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quarta-feira, 13 de maio de 2015

↷ A longuíssima tradição escravocrata da elite brasileira

‘127 anos da Abolição da Escravatura’
Jean-Baptiste Debret - Cena urbana
Debret - Vendedores de capim e leite

A longuíssima tradição escravocrata da elite brasileira e sua resistência a abolir a escravidão.
Penso que a elite de herança escravocrata brasileira é incorrigível.
O Brasil começa a regulamentar os direitos das empregadas domésticas, a meu ver um notável avanço nas relações de trabalho entre estas profissionais e seus patrões. Mas então o que acontece? Começa-se a importar empregadas domésticas Filipinas, consideradas mais polivalentes. Os custos logísticos de trazer alguém do outro lado do planeta parecem ser mais baixos do que os relativos ao pagamento dos direitos de nossas compatriotas brasileiras.
O tráfico de escravos durou 300 anos, depois manteve-se o trabalho análogo à escravidão.
A partir de 1850, a elite escravista do centro sul ampliou sobremaneira o tráfico interno de escravizados do Nordeste para as áreas cafeeiras. Em 1850, para não deixar dúvidas de que a riqueza não seria dividida nem com preto ou carcamano, ela aprova a Lei de Terras e impede que trabalhadores tenha acesso à terra. A elite escravocrata e racista brasileira não parou por aí: trouxe imigrantes europeus matando dois coelhos em uma cajadada: o branqueamento da população brasileira e a ampliação do mercado de mão de obra pra negar qualquer direito ao trabalhador nacional.
Aboliu-se formalmente a escravidão em 1888, mas não a sua prática, o trabalho análogo à escravidão está aí pra ninguém duvidar, assim com o longo caminho da PEC do trabalho escravo no Congresso Nacional e o da PEC das domésticas.
No século XX, durante décadas, os nordestinos foram semi escravizados para erguer a São Paulo locomotiva do progresso, depois foram as vezes dos bolivianos, haitianos…
No século XXI quando finalmente se cogita regular a PEC das domésticas – a verdadeira abolição dos escravos da Casa Grande e dos quartinhos de empregada-, a elite escravocrata que bate palma para a terceirização muda o fluxo da escravidão doméstica para outro continente.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

↷ Religião na Colônia

Jean-Baptiste Debret
Segundo testemunho do viajante norte-americano Thomas Ewbank, a cruz era considerada um dos símbolos religiosos mais poderosos entre a população da Corte. Esta aquarela representa um grupo de tropeiros que transitava entre o Rio de Janeiro e a região de Minas Gerais. Observe que os três homens colocados no primeiro plano possuem crucifixos em torno do pescoço, certamente visando à proteção contra os perigos mais comuns durante a viagens: ataques de salteadores e de quilombolas, acidentes, picadas de cobra e doenças.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Entrudo

Jean-Baptiste Debret – Entrudo
Augustus Earle
O carnaval foi chamado de Entrudo por influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, no ano de 1723, surgindo depois as batalhas de confetes e serpentinas.
No Brasil foi alvo de críticas desde os tempos coloniais, devido ao seu espírito perturbador da ordem, tendo sido proibido várias vezes. Tais medidas, entretanto, eram inoperantes, pois ele continuava soberano como divertimento. Se dentro das casas senhoriais dos principais centros urbanos caracterizava-se pelo caráter delicado e pela presença dos limões de cheiro que os jovens lançavam entre si com o intuito de estabelecer laços sociais mais intensos entre as famílias, nas ruas era uma brincadeira violenta e grosseira, que tinha como principais atores escravos e a população de rua, sendo caracterizado pelo lançamento mútuo de todo tipo de líquidos (até sêmem ou urina) que estivessem disponíveis. Na segunda metade do século XIX uma campanha acirrada foi deflagrada contra o entrudo, vislumbrando o aceleramento das mudanças no modo de vida da sociedade brasileira. A escolha inicial das festas de carnaval que substituiriam o entrudo foi influenciada pelos que frequentavam teatros, óperas e salões. Carnaval para a elite passou a ser sinônimo de luxo, danças, cantos, banquetes, músicas e, especialmente, máscaras. Os bailes de máscaras constituíram-se, a partir de então, no grande ideal de carnaval no Brasil, em meados do século XIX. Já o entrudo praticamente desapareceu, porém é ainda hoje praticado durante o carnaval na cidade de Arraias (TO), onde uma singela placa alardeia: " Entrada franca! Basta um balde de água para molhar os foliões!"


Augustus Earle nasceu na Inglaterra dentro de uma família de artistas oriunda dos Estados Unidos, em 1793.
Aos 27 anos resolveu viajar para América do Sul. Depois de breve estadia no Peru, ele desembarcou em 1821 no Rio de Janeiro, permanecendo no Brasil até 1824.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ridículo

A Imprensa brasileira foi à França
reclamar de premiação a Lula.
Jean-Baptiste Debret
Um dos momentos mais patéticos do jornalismo brasileiro, órgãos de imprensa como o jornal O Globo mandaram repórteres à França para reclamar com Richard Descoings, diretor do instituto francês Sciences Po, por escolher o ex-presidente Lula para receber o primeiro título Honoris Causa que a instituição concedeu a um latino-americano.
A informação é do jornal argentino Pagina/12 e do próprio Globo, que, através da repórter Deborah Berlinck, chegou a fazer a Descoings a seguinte pergunta: “Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?”.
No relato da própria repórter de O Globo que fez essa pergunta constrangedora havia a insinuação de que o prêmio estaria sendo concedido a Lula porque o grupo de países chamados Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China) estuda ajudar a Europa financeiramente, no âmbito da crise econômica em que está mergulhada a região.
A jornalista de O Globo não informa de onde tirou a informação. Apenas a colocou no texto. Não informou se “agrados” parecidos estariam sendo feitos aos outros Bric’s. Apenas achou e colocou na matéria que se pretende reportagem e não um texto opinativo. Só esqueceu que o Brasil estar em condição de ajudar a Europa exemplifica perfeitamente a obra de Lula.
Segundo o relato do jornalista argentino do Pagina/12, Martín Granovsky, não ficou por aí. Perguntas ainda piores seriam feitas.
Os jornalistas brasileiros perguntaram como o eminente Sciences Po, “por onde passou a nata da elite francesa, como os ex-presidentes Jacques Chirac e François Mitterrand”, pôde oferecer tal honraria a um político que “tolerou a corrupção” e que chamou Muamar Khadafi de “irmão”, e quiseram saber se a concessão do prêmio se inseria na política da instituição francesa de conceder oportunidades a pessoas carentes.
Descoings se limitou a dizer que o presidente Lula mudou seu país e sua imagem no mundo. Que o Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula. E que por ele não ter estudo superior sua trajetória pareceu totalmente “em linha” com a visão do Sciences Po de que o mérito pessoal não deve vir de um diploma universitário.
O diretor do Science Po ainda disse que a tal “tolerância com corrupção” é opinião, que o julgamento de Lula terá que ser feito pela história levando em conta a dimensão de sua obra (eletrificação de favelas e demais políticas sociais). Já o jornalista argentino perguntou se foi Lula quem armou Khadafi e concluiu para a missão difamadora da “imprensa” tupiniquim: “A elite brasileira está furiosa”.

Fonte: Blog da Cidadania
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terça-feira, 28 de junho de 2011

↷ Dia 28 de junho na História

Dia 28 de junho de 1848 morre o Pintor Jean-Baptiste Debret.
Vendedores de capim e leite
Jantar na Casa Grande.
Sua obra aborda a presença do negro no Brasil. Debret fez parte da missão cultural francesa que veio com D. João VI. Deixou inúmeras obras em pinturas, aquarelas e desenhos.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tortura motivada por racismo

O indiciamento por tortura
motivada por racismo.
Jean-Baptiste Debret
Em uma decisão inédita, no início deste mês, a Polícia de São Paulo indiciou seis seguranças da rede de supermercados Carrefour pelo crime de tortura motivada por preconceito racial. Eles agrediram o vigilante Januário Alves de Santana, em agosto de 2009, apontado como suspeito de roubar o próprio carro no estacionamento de uma das lojas em Osasco, na Grande São Paulo, na verdade, foi confundido com um ladrão quando entrava em seu próprio carro, no estacionamento.
Também em Osasco, a dona de casa Clécia Maria da Silva, de 56 anos, foi parar no hospital depois de ter sido acusada de furto por seguranças da rede Walmart. Ela havia pagado pelas mercadorias, assim como um garoto de 10 anos, que foi ameaçado com um estilete por um segurança do supermercado Extra – que pertence ao grupo Pão de Açúcar. As ameaças ocorreram em uma salinha nos fundos da loja. Em ambos os casos, as vítimas eram negras.
Carrefour, Walmart e Pão de Açúcar são as três maiores redes de supermercados que atuam no Brasil. Juntas, elas lucraram R$ 71,5 bilhões em 2009. Em entrevista à Radioagência NP, o advogado Dojival Vieira, que acompanha os casos citados, revela os métodos utilizados pelos agentes de segurança dessas empresas para proteger seu patrimônio. Entre outras revelações, ele relata as agressões e humilhações que ocorrem nas chamadas “salinhas de tortura”, para onde são levados os acusados de furto.
Fonte: Revista Brasil de fato
Autor: Sergio José Dias