sábado, 1 de maio de 2010

Filosofia Social

A Filosofia Social é uma variante da Filosofia. Ocupa-se de questões referentes ao significado e à essência da sociedade, considerando sua trajetória, suas mudanças e tendências, bem como as relações entre o indivíduo e a comunidade e as estruturas de convivência.
Há certamente uma interseção com a Sociologia, mas, de fato, a Filosofia Social trata de uma ampla variedade de temas.
Temas relevantes em Filosofia Social:

Agência e Livre-arbítrio
Agência, em sentido filosófico, é a capacidade de um agente intervir no mundo. A agência é considerada pertinente àquele agente, mesmo se tal agente representa um personagem fictício ou alguma entidade não existente. A capacidade de agir não implica, a princípio, numa dimensão moral específica para a capacidade de optar pela ação. A agência moral expressa questões deste tipo.
Agência humana é a capacidade dos seres humanos em fazer escolhas e impor estas escolhas ao mundo. Ela é normalmente contrariada por forças da natureza, as quais são causas que envolvem somente processos deterministas não conscientes.
Neste aspecto, difere sutilmente do conceito de livre arbítrio, a doutrina filosófica de que nossas escolhas não são o produto de cadeias causais, mas são significativamente livres ou indeterminadas. A agência humana implica a afirmação incontroversa de que os seres humanos tomam decisões e as representam no mundo.
Em algumas tradições filosóficas (particularmente aquelas estabelecidas por Hegel e Marx), a agência humana é antes uma dinâmica histórica coletiva do que uma função que emerge do comportamento individual.
Um uso similar do termo agência pode ser encontrado na psicologia social, referindo-se à auto eficácia de uma pessoa, a capacidade de uma pessoa em agir em prol de si mesma.

Vontade de poder
Para Nietzsche a vontade de poder não é somente a essência, mas uma necessidade. É uma lei originária, sem exceção nem transgressão. Ao falar assim o filósofo quer dizer que a Vontade de potência não é algo criado, ou que dependa de condições especiais, como na religião ou em teorias precedentes, mas ela advém da própria realidade das coisas.
Vontade de Poder não está relacionada a nenhum tipo de força física, dinâmica ou outra, mas é a lei originária que regem estas forças secundárias na economia deste sistema chamado universo, ou mundo. É a essência e a própria “luta das forças” que formam a economia universal, impulso que reage e resiste no interior das forças, uma multiplicidade de forças que em suas gradações se manifesta na sua forma última em fenômenos políticos, culturais, astronômicos, permeando a natureza e o próprio homem.

Discurso
O termo discurso admite muitos significados. O mais conhecido deles é do discurso como uma exposição metódica sobre certo assunto. Um conjunto de ideias organizadas por meio da linguagem de forma a influir no raciocínio, ou quando menos, nos sentimentos do ouvinte ou leitor.
Outro significado corrente, muito usado entre os linguistas, cientistas sociais e estudiosos da Comunicação - como Michel Foucault e Émile Benveniste -, porém menos difundido, é do o discurso como algo que sustenta e ao mesmo tempo é sustentado pela ideologia de um grupo ou instituição social. Ou seja, ele é baseado em um conjunto de pensamentos e visões de mundo derivados da posição social desse grupo ou instituição que permitem que esse grupo ou instituição se sustente como tal em relação à sociedade, defendendo e legitimando sua ideologia, que é sempre coerente com seus interesses.

Situacionismo
A Internacional Situacionista (IS) foi um movimento internacional de cunho político e artístico. O movimento IS foi ativo no final da década de 1960 e aspirava por grandes transformações políticas e sociais. A primeira IS foi desfeita após o ano de 1972.
A ideia da Internacional Situacionista é de que vivemos numa sociedade do espetáculo, isto é, toda a nossa vida é envolta por uma imensa acumulação de espetáculos. As coisas que eram vivenciadas diretamente agora são vivenciadas através de um intermediário. A partir do momento que uma experiência é tirada do mundo real ela se torna um produto comercial.
Os situacionistas argumentariam em favor da separação entre um espetáculo "falso" e a "verdadeira" vida cotidiana. Debord, contrastando Hegel, diz que, dentro do espetáculo, "o verdadeiro é um momento do falso". O espetáculo não é uma conspiração. Os Situacionistas diriam que a sociedade chega ao nível do espetáculo quando praticamente todos os aspectos da cultura e experiência são intermediados por uma relação social capitalista.

Modernidade e Pós-modernidade
A modernidade costuma ser entendida como um ideário ou visão de mundo relacionada ao projeto empreendido a partir da transição teórica operada por Descartes, com a ruptura com a tradição herdada - o pensamento medieval dominado pela Escolástica - e o estabelecimento da autonomia da razão, o que teve enormes repercussões sobre a filosofia, a cultura e as sociedades ocidentais.
O projeto moderno consolida-se com a Revolução Industrial e está normalmente relacionado com o desenvolvimento do capitalismo.
O termo era desconhecido para Nietzsche, porém, uma vez que a pós-modernidade se forma em oposição à modernidade, pode-se dizer que foi Nietzsche, em termos abrangentes, quem iniciou o movimento de fustigação dos ideais modernos. Com ele começa a era da paixão moderna. Os seus defensores ou os seus detratores, via de regra, se posicionavam frente à aceitação ou à recusa da modernidade. Porém,
Pós-modernidade ou Pós-modernismo é a condição sociocultural e estética que prevalece no capitalismo contemporâneo após a queda do Muro de Berlim e a consequente crise das ideologias que dominaram o século XX. O uso do termo se tornou corrente embora haja controvérsias quanto ao seu significado e a sua pertinência.
O crítico brasileiro Mário Pedrosa foi um dos primeiros a utilizar este termo em 1964. Em importante artigo sobre a arte de Hélio Oiticica Pedrosa afirmava na ocasião:
“A esse novo ciclo de vocação ante arte chamaria de arte pós-moderna”.

Individualismo
Individualismo é um conceito político, moral e social que exprime a afirmação e a liberdade do indivíduo frente a um grupo, à sociedade e ao Estado.
O Homem do renascimento passou a apoiar a competição e a desenvolver uma crença baseada em que o homem tudo poderia, desde que tivesse vontade, talento e capacidade de ação individual.
O individualismo, em princípio, opõe-se a toda forma de autoridade ou controle sobre os indivíduos e coloca-se em oposição ao coletivismo, no que concerne à propriedade.
Segundo Sartre, mesmo dentro do maior constrangimento - político, econômico, educacional ou outro -, existe um espaço, maior ou menor, para o exercício da liberdade individual, o que faz com que as pessoas possam se distinguir uma das outras, através das suas escolhas.
O exercício da liberdade individual implica escolhas, que, nas sociedades contemporâneas, frequentemente estão associadas a um determinado projeto.

Multidão
Multidão é um conceito da Ciência Política e do Direito Constitucional que representa a multiplicidade social de sujeitos, capaz de atuar em comum como agente de produção biopolítica dentro do sistema político.
Usado pela primeira vez por Maquiavel, a noção de multidão foi promovida fundamentalmente por Spinoza, diferenciando-se da noção de povo, de Hobbes, dominante até os nosso dias.

Direitos
A palavra "direito" vem do latim directus. O termo evoluiu em português da forma "directo" (1277) a "dereyto" (1292) até chegar à grafia atual (documentada no século XIII).
Sistema de normas de conduta imposto por um conjunto de instituições para regular as relações sociais.
No mundo, cada Estado adota um direito próprio ao seu país, donde se fala em "direito brasileiro", direito português", "direito chinês" e outros.
Há também direitos supranacionais, como o direito da União Europeia. Por sua vez, o direito internacional regula as relações entre Estados no plano internacional.

Autoridade
Autoridade é a base de qualquer tipo de organização hierarquizada, sobretudo no sistema político. É uma espécie de poder continuativo no tempo, estabilizado, podendo ser caracterizado como institucionalizado, ou não, em que os subordinados prestam uma obediência incondicional, ao indivíduo ou a instituição detentores da Autoridade. Ou seja, a Autoridade transmite a mensagem de ordem sem dar razões ou algum argumento de justificação e os indivíduos subordinados a esta autoridade aceitam e obedecem sem questionar.
Ideologia
Ideologia é uma atividade filosófico-científica que estuda a formação das idéias a partir da observação do homem no seu meio ambiente.
Para Marx, a produção das idéias não pode ser analisada separadamente das condições sociais e históricas nas quais elas surgem.
Marx também distingue tipos de ideologias que são produzidas: política, jurídica, econômica e filosófica. Com base nos pressupostos teóricos do materialismo histórico, o pensador alemão demonstra que a ideologia é determinada pelas relações de dominação entre as classes sociais.
Ao se referir à ideologia burguesa, Marx entende que as ideias e representações sociais predominantes numa sociedade capitalista são produtos da dominação de uma classe social (a burguesia) sobre a classe social dominada (o proletariado).
A existência da propriedade privada e as diferenças entre proprietários e não proprietários aparecem, por exemplo, nas representações sociais dos indivíduos como algo que sempre existiu e que faz parte da "ordem natural" das coisas. Essas representações sociais, porém, servem aos interesses da burguesia, classe social que controla os meios de produção numa sociedade capitalista.

Crítica cultural
A palavra crítica (do grego crinein) significa separar, julgar. A crítica é uma avaliação que julga o mérito estético de uma obra de arte, a lógica de um raciocínio, a moralidade de uma conduta etc.
Normalmente, mesmo que seja muito respeitado, o crítico não pode apresentar uma avaliação puramente subjetiva, mas deve embasar sua opinião com determinados aspectos objetivos. Isso é importante, porque alguns críticos de renome podem levantar ou arruinar carreiras artísticas com suas avaliações, e devem usar esse tipo de poder com critério e seriedade. Por esses motivos, muitas empresas que produzem ou comercializam essas obras tentam cooptar o crítico para obter avaliações positivas sobre seus “produtos”. As estratégias vão desde a legítima tentativa de persuasão, através de explanações e conversas, às ofertas de presentes e outras barganhas ao jornalista, o que envolve questões éticas.

Decisão do Supremo sobre Anistia

Decisão do Supremo sobre Anistia
acaba com chance brasileira no Conselho de Segurança da ONU.
O jurista Fábio Konder Comparato, que formulou ação contestando a Lei da Anistia (Lei 6.683/79), acredita que a decisão de não revisar a legislação que perdoou crimes comuns cometidos por agentes do Estado durante o período militar é um “escândalo internacional”. Ontem (29), o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a ação proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“O Brasil é um país de duas faces. Lá no exterior, nós somos civilizados e respeitadores dos direitos humanos, sorridentes e cordiais. Por dentro, nós somos de um egoísmo feroz”, analisou. “Isso é um escândalo internacional. Nós somos o único país da América Latina que não julgou inválidas essas anistias.”
Leia a reportagem completa aqui: Agência Brasil

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cada irmão é diferente

William-Adolphe Bouguereau
Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam,
se dilatam no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,
o mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objetos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Pelo sonho é que vamos

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama (1924-1952)

Osvaldo Orlando da Costa

Osvaldão em cartaz de Jayme Leão, 1987

A 27 de abril de 1938 nasce em Passa-Quatro, MG, Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão da Guerrilha do Araguaia. Será um dos guerrilheiros mais admirados pelo povo do sul do PA, pela bondade, a coragem, a pontaria. Desaparecido desde meados de 1974.
Osvaldão, como era conhecido pelos companheiros de luta, foi um dos principais integrantes da Guerrilha do Araguaia, ocorrida na região Norte do Brasil na década de 70. Negro, forte, com quase dois metros de altura, ele era uma figura inconfundível. Quem o conheceu se refere à ele como um homem alegre, sensível e extremamente justo.
Membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Osvaldo Orlando da Costa foi obrigado a viver na clandestinidade depois do golpe militar de 1964, quando passou a ser procurado por sua militância. Antes, porém, foi campeão de boxe pelo clube Botafogo, do Rio de Janeiro, e estudante de Engenharia de Minas, em Praga, na Checoslováquia, onde viveu alguns anos.
Osvaldão foi um dos primeiros militantes comunistas a chegar na região do Araguaia, com a missão de implantar uma guerrilha. Entrou como garimpeiro e mariscador. Tornou-se, em pouco tempo, o maior conhecedor da área ocupada pelos guerrilheiros. Muito querido pelos companheiros e moradores locais, não tardou para que Osvaldo fosse promovido à comandante de um destacamento guerrilheiro.
Osvaldão foi, provavelmente, o último guerrilheiro a ser morto pelos militares, na selva do Araguaia. Segundo o Relatório Arroyo, do PCdoB, o comandante negro teria sido morto e decapitado em 1975, quando foi localizado pelos inimigos próximo à uma cachoeira, muito magro, ferido e doente. Quem teria atirado em Osvaldão foi o mateiro Arlindo Piauí, que servia de guia para as tropas do Exército no interior da floresta.
Sua morte pode ser considerada o ponto final simbólico da epopéia e do sonho guerrilheiro no Araguaia. Até hoje seus restos mortais continuam desaparecidos.

sábado, 24 de abril de 2010

Alguém bateu à porta da Bem-Amada

Amanda Cass
Alguém bateu à porta da Bem-Amada,
e uma Voz lá de dentro perguntou:
- Quem está aí?
E ele respondeu - Sou eu.
A Voz então disse:
- Esta casa não conterá nós dois.
E a porta continuou fechada.
Então o Amante foi para o deserto e na solidão jejuou e orou.
Retornou depois de um ano e bateu novamente à porta.
E de novo a Voz perguntou:
- Quem é?
E o Amante respondeu:
- És tu mesma!
E a porta lhe foi aberta.

Jalaludin Rumi (1207-1273)

As grandes manipulações da História

Desde a Antiguidade, fatos históricos foram distorcidos ou simplesmente inventados para colocar o passado a serviço de ideologias ou interesses particulares.
Em 1941 quando os serviços secretos norte-americanos, depois de decifrarem o Código Púrpura dos japoneses, informaram o Presidente Roosevelt do iminente ataque a Pearl Harbor. Roosevelt, sabendo o que iria acontecer, permitiu o ataque e assim conseguiu entrar na Segunda Guerra Mundial, de que os Estados Unidos saíram sem um único ataque ao seu território e como uma potência econômica ímpar perante uma Europa devastada. Este foi um crime por omissão: podia ter-se feito alguma coisa, mas não se fez, pelo que existe uma corresponsabilidade nos fatos. Igualmente, a 1 de Dezembro de 1981 se pôs em ação por uma ordem secreta de Ronald Reagan a operação que pretendia vender armas ao Irã para financiar os Contras nicaraguenses. Nesta operação estavam implicadas diversas personagens do narcotráfico internacional e era organizada logisticamente pela CIA .
Revista História Viva.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

No Templo da Montanha

Passo a noite
No Templo da Montanha.
Se estender a mão,
Toco as estrelas.
Nem ouso falar,
Para não incomodar
os que moram no céu.

Li Pô (712-770) - poeta chinês
Tradução de Sérgio Capparelli

O Amor Sugado

“O amor, enquanto afeição humana, é o amor que deseja o bem, possui uma disposição amigável, promove a felicidade dos demais e alegra-se com ela. Mas é patente que aqueles que possuem uma inclinação meramente sexual não amam a pessoa por nenhum dos motivos ligados à verdadeira afeição e não se preocupam com a sua felicidade, mas podem até mesmo levá-la à maior infelicidade simplesmente visando satisfazer a sua própria inclinação e apetite. O amor sexual faz da pessoa amada um objeto do apetite; tão logo foi possuída e o apetite saciado, ela é descartada tal como um limão sugado”.
Immanuel Kant (1724 -1804)
Um dos principais filósofos do mundo ocidental

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Em cada coração há uma janela para outros corações

Alfred Gockel
“Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas
que não estão juntas,
Sua luz se une num só feixe”.

Jalaludin Rumi (1207-1273)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Coroai-me de rosas

Jules Scalbert
Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade,
De rosas — rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se tão cedo!
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.

Ricardo Reis
(heterônimo de Fernando Pessoa)

Joaquim José da Silva Xavier

Exerceu diversos trabalhos entre eles minerador e tropeiro. Tiradentes (1746-1792) também foi alferes, fazendo parte do regimento militar dos Dragões de Minas Gerais.
Junto com vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles poetas e advogados, começa a fazer parte do movimento dos inconfidentes mineiros, cujo objetivo principal era conquistar a Independência do Brasil.
Com os conhecimentos que adquirira no trabalho de mineração, tornou-se técnico em reconhecimento de terrenos e na exploração dos seus recursos, começou a trabalhar para o governo no reconhecimento e levantamento do sertão brasileiro. Depois alistou-se na tropa da capitania de Minas Gerais e foi nomeado pela rainha Maria I, comandante da patrulha do Caminho Novo (1781), estrada que conduzia ao Rio de Janeiro, que tinha a função de garantir o transporte do ouro e dos diamantes extraídos da capitania.
Nesse período, começou a criticar a espoliação do Brasil pela metrópole, que ficava evidente quando se confrontava o volume de riquezas tomadas pelos portugueses e a pobreza em que o povo permanecia. Insatisfeito por não conseguir promoção na carreira militar, alcançando apenas o posto de alferes, pediu licença da cavalaria. Morou por volta de um ano na capital, período em que desenvolveu projetos de vulto como a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para melhoria do abastecimento de água do Rio de Janeiro, porém não obteve deferimento dos seus pedidos para execução das obras. Seus projetos foram rejeitados pelo vice-rei, sendo mais tarde construídos por D. João VI.
Tiradentes era um excelente comunicador e orador. Sua capacidade de organização e liderança fez com que fosse o escolhido para liderar a Inconfidência Mineira. Em 1789, após ser delatado por Joaquim Silvério dos Reis, o movimento foi descoberto e interrompido pelas tropas oficiais. Os inconfidentes foram julgados em 1792. Alguns filhos da aristocracia ganharam penas mais brandas como, por exemplo, o açoite em praça pública ou o degredo.
Tiradentes, com poucas influências econômicas e políticas, foi condenado a forca. Foi executado em 21 de abril de 1792. Partes do seu corpo foram expostas em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Sua casa foi queimada e seus bens confiscados.
Embora fracassada, podemos considerar a Inconfidência Mineira como um exemplo valoroso da luta dos brasileiros pela independência, pela liberdade e contra um governo que tratava sua colônia com violência, autoritarismo, ganância e falta de respeito.

domingo, 18 de abril de 2010

A Esperança

Vie Dunn-Harr
A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.
Muita gente infeliz assim não pensa;

No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?
Mocidade, portanto, ergue o teu grito,

Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!
E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

Augusto dos Anjos (1884-1914)

Oh rosa, estás enferma!

Oh rosa, estás enferma!
O verme transparente
Que voa na noite
Ao som da borrasca

Encontrou tua cama
De alegria carmesim
E seu amor, sombrio e secreto,
Tua vida arruína.

William Blake (1757-1827)
Tradução: José Jorge de Carvalho

Não me provoque

Não me provoque,
tenho armas escondidas..
Não me manipule,
nasci para ser livre...

Não me engane,
posso não resistir...

Não grite,
tenho o péssimo hábito de revidar...

Não me magoe,
meu coração já tem muitas mágoas...

Não me deixe ir,
posso nunca mais voltar...

Não me deixe só,
tenho medo da escuridão...

Não me tente contrariar,
tenho palavras que machucam...

Não me decepcione,
nem sempre consigo perdoar ...
Não espere me perder para sentir minha falta !

Clarice Lispector (1920-1977)