terça-feira, 15 de abril de 2014

Paisagem

Monet
Ser tão

nas ruas

Sertão

nas ruas.

Eunice Arruda

domingo, 13 de abril de 2014

Quando Mickey Mouse foi um traficante de drogas...

Em um quadrinho de 1951, ele e Pateta tomam anfetamina, vão à África para vender a droga e entram numa briga com o fornecedor local de haxixe
Você se lembra daquela vez em que o Mickey e o Pateta viram traficantes de drogas e se envolvem numa guerra violenta com um cartel africano? Não? Pois é, em um história em quadrinhos de 1951, Mickey Mouse fica fissurado em um remédio chamado “Peppo”; uma colher do estimulante basta para fazê-los subir pelas paredes (literalmente). Apaixonados pelos efeitos da droga, Mickey e Pateta têm a brilhante ideia de vender anfetamina para faturar uma grana, mas acabam incomodando o fornecedor local de haxixe.
Difícil de acreditar? É bom lembrar que na década de cinquenta, o uso não-medicinal de drogas estimulantes e sedativas era amplamente aceito e difundido na sociedade — os produtos eram vendidos no balcão das farmácias. A prática era tão comum que virou até enredo de quadrinhos infantis da Disney. A fracassada cruzada norte-americana contra as drogas só veio anos mais tarde, com Nixon nos anos sessenta.
Tudo começa quando o Pateta consegue uma “amostra grátis” de uma substância estimulante, muito parecida com anfetamina, chamada Peppo. Os dois provam o remédio “sabor chocolate” e se apaixonam pelo poder do “Super Peppo”. Mickey fica “ligadão” e tem a genial ideia de comercializar o “rebite” ou “bolinha”, como a droga é chamada no Brasil.
O dona da patente diz que não há espaço para mais vendedores nos EUA, mandando Pateta e Mickey além das fronteiras para conquistar o mercado africano. Lá, os dois intrépidos comerciantes encontram o local perfeito: um vilarejo cheio de gente cansada. A empreitada, porém, acaba incomodando o “Medicine Man” (Homem dos Remédios”), o curandeiro/traficante local. Ele é o produtor da substância — “hash”, ou haxixe — responsável por manter todos, inclusive o rei, sonolentos.
Com a ajuda de Peppo, Mickey e Pateta conseguem acordar o rei e convencê-lo de que seu Medicine Man não passa de um impostor. Como recompensa, vendem todo o carregamento de Peppo e voltam para os Estados Unidos com os bolsos cheios.

Fonte:
Revista Smuel: ( Quando Mickey Mouse foi um traficante)

sábado, 12 de abril de 2014

Poesia

Salve minha linda palmeira brasileira
Que vive prisioneira
Por entre os quatro cantos do prédio da cidade
Nasceu como pequena semente
No ponto mais quente
Do nosso país continental tropical Veio morar por aqui
No subúrbio desta Capital
E apesar de toda poluição infernal
Vive como antigamente
A irradiar ondas redondas serenamente
Como se fosse tudo natural
É como grande amizade
Que nos comunicamos e amamos de verdade
Eu do reino animal
Ela do reino vegetal
Nós dois, pois, do superimpério democrático social.

Jorge Mautner

terça-feira, 8 de abril de 2014

Reflexão:

Joseph Caraud
“Procurem ver o mundo como na verdade ele pode ser visto, como um lugar maravilhoso, que, à semelhança de um jardim, podemos cultivar e tornar ainda melhor. Procurem ter a humildade de um jardineiro experiente, de um jardineiro que sabe que muitas das suas tentativas não irão ser bem sucedidas”.
Karl Popper (1902-1994)

domingo, 6 de abril de 2014

Reflexão:

Albrecht Dürer
Perguntaram a Saramago:
→ Como pode o homem ser bom sem Deus?
E Saramago devolveu outra pergunta:
→ Como pode o homem com Deus ser mal?

sábado, 5 de abril de 2014

Timidez

Tullia Masinari
O bicho-de-conta
Faz de conta, faz
Que é cabeça tonta
Mas lá bem no fundo
Não é mau rapaz.

Se a gente lhe toca,
Logo se disfarça:
Veste-se de bola.
Por mais que se faça
Não se desenrola.

Lá dentro escondendo
Patinhas e rosto
É todo um segredo:
Se eu fosse menino
Comigo brincava
Sem medo, sem medo.

Maria Alberta Menéres

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Siriema

Oh! siriema de Mato Grosso
Teu canto triste me faz lembrar
Daqueles tempos que eu viajava
Tenho saudade do teu cantar

Maracaju, Ponta-porã,
Quero voltar oh meu Tupã
Rever os campos que eu conheci
E a siriema eu quero ir

Oh! siriema, quando tu cantas de Mato Grosso a saudade vem
Oh! siriema quando tu choras e vai-se embora
choro também

Maracaju, Ponta-porã,
Quero voltar oh' meu Tupã
Rever os campos que eu conheci
E a siriema eu quero ir.

Chico Neto

segunda-feira, 31 de março de 2014

Ditadura Militar

Dia do Golpe Militar
50 anos do Golpe Militar de 1964.
Este ano, o Brasil vive a mais dolorosa efeméride de sua história: 50 anos do Golpe de Estado.
A coincidência com ano eleitoral, Copa do Mundo, e prováveis protestos de rua, nos dá a chance de forçarmos o Brasil a fazer o que até hoje nunca fez: politizar o debate sobre o golpe de 64. Por que ele aconteceu? Quem se beneficiou? Quem são os herdeiros do golpe?
Seria um belíssimo presente à democracia brasileira, por exemplo, se a Lei da Anistia fosse revista. Não para prender velhinhos, mas para darmos uma satisfação política a nós mesmos, sobretudo, é preciso lembrar à sociedade que o que vivemos não foi nenhuma “ditabranda”. Vivemos um período de ruptura democrática, truculento e sinistro, que abortou o sonho de milhões de brasileiros. O golpe serviu para ampliar a desigualdade de renda, achatar o salário dos trabalhadores, e esmagar as esperanças de setores organizados de construir um país mais justo.
Não há nada de brando no esmagamento do sonho de centenas de milhões de cidadãos e na violação da normalidade democrática, com a instalação de um regime militar de exceção que, paulatinamente, aniquilou todas as liberdades no país.
Não há nada de brando na ruptura brutal de toda uma série de estudos e pesquisas acadêmicas e científicas em curso no país, nas universidades, quase todas abandonadas por causa de uma repressão estúpida e paranoica.
O Brasil, especialmente a nossa juventude, precisa ser melhor informado sobre o que aconteceu. A ditadura trouxe corrupção, miséria e degradação institucional. A origem do sucateamento dos serviços públicos está na ditadura. O problema da corrupção política também tem raízes no período de exceção, porque era um tempo sem liberdade de imprensa, sem instituições de controle e com chefes políticos exercendo cargos administrativos importantes de maneira quase totalitária. Quem ousaria acusar o diretor de uma estatal de corrupção, sendo o mesmo um coronel ou general com poder de mandar prender o acusador por “subversão”?
Precisamos conhecer melhor a história da construção do golpe. Como ele foi gestado, como foi a campanha midiática que o preparou? As passeatas que antecederam o golpe também merecem ser objeto de mais estudo, até porque a mídia, a mesma mídia que apoiou o golpe, prossegue até hoje tentando organizar protestos “espontâneos” para derrubar forças populares.
Às vésperas dos 50 anos do golpe militar torna-se necessário um resgate da História para entendermos o presente. Em 1964 o Brasil era um país politicamente repartido. Dividido e paralisado. Crise econômica, greves, ameaça de golpe militar, marasmo administrativo. O clima de radicalização era agravado por velhos adversários da democracia. A direita brasileira tinha uma relação de incompatibilidade com as urnas. Não conseguia conviver com uma democracia de massas num momento de profundas transformações. Temerosa do novo, buscava um antigo recurso: arrastar as Forças Armadas para o centro da luta política, dentro da velha tradição inaugurada pela República, que já havia nascido com um golpe de Estado.
Nos últimos anos se consolidou a versão de que os militantes da luta armada combateram a ditadura em defesa da liberdade. E que os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heroicas ações. Num país sem memória, é muito fácil reescrever a História.
A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, sequestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum. Argumenta-se que não havia outro meio de resistir à ditadura a não ser pela força. Mais um grave equívoco: muitos desses grupos existiam antes de 1964 e outros foram criados pouco depois, quando ainda havia espaço democrático. Ou seja, a opção pela luta armada, o desprezo pela luta política e pela participação no sistema político, e a simpatia pelo foquismo guevarista antecederam o AI-5, quando, de fato, houve o fechamento do regime. O terrorismo desses pequenos grupos deu munição (sem trocadilho) para o terrorismo de Estado e acabou sendo usado pela extrema direita como pretexto para justificar o injustificável: a barbárie repressiva.
A luta pela democracia foi travada politicamente pelos movimentos populares, pela defesa da anistia, no movimento estudantil e nos sindicatos. Teve em setores da Igreja Católica importantes aliados, assim como entre os intelectuais, que protestavam contra a censura. E o MDB, este nada fez? E os seus militantes e parlamentares que foram perseguidos? E os cassados?
Os militantes da luta armada construíram um discurso eficaz. Quem os questiona é tachado de adepto da ditadura. Assim, ficam protegidos de qualquer crítica e evitam o que tanto temem: o debate, a divergência, a pluralidade, enfim, a democracia. Mais: transformam a discussão política em questão pessoal, como se a discordância fosse uma espécie de desqualificação dos sofrimentos da prisão. Não há relação entre uma coisa e outra: criticar a luta armada não legitima o terrorismo de Estado. Temos de refutar as versões falaciosas. Romper o círculo de ferro construído, ainda em 1964, pelos adversários da democracia, tanto à esquerda como à direita. Não podemos ser reféns, historicamente falando, daqueles que transformaram o antagonista em inimigo; o espaço da política, em espaço de guerra.
Marco Antonio Villa
Historiador, autor do livro 'Ditadura à Brasileira' (Ed. Leya).
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sexta-feira, 28 de março de 2014

Não se sabe tudo

Valentine Rekunenko
“Saber tudo de tudo. Ou tudo de algum saber. Decerto é impossível e mesmo indesejável. Mas que tu sintas que é bela a luz ou ouvir um pássaro cantar e terás sido absolutamente original. Porque ninguém pode sentir por ti”.
Vergílio Ferreira (1916-1996)

quarta-feira, 26 de março de 2014

A mudança de relações entre pais e filhos

Giuseppe Sciuti - La pace domestic

“A mudança de relações entre pais e filhos é um exemplo típico da expansão geral da democracia. Os pais já não estão muito seguros dos seus direitos sobre os filhos, os filhos já não sentem que devem respeito aos pais. A virtude da obediência, que era outrora exigida sem discussão, passou de moda e com certa razão.
A psicanálise aterrorizou os pais cultos com o medo de causarem, sem querer, mal aos filhos. Se os beijam, podem provocar o complexo de Édipo; se não os beijam, podem provocar crises de ciúmes. Se os repreendem em qualquer coisa, podem fazer nascer neles o sentimento do pecado; se não o fazem, os filhos adquirem hábitos que os pais consideram indesejáveis. Quando veem as crianças a chupar no polegar, tiram disso toda a espécie de conclusões terríveis, mas não sabem o que fazer para evitá-lo. O uso dos direitos dos pais que era antigamente uma manifestação triunfante da autoridade, tornou-se tímido, receoso e cheio de escrúpulos.
Perderam-se as antigas alegrias simples e isto é tanto mais grave quanto é certo que, devido à nova liberdade das mulheres solteiras, a mãe tem de fazer muito mais sacrifícios do que antigamente ao optar pela maternidade.
Nessas circunstâncias, as mães conscienciosas exigem muito pouco dos filhos e as mães pouco conscienciosas exigem demasiado. Umas reprimem a sua afeição natural e mostram-se reservadas, as outras procuram nos filhos uma compensação das alegrias a que tiveram de renunciar. No primeiro caso, impede-se o desenvolvimento da afetividade das crianças, no segundo estimula-se em excesso. Em nenhum dos dois, porém, há essa felicidade simples e natural que é o melhor que a vida de família pode proporcionar.
Em face de todas estas dificuldades, é de admirar que a natalidade decline?”.
Bertrand Russell (1872-1970)

segunda-feira, 24 de março de 2014

A Felicidade está no Realizar, e não no Usufruir

Pierre-Auguste Renoir
“Atolavam-se na ilusão da felicidade que extraíam dos bens possuídos. Ora a felicidade o que é senão o calor dos atos e o contentamento da criação? Aqueles que deixam de trocar seja o que for deles próprios e recebem de outrem o alimento, nem que fosse o mais bem escolhido e o mais delicado, aqueles que ouvem sutilmente os poemas alheios sem escreverem os poemas próprios, aproveitam-se do oásis sem o vivificarem, consomem cânticos que lhes fornecem, e fazem lembrar os que se apegam às manjedouras no estábulo e, reduzidos ao papel de gado, mostram-se prontos para a escravatura”.
Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)

sábado, 22 de março de 2014

O Medo do Aborrecimento

Johann Georg Meyer
“O gênero de aborrecimento de que sofre a população das cidades modernas está intimamente ligado à sua separação da vida da Terra. Essa separação torna o seu viver ardente, poeirento e ansioso, tal como uma peregrinação no deserto. Nos que são suficientemente ricos para escolher o seu gênero de vida, o estigma peculiar de insuportável aborrecimento que os distingue é devido, por muito paradoxal que isso possa parecer, ao seu medo do aborrecimento. Ao fugirem do aborrecimento que é fecundo, são vítimas de outro de natureza pior. Uma vida feliz deve ser, em grande medida, uma vida tranquila, pois só numa atmosfera calma pode existir o verdadeiro prazer”.
Bertrand Russell (1872-1970)

terça-feira, 18 de março de 2014

Ondas de Solidão

Henri Houben
“Se possuísse uma canoa e um papagaio, podia considerar-me realmente como um Robinson Crusoé, desamparado na sua ilha. Há, é verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milhões de seres humanos. Mas, que é isso? As pessoas que nos não interessam e que se não interessam por nós, são apenas uma outra forma da paisagem, um mero arvoredo um pouco mais agitado. São, verdadeiramente como as ondas do mar, que crescem e morrem, sem que se tornem diferenciáveis uma das outras, sem que nenhuma atraia mais particularmente a nossa simpatia enquanto rola, sem que nenhuma, ao desaparecer, nos deixe uma mais especial recordação.
Ora estas ondas, com o seu tumulto, não faltavam decerto em torno do rochedo de Robinson - e ele continua a ser, nos colégios e conventos, o modelo lamentável e clássico da solidão”.
Eça de Queirós (1845-1900)

domingo, 16 de março de 2014

Para pensar

Hieronymus Bosch - A Estrada da Vida
“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores. Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício...
Então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.
Ayn Rand (1905-1982)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Pitonisa

Michelangelo
Tantos deuses
me possuíram
tantas mulheres
me fizeram
em seus ventres em seus sonhos
(de mim)
médium de seus desejos.

Miriam Portela