quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Amada

“Esta noite a tua boca
é a mais bela rosa do universo
Bebo para afogar este pesadelo
Que o vinho seja rubro como as maçãs do teu rosto
E os meus versos tão leves
como os anéis dos teus cabelos”.

Omar Khayyám (1048-1131)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Carlota Pereira de Queiroz (1892-1982)

A primeira deputada federal

A médica paulistana Carlota Pereira de Queirós foi a primeira mulher eleita deputada federal no Brasil. A política entrou em sua vida durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando o Estado de São Paulo rebelou-se contra o governo provisório de Getúlio Vargas. Junto com a Cruz Vermelha paulista, ela organizou um grupo de 700 mulheres para dar assistência aos feridos. Além de prestígio, esse trabalho garantiu a ela uma vaga na Assembleia Nacional Constituinte, sendo empossada em novembro de 1933. A parlamentar elaborou o primeiro projeto sobre a criação de serviços sociais no país. Após a promulgação da nova Carta, em 1934, elegeu-se novamente, mandato que exerceu até a decretação do Estado Novo e o fechamento do Congresso Nacional por Getúlio Vargas, em novembro de 1937. Fundadora da Associação Brasileira de Mulheres Médicas, e membro da Academia Paulista de Medicina e da Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires, Carlota também trabalhou em hospitais alemães, franceses e suíços.

Casamento e Fusão Moral

Francesco Hayez
Na vida conjugal, o casal só deve formar de certo modo uma única pessoa moral, animada e governada pelo gosto da mulher e pela inteligência do homem. Se as mulheres mostram mais liberdade e fineza no sentimento, em compensação os homens parecem mais ricos no discernimento que a experiência dá. Acrescentemos que quanto mais um caráter é sublime, mais ele tende a fazer todos os seus esforços para o contentamento do ser amado, e é característico de uma bela alma responder a isso com complacência. Sob essa relação, toda a pretensão à superioridade seria, portanto, inepta e reveladora de um gosto grosseiro ou de uma união mal sucedida. Tudo se perde quando se disputa o comando. Pois uma vez que a união repousa na inclinação, ela é meio rompida assim que o dever começa a se fazer entender.
Um tom duro e impiedoso é um dos mais detestáveis nas mulheres, um dos mais vis e desprezíveis nos homens. O sábio comando da natureza quer, além disso, que toda essa delicadeza, toda essa ternura de sentimento só tenha plena força no começo, em seguida a vida em comum e os afazeres domésticos vêm enfraquecê-la, pouco a pouco, e transformá-la em amizade familiar. A grande arte, enfim, consiste em salvaguardar do primeiro sentimento alguns vestígios, de modo que a indiferença e a saciedade não tirem todo o prazer que por si só justificava essa união
Immanuel Kant (1724 -1804)

domingo, 14 de novembro de 2010

Hino da Proclamação da República

Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir
Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, avante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!
Liberdade! Liberdade!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!

Letra: Medeiros e Albuquerque
Música: Leopoldo Augusto Miguez.

Inquisição

Poder e política em nome de Deus.
A Inquisição é tema que não se esgota. Instituída em 1232 pelo papa Gregório IX ela vigorou até 1859, quando o papado extinguiu definitivamente o Tribunal do Santo Ofício. Portanto, funcionou durante longos seis séculos. Devido a esta complexidade é que se optou por explorar o campo do confisco dos bens dentro do Tribunal do Santo Ofício, instituição que tão bem se utilizou do poder para manter-se viva no seio da sociedade durante um longo período histórico. Entretanto, o assunto em questão aparece em todos os momentos da atuação do Santo Ofício, ficando por demais difícil fazer uma boa análise dentro de um período tão longo. Devido a isto delimitei um pouco mais meu campo de atuação e me restringi ao solo português, tentando entender a questão de forma mais precisa. A Inquisição em Portugal foi instituída em 1536, nos moldes medievais sob a liderança do poder régio. Diferentemente da Inquisição medieval, que possuía como objetivo maior o combate às heresias, a Inquisição portuguesa era comandada pelo rei que centralizava, fortificava e solidificava seu poder através do confisco dos bens. Afinal alguém teria que manter tão complexa estrutura. O alvo maior em solo lusitano era o cristão-novo, judeus convertidos a fé cristã, que a Inquisição julgava manter seus ritos judaicos secretamente. Acusados de profanar as hóstias e desvirtuar muitos cristãos do caminho de Deus, esse povo pagou com a vida e com seus bens a manutenção do equilíbrio do reino. Ë bem verdade que antes da Inquisição se oficializar em terras portuguesas os judeus tiveram proteção e abrigo em troca de alguns tributos especiais do próprio Estado, mas isso só durou enquanto isso trazia algum benefício ao poder régio. Instaurada a Inquisição era preciso que se tivesse hereges a serem perseguidos e nada mais cômodo do que unir o útil ao agradável, ter quem se queimasse na fogueira deixando todos seus bens para a santa madre igreja. É claro que a fórmula não é tão simplista assim, mas devido as circunstâncias tudo leva a crer que abusos dessa ordem eram cometidos, pois quando da instalação da Inquisição em solo lusitano, tentou se conter abusos no tocante ao confisco de bens. Tanto que pela bula de 23 de maio de 1536, a qual instituí o Tribunal do Santo Ofício em Portugal, se determinava que não deveria haver confisco de bens em todo o território por pelo menos dez anos. Em 1576, nova tentativa de se conter abusos decretando-se que seria excomungado aquele que tomasse os bens de judeus confiscados pelo poder da Inquisição. Neste sentido, pode-se dizer que se havia leis e decretos tentando coibir a ação da Inquisição sobre os bens de seus condenados é porque os abusos existiam e muitos foram os sacrificados em favor da permanência do poder régio e eclesiástico.
Prof.ª Liliane Pinheiro da Luz

Hoje questiona-se muito qual ditador foi pior: Hitler ou Stalin ? Direita ou Esquerda ?
A ditadura Nazista (de direita) de Adolf Hitler durou 13 anos e foi responsável pela morte de 30 milhões de pessoas.
O stalinismo (de esquerda) de Josef Stalin durou 31 anos e foi responsável pela morte de 10 milhões de camponeses.
Durante os 628 anos de Inquisição Católica há registro do extermínio de aproximadamente 20 milhões de pessoas, porém, naquela época a imprensa era rudimentar, na verdade, a imprensa escrita foi criada por Gutenberg em 1439, ou seja, quase dois séculos após iniciada a Inquisição. Dessa forma acredita-se que o número de mortos foi bem maior.
A inquisição protestante exterminou milhares de vidas. Igualmente cruel, mas incomparavelmente menor em escala numérica.
Campinas recebeu em 1995 objetos utilizados pela Inquisição para torturar os “hereges”. Entre os objetos de tortura usados estavam a Roda de Despedaçamento, a Roda da Morte de Aragon e um dispositivo de tortura conhecido como a Filha do Carniceiro. Ficaram expostos no Museu da cidade.
Na época levei meus alunos para visitarem esta exposição. Foi chocante.

sábado, 13 de novembro de 2010

É preciso

Vladimir Kush
Preciso ler um bom poema antes de dormir
antes que a noite encerre o diário inventário das lembranças
antes que o sono cale boca e olhar, antes que o prumo caia horizontal.
Preciso ler um bom poema antes
* que seja tarde
* que fique escuro
* que chegue o frio.
Ler um bom poema antes que a morte venha e escreva o seu.

Marina Colasanti

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Coração de Pedra

Angelica Linnhoff

Oh, quanto me pesa
este coração, que é de pedra!
Este coração que era de asas
de música e tempo de lágrimas.

Mas agora é sílex e quebra
qualquer dura ponta de seta.

Oh, como não me alegra
ter este coração de pedra!

Dizei por que assim me fizestes,
vós todos a quem amaria,
mas não amarei, pois sois estes
que assim me deixastes, amarga,
sem asas, sem música e lágrimas,
assombrada, triste e severa
e com meu coração de pedra!

Oh, quanto me pesa
ver meu próprio amor que se quebra!
O amor que era mais forte e voava
mais que qualquer seta!

Cecília Meireles (1901-1964)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Álvaro de Campos

No lugar dos palácios desertos e em ruínas
À beira do mar,
Leiamos, sorrindo, os segredos das sinais
De quem sabe amar.
Qualquer que ele seja, o destino daqueles
Que o amor levou
Para a sombra, ou na luz se fez a sombra deles,
Qualquer fosse o vôo.

Por certo eles foram mais reais e felizes.

Álvaro de Campos
Fernando Pessoa (1888-1935)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
esquecida! E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca (1894-1930)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Plenitude

Sorri, sorriste. O Mundo era pequeno.
Mas bastava. Cabia nele, intacto,
o encantamento pleno
que te detinha ali, junto de mim,
que nos detinha ali, serenos, puros
longe da multidão, longe do Tempo
rio que passava ao largo e nós ficávamos.

Sebastião da Gama (1924-1952)

domingo, 7 de novembro de 2010

Frase

A realidade nunca me basta;
necessito de mágica.

Herman Hesse (1877-1962)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Preconceitos

Xenofobia
Xenofobia é uma palavra de origem grega que significa antipatia ou aversão a pessoas e objetos estranhos. O termo tem várias aplicações e usos, o que muitas vezes provoca confusões em relação ao significado. A xenofobia como preconceito acontece quando há aversão em relação à raça, cultura, opção sexual, etc.

Homofobia
A homofobia é um termo utilizado para identificar o ódio, a aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais e, consequentemente, contra a homossexualidade, e que pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação contra homossexuais.

Misoginia
Misoginia (do grego, miso ódio gene mulher) é um movimento de aversão ao que é ligado ao feminino.
A misoginia sustenta que os homens devem se libertar da influência ou dependência do sexo feminino. Ela considera que a mulher e o universo feminino são mesquinhos ou perigosos. O misógino despreza as mulheres e cultua supostas virtudes masculinas - força, coragem e inteligência, por exemplo.
Por trás desse tipo de discurso há várias deformações. Uma delas, óbvia, é uma visão prostibular das mulheres. Pensam que as mulheres estão sempre atrás da melhor oferta: casam com o mais rico, namoram o mais poderoso, se aproximam de que tem mais status. Como eles ainda acham que as mulheres são incapazes de ganhar seu próprio sustento, sugerem que a vida delas tem o propósito velado de seduzir em troca de vantagens materiais. Princípios, sentimentos ou valores seriam acessórios. Existe até uma suposta teoria evolutiva que explicaria isso: por fracas e dependentes, as mulheres desde a idade das cavernas buscam machos mais fortes para ter com eles suas crias.
É natural que poucos homens se reconheçam nessa descrição tão radical de misoginia. Mas, vistos de perto, todos nós carregamos e divulgamos um pouco dessas ideias. Elas são antigas, afinal. Na cultura grega, foi a primeira mulher, Pandora, quem abriu por curiosidade uma jarra (não caixa...) e permitiu que dali saíssem todos os males que afetam os homens, como as doenças e a morte. É uma história parecida com a lenda hebraica de Adão e Eva no Paraíso. Criada da costela de Adão, Eva lançou a humanidade em desgraça ao comer o fruto proibido. Sempre as mulheres nos comprometendo, não?
No contexto moderno, em que as mulheres estão invadindo os ambientes masculinos do trabalho e disputando as mesmas prerrogativas sexuais de liberdade, essas ideologias subliminares têm uma função defensiva: elas reúnem os homens sob uma mesma crença, a de que eles são seres humanos melhores e ainda têm na vida um papel mais nobre que o das mulheres.
E a Maria Madalena prostituta que foi uma “criação”, invenção do catolicismo? E as novelas, principalmente da TV Globo onde as mulheres são as maiores psicopatas, bruxas e tudo o mais execrável?
Mas basta olhar em volta para ver que isso não é mais verdade. Este ano, se faltassem outros exemplos, tivemos uma mulher disputando o cargo de presidente do Brasil, e nunca se viu tanta baixaria, incluindo aí a Igreja e o papa.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Campo Aberto

Todos os pássaros, todos os pássaros
Asas abriam, erguiam cantos,
De Amor cantavam.

Todos os homens, todos os homens,
De almas abertas, de olhos erguidos,
De Amor cantavam.
De Amor cantavam todos os rios,
Todas as serras, todas as flores,
Todos os bichos, todas as árvores,
Todo os pássaros, todos os pássaros,
Todos os homens, todos os homens.
De Amor cantavam...

Sebastião da Gama (1924-1952)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu só confio nas pessoas loucas

Candido Portinari
“Eu só confio nas pessoas loucas:
↠ aquelas que são loucas pra viver,
↠ loucas para falar,
↠ loucas para serem salvas,
↠ desejosas de tudo ao mesmo tempo,
↠ que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira,
↠ mas queimam, queimam, queimam,
como fabulosas velas amarelas romanas
explodindo como aranhas através das estrelas”.
Jack Kerouac (1922-1969)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Uma verdade

“Todo progresso humano,
toda a história das ciências
é a história da razão contra o sagrado”.

Roger Vailland (1907-1965)