sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida

Kim Anderson
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas
vão te aceitar com és e, te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém.
saber que se é realmente amado.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sándor Márai

“Não é verdade que o sofrimento nos purifica, nos faz melhores, mais sábios e compreensivos. Nós nos tornamos frios, iniciados e indiferentes. Quando compreendemos, pela primeira vez na vida, o destino, nos tornamos quase serenos. Serenos e solitários no mundo, de um modo singular e assustador”.
Sándor Márai (1900-1989)

Brisa amiga

Hoje despertei em teus braços,
Brisa amiga,
busco teu rumo,
sinto teu sopro.
Brisa amiga vem comigo
receber o dia.
Sonhos antigos,
outros tempos, outros ventos,
restos, distantes ecos,
confundem meus pensamentos.
Estende teus braços,
apaga, do passado, os traços.
Brisa amiga vem comigo
ver nascer o dia.
Fecho os olhos, a luz me ofusca,
outros sentidos a me guiar,
inspiro profundamente, eterna busca,
quem sabe um dia vou encontrar.

Maria José Speglich

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Cantiguinha de verão

Anda a roda
Desanda a roda

E olha a lua a lua a lua!

Cada rua tem a sua roda
E cada roda tem a sua lua

No meio da rua
Desanda a roda: Oh,

Ficou a lua
Olhando em roda...

Triste de ser uma lua só!

Mario Quintana

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Mensagem

A vida é semelhante à água corrente.
Ela nunca flui para trás.
Pelo que o homem moderno procura em sua vida limitada?
Ele está procurando pela vaidade?
Pelo desenvolvimento?
Pelo seu coração vazio?

(Adaptado de Hozumi Gensho Rôshi,
Zen Heart. York Beach: Wiser Books, 2001.)
Site:Ecos do Silêncio

domingo, 8 de agosto de 2010

Te desejo uma fé enorme

“(...) Te desejo uma fé enorme , em qualquer coisa, não importa o quê. Não como aquela fé que a gente teve um dia, ao acreditar nas ilusões baratas que a vida vendeu pra gente. Aquilo não era fé, era se entregar de cara limpa pra mentira, pra grande podridão que pode ser o mundo. E ainda achar que tá tudo bem, que vai ficar tudo bem. Me deseja também uma coisa bem bonita, capaz de me fazer apagar o que passou e que me dê esperanças, mesmo que sejam pequenas-esperanças, mas nunca mais aquela fé barata. Uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que me convença de que a vida e as pessoas não são essa coisa vazia e triste que parecem ser dia após dia.”
[Trecho do conto "Os Sobreviventes", de Caio Fernando Abreu]

sábado, 7 de agosto de 2010

Aquele que amo disse-me

Aquele que amo disse-me
Que precisa de mim.
Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva.

Bertolt Brecht (1898-1956)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Como é triste a hora quando morre

Deus! Como é triste a hora quando morre...
O instante que foge, voa, e passa...
Fiozinho de água triste...
a vida corre...
em Hora que passa.

Florbela Espanca (1894-1930)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Haikai

Decepado o tronco,
o carvalho renasceu
em forma de berço.

Afonso Estebanez

domingo, 1 de agosto de 2010

O maior trem do mundo

O maior trem do mundo
Leva minha terra
Para a Alemanha
Leva minha terra
Para o Canadá
Leva minha terra
Para o Japão

O maior trem do mundo
Puxado por cinco locomotivas a óleo diesel
Engatadas geminadas desembestadas
Leva meu tempo, minha infância, minha vida
Triturada em 163 vagões de minério e destruição
O maior trem do mundo
Transporta a coisa mínima do mundo
Meu coração itabirano

Lá vai o trem maior do mundo
Vai serpenteando, vai sumindo
E um dia, eu sei não voltará
Pois nem terra nem coração existem mais.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
(Publicado em 1984 – Jornal “O Cometa Itabirano”)

sábado, 31 de julho de 2010

Calmo, na paz que difunde

Calmo, na paz que difunde
a sombra dos altos ramos,
que o nosso amor se aprofunde
neste silêncios em que estamos.

Coração, alma e sentidos
se confundam com estes ais
que exalam, enlanguescidos,
medronheiros e pinhais.

Fecha os olhos mansamente
e cruza as mãos sobre o seio.
Do teu coração dolente
afasta qualquer anseio.

Deixemo-nos enlevar
ao embalo desta brisa
que a teus pés, doce, a arrulhar,
a relva crestada frisa.

E quando a noite sombria
dos carvalhos for baixando,
o rouxinol a agonia
da nossa alma irá cantando.

Paul Verlaine (1844-1896)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poema

Josephine Wall
Quem terá visto algo que em realidade existe,
mas não se manifesta?
Quem terá visto o que se manifesta no coração,
mas não repousa nos lábios?
Quem terá visto aquele que é a realidade do mundo,
mas não se encontra no mundo?
Quem terá visto na existência e na
não-existência uma tal não-existência?

Jalaludin Rumi (1207-1273)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Como as gaivotas e as ondas se encontram

Como as gaivotas e as ondas se encontram,
nos encontramos e nos unimos.
Vão-se as gaivotas voando,
vão pairando sobre as ondas; e nós também vamos.
Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.
A luz do sol me saúda sorrindo.
A chuva, sua irmã triste, me fala ao coração.
Se faço sombra em meu caminho,
é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.
Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração,
e não duvido jamais das flores de tua primavera.

Rabindranath Tagore (1861-1941)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Caminhada

Van Gogh

Chuva morna, chuva de verão
Borbulha de arvores e arbustos.
Oh! Como é bom e cheio de benção
Uma vez mais sonhar de verdade!

Quanto tempo fiquei aqui fora,
Quão estranha essa sensação:
Habitar a própria alma,
O estranho, sem atração.

Nada quero, nada peço.
Baixinho cantarolo sons de criança,
E, surpreso, chego ao berço
Dos sonhos quentes de folgança.

Coração, como estás machucado
Porem feliz, remexendo cegamente,
Nada pensar, nada saber,
Respirar e sentir, somente.

Hermann Hesse (1877-1962)

domingo, 25 de julho de 2010

Alphonse Mucha

Alphonse Mucha -Espírito da Primavera
Há 150 anos nascia Alphonse Mucha (24 de julho de 1860 - 14 de julho de 1939).
Ilustrador e designer gráfico checo e um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau.