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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Poema para Galileo

Justus Sustermans
Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar – que disparate, Galileo!
– e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação –
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas – parece-me que estou a vê-las –,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão direta do quadrado dos tempos.

António Gedeão (1906-1997)

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Enem

Felix Parra - Galileo Galilei
“A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o Universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles nós vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto”.
(GALILEU, G. O ensaiador. Coleção Os Pensadores).

No contexto da revolução cientifica do século XVII, assumir a posição de Galileu significava defender:

a) continuidade do vinculo entre ciência e fé dominante na Idade Média.
b) necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático.
c) oposição a nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica.
d) importância da independência da investigação cientifica pretendida pela Igreja.
e) inadequação da matemática para elaborar uma explicação racional da natureza.
----------------- Alternativa C ---------------------

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Galileu Galilei

Galileu Galilei (Pisa, 15 de fevereiro de 1564-Florença, 8 de janeiro de 1642) foi um físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano que teve um papel preponderante na chamada revolução científica.
Estudou medicina na Universidade de Pisa, mas se interessava mais pela matemática, física e astronomia. Em 1592, tornou-se professor de matemática na Universidade de Pádua. Desde cedo passou a defender a teoria heliocêntrica de Copérnico. Em junho de 1609 construiu uma luneta seguindo as informações que recebera sobre um desses instrumentos feito por um holandês. Depois de várias melhorias, conseguiu construir uma luneta com aumento de 30 vezes e passou a observar sistematicamente o céu. Em Janeiro de 1610 observou os quatro satélites de Júpiter hoje chamados de "galileanos". Publicou essas observações salientando que contrariavam o sistema de Ptolomeu, pois mostravam a existência de corpos que giravam em torno de outro astro que não a Terra. Em dezembro desse mesmo ano observou que Vênus apresenta fases como a Lua, provando que esse planeta orbita em torno do Sol. A insistência de Galileu em defender o sistema de Copérnico e seu costume de publicar seus resultados em italiano, tornando-os acessíveis a todos, atraiu a ira da inquisição. Em 1611, o livro de Copérnico foi incluído no Index dos livros proibidos. Em abril de 1630, Galileu publicou seu livro "Sobre os dois maiores sistemas do mundo", onde defende abertamente o sistema heliocêntrico e apresenta as evidências que acumulara com suas observações astronômicas. Apesar do papa Urbano VIII ser seu amigo, Galileu foi intimado pela inquisição a comparecer a um julgamento público em Roma. Lá, foi obrigado a abjurar suas crenças e declarar arrependimento, a fim de evitar a morte na fogueira como herege. Galileu fez sua declaração e foi sentenciado a prisão domiciliar, que teve de cumprir até sua morte, já totalmente cego, em 8 de Janeiro de 1642. Além de seu trabalho em astronomia, Galileu é reverenciado por suas contribuições fundamentais à ciência da mecânica, tendo demonstrado que os corpos caem com a mesma aceleração, independente de suas massas. Seus resultados foram publicados clandestinamente na Holanda em seu livro "Sobre duas novas ciências", já que a sentença incluía uma proibição de publicar livros. Esse livro trata das oscilações dos pêndulos, da coesão dos sólidos, dos movimento uniforme e acelerado e da forma parabólica da trajetórias dos projéteis.
A Igreja Católica por décadas declarou guerra abertamente contra a ciência. Em nome da fé e supostamente da revelação divina, abriram fogo contra o progresso e o avanço das ciências naturais. Foi somente com o Renascimento, e seu filho do meio a Reforma Protestante que a ciência finalmente consegui um espaço para respirar e o crescimento tecnológico finalmente disparou, entretanto hoje, para espanto dos reformadores, são justamente os protestantes que querem jogar Galileu na fogueira.
Ultimamente tenho percebido perplexa a atitude hostil de muitos crentes com o avanço técnico-científico. Não basta a ignorância que paira sobre o meio religioso e o baixo nível de escolaridade que é predominante nas massas. Percebo no evangelicalismo popular certa aversão às ciências exatas. A física e a matemática beiram a heresia a engenharia então, deve ser pecado capital. Outros um pouco menos avesso à tecnologia procura com afinco encontrar na bíblia dados científicos como o número PI e indícios de que a terra seja redonda, me pergunto se esses pulariam de um edifício por não encontrarem no cânon a equação da gravitação universal de Newton?
Fonte: Café com pão e discussão.