domingo, 2 de janeiro de 2011

Ano do Coelho

2011 – Ano do Coelho
Um ano calmo, muito bem vindo e muito necessitado após o ano feroz do tigre. Nós devemos apagar alguns pontos, curar as nossas feridas e começar com algum descanso após todas as batalhas do ano precedente.
O bom gosto e refinamento brilharão em tudo e as pessoas reconhecerão que a persuasão é melhor do que a força. Uma época harmoniosa em que a diplomacia, as relações internacionais e a política darão um grande passo outra vez. Nós agiremos com discrição e faremos concessões razoáveis sem demasiada dificuldade.
O momento de prestar atenção ao que se passa à nossa volta. A influência do coelho tende a estragar os momentos de mais conforto despertando e relevando a eficácia e o sentido do dever.
A lei e a ordem serão as máximas deste ano; as regras e os regulamentos deverão ser cumpridos. No entanto, ninguém parece incomodar-se muito com estas realidades desagradáveis. Estão mais ocupados em se apreciar ou simplesmente a fazer coisas fáceis. O cenário é quieto e calmo, deteriorando-se ao ponto de provocar sonolência. Nós todos teremos uma tendência para pôr de lado as tarefas desagradáveis por um período o mais longo possível.
Pode ganhar-se dinheiro sem muito trabalho. O nosso estilo de vida será lânguido e cheio de lazer. Um ano temperado com ritmo lento. Pode-nos parecer possível ser feliz sem demasiados cuidados.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dilma

Presidenta Dilma convidou 11 ex-companheiras de cela para a posse.
Um grupo de 11 antigas militantes de esquerda e ex-companheiras de cela de Dilma Rousseff na ditadura militar está entre os convidados especiais da presidente eleita e acompanhará sua posse no sábado, no Palácio do Planalto. Juntas com Dilma, elas estiveram presas na década de 70 na Torre das Donzelas, como era chamado o conjunto de celas femininas no alto do Presídio Tiradentes, em São Paulo. Para o local eram levados os presos políticos, depois de passarem por órgãos da repressão como o Dops e o DOI-Codi.
Entre as convidadas, que também estarão no coquetel no Itamaraty, está a economista Maria Lúcia Urban, que, na época, chegou grávida ao presídio e recebeu todos os cuidados de Dilma.
- A Maria Lúcia e a Dilma tinham uma relação muito forte, que se manteve – disse a socióloga Lenira Machado, outra integrante do grupo e responsável pelo convite da posse às outras colegas do Tiradentes.
Maria Lúcia hoje é diretora do Centro de Formação Estatística do Paraná. Lenira trabalha com projetos e programas do Ministério do Turismo.
Dilma ficou presa, foi condenada e passou três anos na cadeia. Antes de seguir para o Tiradentes, foi torturada durante 22 dias seguidos. A chegada da companheira à Presidência da República é motivo de orgulho para as colegas de militância política, ainda que atuassem em grupos de esquerda distintos e com pensamentos diferentes sobre como enfrentar o regime militar.
A jornalista Rose Nogueira, que também estará na festa da posse, ficou alguns meses no presídio e tem muitas lembranças de Dilma. Ela se recorda do apego da petista aos livros. De todos os tipos, de teorias da economia aos clássicos da literatura universal. Nos trabalhos manuais na cela, Dilma tinha predileção, segundo Rose, pelo crochê. Fazia bordados em pano.
- Naquela época, Dilma já tinha uma presença forte. Era naturalmente uma líder e muito solidária. Quando a vi num cargo importante no governo Lula, não tinha dúvida que chegaria a presidente do Brasil – disse Rose, que lembrou ainda do gosto de Dilma pela música.
- Ela gostava de cantar “Chico mineiro” – contou Rose, citando uma música caipira que fez sucesso com a dupla Tonico e Tinoco.
As outras colegas de cela que estarão na posse são: a arquiteta Maristela Scofield; a uruguaia Maria Cristina de Castro, que trabalha no Ministério das Minas e Energia; a psicóloga Lúcia Maria Salvia Coelho; a arquiteta Ivone Macedo; Francisca Eugênia Soares e as irmãs Iara de Seixas Benichio e Ieda de Seixas, de uma família que atuou na oposição aos militares.
Fonte: Jornal O Globo.

Viver na Beira-Mar

Vladimir Volegov
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.

Fiama Hasse Brandão (1938-2007)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Poesia

“A poesia nos dá aquilo que a natureza nos nega:
→ uma idade de ouro que não envelhece,
→ uma primavera que não murcha,
→ uma ventura sem nuvens, e
→ uma juventude eterna”.
Ludwig Boerne

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Candido Portinari

Candido Portinari (Brodosqui, 29 de dezembro de 1903 — Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 1962). Pintor expressionista, poeta, político e desenhista.
Nasce numa fazenda de café, em Brodosqui, no interior do Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebe apenas a instrução primária e desde criança manifesta sua vocação artística.
Antes mesmo de terminar o 1º grau integrou um grupo de pintores que chegava a Brodosqui para decorar a Igreja.
Aos quinze anos de idade vai para o Rio de Janeiro, em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas-Artes, tornando-se mais tarde, o maior pintor brasileiro.
Meninos brincando - Portinari
A paisagem onde a gente brincou pela primeira vez
não sai mais da gente.

Candido Portinari (1903-1962)

Café - Portinari
Vim da terra vermelha e do cafezal.
As almas penadas, os brejos e as matas virgens
Acompanham-me como o espantalho,
Que é o meu autorretrato.
Todas as coisas frágeis e pobres
Se parecem comigo.

Candido Portinari (1903-1962)
1ª Missa

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cartão de Natal

Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno, fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo,
e parece que vão enfim poder explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente; que o
entusiasmo conserve vivas suas molas, e
possa enfim o ferro comer a ferrugem
o sim comer o não.

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Velejar para onde?

Velejar para onde?
Para que mundo, acaso,
se esse mundo se esconde
ou nos chega com atraso?

Velejar para que,
se essa mesma distancia
que o coração antevê
com tão profunda ânsia

a nada mais conduz
que ao grande desalento,
de ver que tudo é luz
dispersa em água e vento?

Alphonsus de Guimaraens Filho (1918-2008)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Escolha

Em vez de brincar no bosque com os companheiros
Meu filho se debruça sobre os livros
E lê de preferência
Sobre as negociatas dos financistas
E as carnificinas dos generais.
Quando lê que nossas leis
Proíbem aos pobres e aos ricos
Dormir sob as pontes
Ouço sua risada divertida.
Quando descobre que o autor de um livro foi subornado
Ilumina-se seu rosto jovem. Eu aprovo isso
Mas gostaria de poder lhe oferecer
Uma juventude em que ele
Fosse brincar no bosque com os companheiros.

Bertolt Brecht(1898-1956)

sábado, 25 de dezembro de 2010

A Rede Social

Os nerds contra-atacam.
Com "A Rede Social", longa sobre a criação do Facebook, Hollywood retrata pela primeira vez o momento em que o capitalismo deixa de obedecer apenas a homens de terno e se rende a jovens esquisitos com moletons de capuz.
Nerd leva fora de namorada e, transtornado por algumas cervejinhas, decide entrar na rede de computadores de Harvard para expor fotos de alunas ao julgamento estético e sexual de outros manés como ele. Punido pela universidade, tornado um pária entre as meninas, o hacker associa-se a outros colegas para, supostamente, dar melhor consequência a seu talento. Em pouco tempo, briga com todo mundo e hoje, aos 26 anos, administra uma fortuna pessoal de quase US$ 7 bilhões, feita em cima da rede virtual de relacionamentos que começou a ser inventada em 2003 como vingança de um prosaico pé na bunda e atualmente congrega mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo.
Há dez anos, nenhum executivo de Hollywood com amor a seu Armani apostaria US$ 1 nesse argumento. É tudo esquemático demais, mirabolante demais e, sobretudo, rápido demais para alcançar o mínimo de verossimilhança necessário à indústria do cinema.
Pela primeira vez na história do cinema, o capitalista deixa de ser um ganancioso engravatado, como Gordon Gekko, o personagem de Michael Douglas no filme de Oliver Stone sobre o coração financeiro de Nova York. Talvez porque, pela primeira vez, uma parte importante do grande capital esteja na mão de gente que não dispensa moletom de capuz e chinelo com meia, o figurino principal de Mark Zuckerberg, protagonista do filme dirigido por David Fincher e, de forma mais impressionante, de sua própria história.
Não há sentimentos épicos ou dúvidas shakespearianas, apenas a indiferença cool diante do mundo que ele mesmo transforma. Seu Rosebud talvez seja um e-mail daquela namorada que o desprezou. Mas isso fica para um próximo filme.

Paulo Roberto Pires – Revista Bravo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Antes se arrepender do que se fez

(...)
Antes se arrepender do que se fez
um dia por sincero prazer, pondo tudo de lado,
do que o arrependimento de se ter deixado de fazer,
por temor.... se o coração pedia.

Antes se arrepender do que se fez um dia
por sincero prazer pondo tudo de lado,
do que o arrependimento de se ter deixado
de fazer, por temor... - se o coração pedia.
Se colheste a emoção com intensa alegria
e se foste feliz e marcaste o passado,
bendiz esse segundo ou essa hora, - esse dia
em que o mundo foi teu, vencido e conquistado...
A vida é uma aventura e é preciso vivê-la!
Nada há que justifique uma abstinência ao mundo,
- ergue a mão para o céu e colhe a tua estrela!
É a hora do Natal... A estrela é o teu presente!
Mesmo que ela cintile apenas um segundo,
contigo hás de levá-la indefinidamente. (...)

J. G. de Araujo Jorge (1914-1987)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Camões

Photography by Kirsty Mitchell
“Tenho-me persuadido
Por razão conveniente
que não posso ser contente
pois que pude ser nascido.
Anda sempre tão unido
o meu tormento comigo
que eu mesmo sou meu perigo.”

Luís Vaz de Camões (1524-1589)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Esperança

“Esperança é aquilo que tem plumas
que se empoleira na alma
e canta canção sem palavras
e nunca para, nunca”.

Emily Dickinson (1830-1886)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Minha aldeia

James Emmerson
Da minha Aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar
para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram
o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.

Alberto Caeiro

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Flor Rosa

A rosa é uma das flores mais antigas conhecidas pelo homem e ainda é uma das mais populares. (…) A rosa é a flor do amor. Ela foi criada por Clóris, uma deusa grega das flores, a partir do corpo sem vida de uma ninfa que ela encontrou certo dia em uma clareira no bosque. Pediu a ajuda de Afrodite, a deusa do amor, que deu à flor a beleza: Dionísio, o deus do vinho, ofereceu néctar para proporcionar-lhe um perfume doce; e as três Graças lhe deram encanto, esplendor e alegria. Depois, zéfiro, o vento oeste, afastou as nuvens com seu sopro para que Apolo, o deus-sol pudesse brilhar e fazer a planta florescer. E, desta forma, a rosa nasceu e foi logo coroada Rainha das Flores.
“Se Zeus quisesse oferecer às plantas
Uma rainha para o mundo das flores,
A rosa seria a escolhida
E faria enrubescer a rainha de cada bosque.
Filha mais doce das manhãs orvalhadas,
Goiá adornando o seio da terra,
Olho do prado, brilho dos campos,
Botão de beleza, afagada pelas alvoradas:
A alma suave do amor ela respira,
A testa da Cípria com mágica adorna;
E, às carícias turbulentas de Séfiro,
Entrega suas verdejantes tranças
Até que excitada com o luxuriante jogo,
Faz corar até a luz dos adivinhos.”

Safo de Lesbos (600 a.C.)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Lua

A Lua Nova indica começo de um novo ciclo, o nascimento da Deusa, representado por Morgana a rainha das bruxas, é o tempo de fervilhar de novas ideias; tudo fica com o contorno de perpétuo começo, e podemos sentir que as ideias surgidas nesse período crescem à medida que a Lua vai crescendo no céu. É o mágico começo da jornada rumo ao nosso centro e uma intensa vontade de criar novos projetos. É sempre bom, nesse período, anotar num caderno o turbilhão de sentimentos que nos chegam com intensidade.
A Lua Crescente representa a face virgem da Deusa, representa Rhiannon, a Donzela. Ótima fase para levar a frente os projetos feitos na lua nova, é uma fase de crescimento, de correr atrás do que acredita e quer. É uma fase excelente para o crescimento em todos os sentidos.
A Lua Cheia representa a face Mãe da Deusa, representa Brigit, A Grande Mãe, é uma fase de energia muito forte, excelente para trabalhar intuição, para realização de feitiços, rituais de qualquer espécie. O poder da Deusa está totalizado nessa fase, é aquela que aceita ou rejeita os projetos iniciados na Lua Nova.
Seu papel é da escolha, pois nela se concentram todas as energias que possibilitam avaliar nossos desejos. Nesse período, sempre sonhamos com símbolos da fertilidade, é produtivo anotar os sonhos e meditar profundamente sobre eles. É um ótimo período para procurar aquele emprego tão desejado, para tentar vender seu trabalho, enfim é o tempo de selar nossas realizações.
A Lua Minguante representa a face Anciã da Deusa, representa Cerridwen, indica o ciclo completado, representa a sabedoria, é o tempo da desintegração de algumas ideias antigas; o movimento aqui é de introspecção e recolhimento. É também o período pré-menstrual em várias mulheres.
Nesse período estamos mais pacientes e nossos atos não são mais tão impulsivos. Não é uma fase para se fazer feitiços relacionados a começos, ou eles minguarão junto com a lua, é um período para se preparar para começar tudo de novo, porém com mais sabedoria. É tempo de reflexão...