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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Erik Satie para Piano

Pierre Auguste Renoir
As notas vêm sós por harmonias
como de escalas que se cruzam
em sequências descontínuas de figuras
singelamente acorde surpreendido
de se encontrar num instante pensativo.

São como vagas vindo no perlado
tão diminutas, solitárias mas ligadas
de pura sucessão ocasional
que se rebusca em cálculos descaso
contrário ao hábito de estarem escritas,
ou juntas ou seguidas. Mas é como
se desde sempre este hesitante fluido
houvera de estar pronto a ser pensado
e a soar tranquilo em espaço diminuto
não por ser breve mas por ser silêncio
de uma memória em que a surpresa ecoa
lembranças perpassantes de quanto não foi,
não existiu, não foi vivido e entanto
pungente fere as águas espelhadas
onde de imagens passam vultos claros
em túnicas voando transparentes
e muito curtas sobre membros duros
que dançam devagar a dança juvenil
num salpicar de pés do tempo antigo.

Jorge de Sena (1919-1978)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

As Meninas

Renoir-Girls Picking Flowers
"Vocês me parecem tão sem mistério, tão descobertas, chego a pensar que sei tudo a respeito de cada uma e de repente me assusto quando descubro que me enganei, que sei pouquíssima coisa."
- Lygia Fagundes Telles

segunda-feira, 24 de março de 2014

A Felicidade está no Realizar, e não no Usufruir

Pierre-Auguste Renoir
“Atolavam-se na ilusão da felicidade que extraíam dos bens possuídos. Ora a felicidade o que é senão o calor dos atos e o contentamento da criação? Aqueles que deixam de trocar seja o que for deles próprios e recebem de outrem o alimento, nem que fosse o mais bem escolhido e o mais delicado, aqueles que ouvem sutilmente os poemas alheios sem escreverem os poemas próprios, aproveitam-se do oásis sem o vivificarem, consomem cânticos que lhes fornecem, e fazem lembrar os que se apegam às manjedouras no estábulo e, reduzidos ao papel de gado, mostram-se prontos para a escravatura”.
Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)

segunda-feira, 10 de março de 2014

↷ Quadro de Renoir será exposto em Baltimore

Renoir - Paysage Bords de Seine
Uma pequena paisagem de Renoir com uma história digna de romance será exposta a partir do fim de março no Baltimore Museum of Art (BMA) – 62 anos, quatro meses e 14 dias depois dela ter sido vista publicamente pela última vez.
A mostra The Renoir Returns reunirá a pintura Paysage Bords de Seine, de 1879, com mais de 20 obras de arte da coleção da herdeira Saidie May de Baltimore, que legou todos seus bens ao museu após sua morte em 1951.
O quadro foi roubado há mais de 60 anos do museu e jamais recuperado pela polícia. Até que Martha Fuqua trouxe a obra à tona. Segundo ela, o quadro estava à venda em um mercado de pulgas na cidade – e ela o arrematou por US$ 7.
O museu entrou na justiça para reaver a pintura, mas Fuqua alegou que não sabia que se tratava de uma peça roubada – e que, por ter pago por ela, seria sua proprietária. Na semana passada, um juiz de Baltimore deu ganho de causa ao museu.
"Ficamos satisfeitos de receber esta adorável pintura de volta ao museu para reexibi-la ao povo de Baltimore e reuni-la às muitas obras-primas da coleção Saidie May", disse a diretora do museu, Doreen Bolger.
"Por estarmos comemorando o 100º aniversário do museu, estamos particularmente animados com a possibilidade de homenagear o legado de May como uma das doadoras mais generosas do BMA." A exposição ficará aberta até 20 de julho.
Entre os itens incluídos na exposição, está um pequeno esboço em óleo de Georges Seurat, que May comprou de uma galeria francesa no mesmo dia em que adquiriu a paisagem de Renoir. Estará também um autorretrato de Degas que o museu adquiriu com um acordo de seguro de US$ 2.500 que recebeu com o registro do desaparecimento do Renoir.

sábado, 23 de março de 2013

Thoureau e a Preguiça Contemporânea

Pierre Auguste Renoir - A Walk in the Woods
Henry David Thoreau (1817-1862) foi um pensador que se embrenhou no meio do mato após ser encarcerado por que rejeitou pagar impostos que iriam financiar uma guerra. “Se uma lei é injusta, o homem não somente tem o direito de desobedecê-la, ele tem a obrigação de fazê-lo”. [Thomas Jefferson].
O livro "Walden" registra suas experiências e ideias sobre as liberdades individuais, e juntamente com “Desobediência Civil” se tornou uma espécie de standard de sua filosofia de vida. Mas o assunto agora será sobre andar, que é item, outra forma de liberdade, a de transitar.
No ensaio
“Walking” de 1862, Thoreau aborda questões como a preservação da natureza (numa antecipação dos movimentos ambientalistas), a descoberta das Américas, e já deflagra uma questão de sua época que ainda hoje permeia a vida do homem contemporâneo:
A Preguiça.
Observando minha realidade, me deparo com a maldita diariamente: escadas rolantes, carros ocupados só pelo condutor e processos de automação de todos os serviços possíveis.
Não me tenha como antiprogressista, ao contrário, comodidade é boa e eu gosto.
Há também de se considerar que o
transcendentalista americano relata sua própria experiência de descoberta a pé do espaço em que habita, alegando que sua vizinhança o proporciona passeios magníficos e que igualmente caminha milhas nas matas, as vezes por dias seguidos.
Saindo do livreto e olhando pela janela, não reconheço cidade de vocação metropolitana que consiga aliar, conforme o escritor me deixa de imagem, vastos espaços verdes cercados de longos trechos de asfalto sem a tirania da violência urbana e o risco ao pedestre oferecido pelo fluxo intenso de veículos motorizados.
Aí entra o dilema da inação e da automatização generalizada: Evitamos o esforço físico do trote pois a mesma preguiça que a causa, gerou a automatização da violência, o excesso de velocidade do transporte e o descaso para com os ambientes naturais voltados a contemplação e ao convívio social.
Tal discussão envolve grande alçada em campos diversos do conhecimento e não é meu intento debulhar ela por completo.
Isto é apenas uma constatação de que Thoreau nos dias atuais pensaria duas vezes antes de se estarrecer ante pessoas que passam uma manhã inteira de pernas cruzadas, como se pernas tivessem sido feitas para permanecerem sentadas e não eretas.
Flanar livremente para ele era um dever, que atualmente, seria um direito exercido sob duras penas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Chopp

Renoir
Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Carlos Pena Filho (1929-1960)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

↷ Alma Humana

Pierre Auguste Renoir
“Conheça todas as teorias,
domine todas as técnicas, mas
ao tocar uma alma humana,
seja apenas outra alma humana”.

Carl Gustav Jung (1875-1961)

quarta-feira, 21 de março de 2012

↷ Outono

Renoir - Duck pond
A manhã de Outono amarelou a janela
como se em vez de minha, fosse dela.
Um céu azul insistente
veio compor a pintura
por entre galhos de ipê.
Agora, só faltava você
pra completar a cena na moldura.

Flora Figueiredo

sexta-feira, 9 de março de 2012

↷ Canção do Amanhecer

Pierre Auguste Renoir
Ouve
Fecha os olhos, meu amor
É noite ainda
Que silêncio
E nós dois
Na tristeza de depois
A contemplar
O grande céu do adeus

Ah, não existe paz
Quando o adeus existe
E é tão triste
O nosso amor
Oh, vem comigo
Em silêncio

Vem olhar
Esta noite amanhecer
Iluminar
Aos nossos passos tão sozinhos
Todos os caminhos
Todos os carinhos.

Vinícius de Moraes (1913-1980)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Parasol

Parasol
O Parasol foi catalogado oficialmente na França, em 1650, quando passou a ser acessório de moda para mulheres. Na América foi introduzido após 1740. Após o século XVII foi incorporado nas tradições culturais e artísticas dos povos, expressas, por exemplo, na pintura, na dança, em coreografias clássicas ou populares (como o Frevo e a Congada no nordeste do Brasil). Na fotografia artística, é um dos elementos indispensáveis, no controle do excesso de luz, na captura da imagem; na primitiva Capoeira Angola, foi usado como instrumento de defesa, disfarçado de componente coreográfico.
Abaixo temos pinturas famosas com Parasol:
Montet
Francisco Goya
Renoir

Edgar Degas
Umbrella Sky