sábado, 24 de julho de 2010

O Rumor da Noite

Que me deixem passar - eis o que peço
diante da porta ou diante do caminho.
E que ninguém me siga na passagem.
Não tenho companheiros de viagem
nem quero que ninguém fique ao meu lado.
Para passar, exijo estar sozinho,
somente de mim mesmo acompanhado.
Mas caso me proíbam de passar
por ser eu diferente ou indesejado
mesmo assim passarei.
Inventarei a porta e o caminho.
E passarei sozinho.

Lêdo Ivo (1924-2012)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Haikai

Um sabiá cantou.
Longe, dançou o arvoredo.
Choveram saudades.

Helena Kolody

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Há um tempo...

Há um tempo para o peixe
e um tempo para o pássaro.
E dentro e fora do homem,
um tempo eterno de solidão.

Paulo Mendes Campos (1922-1991)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Poesia

Tomiko Tan
Das viagens que quero
quero a mais só, a mais triste
como um troféu de caminho
pra pendurar no pescoço
e afuscar qualquer lágrima
que me escorra no rosto.

Chandal Meirelles Nasser

domingo, 18 de julho de 2010

Jean Charles de Menezes

Faz 5 anos que Jean Charles de Menezes (07 de janeiro de 1978 - 22 Julho de 2005) foi assassinado com oito tiros a queima roupa no metrô de Londres pela Scotland Yard britânica, SO19, confundido com um homem-bomba.
Em 16 de novembro, o jornal Daily Telegraph publicou uma reportagem acusando a polícia britânica de utilizar munição de ponta oca, conhecida como dundum, para matar Jean Charles. O armamento foi proibido pela Convenção da Haia de 1899, por motivos humanitários (o projétil se estilhaça dentro do corpo do indivíduo atingido, provocando dores lancinantes, o que normalmente não acontece com uma bala comum).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lunar

Dorina Costras
A lua aconteceu hoje rasgada,
pois brigou com um trovão
da madrugada.
Não gostou do seu clarão.
Sentiu-se ultrajada.
Recolheu seu pedaço ferido
e o manteve escondido
daqueles que se amavam sob seu encanto.
Assim incompleta,
a lua amoitou-se numa nuvem preta
e choveu em pranto.

Flora Figueiredo

segunda-feira, 12 de julho de 2010

221 anos - Queda da Bastilha

No dia 14 de Julho comemora-se - A “Queda da Bastilha”. Este acontecimento revolucionou a história do mundo e criou esperança num mundo melhor a milhões de seres humanos que se sentiam descriminados e explorados.
O dia 14 de Julho de 1789 marca o início do movimento revolucionário pelo qual a burguesia francesa, consciente de seu papel preponderante na vida econômica e cultural, se determinou a conquistar o poder a um aristocracia apoiada numa monarquia absolutista e corrupta que se endividada para manter uma corte pomposa, rodeada de uma nobreza parasitária.
A França era nesta altura, finais do século XVIII, um país essencialmente agrário. A industrialização vai-se desenvolvendo, permitindo a formação de uma nova classe, a burguesia.
A sociedade está dividida em três grupos básicos. O clero é o Primeiro Estado, a nobreza, o Segundo, e os cerca de 95% restantes da população, que inclui desde ricos comerciantes até camponeses, formam o Terceiro Estado. E é este último que, estimulado pelos ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade, se revolta contra os privilégios da minoria.

sábado, 10 de julho de 2010

Barcos de Papel

Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada
eu saía a brincar pela calçada
nos meus tempos felizes de menino
Fazia de papel, toda uma armada
e, estendendo meu braço pequenino
eu soltava os barquinhos, sem destino
ao longo das sargetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
São feitos de papel, como aqueles,
perfeitamente, exatamente iguais...
- que os meus barquinhos, lá se foram eles!
foram-se embora e não voltaram mais!

Guilherme de Almeida (1890-1969)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Outras Palavras

Para dizer certas coisas
são precisas
palavras outras
novas palavras
nunca ditas antes
ou nunca
antes
postas lado a lado.
São precisas
palavras que nascem com
aquilo que dizem
palavras que inventaram
seu percurso
e cantam sobre a língua.
Para dizer certas coisas
são precisas palavras
que amanhecem.

Marina Colassantti

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Como o homem é fraco

Como o
homem é fraco
e o destino inelutável.

Fazemos juramentos que
não cumprimos e nossa
própria humilhação nos é
indiferente.

Eu mesmo procedo
frequentemente
como um desassisado.

Mas tenho uma escusa:
estou embriagado de amor!

Omar Khayyám (1048-1131)

domingo, 4 de julho de 2010

20 anos sem Cazuza

Cazuza nasceu Rio de Janeiro em 4 de abril de 1958 e morreu em 7 de julho de 1990, também no RJ.
Cazuza foi uma figura polêmica com uma vida tumultuada. Contraiu AIDS em 1985, mas começou a piorar a partir d e 1987. Na época ainda não havia tratamento adequado para esta doença. A primeira droga para ajudar no tratamento da doença, o AZT, só é criada em 1987, mas começa a ser produzido no Brasil a partir de 1993. Hoje o Brasil é referência no tratamento da AIDS, inclusive distribuindo gratuitamente esse medicamento para os portadores da doença.
Após sua morte, seus pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza em 1990, cujo objetivo é proporcionar uma vida melhor à crianças soropositivas através de assistência à saúde, educação e lazer .
Em apenas nove anos de carreira, Cazuza deixou 126 canções gravadas, 78 inéditas e 34 para outros intérpretes.
Abaixo a letra de uma música que ele fez e mostra bem os anseios de sua geração.

Amor, meu grande amor
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções como as paixões
E as palavras
Me veja nos seus olhos
Na minha cara lavada
Me venha sem saber
Se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor
Me chegue assim bem de repente
Sem nome ou sobrenome
Sem sentir o que não sente
(Refrão)
Que tudo que ofereço
É meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo.


Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser
Que seja de qualquer maneira
Enquanto me tiver
Que eu seja a ultima e a primeira
E quando eu te encontrar, meu grande amor
Me reconheça
(Refrão)
Amor, meu grande amor
Que eu seja a ultima e a primeira
E quando eu te encontrar, meu grande amor
Por favor, me reconheça.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Trem de Ferro

O trem de ferro
passa no campo
entre telégrafos.
Sem poder fugir
sem poder voar
sem poder sonhar
sem poder ser telégrafo.

A moça na janela
vê o trem correr
ouve o tempo passar.
O tempo é tanto
que se pode ouvir
e ela o escuta passar
como se outro trem.

Cresce o oculto
elástico dos gestos:
a moça vê a planta crescer
sente a terra rodar:
que o tempo é tanto
que se deixa ver.

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Noite

Roberto Weigand

Úmido gosto de terra,
cheiro de pedra lavada
— tempo inseguro do tempo! —
sombra do flanco da serra,
nua e fria, sem mais nada.
Brilho de areias pisadas,
sabor de folhas mordidas,

— lábio da voz sem ventura! —
suspiro das madrugadas
sem coisas acontecidas.
A noite abria a frescura
dos campos todos molhados,

— sozinha, com o seu perfume! —
preparando a flor mais pura
com ares de todos os lados.
Bem que a vida estava quieta.
Mas passava o pensamento...
— de onde vinha aquela música?
E era uma nuvem repleta,
entre as estrelas e o vento.

Cecília Meireles (1901-1964)

sábado, 26 de junho de 2010

Ramsés II

John David Parrish
Entre o Divino e o Terreno
Ramsés II foi o terceiro faraó da XIX dinastia egípcia, uma das dinastias que compõem o Novo Império. Reinou entre aproximadamente 1279 a.C. e 1213 a.C.
O seu reinado foi possivelmente o mais prestigioso da história egípcia tanto no aspecto econômico, administrativo, cultural e militar. Também um dos mais longos reinados da história egípcia.
Aos dez anos Ramsés recebeu o título de "filho primogénito do rei", o que correspondia a ser declarado como herdeiro do trono. O seu pai introduziu-o no mundo das campanhas militares quando era ainda um adolescente, tendo Ramsés acompanhado o seu pai em campanhas contra os Líbios e em campanhas na Palestina.
Quando jovem (20 anos), casou-se com Nefertari, a mais importante e célebre das várias esposas que Ramsés teve na sua vida, tendo sido a grande esposa real até à sua morte.
O primeiro filho deles chamava-se Amun-her-khepeshef e nasceu antes que Ramsés II subisse ao trono.
Quando jovem participava ativamente do exercito nas campanhas de seu pai, e fora nomeado seu sucessor.
Era uma época de milagres, maldições, de deuses e homens que acreditavam ser deuses. E de um jovem guerreiro do mais poderoso império do mundo, o homem que desafiou o Deus dos hebreus, Ramsés O Grande.
Segundo a Bíblia seu amado primogênito foi morto na última e mais terrível de Dez Pragas, uma praga que obrigou o faraó a libertar seus escravos hebreus e seu líder Moisés, dando início para a longa jornada conhecida como Êxodo. Um egiptólogo acredita ter encontrado no Vale dos Reis o crânio do primogênito de Ramsés.
A ciência forense analisou as questões:
1. Seu primogênito foi realmente morto na última maldição de Deus para que ele liberasse os judeus do cativeiro no Egito.
2. Qual a idade dele quanto morreu?
Muitos arqueólogos não acreditam que o êxodo ocorreu, porque os egípcios não deixaram nada escrito. Vá ate o maior complexo de tempos já feito, Karnac, e conheça a história da batalha de Kadesh (para Ramsés uma das maiores batalhas vencidas pelo Egito, mas outro tratado diz que houve empate). Deste modo nunca será encontrada nada do êxodo pois está foi uma batalha perdida e Ramsés não ia deixar nada nem ninguém saber disto.
Voltamos ao êxodo bíblico. Ramsés II após as 10 pragas manda os judeus irem embora, mas seu filho muda de ideia e da cidade de Pi Rameses saem carroças que vão atrás dos judeus. Deus manda uma rajada de fogo que bloqueia o caminho. Os judeus estão presos entre este fogo e o mar vermelho. Moisés, no seu gesto mais famoso, estende sua mão e abre o mar para os judeus passarem. Quando o último atravessa, a coluna de fogo some e os egípcios entram no mar, mas este se fecha e eles morrem.
Na história bíblica, Ramsés é quem persegue os judeus, mas ele era muito velho de acordo com estudo e isto torna-se improvável.
No crânio encontrado está uma marca que pode sugerir algumas coisas, como:
• a queda de uma biga;
• assassinado no harém do pai;
• ou morrido com um golpe na cabeça no campo de batalha (a + provável).
Isto significa que sua morte não foi igual a descrita no êxodo. O que ocorreu então?

Pode ter sido erro de tradução: mão foram 600.000 hebreus libertados no Exodo, mas poucos milhares e Mar Vermelho quer dizer na verdade mar-de-junco, que é na verdade um pântano.
Outros 2 erros: Moisés não tinha 80 anos, mas era jovem e o exército hebreu não estava tão indefeso. Como o mar-de-junco era um pântano, as bigas atolaram e os hebreus mataram todos, inclusive Amun-re-Kepechek.
Ramsés então cria a metáfora da 10ª praga para ocultar esta história!!!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Um ano sem o rei do Pop

Michael Jackson
Há um ano foi anunciada a morte de Michael Jackson, o rei do Pop e um dos maiores ídolos da música e da dança nas últimas gerações.
A imprensa o criticou muito e não soube mostrar a quantidade de pessoas que ele ajudou durante toda a carreira. Só começaram a falar bem depois que ele morreu.
Michael esteve no Brasil:
• 1974 - Quando era adolescente, acompanhado dos irmãos no grupo Jackson Five, se apresentou em cinco capitais.
• 1993 trouxe a apresentação da turnê Dangerous para o Estádio Morumbi, em São Paulo.
• Em outros momentos, veio gravar clipes e participar de entrevistas e projetos sociais.

Mesmo com a aparente distância, ele mostrava uma relação de carinho com o País e cultivou o amor de diversos fãs.