeu Dosso Dossi, Rafaele Garofalo e Ticiano.
O fim de sua vida foi triste devido à morte brutal de seus próximos e abortos que a enfraqueceram. Em 14 de junho de 1519, ela deu à luz uma menina, que morreu em seguida. Dez dias mais tarde, aos 39 anos, faleceu de uma septicemia. Ela foi, de fato, duas vezes vítima das ambições do pai e dos inimigos de sua família. Sua lenda negra, que tem como origem a vingança destes últimos, se perpetuaria após sua morte. O filósofo Leibniz, no século XVII, insistiu em sua depravação – um mal característico do reino de Alexandre VI – e Voltaire lhe fez eco no suposto incesto com seu Essais sur les moeurs (1756). No século XIX, Lucrécia foi uma fonte inesgotável de inspiração para os românticos. Fascinou lorde Byron, tornou-se a heroína de uma tragédia de Victor Hugo (1833), foi objeto de um conto fantástico de Mérimée e figurou com destaque em Les crimes célèbres, de Alexandre Dumas. O historiador Jules Michelet chancelaria essa imagem de messalina incestuosa e intrigante.

Fonte:
Olivier Tosseri: ( História Viva )

domingo, 14 de outubro de 2012

Thomas Merton

Foto de Thomas Merton
Thomas Merton (31 de Janeiro de 1915 – 10 de Dezembro de 1968) foi um escritor católico do século XX. Monge trapista da Abadia de Gethsemani, Kentucky, ele foi um poeta, ativista social e estudante de religiões comparadas. Ele escreveu mais de setenta livros, a maioria sobre espiritualidade, e também foi objeto de várias biografias. Merton quando jovem amava jazz.
Em abril de 1966, Merton passou por um procedimento cirúrgico para tratar a dor nas costas. Enquanto se recuperava em um hospital de Louisville, ele se apaixonou por uma enfermeira que o cuidava. Merton lutou para manter seus votos e ele se refere o seu diário pessoal como "M".
Thomas Merton se encontrava no auge da sua fama como escritor espiritual, apaixonou-se desesperadamente por uma enfermeira que o tinha tratado no hospital. Escreveu no seu diário que estava “atormentado pela consciência crescente de que estávamos apaixonados e eu não sabia como poderia viver sem ela”.
Em 10 de dezembro de 1968, Merton tinha ido para participar de uma conferência inter-religiosa entre monges católicos e não-cristão no subúrbio de Bangcoc, Tailândia. Enquanto sair de seu banho, ele estendeu a mão para ajustar um ventilador elétrico e aparentemente tocado um fio exposto e foi acidentalmente eletrocutado. Ele morreu 27 anos depois do dia em sua entrada na Abadia de Gethsemani, em 1941. Seu corpo foi levado de volta para os Estados Unidos e é enterrado em Gethsemani Abbey.
O caso de Merton com a enfermeira conhecida como “M” também escandaliza aqueles que pensam que monges nunca se apaixonam. (Depois que ambos terminaram a relação, um Merton censurado e castigado retornou à sua castidade). Mesmo a forma de sua morte levanta suspeitas. Suas últimas palavras na conferência de Bangkok foram: “Então eu irei desaparecer de vista e todos poderemos tomar uma Coca-Cola ou algo parecido”. Seus amigos rejeitam os boatos de suicídio, atribuindo sua morte a uma inaptidão vitalícia.
Mas o que levanta mais suspeitas é a sua afinidade durante toda a sua vida pelas tradições espirituais orientais. A viagem de Merton ao subcontinente asiático e ao sudoeste da Ásia, durante a qual ele descreveu uma experiência mística em frente a uma estátua de Buda no Ceilão (agora Sri Lanka), deixa alguns católicos tradicionais com náusea e ajuda a aumentar o rumor agora já espalhado de que ele planejava deixar o monastério ou a igreja. Isso não é verdade. Em uma carta, poucas semanas antes de sua morte em 1968, ele escreveu a um amigo próximo: “Continue contando a todos que eu sou um monge em Gethsemani e pretendo permanecer assim todos os meus dias”.

sábado, 25 de agosto de 2012

Maharishi

Maharishi Mahesh Yogi (1918-2008)
Maharishi e os Beatles
Em 1967, a Meditação Transcendental atraiu a atenção de George Harrison, que entusiasmado pela leitura de Autobiografia do Iogue do Paramahansa Yogananda contagiou os outros Beatles com os seus anseios místicos.
Maharishi não desperdiçou esta oportunidade única de se associar às pessoas mais famosas e populares do seu tempo e de divulgar a MT junto das massas juvenis. Foi o que aconteceu. Em breve, milhares de jovens hippies e de estudantes acorriam aos centros de MT nos Estados Unidos da América e da Grã-Bretanha, para aprenderem a meditar à semelhança dos seus ídolos, os Beatles.
Em 1968, os Beatles viajaram com Maharishi até à sua Academia de Meditação em Rishikesh, nos Himalaias, na companhia de outras celebridades como Mia Farrow, Donovan e Mike Love dos Beach Boys.
Os Beatles relaxaram, meditaram, mas também, ao que parece, consumiram drogas leves, sem o conhecimento de Maharishi. Segundo reza a história, foi um dos períodos mais produtivos de John Lennon, que escrevia várias canções por dia, que mais tarde fariam parte do White Álbum.
Contudo, teria havido um desentendimento entre os Beatles e Maharishi, por conta do Maharishi ter assediado sexualmente Mia Farrow.
Em entrevista na revista Playboy em 1970, John Lennon afirma ter reunido os demais membros da banda, indo ao encontro do Maharishi para contar que sabiam que ele era uma farsa. Por conta disso, os Beatles acabaram por abandonar o seu retiro espiritual na Índia. A canção Sexy Sadie é uma sátira escrita por John Lennon para relatar o episódio.
Nos anos 70 a Meditação Transcendental tinha sido ensinada a vários milhões de pessoas em todo o mundo, e era praticada por muitas delas, sobretudo universitários e jovens empresários. A MT era uma técnica mental simples, ensinada de forma homogênea e padronizada e, portanto prestava-se facilmente a ser objeto de um estudo científico sério. Os estudos levados a cabo por vários cientistas mostraram que a MT baixava a tensão arterial, o ritmo cardíaco, o índice de lactato, aumentava a coerência e a integração do funcionamento cerebral. Também havia regulação do cortisol e outras hormonas associadas com o stress crônico, e uma regularização saudável dos níveis de serotonina.
Foi nesta década que Maharishi expandiu o seu movimento em nível corporativo, criando vários estabelecimentos de ensino superior, nos Estados Unidos, na Suíça, na Holanda e na Índia.
Outra crítica que se faz a Maharishi refere-se à vertente comercial do movimento e ao fato de ser cobrado bastante dinheiro pelo ensino da MT, ao contrário do que sucede tradicionalmente na Índia relativamente ao ensino das práticas espirituais. O atual preço de um simples curso de MT é exorbitante e inacessível à maioria dos potenciais interessados. Maharishi contrapõe que a formação de instrutores e que a manutenção da organização é muito cara e que, além disso, os benefícios da prática da MT são para uma vida inteira.
O certo é que esta política pouco sensata e irrealista, que se agravou a partir dos anos 90, levou ao afastamento do cidadão comum da aprendizagem da MT e, inclusive, ao encerramento de inúmeros centros a nível internacional. Houve bastantes rupturas dentro do movimento e alguns instrutores passaram a ensinar a MT por conta própria, cobrando preços acessíveis e razoáveis para a generalidade do público.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Maria Quitéria

Maria Quitéria (1792-1853),
mulher-soldado, heroína da luta pela independência
Domenico Failutti - Maria Quitéria
Maria Quitéria de Jesus nasceu entre os anos de 1792 e 1797, no Arraial de São José de Itapororocas, hoje distrito Maria Quitéria, em Feira de Santana, Bahia. Filha primogênita de Gonçalo Alves de Almeida e Quitéria Maria de Jesus, foi batizada em 27 de julho de 1798.
Depois da proclamação, por D. Pedro, cinco províncias – Bahia, Piauí, Maranhão, Grão-Pará e Cisplatina – continuaram leais às Cortes de Lisboa. Neste contexto de conflitos, houve necessidade de solicitar o apoio da população para lutar contra os portugueses. O movimento pró-independência enviou mensageiros a fim de angariar dinheiro e voluntários para as tropas brasileiras. Quando a Fazenda Serra da Agulha, na Bahia, foi visitada, seu proprietário, Gonçalo Alves de Almeida, em nada colaborou. A filha, Maria Quitéria, contudo, externou o desejo de juntar-se às tropas pela independência: “Tenho o coração abrasado; deixa-me ir e empunhar armas em tão justa guerra!”, disse ao pai. Autoritário, ele desaprovou: “As mulheres fiam, tecem e bordam. A guerra é para homens”. Não satisfeita, a humilde sertaneja baiana fugiu de casa e, com o apoio da irmã Teresa e do marido desta, José Cordeiro de Medeiros, cortou o cabelo, vestiu o uniforme do cunhado e alistou-se como se fosse “filho” deles no Corpo de Artilharia. Apresentou-se ao Corpo de Caçadores, com o nome de soldado Medeiros. Seu disfarce durou apenas duas semanas, quando o pai, que andava à sua procura, a revelou. No entanto, devido a seu grande desempenho em combate, à sua habilidade ao manejar armas e à sua bravura, o major Silva e Castro não permitiu que fosse desligada.
Em 2 de julho de 1823, o Exército Libertador cumpriu sua missão na Bahia. Maria Quitéria foi aclamada pela população. Foi recebida pelo imperador D. Pedro I, que lhe ofereceu a medalha de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro” e um soldo vitalício de alferes. Ela, então, pediu ao imperador que solicitasse a seu pai perdão pela desobediência. Obteve a sonhada reconciliação. Ao voltar para casa, casou-se com um antigo namorado, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. A família viveu com simplicidade. No dia 21 de agosto de 1853, Maria Quitéria faleceu em um triste anonimato, completamente esquecida pelo povo que ajudou a libertar. Foi, porém, homenageada pelo Exército, quando do centenário de seu falecimento, em 11 de maio de 1953. Por ordem do Ministério da Guerra, todas as unidades e repartições militares passaram a ter um retrato dela. Em 1996, foi declarada patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.
Maria Quitéria incorporou um saiote por cima da farda. Por seus atos de bravura, foi promovida a cadete. Após a Independência, chegou a ser recebida por Dom Pedro I, que a agraciou com uma insígnia imperial e lhe garantiu um soldo vitalício. Maria Quitéria morreu em Salvador em 1853, aos 61 anos, pobre e cega. Em 1996, um decreto presidencial a tornou um dos patronos do Exército brasileiro.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fidel Castro

Fidel Castro faz 86 anos hoje (13/08) longe da vista, mas não da lembrança, enquanto os cubanos refletem sobre o seu futuro e o deles em uma época de mudança em um dos últimos países comunistas do mundo.
O líder barbudo, que foi uma presença constante e durante décadas e ainda mantém um lugar especial nos corações e mentes dos 11 milhões de moradores da ilha caribenha, mesmo que a idade e a enfermidade tenham-no obrigado a assumir um segundo plano.
Ele está longe do público há quase dois meses, sem aparecer nem publicar uma de suas colunas de opinião na mídia estatal desde 19 de junho.
Para quem sobreviveu a 638 tentativas de assassinato chegou bem longe!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Carlos Eugênio Paz

“Para virar a página, antes é preciso lê-la”.
Baltasar Garzón
Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz nasceu em Maceió - Alagoas em 23 de julho de 1950. Chegou no Rio de Janeiro em 1958. Estudou no Franco-Brasileiro, no Colégio Andrews e no Pedro II. Flamenguista desde Maceió e Marighellista desde 1966. Foi escoteiro no Grupo João Ribeiro dos Santos, viu o Aterro do Flamengo ser construído, viveu feliz nas ruas do Rio de Janeiro. Militante da Ação Libertadora Nacional - ALN, combateu de armas na mão a ditadura civil-militar de direita. Um dos poucos que conseguiu sobreviver, foi para o exílio em 1973, passando oito anos em Paris. Lá estudou música, ciências sociais e fez amigos. Voltou ao Brasil em 1981 para assistir a morte de seu pai. Retomou a vida legal somente depois de ser anistiado pelo STF em maio de 1982. Suas grandes paixões são a música, a literatura e a política.
Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, deixou o Colégio Pedro II no Rio de Janeiro com 17 anos e ingressou na ALN - Ação Libertadora Nacional, para simplesmente ao lado de Carlos Marighella, derrubar a ditadura através da luta armada. E o hoje músico, escritor e militante no PSB-RJ, prossegue na sua luta, agora pelas reformas estruturais impedidas pelo golpe civil-militar de 1964, reformas estas que até hoje ainda não foram realizadas. Morreu em 29 de junho de 2019.
Tudo o que ele viveu na luta armada e de resistência ao golpe civil-militar está descrito nos dois livros de sua autoria que são:

....................→ "Viagem à Luta Armada"
.....................→ "Nas Trilhas da ALN".
Ambos leitura obrigatória para quem quiser conhecer a verdadeira história do período.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Marc Ferrez

Marc Ferrez fotografado por seu filho Júlio, em 1915
Marc Ferrez (Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 1843 - Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 1923) foi um fotógrafo franco-brasileiro. Retratou cenas dos períodos do Império e início da República, entre 1865 e 1918, sendo que seu trabalho é um dos mais importantes legados visuais daquelas épocas.
Boa parte das imagens do Brasil do século XIX que conhecemos foi captada pelas lentes do fotógrafo Marc Ferrez. De 1863 a 1915, Ferrez registrou paisagens urbanas e rurais do Pará ao Rio Grande do Sul. Nesse período, cobriu boa parte do território nacional a serviço da Marinha e da Comissão Geológica do Império. Metade de seu trabalho mostra o Rio de Janeiro. São dele muitos dos primeiros cartões-postais da capital imperial e um dos retratos mais conhecidos do escritor Machado de Assis. Sua obra constitui o mais importante acervo de imagens brasileiro nos primeiros anos da fotografia. Graças ao arquivamento cuidadoso de negativos e reproduções, das 5.500 imagens que ele deixou, 80% estão em perfeitas condições.
Em 1865, aos 21 anos, abriu a própria firma, a Marc Ferrez & Cia, um estúdio fotográfico bem-sucedido, com sede na Rua São José, e que o colocaria entre os principais profissionais da sua cidade e do próprio Império. Em 1868, já um fotógrafo famoso, recebeu menção honrosa do Almanaque Laemment.
Em 1875, Marc Ferrez foi convidado para integrar como fotógrafo à Comissão Geográfica e Geológica do Império do Brasil, comandada pelo geógrafo canadense Charles Frederick Hartt. A expedição percorreria os estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas, e partes da Amazônia. Marc Ferrez fotografaria, quinze anos após Auguste Stahl o ter feito, a Cachoeira de Paulo Afonso. No sul da Bahia, registraria com maestria os índios Botocudos.
Fotografou várias paisagens do Brasil imperial, do Rio de Janeiro como capital da corte. Documentou em imagens, várias obras essenciais para o desenvolvimento daquela cidade.
Marc Ferrez tornou-se impar em sua obra. Conquistou o Império e sobreviveu com prestígio, ao seu fim. Em 1880 recebeu o título de “Photografo da Marinha Imperial” e da Comissão Geográfica e Geológica do Império.
Já na época da República, em 1890, o fotógrafo associou-se a Henri Gustave Lombaets, importante encadernador da Academia Imperial de Belas Artes. Juntos, fundaram a Lombaets, Marc Ferrez & Cia. Da sociedade resultou a publicação de postais e o jornal “A Estação”. Mas a associação durou pouco, sendo desfeita em 1892.
Em 1899, a Casa Ferrez continuou a apostar na publicação de postais. Já o século XIX findava e Marc Ferrez trouxe, nessa época, um Brasil das ruas, uma paisagem humana que retratava a formação de um povo. Os ofícios urbanos estampavam na sensibilidade das suas objetivas. Por ela desfilaram o verdureiro, o cesteiro, o quitandeiro, o garrafeiro, o vassoureiro, o jornaleiro, o amolador de facas, o funileiro... Profissões, muitas das quais, já extintas, e que não se teria noção do que significaram, caso não tivesse tais registros.
O Brasil mudara, a escravidão tinha sido abolida, a República proclamada. Se na época do Império vender nas ruas significava uma tarefa não dignificante, exercida pelos escravos de ganho, que vendiam doces, miudezas, e depois dividiam os lucros com o seu dono; no Brasil que despontava com o alvorecer do século XX transbordava as ruas de imigrantes, vendendo ou oferecendo serviços. Na fotografia que Marc Ferrez registrou a “Vendedora de Miudezas”, podemos constatar as mudanças.
“O Mascate” mostra o homem claramente imigrante, uma nova realidade que mudaria o Brasil não só física, mas culturalmente.
Fotografou o Brasil por quase cinco décadas consecutivas, mantendo sempre um trabalho magnífico, quer com a Monarquia ou com a República. No fim da vida viveu algum tempo na França, de lá retornando já muito doente, em 1920. Marc Ferrez morreria em 12 de janeiro de 1923, na cidade do Rio de Janeiro, cenário que ele tão bem retratou, imortalizando o glamour que ela tinha quando foi capital do Império e da República do Brasil.
Algumas fotos:
Avenida Central (atual Rio Branco), no Rio. Em 1910.
Cinema Pathé, 1918, Rio de Janeiro.
Morro do Corcovado antes da construção do Cristo Redentor.
Foto de Luciano Ferrez (filho de Marc Ferrez) mostra São Conrado, em 1933: praia deserta e a favela da Rocinha nascendo ao fundo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Quem foi Soled ?

Soledad, a mulher do Cabo Anselmo: Quem foi, quem é Soledad Barrett Viedma? Qual a sua força e drama, que a maioria dos brasileiros desconhece? De modo claro e curto, ela foi a mulher do Cabo Anselmo, que ele entregou ao Delegado Torturador Fleury em 1973. Sem remorso e sem dor, o Cabo Anselmo a entregou grávida para a execução, com mais cinco militantes.
“O massacre da granja São Bento”., como ficou conhecida a Chacina é o caso mais eloquente da guerra suja da ditadura no Brasil.
Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Nasceu em 6 de janeiro de 1945, no Paraguai. Casada com José Maria Ferreira de Araújo (desaparecido), tiveram uma filha, Nasaindy Barret de Araújo que hoje em Campinas (SP).
Foi assassinada sob torturas no Massacre da Chácara São Bento, ocorrido no dia 8 de janeiro de 1973, pela equipe do delegado Sérgio Fleury.
Juntamente com Soledad, que estava com 4 meses de gravidez, foram assassinados Pauline Reichstul, Eudaldo Gomes da Silva, Jarbas Pereira Marques, José Manoel da Silva e Evaldo Luiz Ferreira.
As circunstâncias do massacre que vitimou Soledad e seus companheiros estão na nota referente a Eudaldo Gomes da Silva.
Em 1970, de volta ao Brasil, Anselmo foi preso pela ditadura militar. Em troca da liberdade, delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops. A lista de denunciados incluía sua namorada, Soledad Viedma.
O poeta uruguaio Mario Benedetti a homenageou com um poema:
Morte de Soledad Barret Viedma
Viveste aqui por meses ou por anos
traçaste aqui uma reta de melancolia
que atravessou as vidas e a cidade
Faz dez anos tua adolescência foi notícia
te marcaram as coxas porque não quiseste
gritar viva Hitler nem abaixo Fidel
eram outros tempos e outros esquadrões
porém aquelas tatuagens encheram de assombro
a certo Uruguai que vivia na lua
e claro então não podias saber
que de algum modo eras
a pré-história do ibero
agora metralharam no recife
teus vinte e sete anos
de amor de têmpera e pena clandestina
talvez nunca se saiba como nem por quê
os telegramas dizem que resististe
e não haverá mais jeito que acreditar
porque o certo é que resistias
somente em te colocares à frente
só em mirá-los
só em sorrir
só em cantar cielitos com o rosto para o céu
com tua imagem segura
com teu ar de menina
podias ser modelo
atriz
miss Paraguai
capa de revista
calendário
quem sabe quantas coisas
porém o avô Rafael o velho anarco
te puxava fortemente o sangue
e tu sentias calada esses puxões
Soledad solidão não viveste sozinha
por isso tua vida não se apaga
simplesmente se enche de sinais
Soledad solidão não morreste sozinha
por isso tua morte não se chora
simplesmente a levantamos no ar
desde agora a nostalgia será
um vento fiel que flamejará tua morte
para que assim apareçam exemplares e nítido
as franjas de tua vida
ignoro se estarias
de minissaia ou talvez de jeans
quando a rajada de Pernambuco
acabou completo os teus sonhos
pelo menos não terá sido fácil
cerrar teus grandes olhos claros
teus olhos onde a melhor violência
se permitia razoáveis tréguas
para tornar-se incrível bondade
e ainda que por fim os tenham encerrado
é provável que ainda sigas olhando
Soledad compatriota de três ou quatro povos
o limpo futuro pelo qual vivias
e pelo qual nunca te negaste a morrer.

Mario Benedetti (1920-2009)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Francisco Gomes da Silva – Chalaça

(Lisboa, 22 de setembro de 1791 - Lisboa, 30 de dezembro de 1852).
Retrato de Francisco Gomes da Silva, o "Chalaça"
Foto de Simplício Rodrigues de Sá

Chalaça quer dizer zombeteiro, gracejo, caçoada. Narrada em 1ª pessoa, esta obra constitui-se do caderno de anotações de Francisco Gomes da Silva, conselheiro do Império, que, durante um bom tempo, foi um dos mais importantes auxiliares e o mais próximo de Dom Pedro I. Houve quem o chamasse de alcoviteiro e safardana, mais tais acusações não passam de calúnias. Se o chalaça - este era seu apelido - conseguiu ascender de simples serviçal a um dos mais influentes homens do Império brasileiro, isto aconteceu principalmente graças à sua privilegiada inteligência. Além de habilidoso conselheiro, este companheiro de D. Pedro I foi também um brilhante filósofo, conforme demonstram algumas de suas teorias que aqui estão. Como pôr exemplo aquela na qual ele estabelece a profunda relação entre o fluxo sanguíneo e o funcionamento do cérebro no momento da cópula, o que explica tantas e tantas atitudes masculinas.
O personagem esteve em todos os grandes acontecimentos da jovem nação brasileira: gritou, junto com o imperador, às margens do Ipiranga, escreveu a primeira Constituição e dissolveu com bravura a primeira Assembleia Constituinte. O chalaça foi, enfim, um exemplo acabado de homem e estadista, e constituiu-se num modelo muito imitado pelos brasileiros, desde aqueles tempos até os dias de hoje.
Mas Francisco Gomes também sabia fazer rir. Não é à toa que seu apelido significa gracejo, caçoada, zombaria. Seu humor fino e inteligente, seu talento musical (tirava inspirados lundus de sua viola) e sua habilidade ao intermediar os encontros de D. Pedro I com as filhas de Eva fizeram com que ele fosse a companhia favorita do imperador enquanto não admirava as flores pelo lado da raiz. Pode ser que o Chalaça, em seu diário, falte com a verdade em alguns trechos, mas não o julguemos mal. Se há exageros e omissões em sua narrativa, é porque assim funciona a memória, prolongando vitórias e dissimulando derrotas. Talvez por conta disso ele seja acusado de imprecisão histórica.
Chalaça, um píncaro por excelência, teria escrito algumas das páginas mais elegantes e divertidas de que se tem notícia sobre os termos do Primeiro Império. Estávamos lá eu, o Caldeira Brant, que recentemente recebera o título de Marquês de Barbacena, o gentil-homem do paço João da Rocha Pinto e o criador de cavalos João Carlota. Estes dois eram figuras assíduas nos saraus e eu até já fizera com eles alguns negócios. O marquês eu conhecia de vista e era uma das principais vozes do Império. Até então havíamos trocado apenas alguns comprimentos de cabeça. O fidalgo usava coletes engomados ao exagero e ostentava medalhas muito lustradas mesmo nas mais simples recepções. Entramos numa sala um tanto pequena em que havia apenas uma mesa redonda com cinco cadeiras. Eu. como secretário particular de Sua Majestade, obviamente, deveria ficar ã sua direita, mas o marquês se antecipou e tomou a cadeira na qual eu costumava sentar-me. "Este era o seu lugar? Perdão, não tive intenção, queria sentar-me. Pensei que os nobres sempre tivessem a preferência de se assentar à direita do soberano." Ele já ia se levantando quando pus a mão em seu ombro. Não podia deixar que ele se mostrasse tão superior aos olhos do Imperador. "Por favor, Marquês, não queira se incomodar; o Imperador é canhoto mesmo."
José Roberto Torero

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Emílio Ribas

Emílio Ribas (Pindamonhangaba, 11 de abril de 1862 - São Paulo, 19 de fevereiro de 1925) foi um importante sanitarista brasileiro. Trabalhou no combate a epidemias e endemias, tendo criado Instituto Butantan entre outros órgãos públicos de saúde.
Celebração dos 150 anos do nascimento do importante médico sanitarista acontece nessa quarta, 11, com lançamento de livro e de exposição audiovisual.
O médico sanitarista Emílio Ribas é bastante citado em São Paulo por conta do Instituto de Infectologia que leva seu nome, na capital. Mas poucas pessoas conhecem a história desse profissional que, na quarta, 11, completaria 150 anos. Segundo o biógrafo de Emílio Ribas, o também médico José Lélis Nogueira, Ribas mudou os rumos da saúde pública no Brasil. "Ele tinha espírito revolucionário", conta o autor do livro "Emílio Ribas, o guerreiro da saúde".
"Dentre os feitos desse médico sanitarista estão o pioneirismo na luta contra a febre amarela no Brasil e na América do Sul", diz Nogueira. Outras realizações foram: a criação do Instituto Butantan; a idealização de Campos do Jordão como estância climática, juntamente com Victor Godinho, em 1911; os estudos da forma atenuada da varíola, levando à criação da vacina; a reorganização de unidades de saúde como o Serviço Sanitário da época; e a idealização do Sanatório de Santo Ângelo, o primeiro com características mais humanas de assistência aos doentes mentais.
Além da biografia, que será lançada nessa quarta, uma exposição aberta ao público geral oferece um documentário divido em seis filmes que abordam momentos marcantes na história do médico. Os vídeos estarão junto a painéis com fotos históricas dos primórdios da saúde pública do Estado de São Paulo.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Carmem Miranda

Carmem Miranda por José Benicio

José Luiz Benício nasceu em Rio Pardo em, 1936. Considerado um dos maiores ilustradores do país, Benicio, é o nome por trás de 3.000 capas da editora Monterrey – de alguns dos melhores títulos da pulp fiction nacional – e dos cartazes de filmes da pornochanchada e dos Trapalhões, além de clássicos como Dona Flor e seus Dois Maridos.
Começando na carreira como aprendiz de desenhista em Porto Alegre com apenas 16 anos, transferiu-se para ao Rio de Janeiro em 1953, passando a trabalhar em departamentos de arte de agências de publicidade e na Editora Rio Gráfica. A partir de 1961, começou a trabalhar para a McCann Erickson Publicidade, fez importantes trabalhos para a Coca-Cola, Esso e outros grandes clientes. Com mais de 50 anos de carreira, ilustrando projetos de arquitetura e autor de trabalhos para as revistas Veja, Playboy e Isto É, entre outras, hoje dedica seu tempo a atender encomendas para ilustrações de anúncios publicitários e matérias internas de revistas, em seu estúdio particular no Leblon, Rio de Janeiro.
Veja o site do artista ( Aqui )

quarta-feira, 28 de março de 2012

Louise Labé

Louise Labé (1526-1566)
Uma intelectual e um "eu lírico feminino" em uma
harmoniosa articulação do Discurso Amoroso.

O Renascimento é uma época caracterizada por transições. Transição econômica e política (feudalismo – capitalismo), transição social (ruptura com as estruturas medievais) e transição artística (redescoberta e revalorização das referências da antiguidade clássica). Todas estas transições resultam em valores humanistas e naturalistas que levam em sua base conceitos associados ao Humanismo: o neoplatonismo, o antropocentrismo, o hedonismo, o racionalismo, o otimismo e o individualismo, cujo precursor é Petrarca.
Apesar de todas essas mudanças na sociedade e no pensamento da época, a mulher parecia estar em absoluto repouso intelectual e histórico; e continuava-se esperando que uma mulher fosse o objeto de mais alta virtude, que possuísse apenas dons naturais: bela e adorada, que se dedicasse às atividades cotidianas reduzidas ao casamento, em uma vida isolada e que, intelectualmente, somente desenvolvesse artes como tricô, tapeçaria, pintura e música. No entanto, nesse contexto aparece uma mulher que diz:
“Beijai-me agora, e muito, e outra vez mais,
Dai-me um de vossos beijos saborosos,
E depois, dai-me um desses amororos,
E eu pagarei com brasa o que me dais.

Com mais dez beijos longos, langorosos,
E assim, trocando afagos tão gostosos,
Gozemos um do outro, em calma e paz.

Eu viva em vós e vós vivendo em mim.
Deixai que vague, pois, meu pensamento:

Não dá prazer viver bem comportada;
Bem mais feliz me sinto, e contentada,
Quando cometo algum atrevimento”.

Louise Labé
Tradução: Sérgio Duarte

segunda-feira, 26 de março de 2012

Artemisia Gentileschi

Artemisia Gentileschi (1593-1653)

Numa época em que a pintura era um mundo exclusivamente masculino, não por falta de talentos femininos, mas porque o acesso ao estudo e métier da pintura era reservado aos homens, Artemisia Gentileschi destacou-se neste mundo tornando-se o primeiro grande nome da pintura no feminino.
Artemisia Gentileschi nasceu em Roma em 1593. Era filha de um pintor talentoso Orazio Gentileschi, que dominava muito bem a técnica de claro/escuro, muito na linha de Caravaggio. Artemisia vai ser muito influenciada por estes grandes nomes da pintura barroca.
Depois de receber os primeiros ensinamentos do seu pai, este, perante a impossibilidade desta frequentar a Academia, vai entregá-la aos cuidados de um amigo (Agostino Tassi). Tassi aproveitou-se da juventude e ingenuidade da jovem pintora. Acabou por a seduzir e violar. Esta violação deu origem a um longo, humilhante e penoso processo judicial, a que Artemisia se viu exposta e vilipendiada.
Sabe-se hoje que Tassi acabou por ser condenado a um exílio de Roma por um período de cinco anos. Este exílio acabou por durar apenas quatro meses, graças às influências que ele soube mexer.
A obra de Artemisia vai refletir este desejo de vingança. Neste quadro, tema recorrente na pintora, o general assírio Holofernes é decapitado por Judite, que assim libertou o seu povo (judeu) do jugo dos pagãos. Judite é quase um autorretrato da própria Artemisia: forte, vingadora e convicta. A degolação pode simbolizar a castração que ela certamente queria infligir ao seu abusador.
A pintora trabalhou arduamente para sustentar a família, visto que o seu marido, que gostava demasiado do jogo, apenas contribuía para que as dívidas se acumulassem.
Durante muito tempo a obra de Artemisia foi injustamente esquecida e por vezes atribuída a seu pai.
Hoje o seu reconhecimento é universal e constata-se que a sua obra contém, em muitos casos, um ponto de vista único, feminino e até feminista, extremamente avançado para a sua época.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sofonisba Anguissola

Sofonisba Anguissola (1527-1623)
Pintora do Renascimento
Auto retrato
Numa época em que às mulheres estava apenas reservado o papel de dona do lar e mãe de família, Amilcare Anguissola quis que as suas seis filhas estudassem e desenvolvessem os seus talentos naturais. Estava-se no século XVI em Cremona, na Lombardia, e foi assim que Sofonisba Anguissola se tornou a primeira mulher a ser reconhecida como pintora.
Aos 14 anos, Sofonisba começou a ter aulas de pintura com Bernardino Ciampi, um respeitado retratista e pintor de temas religiosos residente igualmente em Cremona, e, mais tarde, prosseguiu os estudos de pintura com Bernardino Gatti, o que constituiu na época um precedente para que os pintores passassem a aceitar mulheres como suas alunas.
Mai tarde, Miguel Ângelo, viria também a orientar o seu trabalho, embora de maneira informal. Apesar dos incentivos familiares e do apoio de artistas da estirpe de Miguel Ângelo, havia algo que estava vedado a Sofonisba Anguissola dada a sua condição de mulher – o estudo da anatomia e as aulas com modelos vivos. Por isso, desenvolveu um novo estilo de retrato, com ela própria como motivo principal – os autorretratos são frequentes ao longo da sua obra – ou membros da sua família em ambientes informais ou descontraídos, como o famoso quadro O Jogo de Xadrez, em que aparecem três das suas irmãs.
Tinha 27 anos quando Filipe II de Espanha convidou-a para ser pintora oficial em sua corte. Deste período, sobrevivem numerosos retratos.
Gian Paolo Lomazzo (1538-1592), no seu Livro, concebeu um diálogo imaginário entre Leonardo da Vinci e o escultor grego Fídias, no qual o primeiro afirma: “Quero chamar a tua atenção para os milagres de uma mulher de Cremona chamada Sofonisba, que tem surpreendido todos os príncipes e sábios da Europa com as suas pinturas. (…) Muitos valorosos têm pensado que ela recebeu o pincel da própria mão do divino Ticiano”.
A pintora apenas viria a casar em 1571, já aos 39 anos, num casamento que lhe foi arranjado por Filipe II. Sofonisba casou-se com D. Francisco de Moncada, filho do vice-rei da Sicília, continuando a viver em Espanha. Em 1578, regressaram a Itália, mais concretamente a Palermo, onde D. Francisco viria a falecer no ano seguinte.
Aos 47 anos, durante uma viagem para Cremona, conheceu Orazio Lomellino, o comandante do navio em que viajou e consideravelmente mais jovem do que ela, com quem se casaria. A fortuna do marido e uma pensão generosa de Filipe II permitiram a Sofonisba viver desafogadamente e entregar-se por completo à sua pintura, sem nunca ter vendido um só dos seus quadros.
Com 90 anos e a vista bastante enfraquecida por cataratas, voltou à Sicília, onde veio a falecer aos 96 anos.
Algumas de suas obras:
Ela e suas irmãs jogando xadrez
Family
Two Sisters and a Brother of the Artist

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Carlos Marighella

«Cem Anos» de – Carlos Marighella
Marighella com a sobrinha Isa no ombro,
ao lado da companheira Clara Charf e
do resto da família em 1962.
Meio século da história do país pode ser contado a partir dos acontecimentos em sua vida: a gênese do comunismo baiano, mulato, do qual Jorge Amado era partidário; o conflito entre integralistas e comunistas; a legalização do Partidão; a clandestinidade; a frustração com Stálin; o golpe militar e, por fim, a luta armada.
Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão.
• De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.
• Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro.
• Em 1º de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela “macedada” – nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação -- deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante.
• Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas.
• Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura.
• Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.
• Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país.
• Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato.
• Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”, o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.
• Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.
• Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1º de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo.
• Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN – Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho, enfrentar a ditadura.
• O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política.
• 1969 - No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada baleado e morto dentro de um Fusca pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da Alameda Casa Branca, em São Paulo. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

‘David Capistrano da Costa’

(1913-1974)
Nasceu no Ceará. Dirigente do Partido Comunista Brasileiro - PCB. Participou do Levante de 1935, como sargento da Aeronáutica, sendo expulso das Forças Armadas e condenado, à revelia, pelo Estado Novo, a 19 anos de prisão. Participou da Guerra Civil Espanhola como combatente das Brigadas Internacionais e da Resistência Francesa, durante a ocupação nazista. Preso em um campo de concentração alemão, foi libertado e regressou ao Brasil em 1941. Em 1945 foi anistiado e, em 1947, eleito Deputado Estadual em Pernambuco. Entre 1958 e 1964 atuou na política pernambucana e dirigiu os jornais "A Hora" e "Folha do Povo". Com o golpe militar, entrou na clandestinidade e asilou-se na Checoslováquia, em 1971. Retornou ao Brasil em 1974, atravessando a fronteira em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, em um taxi. David Capistrano foi sequestrado no dia 16 de março de 1974, no percurso entre Uruguaiana e São Paulo.
A atriz paulista Mika Lins publicou texto pelo jornal “Folha de S.Paulo”, no caderno “Ilustríssima”, dia 23 /10/2011, intitulado “A outra vida do tio Enéas”, onde ela conta sobre David Capistrano da Costa, relatando um dos crimes mais bárbaros e mais chocante, ocorridos no Brasil durante o período da Ditadura Militar que se instalou no País a partir de 1° de abril de 1964.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Nair de Tefé

Nair de Tefé’ von Hoonholtz (1886 - 1981)
Nair de Tefé no solar de seu pai, em Petrópolis,
sendo retratada pelo pintor francês Guirand de Scevola.
Nair de Teffé era caricaturista, num tempo em que as mulheres, em sua maioria, eram apenas donas de casa.
Quando ela se casou com o nosso Presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca, tinha 27 anos e ele, 58.
Fazer sucesso, no Brasil e no Exterior, com as suas caricaturas, ainda não era o bastante para ela, que também era pintora, cantora, pianista e atriz de teatro.
No entanto, ela largou tudo para se tornar a Primeira Dama Brasileira. Mas continuou ousando e escandalizando no Palácio do Catete.
Filha dos barões de Teffé, Nair nasceu em Petrópolis - 10 de junho de 1886 e estudou em Paris.
Começou a publicar seus trabalhos no Brasil em 1909, na então famosa revista Fon Fon.
Como seria de se esperar, Nair era amiga de outra mulher que desafiava os costumes da época: Chiquinha Gonzaga. Foram as duas que levaram o violão – instrumento considerado vulgar – para os saraus que promoviam no Palácio do Catete.
Ruy Barbosa, que perdera a eleição presidencial para Hermes, saiu falando horrores dela, que ela estava desrespeitando o protocolo do palácio do governo, que não tinha a compostura necessária para o cargo de primeira dama e por aí afora. Nair não teve dúvidas: publicou uma caricatura ridicularizando o então senador e o intelectual mais badalado do país, o “Águia de Haia”.
Aliás, no colégio de freiras onde ela estudava quando criança, na Bélgica, já tinha feito a mesma coisa. Seu espírito libertário desagradava a madre superiora e Nair, para se vingar de um castigo recebido, desenhou a madre com um quilométrico nariz, que era realmente o que a religiosa tinha de mais feio. Casou furor também quando apareceu numa festa onde estavam os mais importantes políticos, vestindo uma saia em cuja barra estavam desenhadas as caricaturas de todos os Ministros de Estado.
E, ainda, quando já era velhinha e o imposto de renda andava atrás dela, em plena ditadura militar, ela devolveu à receita o formulário, que haviam enviado, em vez de preenchido, desenhado: lá estava a caricatura do então Ministro da Fazenda, Delfim Neto. Hermes da Fonseca governou o Brasil de 1910 a 1914. Depois disso o casal passou cinco anos na Europa. De volta ao Brasil, o Marechal (como ela sempre o chamara) se envolveu em conspirações militares e acabou passando cinco anos na prisão. Ele morreu em 1923, deixando Nair viúva e com apenas uma herança paterna que não era lá essas coisas e mais meia pensão, já que metade dela era para o filho dele (com a primeira esposa) que tinha problemas mentais.
Casamento do Presidente Marechal Hermes da Fonseca com Nair de Teffé
em 8 de dezembro de 1913.
Mas como ela era mesmo uma mulher à frente do seu tempo, tratou de investir num negócio, abriu um cinema no Rio de Janeiro. Seu sócio era o distribuidor de filmes Luiz Severino. A sociedade durou até 1946 quando Nair decidiu ir morar em Niterói com seus três filhos adotivos e seus animais de estimação.
Dizem que o que restava da herança paterna, ela perdeu nas mesas de jogo.
Em 1959 voltou a desenhar profissionalmente. Morava numa pequena casa em Niterói, pagando aluguel. Quase foi despejada nos anos 1970. Foi salva pelo gongo quando morreu o filho do Marechal e ela passou a receber integralmente a pensão.
Nos anos 1960 e 1970 aparecia na TV de vez em quando, era fã da Jovem Guarda, aprovava a mini saia (que causava enormes polêmicas na sociedade) e participava das cerimônias comemorativas do Dia Internacional da Mulher, ao lado de feministas históricas. Enfim, era uma velhinha arretada!
Nair de Teffé morreu no dia em que completava 95 anos de idade, 10 de junho de 1981. Esta sepultada ao lado do marido, no cemitério de Petrópolis.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Angelo Agostini

‘Pioneiro dos quadrinhos no Brasil’
Angelo Agostini (Vercelli, Itália 1843 - Rio de Janeiro RJ 1910). Foi o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado. Colaborou tanto com desenhos quanto com textos com as publicações O Mosquito, Vida Fluminense, Revista Ilustrada, Don Quixote, O Tico Tico, O Malho, Gazeta de Notícias, entre outros. Publicou, a 30 de Janeiro de 1869, Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das mais antigas do mundo. Mais tarde publica outro personagem, Zé Caipora. Seu nome serviu de inspiração ao Prêmio Angelo Agostini, concedido anualmente pela Associação de Quadrinistas e Caricaturistas de São Paulo aos melhores do ramo e para a criação do Dia do Quadrinho Nacional. Agostini esteve à frente de sua época, criou um estilo, influenciou e tornou a caricatura, a sátira política e os quadrinhos parte de nossa nascente imprensa.
Num Brasil em profunda transformação política, econômica e social, repleto de lutas pela abolição dos escravos e pela proclamação da República, Ângelo Agostini produziu uma arte que se recusava a ficar parada, estática. Avançando no tempo e no espaço, o artista criou uma narrativa sequencial com cortes gráficos que futuramente apareceriam nas histórias em quadrinhos. O mesmo pode-se dizer de suas caricaturas, pois elas não foram apenas um retrato de uma época, mas um olhar critico de uma sociedade que crescia em todos os sentidos. Ou seja, o pai de Nhô Quim e de Zé Caipora, nos deixou como legado aventuras e caricaturas que revelam um tempo histórico significativo, de um país que se tornará Nação, porém, com fortes desejos de ser uma República.

Duas charges de Angelo Agostini:
Charge da Primeira República de Prudente de Morais, considerada corrupta pela política do encilhamento.
Sátira da distribuição de favores por D. Pedro II nos últimos anos do Império.

domingo, 23 de outubro de 2011

Personalidades Históricas: Euclides de Alexandria

Raffaello Sanzio - The School of Athens (detalhe para Euclides)

Euclides de Alexandria (360 a.C. — 295 a.C.) foi um professor, matemático platônico e escritor de origem desconhecida, criador da famosa geometria euclidiana: o espaço euclidiano, imutável, simétrico e geométrico, metáfora do saber na antiguidade clássica, que se manteve incólume no pensamento matemático medieval e renascentista, pois somente nos tempos modernos puderam ser construídos modelos de geometrias não euclidianas. Teria sido educado em Atenas e frequentado a Academia de Platão, em pleno florescimento da cultura helenística.
Convidado por Ptolomeu I para compor o quadro de professores da recém fundada Academia, que tornaria Alexandria no centro do saber da época, tornou-se o mais importante autor de matemática da Antiguidade greco-romana e talvez de todos os tempos.
Pela sua maneira de expor nos escritos deduz-se que tenha sido um habilíssimo professor.