Mostrando postagens com marcador Vladimir Volegov. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vladimir Volegov. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de junho de 2012

Flor

Vladimir Volegov
O verbo flor é conjugável
Por quase todas as pessoas
Em certos tempos definidos,
A saber:
Quase nunca no outono
No inverno quase não
Quase sempre no verão
E demais na primavera
Que no coração poderá ficar
E ser eterna
Quando o coração conjugar:
Quando eu flor, quando tu flores
Quando ele flor e você flor
Quando nós,
Quando todo o mundo flor.

Renato Rocha

terça-feira, 22 de maio de 2012

Aquela criança

Vladimir Volegov
Aquela criança, aquela
ainda não compreendeu o mundo
ainda se busca no espelho
ainda inventa viagens
ainda ri sem motivo
- quando os fantasmas deixam.

Aquela criança, aquela
teve as asas cortadas
e a máscara afivelada
na morte dos seus amores.

Aprendeu que o tempo
- como tudo mais -
é só miragem.

Lya Luft

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Qualquer gesto

Vladimir Volegov
Era quase a manhã a sangrar nos pulsos.
Qualquer gesto seria inútil para entoar
todos os silêncios que enchem a noite.
Eu podia esperar à beira-mar o amanhecer
ou os amigos a quem a errância dos mastros
rodeia a garganta.
Podia adormecer sob as águas onde se escondem
as quilhas seduzidas pela voragem.
Podia, eu sei, abraçar os navios
ou ser a asa e o voo das aves solitárias.

Graça Pires

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Luz

Vladimir Volegov
Não importa, o quanto...
Tentem apagar a minha luz.
Quanto mais assopram,
Mais intensa torna a minha chama.

Carlucio Bicudo

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A vida verdadeira

Vladimir Volegov
Vem da terra dos barrancos
o jeito doce e violento
da minha vida: esse gosto
da água negra transparente.

A vida vai no meu peito,
mas é quem vai me levando:
tição ardente velando,
girassol na escuridão.

Thiago de Mello
Fragmento

sexta-feira, 11 de março de 2011

↷ Quando me esperas

Vladimir Volegov

Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;

quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;

os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranquilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,

que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.

Artur Azevedo (1855-1908)