domingo, 11 de dezembro de 2011

Ainda bem que sempre existe outro dia

Sam Toft - A Nice Day
E...
Ainda bem que sempre existe outro dia.
E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas.
E outras coisas...

Clarice Lispector (1920-1977)

A Vida quer é Coragem

Autor: Ricardo Batista Amaral
Editora: Primeira Pessoa
Categoria: Biografias e Memórias
A trajetória pessoal da presidenta Dilma Rousseff e a história do Brasil moderno se entrelaçam numa grande reportagem. Do suicídio de Getúlio Vargas, quando era criança, ao golpe de 1964, quando se aproxima das organizações de esquerda. Da clandestinidade, prisão e tortura na ditadura militar, à luta pela anistia e pela redemocratização. O encontro de Dilma com Leonel Brizola, na fundação do PDT, e sua aproximação com Lula, durante o apagão e na campanha eleitoral de 2002. A chefia da Casa Civil, que assume em plena crise do mensalão, os bastidores da reeleição, a luta contra o câncer e a vitória nas eleições de 2010: uma história de resistência, esperança e coragem.
A foto acima foi tirada em novembro de 1970, quando a hoje presidente da República tinha 22 anos. Ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro.

Onde estão os oficiais que interrogaram Dilma na Justiça Militar?
Esses ai que cobriram o rosto?

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Lago

John William Inchbold - The Lake
Costumava nadar em um lago que tinha perto de casa.
Nadar não é bem a palavra certa,
pois nem nadar sabia direito.
Lembra nitidamente do lago.
Uma tábua que dava para atravessar
de um lado para o outro e muitas árvores ao redor.
O lugar era até perigoso de se ficar, mas isso
nem passava pela sua cabeça e nem
pela cabeça das outras crianças que iam lá brincar.
O lago não era mar, mas era bom
de ficar dentro dele até enrugar os pés e fingir
ser peixinho de lago do meio do mato.
Equilibrar-se em cima da tábua até cair. vuuuuuuaaaa
Roxo nas pernas e joelhos machucados
era normal devido aos escorregões.
Mas relógio do tempo passou tão ligeiro
menina deixou o lago e foi para longe.
Ah, será que lago do mato secou e morreu?
Ou ainda guarda pernas sapecas de meninas que sonham
com pedras e sapos de beira de lagos?

Lou Witt

Fado

‘Patrimônio Imaterial da Humanidade’.
Fado - josé Malhoa
Portugal, 28 Nov 2011 - A inscrição do fado no patrimônio cultural imaterial da Unesco foi recebida com gritos de alegria no bairro Alfama de Lisboa, berço desse canto que se tornou símbolo de todo um povo. "Viva o fado! Foi uma escolha importante para nós", exclamou Maria Argentina, uma cantora que reside no local, onde se vive ao ritmo dessa espécie de "blues português", caracterizado pela expressão de sentimentos de tristeza e nostalgia.
A pouca distância fica o Museu do Fado que, excepcionalmente, permaneceu aberto na noite de sábado, à espera da decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Lutadores

Eugene Burnand - Os Discípulos
“O pão das estrelas me pareceu tenebroso e rijo no céu dos
homens, mas em suas mãos estreitas, li a luta dessas estrelas
convidando outras: emigrantes da ponte, sonhadoras ainda;
recolhi seu suor dourado, e por mim a terra parou de morrer”.

René Char (1907-1988)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Avenida Paulista

‘Símbolo paulista completa 120 anos de história’.
Avenida Paulista em 1891
Há 120 anos (8 de dezembro de 1891), em uma São Paulo ainda pouco populosa, cuja economia girava em torno das fazendas de café, foi inaugurada a via hoje conhecida como um dos principais cartões-postais da cidade e reconhecida como a mais importante do País.
Idealizada pelo engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, com o objetivo de ser um espaço alternativo de moradia para a elite paulistana, que se deslocava do centro para áreas mais altas da cidade, ela poderia ser chamada hoje de “Acácias” ou “Prado de São Paulo”, mas o engenheiro declarou que seu nome deveria homenagear os habitantes dessa terra, e a batizou, desse modo, de Avenida Paulista.
Com o intuito de reproduzir o urbanismo das modernas avenidas europeias, a região atraiu as famílias mais abastadas da cidade, dentre fazendeiros do café e imigrantes que construíram suas mansões e contribuíram para o engrandecimento arquitetônico da região. Atualmente, entre arranha-céus e diversos estabelecimentos de serviços, restam poucas, mas ainda imponentes, lembranças físicas do urbanismo histórico do logradouro. Há diversos imóveis tombados, como a Casa das Rosas, de Alvarez de Azevedo, um grande arquiteto do início do século XIX, o prédio do Museu de Arte de São Paulo, e o Conjunto Nacional, obra da década de 1950, tombada recentemente.
Os primeiros carros carnavalescos no início do século passado passeavam pela Paulista, as corridas de automóvel que aconteciam no eixo da Pacaembu também passavam por ela; os bondes com eletricidade lá tiveram seus primeiros itinerários e, além disso, ela foi a primeira avenida a ter asfalto da América, incluindo os Estados Unidos, em 1909.
Há ainda curiosidades sobre a mais famosa das avenidas. Uma das primeiras transmissões de rádio da história, feitas pelo Padre Landel de Moura, foi realizada do Parque de Santana para a Avenida Paulista, em 1906.
Atualmente, cerca de 1,5 milhão de pessoas circulam diariamente pelos 2,8 km de extensão da Avenida Paulista e, por esse motivo, a região é palco de manifestações que pretendem tornar visíveis suas causas. E, infelizmente têm sido constante ataques homofônicos divulgados pela grande mídia desde novembro do ano passado.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

São tantos os silêncios

Fasani - Sunny Day
São tantos
os silêncios da fala

De sede
de saliva
de suor

Silêncios de sílex
no corpo do silêncio

Silêncios de vento
de mar
e de torpor

Depois há as jarras
com rosas de silêncio

Os gemidos
nas camas

As ancas
o sabor

O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.

Maria Teresa Horta

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Uirapuru

A mata se cala
meditando o teu cantar
em tom de oração.

Delores Pires

Reticências

Corpos reticentes...
Pousadas no fio de luz
livres andorinhas.

Delores Pires

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Carlos Marighella

«Cem Anos» de – Carlos Marighella
Marighella com a sobrinha Isa no ombro,
ao lado da companheira Clara Charf e
do resto da família em 1962.
Meio século da história do país pode ser contado a partir dos acontecimentos em sua vida: a gênese do comunismo baiano, mulato, do qual Jorge Amado era partidário; o conflito entre integralistas e comunistas; a legalização do Partidão; a clandestinidade; a frustração com Stálin; o golpe militar e, por fim, a luta armada.
Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão.
• De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.
• Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro.
• Em 1º de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela “macedada” – nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação -- deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante.
• Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas.
• Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura.
• Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.
• Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país.
• Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato.
• Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio “Alguns aspectos da renda da terra no Brasil”, o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.
• Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro “Por que resisti à prisão”, ele afirmaria: “Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo”.
• Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1º de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo.
• Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN – Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho, enfrentar a ditadura.
• O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política.
• 1969 - No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada baleado e morto dentro de um Fusca pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da Alameda Casa Branca, em São Paulo. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Trem de ipês

Trem de ipês passa bramindo amarelos
gotas pupilam nos galhos
o sol
libera olores
na terra
e sacrifica
sete cores
no curvo altar

da primavera.

Adriano Wintter

sábado, 3 de dezembro de 2011

Toda vida é incompleta

Janet Hill
Toda vida é incompleta
rosa a que falta
uma pétala.

Na escuridão
busco debalde
a tua mão.

E escuto um silvo:
É o trem que parte
da estação.

Lêdo Ivo (1924-2012)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Dia do Samba

‘Dia Nacional do Samba’
Hoje é Dia Nacional do Samba porque Ary Barroso (1903-1964) pisou pela primeira vez, em Salvador no dia 2 de dezembro de 1940, apesar de já ter composto seu sucesso “Na Baixa do Sapateiro”. Luís Monteiro da Costa (vereador na época) fez uma homenagem ao compositor mineiro, recebendo-o com grande pompa e propondo a ideia de comemorar toda a riqueza do samba, um dos principais patrimônios culturais brasileiros com uma data própria.
Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia
A morena mais frajola da Bahia
Pedi-lhe um beijo, não deu
Um abraço, sorriu
Pedi-lhe a mão, não quis dar, fugiu

Bahia, terra da felicidade
Morena, eu ando louco de saudade
Meu Senhor do Bonfim
Arranje outra morena igualzinha pra mim

Oh! amor, ai
Amor bobagem que a gente não explica, ai ai
Prova um bocadinho, ô
Fica envenenado, ô
E pro resto da vida é um tal de sofrer
Ôlará, ôlerê

Ô Bahia
Bahia que não me sai do pensamento
Faço o meu lamento, ô
Na desesperança, ô
De encontrar nesse mundo
Um amor que eu perdi na Bahia, vou contar

Ô Bahia
Bahia que não me sai do pensamento...

Ary Barroso (1903-1964)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jane Austen

Norman Rockwell
“A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós”.
Jane Austen(1775-1817)
Jane Austen (16 de Dezembro de 1775 - 28 de Julho de 1817) foi uma escritora inglesa, considerada como a segunda figura mais importante da literatura inglesa depois de Shakespeare.
Agora, quase 200 anos após a morte precoce da escritora, com apenas 41 anos, já foi atribuída a muitas coisas, desde câncer até a doença de Addison, a investigação de uma escritora de romances policiais trouxe à tona uma nova possibilidade: intoxicação com arsênico.
Leia matéria completa ( Folha SP )

Charles Chaplin, pedófilo (?)

A chamada “sétima arte” teve um pedófilo sobre o qual se murmurou por trás das câmeras: Charles Chaplin se viu envolvido em inúmeros casos com menores, como se fosse um Balthus - o pintor das adolescentes em poses preguiçosas (de acídia ou de lascívia?) — incapaz de filmar Lolitas, mas pronto a persegui-las na vida real.
Entre as que passaram por seu bigodinho, por assim dizer, estão:
Mildred Harris, 16 anos, a quem engravidou
Lita McMurray (ou Lita Grey), 15 anos, a quem também engravidou
Oona O´Neil, 17 anos, com quem depois se casou.

Um gênio? Sem dúvida. Mas de um caráter moral reprovável.
Charles Chaplin fez criticas ao nazismo, fascismo, mas não conseguiu controlar a perversão que tinha dentro de si.
Talvez porque até hoje a mulher naõ é totalmente respeitada.

Veja mais( Aqui )