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terça-feira, 10 de maio de 2011

Meu coração ...

Anne Francois Louis Janmot
Meu coração é um poço de mel,
No centro de um jardim encantado,
Alimentando beija-flores que, depois de prová-lo,
Transformam-se magicamente em cavalos brancos alados
Que voam para longe, em direção à estrela Vega.
Levam junto quem me ama, me levam junto também.
Cascata de champanha,
Púrpura rosa do Cairo,
Verso de Mário Quintana,
Figo maduro, papel crepom,
Cão uivando pra lua, varinha de incenso.
Acesa, aceso
Vasto, vivo:
Meu coração
É teu.

Caio Fernando Abreu (1948-1996)

domingo, 8 de agosto de 2010

Te desejo uma fé enorme

“(...) Te desejo uma fé enorme , em qualquer coisa, não importa o quê. Não como aquela fé que a gente teve um dia, ao acreditar nas ilusões baratas que a vida vendeu pra gente. Aquilo não era fé, era se entregar de cara limpa pra mentira, pra grande podridão que pode ser o mundo. E ainda achar que tá tudo bem, que vai ficar tudo bem. Me deseja também uma coisa bem bonita, capaz de me fazer apagar o que passou e que me dê esperanças, mesmo que sejam pequenas-esperanças, mas nunca mais aquela fé barata. Uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que me convença de que a vida e as pessoas não são essa coisa vazia e triste que parecem ser dia após dia.”
[Trecho do conto "Os Sobreviventes", de Caio Fernando Abreu]