terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mensagem

Há todo um velho mundo ainda por destruir
e todo um novo mundo a construir.
Mas nós conseguiremos, jovens amigos,
não é verdade?

Rosa Luxemburgo (1871-1919)

sábado, 16 de outubro de 2010

A hipocrisia nas sacristias paulistas

Gráfica da Igreja imprime panfletos contra Dilma
Uma gráfica no bairro do Cambuci, região sudeste da capital paulista, estava imprimindo, na manhã deste sábado, panfletos com um texto de um
braço da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) contra o PT e a presidenciável Dilma Rousseff.
Como fica o bispo de Guarulhos nessa história toda?
De onde saiu o dinheiro para imprimir um milhão de prospectos no primeiro turno e mais um milhão no segundo turno, como revela o contador da gráfica (que aliás recusou parte da encomenda por não ter capacidade para atender o pedido no prazo exigido pelo bispo)?
Resultado da contribuição de fiéis para obras sociais, ou outras da Igreja, ou das igrejas sob a responsabilidade de D. Luís Gonzaga?
Por que de tal atitude se a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – em nota reiterada em diversas oportunidades condenou esse tipo de decisão?
Seria equivocado chamar o bispo de mentiroso? De cínico? De partidário? De usar o dinheiro de sua diocese para fins outros que não os anunciados? Nesse caso o bispo é honesto?
É claro que não. Nem o candidato José FHC Serra, nem sua mulher Mônica Serra, muito menos o bispo D. Luís Gonzaga.
Mentem, são hipócritas ao usar a religião e a fé do povo como instrumentos para alcançar objetivos eleitorais, ludibriam, enganam.
Qual o propósito do bispo de Guarulhos? Consciente, não é um idiota, que está mentindo, está enganando fiéis?
Usando a Igreja como disfarce para atividades no mínimo equivocadas, na verdade, criminosa.

O que há por trás de todo esse revoltante cinismo?
Quais interesses o bispo representa? Por que o candidato José FHC Serra é apoiado por um bispo num tema em que ilude a boa fé das pessoas? Por que Mônica Serra usou de um expediente tão baixo quando disse no Rio que Dilma “mata criancinhas”.

E ela?

Há algo mais que hipocrisia nas sacristias paulistas. Há corrupção. Há fascismo. Há um sórdido e mentiroso complô que nada tem a ver com fé, mas com interesses subalternos, mesquinhos, criminosos, tanto do bispo, como do candidato e sua mulher.

Não basta uma nota da CNBB sobre o assunto. Há um bispo mentiroso, usando a Igreja para fins outros que não os que lhe dão sentido.
E os padres pedófilos? Por que a Igreja não cuida disso?

Há cerca de trinta anos existe um processo de desmonte da Igreja na ação de bispos como esses.

Saem figuras grandiosas como Hélder Câmara, Leonardo Boff, D. Demétrio, tantos que tombaram vítimas da brutalidade da ditadura militar, entram bispos destituídos de honra e respeito que com certeza não têm nada a ver com a cruz de Cristo.

Carregam a mentira e em seus bolsos o dinheiro de fiéis ludibriados em sua fé. Se não existir outro dinheiro, o do caixa dois do engenheiro Paulo, o tal do apartamento de milhões que comprou por trezentos mil.

Gandhi quando perguntado sobre Cristo respondeu assim – “aceito o Cristo de vocês, mas não o cristianismo que praticam”.


Esses bispos...

É caso de Polícia.
Felizmente morreu em 13 de junho de 2012

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Ribeira da minha vida

Joel Santos - Pescador de Sonhos
Ribeira da minha vida
por onde agora andarão
meus barcos de ausência e bruma,
com sua tripulação!

Pergunto se estão de volta,
pergunto se ainda se vão.
Ribeira dos meus cuidados,
minha voz é solidão.

Ribeira da minha vida,
por que sinto o coração
morrer-me nestas areias
de antiga recordação?

Hei de ser o mar e o vento,
e a noite, e a constelação,
- ribeira dos meus cuidados! -
e a própria navegação.

Ribeira da minha vida,
hei de mudar de aflição:
não mais despedida ou espera,
mas naufrágio ou salvação.

Cecília Meireles (1901-1964)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Texto

Pablo Neruda
Sim, senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam. Prosterno-me diante delas. Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as. Amo tanto as palavras. As inesperadas. As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem. Vocábulos amados. Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, espuma, fio, metal, orvalho. Persigo algumas palavras. São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema. Agarro-as no voo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas. E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as. Deixo-as em meu poema como pedacinhos de pedra polida, como carvão, como restos de um naufrágio, presentes da onda. Tudo está na palavra. Uma ideia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu. Tem sombra, transparência, peso, plumas, pelos, têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes. São antiquíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada. Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos. Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos, frutos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo. Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas. Por onde passavam a terra ficava arrasada. Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes. O idioma. Saímos perdendo. Saímos ganhando. Levaram o ouro e nos deixaram o ouro. Levaram tudo. E nos deixaram tudo. Deixaram-nos as palavras.
Pablo Neruda (1904-1973)
♠ ♠ ♠

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Jardim

Donald Zolan
_Menina faceira
de laço de fita
não vás tão bonita
sozinha ao jardim.
Se pensar Beija-Flor
que teu laço é flor,
pelos ares levará
um anel dos teus cabelos.

_Mamãe, não tenha cuidado,
eu sei dar laço bem dado.

_Menina trigueira
de faces vermelhas
no jardim sem teu irmão
não fiques, não.
Se Beija-Flor imagina
que teu rosto é flor,
menina, minha menina,
de certo um beijo te dá.

_Quando ele me der um beijo,
nas minhas mãos estará.

Henriqueta Lisboa (1901-1985)

domingo, 10 de outubro de 2010

Personalidades Históricas: Franz Bardon

Franz Bardon (1909-1958)
Franz Bardon nasceu na antiga Tchecoslováquia. Foi um dos mais importantes magos do século XX, embora seja pouco conhecido. Ele é principalmente conhecido pelos quatro livros que escreveu. Foram publicados em 1950. . Muitos utilizaram suas obras sem lhe dar créditos.
Bardon deu ênfase à prática e a viabilidade acima de tudo. Embora seus livros contem seções teóricas prolongadas, a ênfase esta nos resultados tangíveis, utilizáveis no treinamento mágico.
Bardon não criou uma lenda pessoal sobre seu trabalho. Poucas referências a seu respeito são encontradas em seus trabalhos.
De acordo com a estudante e amiga íntima Otti Votavova, Bardon foi o primeiro treze filhos, apenas quatro deles chegando à idade adulta.
Bardon tornou-se um mago conhecido nos meios iniciáticos, na Alemanha entre 1920 e 1930, sob o motte "Frabato”.
Com o surgimento de Adolf Hitler e o Nazismo, vários grupos esotéricos e até a Maçonaria foram proibidos e alguns membros foram presos.
Por negligência de um dos discípulos (que não tinha destruído a correspondência como Bardon tinha ordenado) Bardon e alguns de seus discípulos foram presos pelos Nazistas entre 1941/1942. Enquanto os prisioneiros estavam sendo chicoteados, um discípulo perdeu o controle e proferiu uma fórmula cabalística para imobilizar os torturadores. Quando Bardon recusou ajudar, os nazistas o torturaram cruelmente. Entre outras coisas, eles executaram operações em Bardon sem anestesia, forjaram anéis de ferro ao redor de seus tornozelos, com pesadas bolas de ferro.
Depois de recuperar sua liberdade, Bardon recomeçou o trabalho oculto e começou a curar pessoas. Foi aparentemente este último trabalho que Bardon começou a ter problemas com o governo. Eles desencorajaram fortemente este tipo de trabalho na Tchecoslováquia pós-guerra.
Começou a fazer demonstrações públicas de magia e de princípios herméticos em vários pontos do país. Foi nessa época em que começou a aceitar estudantes. Iniciava alguns até além da terceira carta de tarô, e também se correspondia com muitos discípulos em outras partes do mundo. Fazia hipnose, lia cartas dentro de envelopes lacrados, localizava objetos escondidos, entre outras coisas. Comprou motos e carros, indo frequentemente aos campos para buscar ervas especiais. Durante essa época, atendia pessoas pedindo ajuda, prevendo o futuro, contribuindo à busca de exilados da Guerra e achando os corpos de pessoas afogadas usando, como ponto de auxílio, fotografias. Também, na cozinha de sua casa, mantinha um laboratório no qual fazia remédios e elixires alquímicos.
Formou-se como naturopata e daí vem sua grande influência em condensadores fluídicos, ervas e medicamentos naturais.
Foi preso de novo em 26 de março de 1958, sob a acusação de preparação de drogas ilegais. Se essa prisão foi apenas um pretexto para outra coisa, como dizem as teorias sobre Adolf Hitler, não sabemos até hoje. Não sabemos também o porquê de ter morrido de, provavelmente, inflamação no pâncreas, após comer um pedaço de presunto defumado que sua própria esposa preparou. Isso aconteceu no dia 10 de julho de 1958. Há muitas teorias sobre sua morte, desde a de que envenenaram esse presunto defumado até a de ele ter se suicidado.
O livro Magia Prática - O Caminho do Adepto - Publicado em 1956 e lançado no Brasil pela Editora Ground, é a única obra de Bardon disponível em português. Um verdadeiro clássico do Hermetismo, esse livro é divido em uma parte teórica e uma parte prática.

Incompletude

Edward Cucuel
A maior riqueza do homem é sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.

Eu penso
renovar o homem usando borboletas.

Manoel de Barros

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Plebiscito sobre aborto ?


Para Marilena Chauí, segundo turno
não pode se tornar 'plebiscito sobre aborto'
A filosofa Marilena Chauí fez palestra nesta sexta-feira (8), ao lado de intelectuais e membros do corpo docente da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP) em um ato organizado para defender a candidatura da governista para a Presidência da República. Ela afirmou que o monopólio da imprensa no Brasil transforma a mídia em um agente antidemocrático e que a disputa não pode se tornar em um plebiscito sobre o aborto, baseado em boatos.
A maioria dos participantes usou seu espaço de discurso para, além de diferenciar os projetos de governo dos candidatos, fazer críticas ao comportamento da imprensa.
Marilena Chauí defendeu que lideranças de esquerda e do PT deixem de atender jornalistas da imprensa convencional, em uma espécie de boicote a pedidos de entrevista. "Para defender a liberdade de expressão é preciso não falar com a mídia", propõe Marilena Chauí. Ela acredita que a mídia dá espaço para figuras do partido e de movimentos sociais apenas para "parecer plural", mas promovendo um "controle de opinião" sobre o que é publicado.
A professora aludiu ao caso da dispensa da colunista Maria Rita Kehl pelo jornal O Estado de S. Paulo. "A democracia não é simplesmente um regime da lei e da ordem", explicou, defendendo que é necessário haver diversidade de opinião na mídia. A professora esclareceu que não se pode permitir que três ou quatro famílias mantenedoras dos meios de comunicação pautem a agenda política do Brasil.
"Temos que impedir que o segundo turno das eleições se torne um plebiscito nacional sobre o aborto", definiu. Para ela, a cada semana é definida uma nova temática para o debate político – se referindo às discussões eleitorais levantadas recentemente, como a da liberdade de imprensa e a da religião.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Prêmio Nobel

No dia 8 de outubro de 1998 José Saramago é o 1º da língua portuguesa a receber o prêmio Nobel de Literatura. Comunista, atraiu a crítica da Igreja em “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, que retrata Jesus como simples mortal.

Hoje o escritor peruano Mario Vargas Llosa de 74 anos conhecido por suas posições políticas consideradas de direita, recebeu o Nobel de Literatura.
Llosa é o quinto escritor latino-americano a receber um Nobel. Antes dele, foram premiados:
  • a escritora chilena Gabriela Mistral (1945),
  • o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1967),
  • o também chileno Pablo Neruda (1971)
  • e o colombiano Gabriel García Márquez (1982).

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Quando se tira um vestido velho do baú

“Quando se tira um vestido velho do baú,
Um vestido que não é para usar, só para olhar.
Só para ver como ele era.
Depois a gente dobra de novo e guarda,
mas não se cogita em jogar fora ou dar.

Acho que saudade é isso.”

Lygia Fagundes Telles

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Antevasin

Antevasin. Em sânscrito, significa alguém que vive na fronteira.
“Em tempos antigos era uma descrição literal. Indicava uma pessoa que abandonara o centro agitado da vida mundana para ir viver para a orla da floresta, onde os mestres espirituais habitavam. O antevasin já não era um dos aldeãos – já não era um chefe de família com uma vida convencional. Mas também ainda não era um ser transcendente – não era um daqueles sábios que vivem nas profundezas das florestas inexploradas, totalmente realizado. O antevasin era alguém entre dois mundos. Habitava essa fronteira. De onde estava, podia ver ambos os mundos, mas olhava para o desconhecido. E era um erudito.
Em sentido figurado, esta é uma fronteira que está sempre a deslocar-se – à medida que avançamos nos nossos estudos e percepções, aquela misteriosa floresta do desconhecido mantém-se sempre alguns passos à nossa frente, para que tenhamos de andar ligeiros para a continuarmos a seguir. Temos de nos manter móveis e flexíveis”.
Elisabeth Gilbert, in "Comer, Orar, Amar".

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A pobreza do eu

A pobreza do eu
a opulência do mundo

A opulência do eu
a pobreza do mundo

A pobreza de tudo
a opulência de tudo

A incerteza de tudo
na certeza de nada.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
∧ ∴ ∧

domingo, 3 de outubro de 2010

O menino

Bartolome Esteban Murillo

Sentado à soleira da porta
Menino triste
Que nunca leu Júlio Verne
Menino que não joga bilboquê
Menino das brotoejas e da tosse eterna
Contempla o menino rico na varanda
Rodando na bicicleta
O mar autônomo sem fim
É triste a luta das classes.
Murilo Mendes (1901-1975)

sábado, 2 de outubro de 2010

Gilmar Mendes

Gilmar Mendes será denunciado
na ONU por telefonema de Serra.
O suposto telefonema do presidenciável José Serra (PSDB) ao ministro Gilmar Mendes, durante uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), levou a ONG Justiça Global e uma série de outras organizações de direitos humanos a encaminhar uma denúncia para as Nações Unidas, devido às suspeitas de falta de independência do magistrado. A ligação telefônica, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, teria ocorrido na quarta-feira 29, durante o julgamento de recurso do PT contra a obrigatoriedade de o eleitor portar dois documentos no dia da votação.
O recurso já havia sido acolhido por sete dos atuais dez ministros da Corte (Eros Grau se aposentou e ainda não foi substituído) quando Mendes decidiu pedir vistas do processo. No dia seguinte, votou contra a requisição petista. De toda maneira, a votação terminou em oito votos favoráveis e dois contra. E, agora, o eleitor pode se apresentar no pleito com qualquer documento de identificação oficial com foto. Vitória do PT, que temia que os eleitores de baixa renda e escolaridade deixassem de votar em função da exigência de dois documentos.
Para as entidades que subscrevem a denúncia, o caso apresenta indícios claros de interferência política nas decisões do Supremo. “Um juiz da mais alta Corte do País não pode receber telefonemas de uma das partes interessadas no meio do julgamento. Pediremos que as Nações Unidas avaliem o caso e cobrem providências do governo brasileiro, para que se faça uma investigação criteriosa dos fatos, inclusive com a quebra judicial do sigilo telefônico se for o caso”, afirma a advogada Andressa Caldas, diretora da Justiça Global.
De acordo com ela, o documento deverá ser encaminhado na tarde desta sexta-feira à brasileira Gabriela Carina de Albuquerque da Silva, relatora especial da ONU sobre a independência de juízes e advogados, e ao Alto Comissariado das Nações Unidas. “Normalmente, encaminhamos esse tipo de denúncia apenas à relatoria da ONU, mas como a titular do cargo é brasileira talvez ela se sinta impedida de avaliar o caso”. Razões para isso não faltam, afinal Gabriela foi assessora de Mendes na época em que ele era presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Andressa ressalta ainda que o ministro Gilmar Mendes, ex-advogado geral da União no governo Fernando Henrique Cardoso, foi acusado outras vezes de atuar de forma parcial no Supremo. “Em diversos casos, o magistrado se pronunciou antes de avaliar os autos do processo e emitiu opiniões contestáveis, por exemplo, ao criminalizar a atuação de movimentos sociais, como o MST”, afirma a advogada. “É por isso que está tomando corpo um movimento pelo impeachment de Mendes. Não temos posição firmada a esse respeito, mas consideramos que esse caso do suposto telefonema de Serra ao ministro, durante o julgamento de um recurso apresentado pelo partido de sua principal oponente nas eleições, deve ser criteriosamente investigado. E, caso se comprove a falta de autonomia, o magistrado precisa ser punido”.
Entre as entidades que subscrevem a denúncia, estão a Rede Nacional de Advogados Populares (Renap), o instituto Ibase e a ONG Terra de Direitos. Além de reportar o caso do telefonema de Serra, o documento enumera outros deslizes do ministro e expõe sua estreita relação com políticos ligados ao PSDB.

Rodrigo Martins
Rodrigo Martins é repórter da revista CartaCapital há quatro anos. Trabalhou como editor assistente do portal UOL e já escreveu para as revistas Foco Economia e Negócios, Sustenta!,Ensino Superior e Revista da Cultura, entre outras publicações. Em 2008 foi um dos vencedores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Gliese 581 g

Descoberto o primeiro exoplaneta habitável - Gliese 581 g
Concepção artística de como seria a superfície de um dos exoplanetas orbitando a estrela anã.
O astro poderá ser o primeiro candidato para uma futura colonização humana. O exoplaneta se encontra exatamente no meio da "zona habitável" de uma estrela anã, região onde há condições naturais para que água líquida se forme.
De acordo com o artigo encaminhado para o periódico Astrophysical Journal, o exoplaneta se encontra exatamente no meio da "zona habitável" da estrela anã Gliese 581, uma região onde há condições naturais para que água líquida se forme na superfície do planeta. Se confirmado, o exoplaneta será o mais parecido com a Terra já encontrado e o primeiro candidato a uma possível colonização. Outros dois exoplanetas na zona habitável do sistema da estrela anã Gliese 581 já foram encontrados. Contudo, eles se encontram nas extremidades, onde a temperatura é muito fria ou muito quente.
Para que um planeta seja potencialmente habitável, ele precisa dar condições para a formação da vida como conhecemos, não necessariamente um lugar agradável para se viver. Muitos fatores influenciam se um planeta será habitável ou não, mas a água líquida e a existência de uma atmosfera estão entre as características mais importantes, segundo os astrônomos.
O exoplaneta foi encontrado depois de observações que duraram 11 anos, utilizando uma mistura de técnicas avançadas e telescópios convencionais. A equipe descobriu mais dois exoplanetas orbitando em volta da Gliese 581, colocando o sistema no topo da lista dos mais populosos, ao lado do nosso sistema solar, com seis planetas.
Os cientistas acreditam que o número de exoplanetas potencialmente habitáveis na Via Láctea pode chegar a 20%, dada a facilidade com que Gliese 581g foi descoberto. Se fossem raros, dizem os astrônomos, eles não teriam encontrado um tão rápido e tão próximo. No entanto, ainda vai demorar muito até que o homem consiga sair da Terra e comece a colonizar outros planetas fora do sistema solar.