quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Antonio Berni

Antonio Berni (1905-1981) - Manifestação
Pouco conhecido no Brasil, Delésio Berni é um dos maiores artistas plásticos do modernismo latino-americano.
Com um forte viés social e permeada pelo uso de técnicas mistas, como xilogravura, óleo sobre tela e colagem, suas obras são viscerais, reflexivas, desconcertantes.
Os protagonistas de suas telas são operários, lavradores, moradores de rua, prostitutas. Todos retratados de forma desperançosa, com rostos gigantes, olhos amendoados, cores intensas.
A série Juanito Laguna, por exemplo, mostra as desventuras de um menino que migra com a família do interior para a cidade, vivendo em condições de extrema pobreza.
A paisagem é composta pela adição de restos de materiais, como latas, papelão, brinquedos. Certamente, Berni foi uma grande inspiração para Vik Muniz.
A mostra cobre 50 anos da produção do artista, sendo possível observar vários estilos. Do novo realismo dos anos 1930, passando pelas manifestações sociais dos anos 1950 e terminando com a repressão política e crítica ao consumismo dos anos 1970.
Não por acaso, até hoje suas obras são utilizadas em cartazes de sindicatos e ONGs argentinas. Andando pelas ruas do centro, tive a oportunidade de ver alguns desses materiais colados em postes e paredes.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Pavão Misterioso

Pavão Misterioso
O enredo do Romance do Pavão Misterioso é a aventura de um rapaz, chamado Evangelista, que ao contemplar a beleza de Creuza, donzela conservada prisioneira pelo conde (seu pai), sente-se invadido por um forte desejo: tirar a moça do sobrado do conde e tomá-la como mulher. Evangelista foge com Creuza, ajudado por um pavão mecânico.
O Evangelista do cordel vem da Turquia e sua aventura tem a Grécia como palco. A construção do espaço decorre de dados culturais e contribui para conferir à personagem das histórias populares um caráter mágico. Vivendo em paragens remotas ou simplesmente desconhecidas do apreciador da história, ou ainda povoadas de perigos e ameaças, o herói reveste-se de uma natureza próxima daquela das criaturas míticas, habitantes de um espaço e de um tempo distantes. Alguns heróis populares pertencem a camadas sociais elevadas ou adquirem riqueza e poder no decorrer da história; com esses traços diferenciam-se do cotidiano do homem comum que lhes presta admiração. Assim, o Evangelista do Romance do Pavão Misterioso é um rico herdeiro de "um viúvo capitalista".

Fonte: passeiweb
Há uma música - Pavão Misterioso [Ednardo] , que foi Tema de Abertura da novela Saramandaia. Saramandaia foi uma telenovela de Dias Gomes, exibida na Rede Globo às 22h, de 3 de maio a 31 de dezembro de 1976, tendo 160 capítulos. Foi dirigida por Walter Avancini, Roberto Talma e Gonzaga Blota, e a protagonista era Sonia Braga.
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar...

Ednardo
Nome artístico do cantor e compositor brasileiro, José Ednardo Soares Costa Sousa nascido em Fortaleza, 17 de abril de 1945.
Ouça Pavão Misteriososo
Aqui

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sabedoria

William-Adolphe Bouguereau - Au bord d'une rivière
“Há três métodos para ganhar sabedoria:
1. primeiro, por reflexão, que é o mais nobre;
2. segundo, por imitação, que é o mais fácil;
3. e terceiro, por experiência, que é o mais amargo”.

Confúcio (551-479 a.C.)

O Apanhador no Campo de Centeio

"O Apanhador no Campo de Centeio",
de Jerome David Salinger
O Livro Que Inventou Uma Geração
É bastante possível que você nunca tenha lido O Apanhador. No entanto, se você tem um mínimo de "antenidade" com o mundo que o cerca, muito provavelmente já leu ou ouviu alguma alusão ao livro no cinema, em jornal, revistas ou em outros livros.
O Apanhador no Campo de Centeio foi escrito por J. D. Salinger, em meados de 1945. Narra em primeira pessoa alguns dias da vida de Holden Caulfield, um garoto problemático, entediado, estúpido, covarde, mentiroso, divertido, que acaba de ser expulso da terceira escola. Holden é vitíma de si mesmo, de seu tédio, de seus problemas… Mas na verdade, tudo o que ele quer é defender seus verdadeiros valores.
Holden fica perambulando por NY enquanto não volta pra casa, e aos poucos vai revelando ao leitor um pouco de sua vida, do seu passado, da família. Lembrando que tudo isso se passa em 1945, Estados Unidos pós-guerra, e etc. É um livro legal, daqueles que você vai lendo e lendo pra tentar descobrir e entender o personagem.
Holden Caulfield, além de personagem principal de um livro, também virou personagem de uma das músicas do Green Day. A música se chama Who wrote Holden Caulfield, foi lançada no primeiro CD da banda, e é praticamente um resumo da personalidade de Holden:
“Tem um garoto que enevoa seu mundo
e agora está ficando preguiçoso.
Não há motivação e a frustração o deixa louco.
Ele faz planos para tomar uma atitude
mas sempre acaba sentando.
Alguém o ajude ou ele vai acabar desistindo.”
O mesmo sucesso que consagrou de vez o talento de Salinger (que já vinha, desde os anos 40, publicando contos em revistas) foi sem dúvida o responsável pelo rumo inesperado que sua carreira (e sua vida) tomou desde então. O Apanhador, tornou-se uma coqueluche instantânea entre os jovens americanos, enlouquecidos ao finalmente conseguirem se identificar de forma tão perfeita com um herói de literatura.
Depois de vender mais de 30 milhões de exemplares e virar uma celebridade mundial, Salinger - notoriamente tímido e agressivamente modesto em relação a seu talento - primeiro isolou-se em uma casa no topo de uma montanha, em uma cidadezinha de mil habitantes. Depois foi diminuindo o ritmo de produção e afinal cortou qualquer contato com a mídia. Não concede entrevistas, não se deixa fotografar e nunca permitiu que nenhum dos seus livros fosse adaptado para o cinema (assim como o próprio Holden Caulfield, Salinger odeia cinema).
J. D. Salinger morreu em janeiro deste ano (2010).

domingo, 12 de dezembro de 2010

My Sweet Lord (Meu doce Senhor)

Hm, my Lord
Hum, meu Senhor
Hum, meu Senhor
Eu realmente quero ver-te
Realmente quero estar contigo
Realmente quero ver-te, meu Senhor
Mas demora tanto, meu Senhor
Meu Doce Senhor
Hm, meu Senhor
Hum, meu Senhor
Eu realmente quero conhecer-te
Realmente quero ir contigo
Realmente quero mostra-lhe Senhor
Isso não demorará, meu Senhor (Aleluia)
Meu Doce Senhor (Aleluia)
Hum, meu Senhor (Aleluia)
Meu Doce Senhor
Eu realmente quero ver-te
Realmente quero ver-te
Realmente quero ver-te, Senhor
Mas demora muito, meu Senhor
Meu Doce Senhor (Aleluia)
Hm, meu Senhor (Aleluia)
Meu, meu, meu Senhor (Aleluia)
Eu realmente quero conhecer-te (Aleluia)
Realmente quero ir contigo (Aleluia)
Realmente quero mostrar-lhe Senhor (aaah)
Isso não demorará, meu Senhor (Aleluia)
Hmm (Aleluia)
Meu Doce Senhor (Aleluia)
Meu, meu, Senhor (Aleluia)
Hm, Meu Senhor (Hare Krishna)
Meu, meu, meu Senhora (Hare Krishna))
Oh, hm, Meu Doce Senhora (Krishna, Krishna)
Agora, eu realmente quero ver-te (Hare Rama)
Realmente quero estar contigo (Hare Rama)
Realmente quero ver-te, Senhor (aaah)
Mas, faça isso logo, meu Senhor (Aleluia)
Hm, meu Senhor (Aleluia)
Meu, meu, meu Senhor (Hare Krishna)
Meu Doce Senhor (Hare Krishna)
Meu Doce Senhor (Krishna Krishna)
Meu Senhor (Hare Hare)
Hm, hm (Gurur Brahma)
Hm, hm (Gurur Vishnu)
Hm, hm (Gurur Devo)
Hm, hm (Maheshwara)
Meu Doce Senhor (Gurur Sakshaat)
Meu Doce Senhor (Parabrahma)
Meu, meu, meu Senhor (Tasmayi Shree)
Meu, meu, meu, meu Senhor (Guruve Namah)
Meu Doce Senhor (Hare Rama)
(Hare Krishna) Meu Doce Senhor
(Hare Krishna) Meu Doce Senhor
(Krishna Krishna) Meu Senhor
(Hare Hare)

George Harrison (1943-2001)
Tradução: Luiz R. Costa

sábado, 11 de dezembro de 2010

Delicadeza

Thierry Lagandr

Nem tudo o que escrevo resulta numa realização,
resulta numa tentativa.
O que também é um prazer.
Pois nem em tudo eu quero pegar.
Às vezes quero apenas tocar.
Depois o que toco às vezes floresce
e os outros podem pegar
com as duas mãos.

Clarice Lispector (1920-1977)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A quinze metros do arco-íris

“A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso.
Caracóis não aplicam saliva em vidros; mas,
nos brejos, se embutem até o latejo.
Nas brisas vem sempre um silêncio de garças.
Mais alto que o escuro é o rumor dos peixes.
Uma árvore bem gorjeada, com poucos segundos,
passa a fazer parte dos pássaros que a gorjeiam.
Quando a rã de cor palha está para ter —
ela espicha os olhinhos para Deus.
De cada vinte calangos, enlanguescidos por estrelas,
quinze perdem o rumo das grotas.
Todas estas informações têm soberba
desimportância científica — como andar de costas”.

Manoel de Barros

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A César o que é de César

A César o que é de César
Líder da bancada do agronegócio no Congresso e fiel defensora das propostas de mudanças no Código Florestal brasileiro, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) recebeu das mãos de uma ativista do movimento indígena da Amazônia, junto com o Greenpeace, o prêmio Motosserra de Ouro, símbolo de sua luta incansável pelo esfacelamento da lei que protege as florestas do país.
A ativista tentou presentear Kátia Abreu com uma réplica dourada do instrumento usado para desmatar florestas no lobby do hotel em que está hospedada em Cancún, onde participa da 16ª Conferência de Clima da ONU (COP16). A senadora desprezou o agrado, visivelmente irritada, e deixou para a ativista apenas os comentários irônicos de seus assessores.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Humanos são primatas que negociam

“Humanos são primatas que negociam
A humanidade deverá superar todos os seus problemas.
Nosso segredo? Gostamos de comprar, vender e trocar”.

Matt Ridley

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Casimiro de Abreu

Nas horas mortas da noite
Como é doce o meditar
Quando as estrelas cintilam
Nas ondas quietas do mar;
Quando a lua majestosa
Surgindo linda e formosa,
Como donzela vaidosa
Nas águas se vai mirar!

Nessas horas de silêncio
De tristezas e de amor,
Eu gosto de ouvir ao longe,
Cheio de magoa e de dor,
O sino do campanário
Que fala tão solitário
Com esse som mortuário
Que nos enche de pavor.

Então - Proscrito e sozinho -
Eu solto aos ecos da serra
Suspiros dessa saudade
Que no meu peito se encerra
Esses prantos de amargores
São prantos cheios de dores:
Saudades - Dos meus amores
Saudades - Da minha terra!

Casimiro de Abreu (1839-1860)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Cruz e Sousa

Nos santos óleos do luar, floria
Teu corpo ideal, com o resplendor da Helade
E em toda a etérea, branda claridade
Como que erravam fluidos de harmonia...

As Águias imortais da Fantasia
Deram-te as asas e a serenidade
Para galgar, subir à Imensidade
Onde o clarão de tantos sóis radia.

Do espaço pelos límpidos velinos
Os Astros vieram claros, cristalinos,
Com chamas, vibrações, do alto, cantando...

Nos santos óleos do luar envolto
Teu corpo era o Astro nas esferas solto,
Mais sóis e mais Estrelas fecundando!

Cruz e Sousa (1861-1898)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Fagundes Varela

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá !

Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá !

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá !
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová !
Pela lança ensanguentado
Da flor do maracujá !

Por tudo que o céu revela !
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está !!..
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá !

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em - a -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!

Fagundes Varela (1841-1875)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Guardador de rebanhos

Gauguin
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

Fernando Pessoa (1888-1935)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Se


Se
nasce
morre nasce
morre nasce morre
renasce remorre renasce
remorre resnasce
remorre
re
re
desnasce
desmorre desnasce
desmorre desnasce desmorre
nascemorrenasce
morrenasce
morre
se.

Haroldo de Campos (1929 -2003)