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sábado, 9 de julho de 2011

Topografia de um Desnudo

O frio chegou com a temperatura caindo muito à noite, o que levou as pessoas a retirar dos baús indumentárias próprias para o inverno, blusas, pulôveres, cachecol e agasalhos diversos com que enfrentar a queda nos termômetros.
Com a friagem piorou a situação dos moradores de rua, pobres mendigos, na sua luta inglória pela sobrevivência. Se já era ruim com o tempo bom, piorou com a baixa temperatura e o sofrimento dessas pessoas. À noite, então, quando buscam locais para dormir e meios de se aquecer do frio cortante, enfrentam a fome, o vento e a falta de caridade da maioria das pessoas.
Rio de Janeiro, anos 60. A cidade se prepara para receber a visita da rainha Elizabeth (essa que está ai até hoje na Inglaterra). O objetivo dos ingleses era mostrar que o Brasil não iria adotar o socialismo, ideia crescente na época. Um clima de tensão social e política antecedem o Golpe Militar. Uma jornalista investiga a morte de moradores de rua e se envolve num perigoso jogo de interesses. Governo e polícia empreendem a “Operação Higienização Social”.
No Rio de Janeiro nos anos 60, a polícia de Carlos Lacerda, recém-eleito com o objetivo de "limpar" a cidade maravilhosa para a visita da rainha, mendigos eram recolhidos por veículos oficiais à noite e jogados no Rio da Guarda, afluente do Rio Guandu, morrendo afogados.
A Imprena nacional e internacional noticiava o fato. Policiais e funcionários do Governo da Guanabara são indiciados. Com o Golpe de 64, os inquéritos são arquivados e o episódio "apagado" da história do Brasil.
Agora, quem quiser, pode assistir ao filme "Topografia de um Desnudo", os assassinatos do Rio Guandu 40 anos depois, da TAO Produções, filme rodado em Campinas e Paulínia que saiu em DVD.
Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Jornada da Alma

Tenho um vídeo que ganhei assim que saiu o Filme “Jornada da Alma” e assisti novamente (acho que pela oitava vez), porque me ajuda quando estou muito precária.
A história de Sabina Spielrein vista através da lente do cineasta italiano Roberto Faenza (“Página da Revolução”), me surpreendeu por levantar inúmeras questões para além do tema central que aborda a paixão entre ela e Carl Gustav Jung, seu psiquiatra.
E ainda mais por se tratar de alguém com problemas psicológicos onde a “paciência” e a “compreensão” inexiste.


Deixo aqui só esta parte onde tem a música Tumbalalaika.
Shtyl a boccher, on un tracht
Tracht un tracht a gatze nacht
Vemen tsu nemen un nit far shemen,
Vemen tsu nemen nit zu far

Refrain
Tumbala, tumbala, tumbalalaika,
tumbala, tumbala, tumbalalaika
Tumbalalaika, shpiel balalaica

Shpiel balalaika, freylacvh zol zayn
Meydl, meydl, ch´vel bay dir fregen,
vos kan vaksn, vaksn on regn?
Vos kon brenen un nit oyfhern?
Vos kon beken, veynen on treren?

Refrain
Tumbala, tumbala, tumbalalaika,
tumbala, tumbala, tumbalalaika
Tumbalalaika, shpiel balalaica

Narisher bocher vos darfstu fregn?
A shteyn ken vaksn, vaksn, on regn.
Libeh ken brenen un nit oyfhern
A harts kon benkn, veynen on treren


Tradução: Recordações


Senhora, senhora, me diga novamente
O que pode crescer, crescer sem a chuva?
O que pode incendiar durante muitos anos?
Quem pode ansiar e chorar, sem lágrimas?


Tumbalalaika, toque a Balalaika,
Tumbalalaika, toque a Balalaika,
Tumbalalaika - nos deixe ser felizes.


Tolo rapaz, por que ainda pergunta?
É a pedra que cresce, que cresce sem chuva.
É o amor que pode incendiar por anos.
É o coração que pode chorar sem lágrimas
.
Tenho uma postagem sobre este filme e a Sabina Spielrein no meu outro blog ( Aqui )


sábado, 25 de dezembro de 2010

A Rede Social

Os nerds contra-atacam.
Com "A Rede Social", longa sobre a criação do Facebook, Hollywood retrata pela primeira vez o momento em que o capitalismo deixa de obedecer apenas a homens de terno e se rende a jovens esquisitos com moletons de capuz.
Nerd leva fora de namorada e, transtornado por algumas cervejinhas, decide entrar na rede de computadores de Harvard para expor fotos de alunas ao julgamento estético e sexual de outros manés como ele. Punido pela universidade, tornado um pária entre as meninas, o hacker associa-se a outros colegas para, supostamente, dar melhor consequência a seu talento. Em pouco tempo, briga com todo mundo e hoje, aos 26 anos, administra uma fortuna pessoal de quase US$ 7 bilhões, feita em cima da rede virtual de relacionamentos que começou a ser inventada em 2003 como vingança de um prosaico pé na bunda e atualmente congrega mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo.
Há dez anos, nenhum executivo de Hollywood com amor a seu Armani apostaria US$ 1 nesse argumento. É tudo esquemático demais, mirabolante demais e, sobretudo, rápido demais para alcançar o mínimo de verossimilhança necessário à indústria do cinema.
Pela primeira vez na história do cinema, o capitalista deixa de ser um ganancioso engravatado, como Gordon Gekko, o personagem de Michael Douglas no filme de Oliver Stone sobre o coração financeiro de Nova York. Talvez porque, pela primeira vez, uma parte importante do grande capital esteja na mão de gente que não dispensa moletom de capuz e chinelo com meia, o figurino principal de Mark Zuckerberg, protagonista do filme dirigido por David Fincher e, de forma mais impressionante, de sua própria história.
Não há sentimentos épicos ou dúvidas shakespearianas, apenas a indiferença cool diante do mundo que ele mesmo transforma. Seu Rosebud talvez seja um e-mail daquela namorada que o desprezou. Mas isso fica para um próximo filme.

Paulo Roberto Pires – Revista Bravo

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Filme

James Cameron, o mala sem alça na versão em 3D
Assistir a "Avatar" num cinema em 3D é experimentar uma sensação diferente. Você penetra nos cenários, acompanha de perto a movimentação dos personagens. É tão realista que o próprio Cameron acreditou que Pandora existia. E, o que é pior, ficava na Amazônia.
No filme, vemos uma ONG formada por pessoas bem intencionadas e idealistas se unir aos nativos daquele planeta e derrotar um exército americano mau feito pica-pau. Cameron faturou bilhões de dólares, mas não ganhou o Oscar. Levou muito menos estatuetas que a ex-mulher. O que não deve ter pensado a atual?
"E aí, Jimmy, como foi lá?" "Mais ou menos. Trouxe três troféus. Na verdade, quem se deu bem foi a Kathryn [Bigelow], ganhou seis estatuetas: melhor filme, direção, roteiro e..." "Chega! Não quero ouvir mais uma palavra sobre essa mulher! Eu me sinto humilhada."
"Calma, Suzy! Já sei o que fazer: salvar o planeta. Prepare as malas, vamos para o Brasil!" Cameron caiu de paraquedas na floresta amazônica. Pintou-se de urucum, abraçou indígenas, dançou com bois em Parintins e se meteu num assunto espinhoso: a questão energética.
Ouviu ONGs e manifestou sua oposição à construção da hidrelétrica de Belo Monte que, não fosse o Google Maps, não teria a menor ideia de que fica no Pará.
Aliás, nem saberia onde fica o próprio Pará. Mas ele vem de uma civilização mais avançada disposto a nos ajudar. Portanto, devemos seguir suas orientações e preservar o ambiente de "Pandora Brasilis". Segundo Cameron, deveríamos ouvir os povos da floresta, mas até agora só ele falou. Fez propostas, pôs um bonezinho, participou de manifestações e ainda deu uns toques no Lula: "Vai na minha que você vai se dar bem...".
Não sei por que, mas essa atitude conquistou minha antipatia e má vontade. Não tinha nenhuma opinião sobre a construção de Belo Monte. Agora, só porque ele é contra, sou a favor. Ele me lembra aquele comercial das Havaianas, em que um argentino resolve se meter na conversa do Lázaro Ramos para falar mal do Brasil. "E quem disse que o Brasil tem problemas?", rechaça Lázaro.
É isso. Não gostamos quando alguém de fora palpita sobre o que devemos fazer. Como diria Romário: "O cara chegou agora e quer sentar na janela?". Pega leve, James Cameron!
Ouviu um discurso da Marina Silva e já entrou na campanha presidencial. Na verdade, acho que gostaria de vê-la na sua próxima superprodução. Marina é verde, seus personagens são azuis, tudo a ver.
Mas tudo isso está ajudando a chamar a atenção para o real propósito da viagem, os lançamentos do DVD e do Blu-ray de "Avatar" no Brasil. E esse filme nós conhecemos. No final das contas, tudo não passa de uma obra do PAC: o Programa de Aceleração do Cameron.

Helio de La Peña é humorista do "Casseta & Planeta

terça-feira, 13 de abril de 2010

Lindo filme

Before The Rains
Esse filme é muito interessante, aliás, sensacional. O aristocrata britânico Henry Moores (Linus Roache) se estabelece no sul da Índia como negociante de especiarias. O comércio com a Europa se intensifica, mas as monções duram meses, destroem as estradas e interrompem o fornecimento de mercadoria, transformando um negócio certo em investimento arriscado.
Apostando no futuro da região, Moores consegue um vultoso empréstimo junto a um banco inglês para construir uma estrada ligando a sua fazenda ao ponto de distribuição. O projeto é caro e ambicioso.
Na década de 30, o movimento para a independência da Índia começa a ganhar forma e Moores precisa da ajuda de seu fiel empregado para convencer os trabalhadores locais a abraçarem a empreitada. T.K. (Rahul Bose) é um jovem indiano formado nas escolas britânicas que utiliza sua influência na vila para transformar o sonho do patrão em realidade.
Partindo dessa premissa, o diretor escolheu apontar sua câmera para a vida dentro da casa britânica em solo indiano e relegou para segundo plano um olhar mais atento aos moradores da vila e seus costumes. Santosh Sivan poderia percorrer o caminho inverso e nos mostrar o dia a dia na vila e as mudanças que décadas de contato com os britânicos fizeram a uma sociedade secular.
O diretor resolve esperar o momento certo para colocar o dilema tradição versus progresso. Apesar de ser um bem sucedido homem de negócios, Moores não consegue resistir aos encantos da jovem Sajani (Nandita Das) e o envolvimento dos dois compromete a frágil estabilidade local.